terça-feira, 15 de julho de 2008

Conversas com o Papalagui (31)

- Parabéns! O Porto afinal vai à Champions, deves estar satisfeito...
- Fez-se justiça.
- Só isso? Não mandas uma das tuas farpas para quem andou a querer tramar o Porto?
- Já aprendi a ignorar os batoteiros que subiram na vida à custa de subornos e vêem no compadrio a forma de ultrapassar os obstáculos.
- Olha, mas trouxe-te um espelho para ofereceres àquele gajo que tu sabes...
- Já agora traz aí meia dúzia de Códigos Civis e Administrativos, para oferecer a uns tipos que tiraram cursos de direito por correspondência e ainda não perceberam a diferença entre uma toga e a camisola de uma equipa de futebol.
- Até te arranjo um guia dos bares de alterne para ofereceres a umas madames de Lisboa.
- É capaz de fazer jeito, para ver se elas descobrem por lá mais algumas pessoas da sua inteira confiança, que as ajudem a amenizar as suas frustrações pessoais.
- Sabes o que te digo?
- Diz lá...
- O ideal era a UEFA ter proibido a selecção e as equipas portuguesas de participarem nas competições europeias durante dois anos, para ver se todos ganhavam juízo!
- Não deixo de te dar alguma razão... Pelo menos, para ver se acabam de vez com os Abreus, os Pereiras e todos os que transformaram o futebol português numa choldra.

Corado de vergonha

Uma senhora de robe em cima do capot de uma viatura não é propriamente uma cena normal, salvo quando se trata de um anúncio publicitário.
Pensei que era disso que se tratava quando, há uns tempos, passando a horas temperanas pela 5 de Outubro vi aquele cenário. Assim que me aproximei, ao ver o aspecto desalinhado da senhora e o seu ar de desespero, lembrei-me logo de uma cena que o meu amigo Pedro Oliveira protagonizava com Ana Zannatti no filme “O Lugar do Morto” e alvitrei outra hipótese. Mas não podia ser. Não havia luzes, nem câmaras... apenas acção. Protagonistas, a referida senhora e um fulano de verde fardado, que não era jogador do Sporting, mas sim um fiscal da EMEL. Passava pouco das 8 da manhã e achei o espectáculo caricato. Abrandei o passo para ver se percebia o que se passava, sem me juntar ao grupo de mirones que entretanto se tinha postado a ver o filme sem ter que pagar bilhete. (Também não havia pipocas, nem coca –cola, nem arrotos). Alguns diálogos em surdina não se sobrepunham ao vociferar alterado da senhora que repetidamente dizia:
“ Só levam daqui o carro, se me levarem também”.
O indivíduo verde tentava, em vão acalmá-la. “Não posso fazer nada, minha senhora... Tenho que cumprir ordens. Acalme-se por favor...”
Quando vi que o carro estava bloqueado, fez-se luz. Comecei a escrever o argumento. “Uma senhora é acordada por alguém que a avisa de que estão a bloquear-lhe o carro. Salta da cama alterada, desce as escadas em correria louca e, temendo que lhe levassem o carro, precipita-se para cima dele, no intuito de impedir a concretização do nefando acto”.
Havia, porém, algo que não batia certo. O que levava um fiscal da EMEL a bloquear um carro às 8 da manhã? E o que fazia o reboque ali? Não é normal àquela hora...
Uma senhora de tailleur assertoado que entretanto chegara num BMW resolveu o enigma, quando se aproximou da senhora de roupão e disse em voz audível e ligeiramente alterada:
“ A senhora não paga a prestação do carro há seis meses. Avisámo-la várias vezes e a senhora ignorou sempre as nossas cartas. Não tivemos outro remédio.”
Percebi que, sem dar por isso, me juntara ao grupo de mirones. Corei de vergonha e estuguei o passo. Fiquei sem o fim da história. Paciência...

Dicionário do Rochedo (4)

Ambiente- Método de avaliação da saúde do planeta; pretexto para a realização de muitas reuniões internacionais onde os governantes se deslocam para confraternizar e concertar posições sobre as explicações a dar às populações, que justifiquem a razão porque insistem em adiar medidas que possam salvar o planeta; área que serve para os governantes mostrarem que se estão nas tintas para os pareceres de técnicos e cientistas; justificação para os partidos levarem mais alguns dos seus militantes para o Governo.

Problemas técnicos

Questões de natureza técnica levaram ontem à desordem total aqui do Rochedo. Impossibilidade de postar e responder a comentários, desaparecimento do contador, etc. Hoje creio que já está tudo normalizado e em breve a vida voltará à normalidade.