terça-feira, 1 de abril de 2008

"Fuerza, Cristina!"

Realiza-se hoje, na Plaza de Mayo, uma manifestação de apoio a Cristina Kirchner e ao seu governo. Hoje não eclodirão na emblemática praça bonaerense os habituais gritos de protesto; lá não estarão as “ madres y abuelas de Mayo” ( que se reúnem naquele local todas as quintas-feiras para reclamar os seus mortos, desaparecidos às mãos da sangrenta ditadura militar); as pombas vão certamente sentir falta da refeição das 17 horas, que os turistas e muitos porteños lhes proporcionam diariamente.
Hoje, na Plaza de Mayo, vão estar milhares de pessoas a apoiar Cristina Kirchner . Vão pedir-lhe que não páre com as reformas iniciadas pelo marido e que não tenha medo de enfrentar os interesses de um grupo de agricultores bem instalados na vida que pretende pôr os seus interesses acima dos desígnios do povo argentino.
Hoje, na Plaza de Mayo, vão ouvir-se gritos de “ No queremos un nuevo corralito” e “Ditadura nunca más”. Talvez ecoem, pela praça, alguns acordes de uma canção de Mercedes Soza.
Gostaria de estar lá para gritar a plenos pulmões “Fuerza Cristina!”

Professores deveriam ser punidos

Ontem, no “Prós e Contras”, alguém alvitrou a hipótese de as manifestações dos professores contribuírem para o aumento da indisciplina dos alunos.
Querem ver que afinal os professores é que são os culpados e as criancinhas umas vítimas da falta de civismo dos professores que em vez de “baixarem a crina” se atrevem a fazer manifestações de protesto?
Aguardo, ansioso, novas teorias “abstrusas” dos convidados de Fátima Campos Ferreira. O “Redondo Vocábulo” está imparável.

Porto-Benfica não se joga no Dragão

Na sequência dos desacatos provocados por alguns adeptos do FC do Porto no passado domingo, nos "Pastéis de Belém", a Liga decidiu abrir um processo sumaríssimo ao FC. Porto, visando a interdição do Estádio do Dragão. Fonte normalmente bem informada, adiantou ao CR que " o mais provável é que o jogo da 27ª jornada, entre o FC Porto e o SLB não se dispute no Dragão".


Os encarnados livram-se, assim, de assistir aos festejos da conquista de mais um título dos "azuis e brancos". Luís Filipe Vieira já enviou uma jarra de cristal igual à que costuma oferecer aos árbitros que visitam a Luz, a cada um dos membros do CD da Liga, "como reconhecimento pelos serviços prestados"

Pelo país dos blogs (4)

100 000 ou 20 000?
«A Plataforma que reúne os sindicatos dos professores entregou hoje no Ministério da Educação um abaixo-assinado com 20 mil assinaturas a exigir a suspensão do processo de avaliação até final do ano lectivo.»De duas uma: ou só 20 000 dos 100 000 manifestantes é que eram professores, ou só 20 000 dos 100 000 professores manifestantes é que assinaram o protesto. Poderão os sindicatos esclarecer a enorme diferença?
Vital Moreira no Causa Nossa
Há tiques de militância partidária que nunca se perdem e perturbam a clarividência. Uma pergunta deste jaez só poderia mesmo ser formulada por um membro do Governo ou por um ex-militante do PCP, convertido às doutrinas da Terceira Via

Rochedo das Memórias 30- "Vidas Rebeldes": de Rachel Carson a James Bond

John Huston dava o mote para os anos 60 com a estreia de “Vidas Rebeldes”, o último filme protagonizado por Marilyn Monroe. Serão “Dias Felizes”- proclama Samuel Beckett em Nova Iorque. À procura da felicidade anda também Rudolf Nureyev. Cansado do socialismo soviético pede asilo político a Paris.
Mais a norte, numa pequena discoteca de Liverpool ( o Cavern Club) está em gestação um agrupamento que transformará o mundo da música e conhecerá um dos maiores sucessos de sempre: os Beatles.
Mas nem todos partilhavam da mesma felicidade e euforia. Ernest Hemingway é disso um exemplo, ao pôr termo à vida aos 61 anos, nos EUA Terá pensado como os irmão Cohen, quarenta anos mais tarde, que “Este país não é para Velhos”?
Em Portugal é que, apesar do episódio do Santa Maria, da anexação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana e do começo da guerra em África, o “Velho” não larga o poder. Quem está em maus lençóis são os jovens, obrigados a responder ao apelo de Salazar “ Para Angola rapidamente e em força”.
Os anos 60, em Portugal, serão marcados pela anorexia mental de Salazar que lança o país numa guerra sem sentido, criticada por todos os quadrantes a nível internacional. Indiferente, Salazar responderá com a não menos célebre frase “ Orgulhosamente sós”.
Em Março de1962, enquanto John Gleen dá 3 voltas à terra a bordo do Mercury VIII, a talidomida (substância usada como sedativo em medicamentos ministrados às mulheres grávidas) senta-se no banco dos réus de um tribunal belga, sob a acusação, comprovada, de ter sido responsável pelo nascimento de milhares de bébés com deformações. Os medicamentos contendo essa substância são imediatamente retirados do mercado. Mas não é a talidomida a responsável pela morte de Marilyn Monroe em Agosto deste ano. A actriz sucumbe devido à ingestão de uma excessiva dose de sonoríferos. Pelo menos é o que conta a história, mas há quem duvide da sua veracidade e veja na morte da fogosa loira uma mãozinha dos Kennedy, para esconder amores proibidos.
Um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para a existência de um eco- sistema e a necessidade de o preservar, garantindo um ambiente saudável. Em causa, estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT. Por uma vez, o Senado americano leva o aviso a sério e decreta a sua proibição nos EUA.
O mundo treme de inquietação perante a ameaça de uma nova Guerra à escala mundial com epicentro em Cuba e, em Portugal, o sistema é abalado pela guerra em África e pela crise académica, que eclode com a proibição das comemorações do Dia do Estudante .
No cinema, James Bond faz a sua aparição nas salas, iniciando uma carreira de sucesso rodeado de "bond-girls" de cortar a respiração. Do lado de cá do Atlântico, o inconformado François Truffaut dá a conhecer a história de “Jules e Jim”, marcando o início da “nouvelle vague”. O cinema francês iria marcar a década.
As águas passam a ser sulcadas por um novo meio de transporte - o Hovercraft- e Andy Warhol torna-se um ícone da pop-art.