quarta-feira, 26 de março de 2008

Chegou a vez dos baptizados

Depois dos casamentos, chegou a vez dos baptizados. Disse-me fonte normalmente bem informada - e credível junto da procuradora Maria José Morgado ( Carolina Salgado)- , que o Governo está a estudar a hipótese de exigir aos bebés a relação das despesas efectuadas com os seus baptizados.
A hipótese, ainda em estudo, está a ser testada na Cova Da Beira. Como a foto documenta, dois bebés de Castelo Branco foram sujeitos a testes que procuram averiguar a sua capacidade para preencher um novo modelo de IRS destinado a recém-nascidos.
De acordo com a mesma fonte, os primeiros testes foram positivos, embora o bébé que está com a mãozita no teclado tenha cometido um pequeno erro, ao endereçar o formulário para a gruta de AliBabá, em vez de o fazer para a Repartição de Finanças da sua área de residência.

(Não) há coincidências!?...

Estava o país posto em sossego, colhendo do encerramento dos hipermercados ao domingo à tarde, doce fruto, quando alguém estendeu um microfone ao secretário de estado da defesa do consumidor e perguntou:
“Quando é que vai autorizar a abertura das grandes superfícies ao domingo?”
Fernando Sarrasqueiro respondeu “isso não está na agenda do Governo”
De imediato a APED ( Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) lançou um abaixo-assinado, reclamando a abertura dos hipermercados ao domingo.
A DECO- defensora da ideia “para benefício dos consumidores”, mas que se esquece que quem trabalha nas grandes superfícies também é consumidor- exultou com a ideia.
Alguns consumidores que não sabem o que fazer ao domingo bateram palmas.
O PSD- que gosta de andar a reboque das grandes iniciativas -, apressou-se a apresentar uma proposta de lei que transfere para as autarquias a decisão final.
Parece que ficaram todos muito satisfeitos, a começar por Fernando Ruas, que se apressou a chamar a si a paternidade da proposta agora formalizada pelo PSD.
Fernando Sarrasqueiro- em Moçambique integrado na comitiva presidencial- ainda não comentou. Também não é preciso. As coincidências falam por ele. É uma questão de tempo... não estará muito longe o dia em que o governo autorizará a abertura dos hipermercados ao domingo,até à meia -noite. No entanto, fazendo como Pilatos, deixará isso ao livre arbítrio das autarquias que vão reagir mal , porque não querem ficar com a batata quente.
A medida poderá, sem dúvida, trazer benefícios. Seremos o primeiro país dos 15 a permitir a abertura das grandes superfícies ao domingo à tarde e talvez diminuam as filas para Cascais. Embora, com a aproximação do Verão, talvez seja melhor começar a pensar na hipótese de permitir a abertura daqueles estabelecimentos até à meia-noite, para não estragar as tardes de praia dos consumidores.

Diz que é uma espécie de jornalismo!

Aleluia!
A primeira página do desportivo “A BOLA” de hoje, é uma novidade! Em vez do habitual figurante “encarnado” que seria motivo de capa, mesmo que a notícia fosse uma picadela de vespa sofrida durante um piquenique, que o impediu de participar no treino da manhã, traz o “figurão” Pinto da Costa.
O motivo de tanto interesse pelo Presidente do FC Porto é, claro, o facto de ir ser julgado num processo que anteriormente tinha sido arquivado.
Pinto da Costa pode exultar. No caso de não ser obrigado a ir a julgamento, a sua fotografia teria sido substituída pela de Rui Costa envergando a “camisola das quinas” e a notícia de novo arquivamento do processo seria relegada para segundo plano. Assim, conseguiu o feito histórico ( que nem Naide Gomes almejou depois de ganhar a medalha de ouro nos campeonatos do Mundo de Valência) de destronar um benfiquista. Boa malha, PC!
“A Bola” está cada vez mais parecida com o suplemento de economia do “Expresso”. Enquanto o semanário faz reportagens a convite da “Bushmills”, o desportivo faz primeiras páginas a gosto do patrão Luís Filipe.
Há quem diga que isso é jornalismo, quem sou eu para contrariar?

Rochedo das Memórias Especial - A Construção Europeia (2)

Cerimónia de assinatura dos Tratados de Roma

Embalados pelo entusiasmo decorrente da criação da CECA, os seis assinam, em Janeiro de 1952, um novo Tratado em Paris visando a criação da Comunidade Europeia de Defesa (CED), cujo principal escopo seria “zelar pela defesa e protecção da Europa”. Ao contrário do que aconteceu com a CECA, a CED veio a revelar-se um rotundo fracasso, em parte porque a Assembleia Nacional francesa recusou ratificar a sua assinatura. Desencantado, Jean Monet demite-se de Presidente da Alta Autoridade da CECA.
Em 1957 é dado um passo decisivo na construção europeia. Reunidos em Roma, os “seis” assinam dois Tratados que criam a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atómica (EURATOM).
Conjuntamente com o Tratado de Paris, os Tratados de Roma – que entraram em vigor no dia 1 de Janeiro de 1958 - constituíram os alicerces da União Europeia.
É facilmente perceptível a ambição que animava os “seis” de criarem um mercado interno, onde mercadorias, pessoas e capitais circulassem livremente:
“Promover, em toda a Comunidade, o desenvolvimento harmonioso, equilibrado e sustentável das actividades económicas, um elevado nível de emprego e de protecção social, a igualdade entre homens e mulheres, um crescimento sustentável e não inflacionista, um alto grau de competitividade e de convergência dos comportamentos das economias, um elevado nível de protecção e de melhoria da qualidade do ambiente, o aumento do nível e da qualidade de vida, a coesão económica e social e a solidariedade entre os Estados-membros.”
Tamanha ambição, porém, só poderia ser concretizada através de um “processo contínuo”, como já advertira Schuman quando lançou a proposta de criação da CECA. Salientou então no seu discurso: “ A Europa não se fará de uma só vez ( ...) resultará de realizações concretas que exigem, em primeiro lugar, uma solidariedade de facto...”
O fracasso da CED não só veio dar razão a Schuman, como serviu também para demonstrar que o melhor caminho a seguir para o fortalecimento da CEE deveria assentar numa estratégia de integração gradual de diversos sectores económicos e na criação de instituições supranacionais que absorvessem de forma discreta e dilatada no tempo, as competências económicas e administrativas dos Estados-Membros.