quarta-feira, 23 de julho de 2008

Coisas do Sebastião (7)

A nova Fada do Lar
Desde que os telecomandos modificaram os hábitos dos chefes de família e instituíram a prática do “zapping”, que as mulheres aspiravam a um aparelho idêntico que aliviasse as tarefas domésticas. Pois ele aí está!!!
Um súbdito de Sua Majestade inventou um “braço mecânico” com uma mão em cada ponta, que pode ser programado para fazer diversas actividades., como aspirar a casa e lavar a loiça. Movendo-se sozinho pela casa, o “braço” vai-se ligando às tomadas eléctricas, accionando os aparelhos necessários para fazer a limpeza do lar.
As suas funções podem ser ainda mais sofisticadas, podendo mesmo substituir o marido ( eh, mentes diabólicas, não é isso!!!) na tarefa de substituição de uma lâmpada que ele vem adiando há uma semana sob variados pretextos.
O folheto informativo não esclarece se o referido aparelho está habilitado a substituir o marido noutras tarefas, ou a solucionar as dores de cabeça crónicas de algumas esposas...

Conversas com Paplagui (33)

- Deixei-te uma mensagem no telemóvel e não respondeste
- Não ouço mensagens...
- Também te enviei um SMS
- Não leio SMS...
- Então para que é que tens telemóvel?
- Eh pá! Não vês que me faz imensa falta?

Dicionário do Rochedo(9)

Ciberespaço- Tal como o saber, é aquele que não ocupa lugar

E os abutres foram com o Pai Natal ao circo!

Talvez seja injusto ao escrever isto, mas as notícias que leio sobre as dificuldades de algumas famílias portuguesas, que estão a recorrer à Santa Casa da Misericórdia ( por e-mail, note-se!!!) pedindo auxílio, deixam-me indiferente. O mesmo sentimento por aqueles que roubam no supermercado produtos caros.

Muitas destas famílias vivem confortavelmente, rodeadas de produtos supérfluos que adquiriram com recurso ao crédito, mas preferem sujeitar-se à humilhação ( partindo do princípio que sabem o que isso é...) de pedir auxílio a uma instituição que está vocacionada para acudir aos mais necessitados, a desfazer-se dos bens que- acreditam- lhes conferem o estatuto social que a publicidade, às cavalitas do modelo de sociedade onde vivemos, lhes apregoa.

Desde 1998 que venho escrevendo sobre questões de endividamento, alertando para os perigos do endividamento excessivo; já participei em dezenas de sessões de esclarecimento sobre o assunto. Tive sempre a sensação que, do lado de lá, quem me lia e ouvia murmurava interiormente: " esses exemplos são de gente sem cabeça, comigo isso nunca vai suceder!"

Quem assim pensava tinha um aliado de peso.Enquanto eu escrevia, falava, mostrava situações de famílias que passavam dificuldades, o Banco de Portugal assistia, impávido, à proliferação de publicidade que convidava as pessoas a endvidarem-se de forma néscia e comunicava a todos os portugueses que a situação ainda não era preocupante. Era o que os portugueses, inebriados na febre consumista do pavão, queriam ouvir. Quem mais sábio do que o Banco de Portugal- Entidade Reguladora do sector bancário- para analisar a situação? Por outro lado, o presidente da associação nacional de bancos também vinha, qual abutre a quem pretedem roubar a presa, protestar contra os alarmismos de alguns jornalistas. "Está tudo bem, não há razão para preocupações...".

Mas havia! Quando a taxa de endividamento dos franceses ultrapassou os 76%, tocaram as sinetas de alarme em França. Nessa altura, a taxa de endividamento ds portugueses já ultrapassara os 100%, mas como nós somos bons na arte do desenrascanço, que mal havia em fomentar o desperdício?

É certo que os portugueses se endividaram por culpa própria, mas aqueles que tinham o dever de os alertar não só nada fizeram, como ainda contribuíram para que a situação se agravasse.

Agora, na situação de penúria, outros abutres se levantam. Paulo Portas foi o primero a aguçar os dentes, acusando o BP de inacção. É preciso ter topete e não ter um pingo de vergonha na cara! Que legitimidade tem PP para criticar o BP? Os portugueses têm memória!

Provavelmente, a próxima abencerragem a surgir indignada, perante as venerandas câmaras ou nas passadeiras de vaidades que certa imprnsa está sempre disposta estender-lhe, será o inenarrável António - Salvador da Pátria- Borges. Fechar-se-á por aí o círculo da hipocrisia, ou ainda vamos assistir à exibição de novos artistas neste circo de abutres?

Pelo país dos blogs (21)

Agora tirem as vosas conclusões

"Os emigrantes ucranianos chegaram a Portugal sem um tostão, depois de terem gasto o que tinham numa viagem para Portugal, chegaram cá e não pediram nem tinham direito a rendimentos mínimos ou subsídios de desemprego, chegaram e procuraram trabalho, a maioria encontrou-o apesar de sempre ter havido desemprego, não foram morar para bairros da lata, mandaram os filhos para a escola.
Hoje temos uma comunidade ucraniana bem sucedida, gosta de Portugal e dos portugueses e estes gostam deles, integraram-se nos bairros onde vivem, são bons vizinhos, esforçam-se por perceber a nossa cultura e integram-se na sociedade, os seus filhos são educados e excelentes alunos.
Comparem-nos e tirem conclusões, avaliem muitas das tretas que políticos, ideólogos e responsáveis por movimentos dizem por aí, avaliem-nos à luz da experiência da comunidade ucraniana.
Deixemo-nos de tretas, uma parte da pobreza em Portugal anda de mão dada com a falta de vontade de trabalhar, há grupos sociais onde uma boa parte dos seus membros nunca chega a trabalhar em toda a vida e, pior ainda, encontraram excelentes soluções para viverem à custa dos que trabalham e que, não raras vezes, ganham menos do que eles. Alguns desse pobres são verdadeiros novo-ricos ao pé de outros pobres, daqueles que não têm etiquetas que os possam tornar em protegidos da sociedade."

Publicado no Jumento ( com link na coluna da direita). Para ler e pensar. Eu assino por baixo e já tirei as minhas. E vocês?

Posts com dedicatória (4)

Regressou à nossa companhia depois de uns dias de férias. Sei que estava à espera de um presente que alguém lhe haveria de trazer do Afeganistão. Não sei se já o recebeu, mas entretanto trouxe-lhe estes presentinhos sem importância da cooperativa Mó de Vida.
São produtos do Comércio Justo. Achei-os bonitos. Espero que goste. Sirva-se.