
Portugueses!
Realizou-se ontem na Assembleia Nacional ( que os bolcheviques baptizaram de Assembleia da República) o debate sobre o Estado da Nação. Não compreendo, nem aceito muito bem, a necessidade de fazer esses debates. No meu tempo eu sabia sempre como estava a Nação, não precisava de discutir isso com os portugueses. Estes governantes, agora, são muito inseguros...
Claro que a Nação não está grande coisa. Está mesmo muito pior do que no meu tempo, por culpa do Marcelo que não fez nada do que eu lhe disse e deixou que os comunistas tomassem conta do país.
Não fosse aquela maldita cadeira que a Pulquéria debicou até ao tutano, provocando a minha queda ( eu sempre avisei a Maria que galinhas só nos jardins de S. Bento, mas ela era teimosa como um diabo e não me dava ouvidos...) e Angola ainda seria nossa. Perdemos as nossas colónias e fomos meter-nos com os europeus que não são gente nada recomendável, desde que os meus amigos Hitler, Mussolini e o trolaró do Franco deixaram o poder. Neles, podíamos confiar, mas estes são gente sem pulso e firmeza, que se deixou embalar pelo canto seráfico da democracia. O resultado está à vista...
A justiça é um pandemónio ( quando é que no meu tempo o Vale e Azevedo tinha fugido para Londres? E acham que os pais daquela menina que desapareceu no Algarve estariam agora a rir-se da polícia portuguesa se eu ainda mandasse em Portugal? A PIDE haveria de descobrir a verdade); a educação nem se fala! Quem os mandou pôr mulheres a dirigir o Ministério da Educação? As mulheres devem ficar em casa a aprender as artes digníssimas da costura e da culinária, a tratar dos filhos e a confortar os maridos que chegam a casa cansados depois de cumprirem o seu dever de servir o país. O dever delas para com a Pátria é garantir que os homens estejam sempre felizes e bem tratados, para melhor servirem Portugal.
O que mais me impressionou foi ouvir falar de pobreza. No meu tempo isso não existia. Havia sempre um caldito e um bocadito de pão seco com toucinho para todos. Mas também me quer parecer – e digo-o porque como os portugueses sabem, sempre fui um homem justo- que os portugueses estão mas é mal habituados. Já viram tantos automóveis? E para que é que precisam de andar com os telefones na mão? Não lhes chega terem telefone em casa? Isto para já não falar daqueles jovens que andam sempre com uns fios agarrados à cabeça . Parece que andam a fazer electroencefalogramas como os epilépticos. Que falta lhes faz a boa educação da Mocidade Portuguesa!
Bem, mas a verdade é que a Nação já esteve pior. Desde que está lá este rapaz, o Sócrates, as coisas andam melhor. Apesar de ser ainda novito, o rapaz tem pulso, tem convicções e é firme. Malha nos trabalhadores e enaltece os patrões. Gosto dele. Dizem que ele é socialista, mas eu não acredito. Era lá possível um socialista pôr os marçanos na ordem e dignificar o trabalho digno de quem lhes dá de comer empregando-os nas suas fábricas e empresas!
O actual sr.Primeiro Ministro, sem ter a escola da humildade que eu sempre cultivei, é um homem bem formado que até poderia refundar a União Nacional, se para tal lhe não faltasse a formação de base da Mocidade Portuguesa. Claro que para o fazer, teria que se desenvencilhar daquela senhora Ferreira Leite, porque a política, como já disse, não é lugar apropriado para as mulheres.
Eu sei que há muitos portugueses - instigados pelos comunistas e pelos jornais ( que falta faz a Censura!!!)- que andam por aí a dizer que o meu sucessor é aquele fedelho do Portas. São calúnias, para me denegrir! Acham que eu gostava de ver o país entregue àquele miúdo que gastou um dinheirão a lavar os dentes? E o dinheiro que ele gasta naquelas fatiotas? Chegavam-lhe muito bem dois pares de ceroulas. Eu não gosto de quem desperdiça dinheiro. Por isso é que aprecio o dr. Teixeira dos Santos... está a mostrar aos portugueses que o trabalho dignifica, cultiva o espírito e salva as almas. Os portugueses não devem exigir grandes salários, mas sim estar agradecidos por ter dinheiro para uma sopinha diária e para pagar as contribuições- esse sim , o dever de qualquer patriota.
Os portugueses reclamam muito da saúde. Sem razão, diga-se. Os portugueses não podem exigir esse luxo de terem sempre um médico à sua disposição quando estão doentes. Vou, por isso, dar um conselho ao engº Sócrates ( não é nome para um sr. Primeiro –Ministro, por mim chamavam-se todos Antónios...): dê-lhes com a PIDE ! Aqueles homens generosos e amantes da Pátria tratam da saúde dos portugueses num instante!
A Bem da Nação
