segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dicionário do Rochedo (7)

BUG- Palavra muito utilizada pelos portugueses em 1999. Significava que se as coisas não corressem bem no dia 1 de janeiro de 2000, não teríamos dinheiro no banco, nem poderíamos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do reveillon . Para os mais caretas significava a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador; desgraça, catástrofe; caos. Na verdade ( muitos só o souberam depois...) significa apenas o transtorno causado a Thomas Edison por um insecto, que dificultou o funcionamento do seu fonógrafo.
Entretanto, há já quem anuncie um novo Bug para 2038.

O fim do mito alentejano


Entro em Portugal pela fronteira de Elvas, ansioso por comer um “petisco” alentejano e matar saudades da comida portuguesa que não trinco há três semanas. Abandono a auto-estrada e vou em busca de um local onde possa saciar o meu desejo. Ao fim de alguns quilómetros ( que se hão-de estender até às proximidades de Évora) constato que perdi tempo à procura de algo que já não existe...
O mito alentejano que surgiu algures nos anos 70 e se acentuou na década de 80 está a esfumar-se.
Os vinhos já não são o que eram e a hotelaria de qualidade é uma coisa que praticamente não existe, porque não chega ter boas instalações, é preciso também ter bom serviço e os restaurantes apostarem numa boa comida regional, em detrimento da comida internacional asséptica a que alguns “gourmets” encartados chamam de “fusão”. Mas, como me disse um hoteleiro, o problema é que nas Escolas de Hotelaria é isso que ensinam!
E quanto a pessoal? Os locais não querem trabalhar na hotelaria, e quem troca uma quitanda em Lisboa ou no Porto, com comensais diários assegurados, por um estabelecimento hoteleiro , ainda que luxuoso, mas quase sempre às moscas?
Quem entra em Portugal pela fronteira de Elvas e pensa poder matar saudades da cozinha portuguesa, desiluda-se. Desapareceram as velhas casas de pasto e tasquinhas onde a comida regional alentejana era quase sempre boa e proliferam as marisqueiras, muito procuradas pelos espanhóis, principalmente ao fim de semana .
A cultura cerealífera, que emprestava toda aquela “mística” à paisagem alentejana deu lugar a pastos para porco preto, borregos e pouco mais, e os olivais reduzem-se a pequenos tufos verdes, circundando os “montes” com piscinas, que muitos lisboetas compraram para repouso de fim de semana.
Também muitos europeus vieram instalar-se no Alentejo, em busca do sossego que já não encontram nos seus países, optando por uma vida em contacto permanente com a natureza. Passeando pelo Alentejo, constata-se que não foi só a paisagem a mudar radicalmente com o Alqueva, para gáudio de espanhóis e amantes de desportos aquáticos. Mudou também a própria essência da região
Quanto à costa alentejana, estamos conversados. De PIN ( Projecto de Interesse Nacional) em PIN, vão desaparecendo as praias de excelência e surgindo os empreendimentos turísticos cavalgando a costa.
Por cada festival de música, ergue-se uma multidão de oportunistas prontos a sacar do turista de ocasião os lucros de uma época inteira. Em vez de darem valor à qualidade dos produtos regionais, os “taberneiros” e “quitandeiros” da costa alentejana internacionalizaram-se na comida de plástico e na má qualidade de serviço.

O Alentejo é,hoje, uma pálida imagem de outros tempos. Ainda resistem algumas excepções, quase sempre segredos bem guardados por quem conhece aquelas paragens de gingeira mas, por muito que a Odete Santos insista em dizer o contrário, a verdade é que o Alentejo nunca mais voltará a ser “nosso” ( nem “deles”...)

Regresso ao Cubo


" Este fim-de –semana, uma amiga desafiou-nos a ir à nova coqueluche da noite lisboeta. O Kubo é um espaço à beira rio concebido e explorado pelo clã familiar de João Rocha que justifica plenamente – apesar dos preços especulativos a que já me habituei na noite lisboeta – mais visitas. Em noites quentes como a da última sexta-feira, com a Lua a reflectir a sua luz nas águas calmas do Tejo, os lisboetas não desperdiçaram a oportunidade de comungarem uma parte da noite com o seu rio, num espaço onde o bom gosto se alia à simplicidade. Muitas caras conhecidas, hordas de jovens em estágio exploratório antes de partirem para as discotecas e os “voyeurs” do costume.Na última sexta feira houve Lisboa ao Cubo. No Kubo. "
Bom, isto foi o que escrevi ano passado, quando o Kubo abriu as suas portas, em período de obras da Kapital.
Este fim de semana voltámos lá. A mesma lua espelhada nas águs do Tejo, o mesmo calor, o mesmo cenário, mas uma diferença abissal: o Kubo perdeu o "glamour". Caras conhecidas poucas, uma invasão de meninos de "casquette" a emprestar ao espaço uma aragem de subúrbio, a que nem sequer faltam umas figuras femininas a fazer lembrar os "Classificados Relax" do DN.
Hei-de lá voltar para ver se confirmo a má impressão ou se, pelo contrário, recupero a boa imagem com que fiquei ano passado. Depois digo-vos.

"Workshop" Comércio Justo

Depois de na sexta-feira vos ter deixado uma proposta de discussão sobre o Comércio Justo, para uma noite de Verão, hoje proponho uma tarde "prática".
Amanhã, dia 22, às 15 horas, terá lugar na Cooperativa Mó de Vida, no Pragal, o workshop "À mesa com o Comércio Justo".
A iniciativa é do Instituto Marquês de Valle Flôr e o objectivo é não só dar a conhecer os princípios do CJ, mas também ensinar a confeccionar alguns pratos com produtos provenientes da América do Sul e de África, comercializados pelo CJ.
Uma oportunidade para conhecer melhor os princípios e fundamentos do CJ, ficar a saber novas receitas com que pode surpreender os seus amigos e acabar de vez com essa ideia que o CJ se reduz a café e pouco mais.
Além do mais, a Mó de Vida é uma cooperativa muito simpática onde poderá encontrar produtos inovadores ( para as senhoras há peças de vestuário tentadoras) a preços razoáveis.
E, quem sabe, não sairá de lá com a solução para alguns presentes de Natal?