
(Não aconselhável a pessoas sensíveis)
Ano passado, a DECO lançou uma campanha denominada “Vamos acabar com os pontos negros”.
Por razões que adiante explicarei, achei mal.
Um destes dias li no “Metro” que Manuel João Ramos,ex- vereador da CML e presidente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) discorda da definição de pontos negros adoptada pela DGV, porque “não é ética e sacrifica vidas humanas”.
Estou de acordo. A definição da DGV é um pouco sádica e, pessoalmente, também tenho sido vítima de uns pontos negros que nada têm a ver com aqueles de que falam a extinta DGV e a DECO.
Os pontos negros de que falo não matam, mas doem. Não estão nas estradas, mas sim nas minhas costas. Mas se doem, porque não estarei eu de acordo com a campanha da DECO?
É simples. Tenho tirado, ao longo da vida, alguns benefícios dessa característica da minha pele. Quando ainda era jovem e as miúdas me diziam “Ena, tantos pontos negros!”, confesso que me sentia envergonhado e a minha vontade era desaparecer. Cheguei a confessar a um médico o incómodo que me causavam no relacionamento com as miúdas, mas ele explicou-me que nada havia a fazer, porque a sua profusão se devia às características da minha pele sul-americanizada.
Quando “amadureci” ( eu tenho sempre esta mania de que já sou um homem maduro, não liguem!) comecei a perceber que algumas mulheres adoram pontos negros.
Depois de... ( bem vocês sabem do que estou a falar) muitas namoradas em permanência ou apenas de passagem mostravam-se encantadas com a possibilidade de passar alguns minutos a espremer- me os pontos negros. “Deixa-me espremer !Deixa lá! É só um, vá!” E eu, naquele estado de modorra em que o corpo e a mente se aquietam depois daquilo que vocês sabem, lá ia na cantiga! Claro que atrás de um vinha outro e a coisa só parava quando eu, desperto do torpor, acabava por me impôr e punha fim à “reinação”.
Houve uma altura da minha vida em que cheguei a desconfiar que a minha característica de pele passava de boca em boca e comecei mesmo a imaginar quando uma namorada de ocasião ia com uma amiga à casa de banho e me deixavam a sós, a conversa que se travava entre elas
“ Não me digas ! Se ele tem assim tantos, deixa-me só dar uma voltinha! Vá lá, é só um bocadinho... eu prometo que não espremo todos...”
As coisas podiam não se passar exactamente assim, mas a verdade é que a avaliar pelas situações em que depois de uma ida à casa de banho, as amigas das minhas "namoradas" passavam umas horas a escrutinar as minhas costas, me levaram a imaginar que assim fosse.
O reverso da medalha foi começar a pensar que as mulheres saíam comigo pelo supremo prazer de me aliviarem as costas de uns quantos pontos negros.
Isso não impediu que algumas vezes me tivesse sentido tentado a exibir despudoradamente as minhas costas a algumas mulheres que eu gostava que fossem minhas namoradas. Contive-me sempre, mas perdi a hipótese de confirmar o sucesso da estratégia.
Pronto, esta CENA é parva, mas que querem? É este Verão do Porto que me põe assim!