sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sugestão para as noites de Verão (1)



Imagine o seguinte cenário:
Um restaurante ( em qualquer ponto do país) afamado pela sua gastronomia e também pelos preços que pratica - caros!!!)
Na altura de tomar café, é-lhe apresentada uma vasta lista daquela bebida, com marcas de proveniências várias. Opta por uma chávena de Sagris da Papua , cujo preço é de 3€.
Recorde-se então de uma viagem que fez ano passado àquele país e da visita a algumas plantações de café, na zona de Madang, onde constatou as condições precárias em que trabalham os nativos que andam na apanha do café e soube que auferem a fabulosa quantia de 3 cêntimos à hora ( repito: TRÊS)!
Fazendo rapidamente as contas, chega à conclusão que um trabalhador da apanha do café na Papua Nova Guiné teria que trabalhar 100 horas para pagar um café naquele restaurante. Apesar de tudo, constata que a situação já é melhor, porque em 1992, o mesmo trabalhador precisava de 164 horas de trabalho. Se for optimista, conclui: vantagens da globalização!
O exercício que lhe proponho, para uma noite destas, é o seguinte:
Discuta com os seus amigos o verdadeiro significado da globalização, procurando ponderar vantagens e inconvenientes. De passagem, mostre que é uma pessoa bem informada sobre o assunto e fale-lhes de algumas marcas prestigiadas, com fábricas no Vietname, cujos trabalhadores vivem em condições sub-humanas; dos trabalhadores que certas empresas americanas, muito reputadas internacionalmente, recrutam na China e mantêm como escravos nas suas instalações na ilha de Guam; do trabalho infantil que enche as montras das lojas com produtos que consumimos com prazer, indiferentes à miséria de quem os produz. Finalmente, fale aos seus interlocutores da experiência mundial do Comércio Justo.
Exercício alternativo: se considerar este exercício muito puxado, proponho que pegue nos suplementos de Verão de alguns jornais, ou leia a “Caras” . Sempre é um exercício mais sedutor e menos exigente!

Coisas do Sebastião (6)


Automóveis movidos a lixo
Não se trata de ficção... é mesmo verdade! Depois dos carros a gás e dos carros eléctricos, surgiu também o carro movido a lixo.
Apresentado em Inglaterra, é capaz de atingir velocidades na ordem dos 200 kms/hora, podendo em breve transformar-se num meio de locomoção alternativo não poluente e do agrado de muitos aceleras.
Consumindo 100 quilos de lixo aos 100 quilómetros, este novo veículo verde move-se à custa de um gás resultante da fermentação de lixo orgânico produzido nos nossos lares. Apenas um senão: se é candidato(a) à compra de um destes veículos existem alguns obstáculos a ultrapassar. O primeiro tem a ver com o preço - 800 mil euros, o que equivale aproximadamente a quatro Ferraris; o segundo é que só existe um exemplar no mercado e não está, para já, prevista a sua comercialização.
No entanto, não desespere, pois é bem provável que dentro de algum tempo a produção destes veículos se torne uma realidade e o possa adquirir a preços mais reduzidos. O problema é se o abastecimento de lixos for atribuído às gasolineiras, pois é certo e sabido que isso significa que o lixo vai passar a ser pago a peso de ouro!

Dicionário do Rochedo (6)

Branquear- No tempo do “Omo lava mais branco” significava tornar a roupa mais branca; depois da guerra dos detergentes e fruto da evolução das economias que já não usam sabão macaco, passou a significar um acto que consiste em conseguir, através de um conjunto complexo de operações, justificar socialmente um enriquecimento rápido;Aplica-se também a casos de recuperação social da imagem; como advérbio de modo, significa também “off-shore”; no desporto significa entrevistas de Luís Filipe Vieira a Judite de Sousa

Propostas diferentes para noites de Verão

Alguns investigadores afirmam que as férias, totalmente relaxantes e despreocupadas, diminuem a inteligência . Assim , aconselham os turistas a manter o cérebro activo lendo, fazendo palavras cruzadas ou resolvendo passatempos. É isso que explica aquleas páginas de Verão de muita imprensa dita séria. Como a maioria daqueles passatempos é enfadonho e parece repetir-se de ano para ano, vou fazer aos leitores do CR propostas mais arrojadas.
Nos próximos 4 fins de semana ( a começar já neste), vou trazer aqui uma proposta diferente do habitual, esperando que no regresso de férias os leitores venham com um espírito novo.
Hoje, ou o mais tardar amanhã, apresentarei a primeira proposta.