segunda-feira, 7 de julho de 2008
Português Suave
Gilberto Madail é o exemplo -padrão de um português dirigente. Nada decide, porque quer estar de bem com Deus e o Diabo. Esconde-se por detrás de argumenos de imparcialidade, lava as mãos como Pilatos e diz à turba: desenraquem-se e façam como entenderem, que eu etou de acordo. A Pilatos chamaram-lhe cobarde. Madail é apenas um português suave. Com filtro.
"Nuestros hermanos" (2)
Como referi no post anterior, a minha relação amistosa com Espanha começou muito cedo. Percebo por isso muito bem que os consideremos "nuestros hermanos".
Na verdade não há grandes diferenças a separar portugueses e espanhóis. A ambos falta uma grande dose de civismo: comportam-se como loucos com um automóvel nas mãos, estacionam em segunda fila com toda a naturalidade, insultam, fazem gestos obscenos, praguejam, cospem no chão e urinam na rua. Tal como os portugueses, adoram ter "estatuto", viver acima das suas possibilidades, endividar-se e aparecer nas revistas da socialite.
A justiça é tão anedótica como a portuguesa, constantemente contestada e alvo de críticas, com juízes alvo de suspeitas e sentenças que não são cumpridas por razões inexplicáveis. Portugueses e espanhóis- apesar de guerras pontuais em relação à pesca- têm um amor pelo mar que os une. Não admira, por isso, que ambos tenham optado por destruir as suas costas, tansformando areais imensos em selvas de pedra.
Na sua essência são dois povos constituídos maioritariamente por parolos, o que também não é de estranhar. Ambos foram governados durante décadas por ditadores provincianos que, cada qual à sua medida, influenciaram a conduta dos povos ibéricos.
Por cá, um Salazar de vistas curtas, manhoso, eunuco e provinciano, que criava galinhas e patos no Palácio de Belém, como se estivesse na sua leira beirã; por lá, um militar vindo das berças que ascendeu ao poder depois de matar alguns familiares, trair camaradas de armas e chacinar, com a cumplicidade de Salazar, milhares de inocentes. Ou seja:durante décadas Portugal e Espanha foram governados por gente pouco recomendável.
A grande difernça- para além da esfusiante alegria dos espanhóis, que contrasta com o nosso estilo sorumbático e cinzentão- é que na época em que conheci Espanha, os espanhóis eram os nossos irmãos pobrezinhos, mas a partir da década de 80 a situação alterou-se e os pobrezinhos passámos a ser nós.
No entanto, esta similitude comportamental de portugueses e espanhóis vem demonstrar, afinal, que o dinheiro não dá aquilo que o berço negou. Somos filhos rafeiros de uma Europa que nos olha com condescendência e algum distanciamento. Somos ibéricos, mas não conseguimos ser europeus, porque a barreira dos Pirinéus não é apenas geográfica. É uma barreira mental, de que não conseguimos libertar-nos. Temos marcados nos genes a condição ancestral de comerciantes gananciosos,mal formados e sem berço, que à viva força pretende entrar nos bailes de gala da alta sociedade.
Não fomos talhados para isso. E apesar de Espanha estar muito mais próxima de romper a barreira pirenaica, ainda terá muitos anos pela frente, antes de o conseguir. Não chega ter um rei e príncipes encantadores, ou um Primeiro Ministro como Zapatero. É necessário ter bases sérias em que se possa alicerçar a pretensão. Definitivamente, Espanha ainda não tem e Portugal dificilmente um dia virá a ter.
Na verdade não há grandes diferenças a separar portugueses e espanhóis. A ambos falta uma grande dose de civismo: comportam-se como loucos com um automóvel nas mãos, estacionam em segunda fila com toda a naturalidade, insultam, fazem gestos obscenos, praguejam, cospem no chão e urinam na rua. Tal como os portugueses, adoram ter "estatuto", viver acima das suas possibilidades, endividar-se e aparecer nas revistas da socialite.
A justiça é tão anedótica como a portuguesa, constantemente contestada e alvo de críticas, com juízes alvo de suspeitas e sentenças que não são cumpridas por razões inexplicáveis. Portugueses e espanhóis- apesar de guerras pontuais em relação à pesca- têm um amor pelo mar que os une. Não admira, por isso, que ambos tenham optado por destruir as suas costas, tansformando areais imensos em selvas de pedra.
Na sua essência são dois povos constituídos maioritariamente por parolos, o que também não é de estranhar. Ambos foram governados durante décadas por ditadores provincianos que, cada qual à sua medida, influenciaram a conduta dos povos ibéricos.
Por cá, um Salazar de vistas curtas, manhoso, eunuco e provinciano, que criava galinhas e patos no Palácio de Belém, como se estivesse na sua leira beirã; por lá, um militar vindo das berças que ascendeu ao poder depois de matar alguns familiares, trair camaradas de armas e chacinar, com a cumplicidade de Salazar, milhares de inocentes. Ou seja:durante décadas Portugal e Espanha foram governados por gente pouco recomendável.
A grande difernça- para além da esfusiante alegria dos espanhóis, que contrasta com o nosso estilo sorumbático e cinzentão- é que na época em que conheci Espanha, os espanhóis eram os nossos irmãos pobrezinhos, mas a partir da década de 80 a situação alterou-se e os pobrezinhos passámos a ser nós.
No entanto, esta similitude comportamental de portugueses e espanhóis vem demonstrar, afinal, que o dinheiro não dá aquilo que o berço negou. Somos filhos rafeiros de uma Europa que nos olha com condescendência e algum distanciamento. Somos ibéricos, mas não conseguimos ser europeus, porque a barreira dos Pirinéus não é apenas geográfica. É uma barreira mental, de que não conseguimos libertar-nos. Temos marcados nos genes a condição ancestral de comerciantes gananciosos,mal formados e sem berço, que à viva força pretende entrar nos bailes de gala da alta sociedade.
Não fomos talhados para isso. E apesar de Espanha estar muito mais próxima de romper a barreira pirenaica, ainda terá muitos anos pela frente, antes de o conseguir. Não chega ter um rei e príncipes encantadores, ou um Primeiro Ministro como Zapatero. É necessário ter bases sérias em que se possa alicerçar a pretensão. Definitivamente, Espanha ainda não tem e Portugal dificilmente um dia virá a ter.
"Nuestros hermanos" (1)
Tenho uma relação com Espanha que remonta à minha meninice. Desde miúdo qu me habituei a passar pelo menos um fim de semana por mês com os meus pais na Galiza, de onde vínhamos com a bagageira atafulhada de "pechinchas", caramelos, turrón da Suchard e uns deliciosos bombons "Uña" que creio terem desaparecido.
Apenas com 9 anos comecei a passar férias em Benidorm, uma praia com duas ruas alcatroadas e 3 ou 4 hotéis, onde não havia espanhóis e nós éramos os únicos portugueses.
As minhas amizades estivais começaram pois a ser, bem cedo, franceses, italianos,ingleses belgas e alemães. Foi com essas crianças que durante 10 anos partilhei um mês de férias, foi com esses jovens que me iniciei no francês e inglês e foi com alguns deles que parti, numa aventura de quatro meses, pela Europa e norte de África. Viajando numa Volkswagen Combi, éramos um grupo solidário onde o dinheiro que cada um ganhava em paragens estratégicas para trabalhar e arrecadar uns trocos que nos permitissem continuar a aventura, era repartido entre todos.
Nesse período, adquiri valores que nunca me abandonaram e que hoje soam como ridículos a muita gente, mas que são os meus.
ODEIO o individualismo reinante, DETESTO o espírito de capelinha reinante na sociedade portuguesa e, em geral, em todo o mundo ocidental ( com a excepção da América Latina, onde ainda é possivel encontar gente solidária, humana e capaz de acolher em sua casa um turista em dificuldades,tratando-o como familiar), ABOMINO as injustiças , provenham elas dos tribunais ou dos comportamentos cívicos de grupos de cidadãos.
Vem tudo isto a propósito de um comentário que a Patti, com a argúcia habitual, fez aqui.
É verdade que mantenho uma má relação com Portugal, que em cada regresso a casa me apercebo melhor da mesquinhez dos portugueses e que com a idade me vou tornando mais intolerante face à corrupção moral e mental que invadiu as instituições e os que as servem.
Isso não me autoriza, obviamente, a extravasar neste Rochedo tudo o que me vai na alma , até porque na blogosfera - nomeadamente no blogobairro- tenho encontrado pessoas muito mais civilizadas e tolerantes do que eu, que não vêm cá para aturar as minhas neuras. Já tentei dominar-me, mas não resisto.
Bem, mas adiante... O objectivo deste post era apenas fazer uma comparação entre portugueses e espanhóis e não perorar acerca das idiossincrasias dos portugueses ou justificar o meu pontual mau humor.
No entanto, como já vai longo, remeto essa análise para o próximo post
Apenas com 9 anos comecei a passar férias em Benidorm, uma praia com duas ruas alcatroadas e 3 ou 4 hotéis, onde não havia espanhóis e nós éramos os únicos portugueses.
As minhas amizades estivais começaram pois a ser, bem cedo, franceses, italianos,ingleses belgas e alemães. Foi com essas crianças que durante 10 anos partilhei um mês de férias, foi com esses jovens que me iniciei no francês e inglês e foi com alguns deles que parti, numa aventura de quatro meses, pela Europa e norte de África. Viajando numa Volkswagen Combi, éramos um grupo solidário onde o dinheiro que cada um ganhava em paragens estratégicas para trabalhar e arrecadar uns trocos que nos permitissem continuar a aventura, era repartido entre todos.
Nesse período, adquiri valores que nunca me abandonaram e que hoje soam como ridículos a muita gente, mas que são os meus.
ODEIO o individualismo reinante, DETESTO o espírito de capelinha reinante na sociedade portuguesa e, em geral, em todo o mundo ocidental ( com a excepção da América Latina, onde ainda é possivel encontar gente solidária, humana e capaz de acolher em sua casa um turista em dificuldades,tratando-o como familiar), ABOMINO as injustiças , provenham elas dos tribunais ou dos comportamentos cívicos de grupos de cidadãos.
Vem tudo isto a propósito de um comentário que a Patti, com a argúcia habitual, fez aqui.
É verdade que mantenho uma má relação com Portugal, que em cada regresso a casa me apercebo melhor da mesquinhez dos portugueses e que com a idade me vou tornando mais intolerante face à corrupção moral e mental que invadiu as instituições e os que as servem.
Isso não me autoriza, obviamente, a extravasar neste Rochedo tudo o que me vai na alma , até porque na blogosfera - nomeadamente no blogobairro- tenho encontrado pessoas muito mais civilizadas e tolerantes do que eu, que não vêm cá para aturar as minhas neuras. Já tentei dominar-me, mas não resisto.
Bem, mas adiante... O objectivo deste post era apenas fazer uma comparação entre portugueses e espanhóis e não perorar acerca das idiossincrasias dos portugueses ou justificar o meu pontual mau humor.
No entanto, como já vai longo, remeto essa análise para o próximo post
Sabedoria popular
Diz o povo, que o carácter de uma pessoa se revela à mesa de jogo.
As posições de LFV - que pretende a todo o custo ganhar na secretaria o que perdeu no campo- revelam como cresceu no mundo empresarial, este empresário "humilde". A questão é saber até quando a imprensa desportiva, que endeusou Vale e Azevedo, continuará a incensar LFV. Os jornais desportivos não têm qualquer pudor, mas no momento em que sentem o rabo entalado retiram os apoios e passam a glorificar o senhor que se segue.
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