terça-feira, 25 de março de 2008

Parabéns, Luís Filipe



Vamos lá a ver se consigo perceber.

Uma fulana escreve um livro onde afirma que mandou bater num vereador, a mando do fulano com quem vivia amancebada. Confirma as acusações em Tribunal, mas o caso é arquivado por falta de provas.


A mesma fulana afiança em Tribunal que viu o fulano com quem vivia amancebada entregar um cheque a um árbitro, para que facilitasse a vida ao FC Porto num jogo que nem precisava de ganhar, porque já era campeão e que acaba empatado. O interesse em ganhar o jogo era tanto, que Mourinho utilizou os suplentes. A única prova de entrega do cheque é a palavra da escritora (ex-alternadeira). O caso já tinha sido arquivado, mas MJM decide mandá-lo reabrir e agora o arguido (Pinto da Costa) vai a julgamento.


Eu até admito que haja razões para o fazer, mas alguém me explica porque é que uma pessoa que confessa ter cometido um crime é ilibada e outra sobre quem recai uma acusação sem outras provas que não sejam as afirmações de uma pessoa que é parte interessada em todo o processo vai ser julgada?


A única coisa que percebo, no meio disto tudo, é a razão porque ninguém em Portugal acredita que a Justiça seja isenta. Mas isso devo ser eu que sou parvo e não vou ao Media Market.

Rochedo das Memórias( Especial)- A Construção Europeia (1)

“ Virá um dia em que todas as nações do continente, ( europeu) sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha, para além dos mercados abrindo-se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos”.


Estas palavras não foram proferidas por nenhum estadista emergente da segunda guerra mundial, nem saíram da boca de Jean Monet ou Robert Schuman. Foram proferidas em 1849 por Vítor Hugo, dando voz ao que alguns filósofos e “visionários” então preconizavam: “uma Europa unida e forte, capaz de trilhar o caminho do progresso”.
A ideia ganhou desde logo adeptos, mas será sobre os escombros da segunda guerra mundial, que emergirá novamente. Estávamos em Setembro de 1946, quando Winston Churchill sugere a criação de uma “espécie de Estados Unidos da Europa”, durante um discurso na Universidade de Zurique
A Europa estava ainda a lamber as feridas provocadas pelo conflito e a Guerra Fria constituía uma ameaça que não deixava grande espaço para debater a proposta de Churchill. Mais importante, então, era criar condições para uma paz duradoura na Europa e assegurar a recuperação económica.
Jean Monet, um político de bastidores que nunca exercera qualquer cargo de relevo, mas se revelara um combatente pela paz, é que sempre terá acalentado a ideia de aproximar França e Alemanha, as duas potências beligerantes desavindas, congregando a partir dessa aproximação outros países europeus. Hábil negociador, consegue a aquiescência do chanceler alemão Konrad Adenauer e do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, para a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA).
O objectivo de Jean Monet era colocar sob o controlo de uma autoridade independente a produção de carvão e de aço. Mais do que garantir o controlo do mercado daqueles produtos, a proposta estava imbuída de um marcante valor simbólico: não só congregava num interesse comum dois países que tinham estado em confronto directo durante o conflito, como ainda conseguia que o objecto desse acordo fossem duas matérias primas que, depois de terem sido estratégicas durante a guerra, passariam a ser motores da reconciliação.
A fórmula engendrada por Jean Monet foi formalmente apresentada no dia 9 de Maio de 1950 por Robert Schuman, tendo desde logo colhido grande entusiasmo também da Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos e Itália. Menos de um ano depois, os seis países assinam o Tratado de Paris que formaliza a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Em Julho do ano seguinte, Jean Monet é empossado como presidente da Alta Autoridade.

Escrevi este texto - e os que se seguirão sobre a Construção Europeia- para a Revista "Dirigir", alusiva aos 50 anos do Tratado de Roma. Foram reeditados para publicação aqui, sofrendo por isso alguns cortes

Os jovens e a construção de uma nova Europa

No dia em que se assinala mais um aniversário do Tratado de Roma, parece-me importante realçar a importância de que se revestiu a entrada de Portugal para a Europa dos ricos e o contributo da União Europeia para a criação de uma nova mentalidade nas gerações futuras.
Ao longo da semana , o Rochedo das Memórias será dedicado, por isso, à construção europeia.
Como ponto prévio, quero dizer aos leitores que não alinho com os que vêem os jovens de hoje como uma geração perdida, desenraizada, sem valores, sem rumo e utilizam como exemplo casos como o do Carolina Michaelis para sustentarem as suas teses de desgraça. Pelo contrário, penso que os jovens é que devem estra preocupados com a geração actual e o legado que dela vão receber.
No caso particular dos portugueses, a geração de 60 é que tem dado maus exemplos aos mais jovens. Essencialmente, porque não se libertou de um certo sentimento de culpa herdado de uma geração onde a moral e os bons costumes traçaram regras rígidas e tentaram compensar a sua culpa educando os seus filhos na base do facilitismo. Poucas regras, muitas cedências, falta de autoridade em casa, agravada pelo aumento das famíias monoparentais, onde a concorrência e a chantagem fazem lei.
Não ignoro que houve razões sociológicas, económicas e políticas que contribuíram para uma mudança, mas a alteração mais radical verificada nos últimos anos, que me leva a confiar nas gerações futuras, radica essencialmente na visão que têm do Mundo, de que os seus progenitores normalmente não desfrutaram.
Os jovens de hoje são cosmopolitas, viajam pelo Mundo, frequentam Universidades fora de Portugal e tudo isso lhes permite ter uma visão que ultrapassa as fronteiras lusas. Os jovens portugueses hoje são, mais do que nunca, europeístas, lêem o mundo a uma escala muito maior do que a dos seus antepassados e, sobretudo, têm mais mobilidade. O mesmo se aplica. com algumas "nuances" a todos os jovens europeus que estão a crescer numa Europa sem fronteiras.
A construção europeia, apesar de alguns “ entraves”, permitiu a formação de uma mentalidade europeia nos jovens, na qual a maioria dos adultos não se revê porque não a compreende. Daí não virá mal ao mundo, porque a geração que hoje se senta nos bancos das escolas ( desde Portugal à Letónia) interpretará a Europa como um todo - não como um somatório de países- e terá mais capacidade para dirigir do que aquela que hoje traça os seus destinos.
É por isso que estou confiante.

Quando os jovens são o centro da notícia

Em arrumação de arquivos mortos, encontrei este post que escrevi ano passado durante as férias da Páscoa, no Alembojador:
“Os noticiários televisivos de ontem não se cansaram de emitir reportagens acerca da presença de mais de 20 mil jovens portugueses, entre os 16 e os 18 anos, em Lloret del Mar. Ao que parece, aquele destino foi escolhido para os jovens fazerem a sua viagem de fim de curso(!) Por este andar, um dia destes ainda vamos ver crianças que terminam a 4ª classe a fazerem viagens para Islantilla ( acompanhadas de “babysitters”?).
As viagens eram a preço de saldo, mas em alta está o número de adolescentes que todas as noites dá entrada nos hospitais locais em coma alcoólico ou com simples bebedeiras. E claro, não faltaram distúrbios nos hotéis, com arremesso de alimentos e vandalização de mobiliário.
Diante das câmaras, que mostravam jovens a beber vinho pelo gargalo de garrafas de litro, os pais portugueses defenderam os seus rebentos e acusaram de insensibilidade os responsáveis das unidades hoteleiras que lhes puseram as malas à porta, obrigando-os a antecipar o regresso.
Uma boa imagem do estilo Al(g)arve que padroniza a sociedade portuguesa.”
Porque será que todos os anos, em época pascal, o (mau) comportamento dos jovens salta para as primeiras páginas da actualidade informativa e há sempre pais a defenderem comportamentos indefensáveis dos seus rebentos?
Haverá certamente alguma explicação plausível para que isso aconteça, uma vez que a conjugação da Lua Cheia, com a Primavera e as férias não explica tudo. Que tal tentar perceber as coisas analisando o comportamento laxista e irresponsável de alguns pais? É só uma pista, claro...

Boa iniciativa do "Público"

"As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, transformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa."
Embora pense que o "Público" terá mais a ganhar do que a comunidade blogueira, considero louvável esta iniciativa que aproxima a blogoesfera da comunicação social impressa.
Para além de ser um primeiro passo na quebra das barreiras de desconfiança ( quando não mesmo sobranceria) entre a imprensa e a blogoesfera, o "Público" adianta-se à concorrência directa.