quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uribe: anjo e demónio?

Já é oficial. O marido de Sonia Betancur , cujo desaparecimento relatei aqui, apareceu morto. Uribe comete um crime com uma mão e lava-se com a outra. O único "crime " cometido por Guillerme Rivera Fúquene era ser sindicalista, o que é intolerável na Colômbia.

Pena que aqueles que não perdem tempo a acusar Chavez de louco, ditador e outros epítetos, se tenham remetido ao mais profundo silêncio em relação a este caso. Guillerme Rivera deixa uma viúva e duas filhas em dificuldades, mas pouco lhes importa quando um crime político é perpretado por um regime sanguinário, desde que seja amigo de Bush.

Que se saiba , até agora , Ingrid Bettancourt não se pronunciou sobre o assunto. Eu compreendo que esteja eternamente grata a quem a libertou dos torcionários das FARC.

Ser solidária com os outros reféns, fica-lhe bem, mas seria uma prova de dignidade se manifestasse a sua repulsa por este crime hediondo. O silêncio é, no mínimo, comprometedor.

Leia toda a informação sobre este caso em Tempo das Cerejas (clique)

Aditamento: como toda a gente, fiquei satisfeito com a libertação de Ingrid Bettencourt. A minha consciência é que não consegue pactuar com toda a encenação montada à sua volta, nem com a farsa que pretende branquear o regime de Uribe.

Bairro do Aleixo: a cada um seu paladar


A notícia da demolição do Bairro do Aleixo , no Porto, é mais uma boa oportunidade para eu continuar a defender a existência de uma televisão pública.
Ontem, enquanto o telejornal da RTP acompanhava a notícia de uma reportagem onde eram ouvidos moradores que discordavam da demolição, outros que a apoiavam com reservas e outros que a receberam como uma benção, a SIC fazia outra abordagem. Deu a notícia informando antecipadamente os telespectadores que a população estava contra a demolição e, na reportagem de suporte, limitou-se a ouvir três pessoas que discordavam da decisão de Rui Rio.
É desta isenção das televisões privadas que eu tenho medo, percebem?
Já aqui discordei muitas vezes de Rui Rio, mas desta vez até estou de acordo. Na verdade, já há muitos anos que qualquer sociólogo ou urbanista sabe que habitação social em altura ( principalmente tão desmesurada como é a do Bairro do Aleixo) é um erro colossal. Não só porque dificulta a gestão dos espaços, mas também porque aumenta a conflitualidade.
Podem dizer-me que por detrás da decisão está uma negociata com empresas de construção e imobiliário e que é um bom negócio para a Câmara. Neste caso não me interessa. Não é isso que está em jogo. Importante é saber ( e sobre isso nenhum dos canais deu qualquer informação) se demolir apenas a 5ª Torre – onde existem os problemas do tráfico de droga e a degradação é mais evidente – era solução, adiar um problema, ou gerar outro tipo de conflitualidade. Aí estava o cerne da notícia . Que não interessa apenas ao Porto... porque a pobreza não se resolve apenas com casas novas.

O "chip"

Não tencionava falar do “chip” que o governo quer colocar nas matrículas dos automóveis. No entanto, como sonhei com isso enquanto dormia a sesta e acordei estremunhado, corri para o computador a dar-vos conta dos meus receios.
Eu acredito que aquele ar de cachorrinho indefeso de um membro do governo na Assembleia da República, quando toda a oposição atacava a ideia, seja sincero. Eu não ponho em dúvida que a intenção do governo seja a mais piedosa e que o "chip” sirva apenas para o que o governo diz ( o que, convenhamos, já não é pouco).
Não deixo, porém , de manifestar os meus receios. Em primeiro lugar, porque um dos objectivos é obter informação para o planeamento de infra-estruturas. Ora já estou a ver a cena... um tipo qualquer descobre que há muita gente a ir para uma praia escondida, por um caminho de terra batida onde só é possível chegar num 4x4 e alvitra: “Eh pá e se construíssemos ali uma estrada, para evitar que esta malta estrague os automóveis?” A ideia até parece boa e piedosa, mas eu não gostaria de a ver em prática, pois assim qualquer dia as raríssimas praias onde se pode estar mais ou menos sossegado durante o verão desaparecem.
Depois, há que pensar quem vai gerir a coisa. Num país onde o segredo de justiça é constantemente violado, sem que nunca se descubra quem foi o “bufo”, quem me garante a mim que um dia não receba uma carta de um chantagista qualquer a informar: “ passas para cá 10 mil euros, ou digo à tua mulher que estavas a namorar com outra num pinhal esconso. Está tudo lá no chip!” A videovigilância nos prédios, nos parques de estacionamento, nas caixas multibanco, quiçá em breve em algumas ruas, não é suficiente?
As hipóteses de invasão da privacidade de cada um poderiam multiplicar-se, mas termino com esta. Que garantias me dá o governo de que se um dia o poder cair nas mãos erradas, não vai utilizar os “chips” para fins menos recomendáveis? Nenhuma. Ora isso assusta-me e – depois de tudo quanto me foi revelado durante a sesta- chega para concluir que esta história do “chip” é uma pulhice. Ou então, não durmo mais a sesta, para não ter destes pesadelos.

Dicionário do Rochedo (5)

Biodegradável- Canção de sucesso de Rita Lee que, tal como os detergentes, se dissolveu na complexa máquina da sociedade de consumo; algumas pessoas descartáveis não são biodegradáveis.

Conversas com o Papalagui (32)

- Porque será que todos os anos, no mês de Julho, há por aqui problemas com imigrantes?
- Não sejas xenófobo, Papalagui! Também foi em Julho que o Durão Barroso emigrou para Bruxelas e deixou o país de tanga, transformado em país do "fio dental".

Post com dedicatória (3)


A primeira vez que entrei neste blog, foi amor à primeira vista. Depois, descobri que a proprietária desse blog tem especial paixão pelo artesanato. Finalmente, descobri que tem um outro blog ( EM SETE LÍNGUAS!!!!) onde mostra as peças que ( juntamente com uma irmã, creio) faz. É o Pano pra Mangas Vão lá, apreciem e deixem comentários.
As fotos que aqui deixo, embora sejam dedicadas ao outro blog, não podiam deixar de reflectir a "veia para o artesanato" da autora.
A foto de cima foi tirada em Chiangmae ( Tailândia), durante as festividades locais.
A foto de baixo, no Parque Flamengo ( Rio de Janeiro), foi tirada durante a Cimeira da Terra e retrata um dos muitos eventos do Forum Global, uma iniciativa das ONG que decorreu paralelamente à Cimeira.
Resta dizer que este blog tem link na coluna da direita e tem nome de fruto. Fácil, não é?