Foto roubada na InternetNo último ano da década o FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes... inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão euro.
Os moedinhas já andam de telemóvel e as taxas de juro vão subir. Começa a falar-se de “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as cosas não correrem bem no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”.
Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, um provérbio antigo corre de boca em boca: "Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.
A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem . Preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê.
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Viu-se. Ainda não terminou a primeira década do século XXI, mas muitas das previsões já se confirmaram. O preço da gasolina está imparável, a Europa social regressou ao século XVIII, os alimentos escasseiam, para delírio dos especuladores.
A Igreja – que levou 50 anos a perceber que os males do mundo não estavam nos salões de dança, proclama que poluir é pecado. Tarde piáste! O mundo está de pantanas a contorcer-se com convulsões sociais, o aquecimento global e catástrofes naturais. O degelo já é uma realidade de consequências imprevisíveis, mas “ no passa nada”.
Por cá as lamentações do costume. Alapados em automóveis, os terráqueos lusos vão falando ao telemóvel, discutindo tacadas nos sobreiros em Benavente, a destruição da costa alentejana e o crescimento imparável de países como a China e a Índia.
A vida está má? Não parece...em Portugal só se pensa que o melhor é ir consumindo, porque já não há volta a dar-lhe. E lá volta a sabedoria popular a animar o tuga “ Morra Marta, morra farta” .
Será que vão ser felizes para sempre?
Adenda: o Rochedo das Memórias não acaba aqui. Digo mais... agora é que vai verdadeiramente começar.