terça-feira, 22 de julho de 2008

Arquive-se!



Se o caso Maddie fosse tema de seriado americano, ou de filme do “Dirty Harry”, certamente que um dia destes haveria um polícia a desenterrar o processo e a descobrir toda a verdade. Não é que não tenha esperança em saber um dia o lado B de toda esta história, mas duvido é que ela venha a ser divulgada graças à acção de um polícia inconformado. Na vida real as coisas resolvem-se com mais "subtileza", porque valores mais altos se levantam .E por aqui me fico...
O que de mais preocupante ressalta em volta do desaparecimento de Maddie, não é o ( para mim aparente) falhanço da PJ. Verdadeiramente preocupante é perceber, dia a dia, que vivo num país onde o acesso à justiça está condicionado por outros valores, a saúde é vista como um luxo sóao alcance de alguns, a educação está refém das estatísticas, o ambiente e a cultura são peças decorativas descartáveis nas opções governativas.
O caso Maddie é mais uma peça desconchavada no cenário de uma justiça que surge aos olhos dos cidadãos mutilada na sua essência: a descoberta da verdade. Vejam-se, por exemplo, os recursos ( financeiros, técnicos e humanos) postos à disposição de uma equipa de élites para desvendar os casos de corrupção desportiva. E nem invoco o argumento de que haveria coisas muito mais importantes a desvendar pela justiça do que a pretensa corrupção no futebol, com epicentro a Norte. Limito-me a constatar que a tão badalada operação “Furacão” está prestes a ser reduzida a pó; que ainda não sabemos se a mãe de Joana é realmente culpada do desaparecimento da filha; que o caso Esmeralda se arrasta há tempos sem fim, pondo em causa o futuro da criança; que não se vislumbram grandes sucessos no processo Casa Pia; que naquele “processo exemplar” do Apito Dourado, que serviria de exemplo ao país, não houve um único condenado por corrupção, mas sim por delitos menores ( de que não estavam inicialmente acusados, sublinhe-se...) que são tão comezinhos em Portugal, como beber um copo de água numa tarde de estio.
Sinto-me a viver num país à espera de alguém que do alto do poder que a União Europeia lhe conferiu, pronuncie um dia o fatídico e decisivo despacho: “Arquive-se! Portugal é um caso sem solução à vista.”

Os putos divertem-se (2)


A JS ( Juventude Socialista) reuniu-se em congresso durante o fim de semana. O vigor da organização revelou-se logo no facto de só haver um candidato à liderança da agremiação rosa. Por aquelas bandas, o debate de ideias deve ser comparável à balada monocórdica dos dirigentes adultos.
Os Jotas da Rosa talvez quisessem transmitir ao país que com eles algo iria mudar no PS, mas o que de melhor arranjaram para o demonstrar, foi colocar em debate questões fracturantes como o casamento dos homossexuais, a adopção por casais “gays”, a eutanásia ou a regulamentação jurídica da prostituição. Não coloco em causa o interesse destas questões, mas acredito que o único propósito da apresentação destas propostas foi piscar o olho à esquerda, fazendo assim um favorzito ao governo que a todo o custo vai querer pescar votos à esuqerda em 2009.
Não vi, li ou ouvi, ao longo destes dois dias, quaisquer propostas da JS que apontassem para a solução de problemas graves que afectam o país, de uma forma diferente da que os dirigenets do partido pai preconizam. Admito que tenha havido défice de informação e que eu, fruto da canícula, tenha estado um pouco distraído. Mas se alguma coisa importante se tivesse passado certamente teria tido eco na comunicação social.
A frase mais ajuizada que ouvi no Congresso foi proferida por Alberto Martins : “arrisquem o sonho e construam a utopia”. A questão, é que esta frase foi proferida por um antigo resistente que hoje em dia também parece estar acomodado à Nova Ordem”. Depois, foi lá Sócrates fazer chacota das palavras de Ferreira Leite sobre o casamento entre homossexuais , dando um bom exemplo aos jotinhas como devem comportar-se quando forem grandes: esquecer ideias e projectos e recorrer à chicana política é quanto basta ( na opinião de José Sócrates) para ser feliz - agora e no futuro.
Mais abaixo, na Figueira da Foz, Manuela Ferreira Leite dirigiu-se aos jotas laranjinhas, com um dixcurso que eu ouvia da minha avó. Com o país mergulhado na crise, os jovens aflitos para encontrar emprego, MFL sugeriu-lhes que não reivindicassem subsídios de desemprego, que fossem empreendedores e se tornassem todos empresários. Por outras palavras: desenrasquem-se e não venham cá pedir batatinhas, que para o vosso peditório já dei.
Cada um à sua maneira, os líderes dos principais partidos deram maus exemplos e maus conselhos aos jovens. Há alguma esperança no futuro? Sim, talvez para José Sócrates, que vê MFL cada vez mais à sombra de Cavaco Silva, o que só o irá beneficiar em 2009. Os jovens portugueses não se vão esquecer como foram tratados por Manela e Cavaco, quando estiveram no Poder. Siga para Bingo!


Os putos divertem-se (1)


Há uma coisas que me irrita solenemente : os jotas. Essas jovens tribos partidárias que antecedem o nome do partido a que pertencem, com o prefixo Jota, trazem -me sempre à memória a Mocidade Portuguesa, entidade de que sempre fugi com artimanhas várias. A minha aversão às sessões doutrinárias de sábado à tarde, no João de Deus, causaram amargos dissabores ao meu pai, sucessivas vezes chamado ao colégio para explicar as razões da minha evasão a tão benfazejas horas de doutrina pátria. Na tentativa de o ajudar a explicar-se, cheguei a simular um estratagema, que consistia em provar que envergar aquela farda me provocava alergia. Fi-lo por escrito, em carta dirigida ao comandante de “esquina”, um puto já com buço e ar de Sílvio Cervan dos anos 60, ( sim, também era sócio do Benfica) que orientava os trabalhos. O resultado foi uma suspensão das aulas durante uma semana.
Cresci como as ervas daninhas, rejeitando de forma sistemática qualquer “canga” que me quisessem impôr e assim continuei, já adulto, resistindo estoicamente aos apelos de amigos que me convidavam para enfileirar este ou aquele partido. Até hoje.
Creio que já perceberam a razão porque não vou à bola com as Jotas. Jovens que servem de correia de transmissão dos valores do seu partido, sem apresentar alternativas aos erros dos adultos e até identificando-se com eles, não trazem nenhum contributo para melhorar o país.
Conheço um número razoável de Jotas no Centrão. Cada vez que vejo a sua actuação, quando chegam a lugares de chefia na Administração Pública, contorço-me em esgares de revolta. Têm os mesmos vícios dos adultos e logo lhes copiam as manhas, exigindo as mesmas mordomias: carros novos, telemóveis, cartões de crédito e uma parafernália de mimos a que se julgam com direito.
Os Jotas são a cópia da devassa do Centrão. A única ideia que têm de futuro para Portugal é a da manutenção dos jogos de influências, da arregimentação e do compadrio. É por essas e por outras que não acredito no futuro de Portugal. Os jovens tantas vezes anunciados como aqueles que vão construir um Portugal novo, já são velhos aos 30 anos. Nas ideias, nos comportamentos, na sua visão da sociedade. Dos Jotas, nada espero. Dos jovens que se libertaram da canga partidária, não sei. Terão força para lutar contra o situacionismo? Espero bem que sim , porque é neles que deposito a minha última réstia de esperança.

Dicionário do Rochedo (8)

Centro Comercial - Conjunto de lojas de bairro que se agruparam em holding; nova forma de exploração de trabalhadores; local de diversão onde as pessoas sem imaginação vão passear ao fim de semana; cemitérios das salas de cinema; local onde as mulheres derretem os cartões de crédito dos maridos, enquanto eles vão ao futebol ( versão macho man do S.L e Benfica))