Já emiti aqui a minha opinião sobre os acontecimentos do Carolina Michaelis e não pensava voltar ao assunto. Os últimos desenvolvimentos, porém, obrigam-me a fazê-lo.
A desvalorização das atitudes caninas de alguns jovens e dos seus progenitores, por parte da Ministra da Educação e do seu ajudante Valter Lemos são preocupantes. É inadmissível que se tente atirar poeira para os olhos da opinião pública, fingindo que se trata de acções esporádicas. No Ministério sabe-se, há anos, que isso não é verdade e que a perda de autoridade dos professores deve ser repartida em partes equitativas pelo Ministério e por alguns conselhos directivos das escolas, que “fecham os olhos” ao que se passa dentro dos estabelecimentos de ensino.
O caso relatado ontem por Jorge Coelho na “Quadratura do Círculo” apenas confirma o que aqui escrevi: o importante é varrer para debaixo do tapete o que se passa, fingindo que se limpou o lixo, para não causar problemas.
O problema do Ministério da Educação é ser gerido há décadas por pessoas que estão completamente desfasadas da realidade das escolas. Na 5 de Outubro e na 24 de Julho - provavelmente também nas DRE - impera o estilo “rive gauche”, cujo prazo de validade já prescreveu há muito.
Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, neste momento não há escalada de violência, há apenas mais visibilidade das situações aberrantes que se passam diariamente nas escolas portuguesas há anos.
Estou, por isso, de acordo com a posição de Marinho Pinto. Na verdade, não deve ser o PGR a meter ordem nas escolas. Mas uma vez que o Ministério da Educação não consegue ( ou não quer...) pôr ordem dentro da sua própria casa, que alguém o faça.
Quanto mais não seja em nome dos professores, que merecem mais respeito do que serem tratados como “amas” que além de ensinar, ainda têm que dar aos meninos e meninas, a educação que lhes falta em casa.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Brincar às urbanizações na Alta de Lisboa

Creio não errar se disser que o projecto de urbanização da Alta de Lisboa foi uma ideia surgida durante a presidência de Nuno Abecassis à frente da autarquia, mas que só começou a ser concretizada no tempo de João Soares. Seja como for, foi já há muito tempo.
Inicialmente o projecto parecia ir "de vento em popa", mas aquilo que parecia ser uma boa ideia para a zona oriental de Lisboa, com a criação de infra-estruturas e áreas para escritórios que fixassem e dessem vida à nova urbanização, ficaram a meio caminho.
O último troço do Eixo Norte/Sul abriu ano passado, com 10 anos de atraso em relação ao previsto; a Avenida Santos e Castro, propagandeada como a nova centralidade de Lisboa que rivalizaria com a Avenida da Liberdade, deveria estar concluída em 2004, mas continua parada; os edifícios para escritórios nunca chegaram a ser construídos; as infra-estruturas estão muito aquém do prometido às 30 mil pessoas que foram para lá viver ( previa-se o dobro por esta altura...); um sucateiro que deveria ter sido desalojado há mais de 10 anos, continua por lá instalado, servindo de albergue a milhares de pneus e a centenas de veículos vendidos em "leasing" cujos donos não conseguiram cumprir o contrato. Entretanto, os assaltos e roubo de veículos têm sido notícia recorrente na imprensa.
Vivo no Lumiar e a situação de impasse a que a urbanização chegou também me afecta - ainda que de forma indirecta. Não resisto, por isso, a fazer coro com os residentes e, especialmente, com aqueles que expressam o seu descontentamento no blog Viver na Alta de Lisboa .
Infelizmente, o que acontece com esta urbanização, tem acontecido com outras em Lisboa. Chega a dar a impressão que os autarcas da cidade brincam às urbanizações como as crianças que brincam com o Lego. Começam uma construção cheios de entusiasmo mas, passados alguns minutos, ou porque se mostram incapazes de resolver um problema inesperado, ou porque se cansam do "brinquedo", deixam o empreendimento a meio e vão entreter-se com um brinquedo novo.
Isso compreende-se e aceita-se quando a relação é entre crianças e peças de um "puzzle". É inaceitável quando em causa estão as condições de vida de pessoas que foram enganadas por promessas de uma empresa e de autarcas que supunham ser adultos, mas afinal se revelaram como crianças irresponsáveis.
Eu sei que António Costa herdou uma autarquia em cacos e não sabe para onde se virar; sei que Carmona Rodrigues e Santana Lopes reduziram os interesses de Lisboa à construção de um túnel que se está a revelar como um excelente espaço de caça à multa, serve essencialmente os interesses dos que vivem fora de Lisboa e não de quem cá vive; sei que António Costa não é o único responsável pela situação a que chegou a Alta de Lisboa, mas o mínimo que se lhe pode exigir é que exija à SGAL ( Sociedade Gestora da Alta de Lisboa) que cumpra o modelo previsto, explique às pessoas o que se está a passar e seja claro quanto ao que pretende fazer na Alta de Lisboa, no caso de vir a ser reeleito.
Não há pachorra!
Não há pachorra para aturar uma oposição que anda um ano a clamar a descida de impostos e no dia em que o Governo baixa o IVA critica a medida e acusa o Governo de eleitoralista.
A política em Portugal está cada vez mais parecida com o futebol. Quem ganha é sempre acusado de estar a fazer batota e quem perde declara-se vencedor moral
Já não há pachorra para aturar uma oposição de birras, nem as brigadas do reumático (mental) que a sustentam. Incapazes de PELO MENOS UMA VEZ admitirem que o governo actuou de acordo com aquilo que vinham reclamando, logo viram o "bico ao prego" e passam a criticar o que defenderam antes, sustentados por uma brigada de néscios e imbecis que servem de câmara de eco.
Realmente, deve ser difícil governar um país assim!
A política em Portugal está cada vez mais parecida com o futebol. Quem ganha é sempre acusado de estar a fazer batota e quem perde declara-se vencedor moral
Já não há pachorra para aturar uma oposição de birras, nem as brigadas do reumático (mental) que a sustentam. Incapazes de PELO MENOS UMA VEZ admitirem que o governo actuou de acordo com aquilo que vinham reclamando, logo viram o "bico ao prego" e passam a criticar o que defenderam antes, sustentados por uma brigada de néscios e imbecis que servem de câmara de eco.
Realmente, deve ser difícil governar um país assim!
Pelo país dos blogues (1)
Zero Noticioso
"Um rápido scroll pela actualidade noticiosa portuguesa deixa-nos absolutamente estupefactos pela falta de conteúdo e dimensão das notícias que enchem os sites noticiosos da RTP, SIC ou TSF on-line. Está-se ao nível mais baixo do zero-news e ainda faltam alguns meses para a silly season onde os nossos compatriotas rumam às praias do Algarve ou do Brasil. Em títulos: apuramento do défice leva Governo a baixar o IVA; Portugal mais uma vez vê-se grego; oposição em defesa da suspensão de avaliação a docentes; Manuel Alegre agradece aos socialistas locais por defenderem um serviço público de saúde gratuto; vereadores do PSD abandonam reunião em protesto contra "atentado à democracia"; IVA: Cavaco Silva escusa-se a comentar descida; ministra quer programa de mobilidade entre alunos e docentes; Provedor de Justiça alerta para discriminação de deficientes; Somague: este meu PSD não tem nada a ver com isso.Parece que no rectângulo à beira-mar plantado não acontece nada de significativo que importe verdadeiramente para a vida das pessoas. Entre o país e a paróquia mais remota do Norte do país vai apenas a diferença de dimensão, não da perspectiva ou da focagem. O ruído noticioso é do mais imbecil e burro que me é dado perceber, em anos. Naturalmente, não são só os jornalistas têm responsabilidades neste estado de coisas. As chefias de redacções têm também, as administrações, idem. Quando se trocou a obrigação de informar e formar pela apostilha de idiotices por onde vai a nossa imprensa tem-se aí o resultado. E, na verdade, o que preocupa quem administra órgãos de informação é tornar o leitor, espectador ou ouvinte, cativo de um certo formato noticioso, de uma merchandise que não se distingue do shampoo, do enlatado, do tuperware ou do gadget absolutamente inútil que nos é impigido no supermercado, a caminho da caixa. Algo que não queremos comprar mas que a estratégia de obnubilação do consumidor nos condiciona e manipula para que compremos. Nesta situação o regulador da actividade anda perfeitamente a dormir. E já não é um problema de esquerda ou de direita; os jornalistas alvorados em supervisores acham que tudo vale para manter o tacho."
Arnaldo Gonçalves em ExíliodeAndarilho
"Um rápido scroll pela actualidade noticiosa portuguesa deixa-nos absolutamente estupefactos pela falta de conteúdo e dimensão das notícias que enchem os sites noticiosos da RTP, SIC ou TSF on-line. Está-se ao nível mais baixo do zero-news e ainda faltam alguns meses para a silly season onde os nossos compatriotas rumam às praias do Algarve ou do Brasil. Em títulos: apuramento do défice leva Governo a baixar o IVA; Portugal mais uma vez vê-se grego; oposição em defesa da suspensão de avaliação a docentes; Manuel Alegre agradece aos socialistas locais por defenderem um serviço público de saúde gratuto; vereadores do PSD abandonam reunião em protesto contra "atentado à democracia"; IVA: Cavaco Silva escusa-se a comentar descida; ministra quer programa de mobilidade entre alunos e docentes; Provedor de Justiça alerta para discriminação de deficientes; Somague: este meu PSD não tem nada a ver com isso.Parece que no rectângulo à beira-mar plantado não acontece nada de significativo que importe verdadeiramente para a vida das pessoas. Entre o país e a paróquia mais remota do Norte do país vai apenas a diferença de dimensão, não da perspectiva ou da focagem. O ruído noticioso é do mais imbecil e burro que me é dado perceber, em anos. Naturalmente, não são só os jornalistas têm responsabilidades neste estado de coisas. As chefias de redacções têm também, as administrações, idem. Quando se trocou a obrigação de informar e formar pela apostilha de idiotices por onde vai a nossa imprensa tem-se aí o resultado. E, na verdade, o que preocupa quem administra órgãos de informação é tornar o leitor, espectador ou ouvinte, cativo de um certo formato noticioso, de uma merchandise que não se distingue do shampoo, do enlatado, do tuperware ou do gadget absolutamente inútil que nos é impigido no supermercado, a caminho da caixa. Algo que não queremos comprar mas que a estratégia de obnubilação do consumidor nos condiciona e manipula para que compremos. Nesta situação o regulador da actividade anda perfeitamente a dormir. E já não é um problema de esquerda ou de direita; os jornalistas alvorados em supervisores acham que tudo vale para manter o tacho."
Arnaldo Gonçalves em ExíliodeAndarilho
Rochedo das Memórias Especial- A Construção Europeia (4)
Jacques DelorsA primeira metade da década de 80 é vivida sob o signo da crise e de dúvidas quanto à sobrevivência da CEE. Crescia o número de eurocépticos e a CEE ameaçava estagnar.
Em 1985 deu-se o volteface. O Presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, publica um “Livro Branco” que estabelece o dia 1 de Janeiro de 1993 como data limite para a realização do mercado interno europeu.
O efeito imediato foi a assinatura, em Fevereiro de 1986, do Acto Único Europeu, instrumento que lançou a CEE para novos desafios. Para além de consagrar a existência do Conselho da Europa ( reunião periódica dos chefes de Estado e do Governo), como organismo onde se tomam as grandes decisões estratégicas, o Acto Único apontava como objectivo uma maior coesão económica e social.
A reforma dos fundos estruturais- Fundo Social Europeu (FSE), Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA) e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional ( FEDER) - foi crucial para alcançar essa coesão. Sinteticamente, poderá dizer-se que o Acto Único consubstanciava a “obrigação de realizar simultaneamente o grande mercado sem fronteiras, a coesão económica e social, uma política europeia de investigação e tecnologia, o reforço do SME e acções significativas em relação ao ambiente”.
Como refere Pascal Fontaine, “os progressos foram rápidos e significativos e os benefícios depressa se fizeram sentir no quotidiano dos cidadãos europeus que começaram a circular na Europa livremente (...). As barreiras físicas e técnicas foram tombando umas atrás das outras , embora ainda persistam divergências em domínios particularmente sensíveis, como a harmonização da fiscalidade sobre a poupança”.
Confirmava-se assim que, embora tivesse sido constituída com objectivos políticos, o sucesso e dinâmica da CEE seria alcançado pela economia: mercado único e, posteriormente, a moeda única - o Euro.
Em 1993, o mercado único era uma realidade, apesar de o Reino Unido, com Margaret Thatcher ao leme, se ter demarcado e contestado fortemente a integração europeia. Defensora de “uma menor intervenção do estado na economia e na protecção social, da liberalização dos sectores económicos, da diminuição do poder dos sindicatos, da redução de impostos...” procurou reduzir a contribuição britânica para fins comunitários e recusou-se a assinar a Carta Social ( rubricada em 1989 por todos os Estados Membros), um instrumento fundamental para garantir determinados direitos sociais aos cidadãos europeus.
O evoluir dos acontecimentos viria dar razão à persistência de Jacques Delors e demonstrar que só com a integração europeia seria possível ultrapassar os antagonismos entre os países europeus. A queda do muro de Berlim em 1989 - e o consequente desmembramento da União Soviética dois anos mais tarde- foram um excelente pretexto para Delors responder a Thatcher, afirmando numa reunião em Bruxelas: “ A História está a acelerar-se e nós não podemos perder o comboio”. Começava, nesse dia, a preparar-se o alargamento das fronteiras a Leste.
Rochedo das Memórias (Especial)- A Construção Europeia (3)
O processo iniciou-se na década de 60, com as políticas comuns no comércio e na agricultura, mas o mais importante passo foi dado em 1968, com a abolição dos direitos aduaneiros. Foram suprimidas todas as fronteiras entre os países comunitários e criada uma fronteira aduaneira comum. No entanto, a livre circulação restringia-se aos bens, sendo muito condicionada a circulação de pessoas, capitais e serviços. Estas restrições explicam por que razão a CEE passou então a ser conhecida, popularmente, como Mercado Comum.De qualquer modo, durante esta década regista-se um crescimento espectacular: o PIB médio aumentou 70%, o comércio intracomunitário aumentou seis vezes, e as trocas comerciais com países terceiros triplicaram.
Os anos 70 iniciam-se com uma preocupação comum aos lideres dos “seis”: fazer convergir as suas economias e criar uma união monetária. Porém, o choque petrolífero de 73, e o facto de os Estados Unidos terem decidido suspender a convertibilidade do dólar em ouro, contribuíram para uma travagem do crescimento dos países europeus, o que se reflectiu no aumento do desemprego e da inflação e numa crise acentuada em sectores tradicionais da indústria europeia. A crise ( que se prolongaria até meados dos anos 80) provocou grande instabilidade nos mercados monetários criando uma onda de cepticismo quanto ao futuro da CEE. Termos como “eurocépticos” e “eurosclerose” começaram a aparecer nas páginas dos jornais e a circular nos meandros políticos com alguma insistência.
Mais de um quarto de século volvido sobre a primeira “crise” parece poder concluir-se que foi naquela época de adversidade, que a CEE começou a consolidar o seu futuro.
Com efeito, a criação do Sistema Monetário Europeu (SME) , em 1979, contribuiu para acalmar os mercados, e constituiu o primeiro passo para a unidade monetária. Para além de trazer consigo o ECU ( European Currency Unit), percursor do Euro, o SME estabelecia que as moedas dos países membros não poderiam sofrer uma flutuação do seu valor cambial superior a 2,5%, e que os Estados Membros se comprometiam a adoptar políticas de rigor, disciplinadoras das suas economias.
A década de 70 trouxe também o primeiro alargamento, a criação do Conselho Europeu ( 1975) e o primeiro sufrágio universal para o Parlamento Europeu (1979). Os membros do PE deixaram de ser nomeados pelos respectivos parlamentos nacionais e passaram a ser eleitos pelos cidadãos de cada um dos Estados-Membros.
Bem se pode dizer que a várias vezes anunciada morte da CEE foi uma profecia manifestamente exagerada. O Requiem, preconizado pelos eurocépticos, viria a surgir apenas alguns anos mais tarde.... mas por vontade expressa dos estados- membros que a rebaptizaram de Comunidade Europeia ( CE).
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