segunda-feira, 31 de março de 2008

O lugar dos contorcionistas é no circo!

Há 15 dias, Florêncio de Almeida (Presidente da ANTRAL) dizia ao DN que o taxista que atropelou quatro crianças no Porto nunca mais devia conduzir um taxi. O juiz teve opinião diferente e o presidente da ANTRAL mudou o seu discurso. Com a mesma ligeireza com que defendera a punição, vem agora dize que acha muito bem que o taxista continue a guiar, aguardando a decisão dos tribunais. Não se coibiu mesmo de aventar a hipótese de a culpa ser das crianças. Sobre o facto de o taxista conduzir embriagado, nem uma palavra. Talvez desconheça que se o atropelante fosse um motorista da carris, ou de outro qualquer transporte público, a esta hora estaria a caminho do Fundo de Desemprego. Provavelmente ignora que os taxis são serviços de transporte públicos...
Há 15 anos, Jaime Gama, então deputado do PS, comparava Alberto João Jardim a Bokassa. Este fim de semana na Madeira, o mesmo Jaime Gama, investido Presidente da Assembleia da República deslocou-se à Madeira para tecer rasgados elogios a Alberto João Jardim. Que me recorde, nunca nenhum dirigente do PSD ousou ir tão longe nos encómios. Não consegui apurar a hora do discurso de Jaime Gama, o que eventualmente poderia explicar muita coisa, mas ouvi-o dizer a Lília Bernardes- que o confrontou com a incoerência- que “passado é passado e é preciso olhar para o futuro”.
Há vários anos que Luís Filipe Vieira anda a prometer, em cada início de época, que o título vai acampar e criar raízes na Luz.
Ontem, depois de afirmar que “cometi os meus erros , mas de certeza que não falho segunda vez” ( para toda a gente – com excepção de alguns escribas e comentadores desportivos - isto é um paradoxo, pois se cometeu erros é porque já falhou mais do que uma vez) veio dizer sem se engasgar que “ se calhar foi mau o Benfica ter sido campeão recentemente”.
Os adeptos do SLB devem ter ficado satisfeitos com o que ouviram e só eles terão percebido o alcance das palavras do seu Presidente.
Entre estes homens há muito de comum. Cada um, à sua maneira, desrespeitou e denegriu os seus pares.
Devia haver alguém que lhes dissesse que o lugar dos contorcionistas é no circo... a fazer companhia aos palhaços.





Pelo país dos blogues (3)

O fundamentalismo do vizinho é sempre melhor que o meu

A divulgação do filme contra o Islão, do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders, promete fazer renascer o já habitual debate sobre a intolerância do islão. Curiosamente, reina o silêncio e não parece haver maneira de encontrar os mesmos inflamados editoriais sobre os limites à liberdade de expressão a propósito da censura de um anúncio de cosméticos na pacata e liberal Inglaterra. A campanha publicitária, que aqui se mostra e que descobri no 5 Dias, foi banida das televisões pelas supostas ofensas aos cristãos perpetradas por meia dúzia de modelos que aparecem a rezar para garantir a beleza dos seus cabelos. Chocante, como se percebe...
Pedro Sales no zerodeconduta

Rochedo das Memórias 29- Welcome to the "Sixties"

Sabemos que a geração de 60 se gastou e perdeu credibilidade quando atingiu a idade adulta, ao conformar-se na renúncia dos seus valores, mostrando-se incapaz de resolver as suas próprias contradições.
A geração de 60 reformou-se demasiado cedo, sentada em conselhos de administração ou seduzida pelo conforto das cadeiras do poder. Deixou de ser inquieta, para passar a ser conformista e a reclamar ( quando não exigir) dos seus descendentes a aceitação desse conformismo.
Mas isso agora não interessa nada... porque apesar de todas as contradições, os anos 60 são vistos, ainda hoje, como uma década quase mítica do século XX.
Durante essa década, a multiplicação dos movimentos independentistas africanos, transformaram África num “puzzle” de países autónomos com fronteiras arbitrárias, vivendo à míngua da dependência económica dos colonizadores. Os confrontos serão constantes e sangrentos em território africano e a emergência de ditadores é vista com alguma indiferença no palco euro-americano.
A França torna-se uma potência nuclear e a OPEP passa a definir os preços do petróleo.
Nos Estados Unidos, John F. Kennedy- eleito presidente em Novembro de 1960- emerge como “guardião da liberdade” e manifesta a sua disponibilidade para pagar um preço por isso. Como adiante veremos, o preço foi bem alto e custou-lhe a própria vida e a de milhares de americanos, atolados na Guerra do Vietname. A “nova ordem universal” seria um rotundo fracasso.
A venda comercial (ainda restrita) da pílula e a introdução exitosa do primeiro pacemaker, marcam o início da década de 60 no mundo da Medicina. Nos Estados Unidos, a força da televisão fica bem patente na eleição do Presidente Kennedy, que ganha as eleições num debate com Nixon. A rádio começa a perder influência, mas ganha novo encanto com as emissões em estereofonia.
Enquanto os EUA lançam para o espaço satélites de vigilância, o crescimento da população mundial não pára e a fome ameaça muitos milhões de pessoas, nomeadamente nos recém nascidos países africanos. A esperança de que os supercereais poderão solucionar o problema rapidamente se desvanece, porque os países pobres não possuem tecnologia necessária para os produzir.
Em 1961, a URSS dá um passo de gigante na luta do espaço, ao colocar em órbita uma nave tripulada. Gagarin ficará na História como o primeiro homem a visitar o espaço. Os Estados Unidos respondem à URSS -que em 1957 lançara para o espaço a cadela Laika -, colocando a bordo da sonda Mercury o macaco Ham, “avô” do macaco Adriano que na década de 90 será a estrela do "Big show SIC".
O Muro de Berlim assinala, de forma visível, a separação entre o Ocidente e o Leste, os americanos são humilhados na Baía dos Porcos e Adolf Eichmann é condenado à forca em Israel, por responsabilidade na morte de milhares de judeus.