Stanley, capital das FalklandAssinalam-se hoje 26 anos do início da
Guerra das Malvinas. Vale a pena recordar que a guerra foi uma tentativa desesperada de
Galtieri preservar a ditadura militar argentina, que se saldou em quase 700 mortos do lado sul-americano, quase todos jovens soldados sem experiência, usados como “carne para canhão”.
O resultado é conhecido. A derrota argentina apressou o extertor da ditadura e concedeu enorme popularidade a
Margaret Thatcher, então alvo de forte contestação em Inglaterra. Volvidos 26 anos, a discussão em torno das
Malvinas ( ou
Falkland para os ingleses) não está terminada. Embora por vezes o dossiê pareça estar encerrado, a verdade é que sempre que se aproximam eleições na
Argentina, o tema volta à baila, dando a sensação de o arquipélago ser usado como trunfo eleitoral.
Aconteceu quando
Nestor Kirchner foi eleito presidente, em 2003, (relançou então a questão da posse do arquipélago, tendo o assunto chegado a ser discutido nas Nações Unidas) voltou a suceder em 2007, a poucos meses das eleições presidenciais que levaram
Cristina Kirchner à
Casa Rosada , (o governo argentino denunciou então o acordo de exploração conjunta de petróleo naquele território, alegando que os ingleses não estavam a cumprir a sua parte) e acontece hoje, com a presidente argentina a deslocar-se a
Palomar para evocar a efeméride e aproveitar para dar sequência aos seu discurso de ontem na
Plaza de Mayo, que originou um recuo dos agricultores contesttários. (
Sobre isso escreverei um post mais adiante)
Em jeito de balanço, vale a pena lembrar que a guerra desencadeada pelos ditadores argentinos pela posse de umas pequenas ilhas do Atlântico Sul, teve efeitos profundos na Europa, na América Latina e no próprio palco de guerra.
A queda da sanguinolenta ditadura militar argentina teve efeitos positivos na democratização do continente sul-americano e marcou o princípio do afastamento entre
Buenos Aires e
Washington. Recorde-se que
Galtieri contava com o apoio de
Reagan, que no entanto lhe roeu a corda à última hora, para apoiar
Thatcher. Esta “traição” dos EUA ficou cravada não só nos argentinos, como nos restantes parceiros sul-americanos.
Uma vitória de
Galtieri teria traçado um rumo totalmente diverso no futuro da América Latina A vitória da
Inglaterra teve também efeitos no percurso da União Europeia.
Thatcher era uma eurocéptica, mas estava a ser contestada internamente. A vitória fortaleceu a sua posição e permitiu-lhe manter o distanciamento face ao mercado único. É verdade que a Europa, com maior ou menor dificuldade, continuou a cumprir o seu percurso, mas provavelmente tudo teria sido diferente se
Thatcher tivesse sido obrigada a abandonar
Downing Street, vergada ao peso de uma derrota.
Quanto às
Falkland /
Malvinas, território pouco mais do que miserável cuja população partia diariamente para outras paragens, em busca de melhores condições de vida, beneficiaram de um grande desenvolvimento após a guerra, com o turismo e a indústria ( nomeadamente biocombustíveis) a terem um papel determinante.