
No dia em que se assinala mais um aniversário do
Tratado de Roma, parece-me importante realçar a importância de que se revestiu a entrada de Portugal para a Europa dos ricos e o contributo da União Europeia para a criação de uma nova mentalidade nas gerações futuras.
Ao longo da semana , o
Rochedo das Memórias será dedicado, por isso, à construção europeia.
Como ponto prévio, quero dizer aos leitores que não alinho com os que vêem os jovens de hoje como uma geração perdida, desenraizada, sem valores, sem rumo e utilizam como exemplo casos como o do
Carolina Michaelis para sustentarem as suas teses de desgraça. Pelo contrário, penso que os jovens é que devem estra preocupados com a geração actual e o legado que dela vão receber.
No caso particular dos portugueses, a geração de 60 é que tem dado maus exemplos aos mais jovens. Essencialmente, porque não se libertou de um certo sentimento de culpa herdado de uma geração onde a moral e os bons costumes traçaram regras rígidas e tentaram compensar a sua culpa educando os seus filhos na base do facilitismo. Poucas regras, muitas cedências, falta de autoridade em casa, agravada pelo aumento das famíias monoparentais, onde a concorrência e a chantagem fazem lei.
Não ignoro que houve razões sociológicas, económicas e políticas que contribuíram para uma mudança, mas a alteração mais radical verificada nos últimos anos, que me leva a confiar nas gerações futuras, radica essencialmente na visão que têm do Mundo, de que os seus progenitores normalmente não desfrutaram.
Os jovens de hoje são cosmopolitas, viajam pelo Mundo, frequentam Universidades fora de Portugal e tudo isso lhes permite ter uma visão que ultrapassa as fronteiras lusas. Os jovens portugueses hoje são, mais do que nunca, europeístas, lêem o mundo a uma escala muito maior do que a dos seus antepassados e, sobretudo, têm mais mobilidade. O mesmo se aplica. com algumas "nuances" a todos os jovens europeus que estão a crescer numa Europa sem fronteiras.
A construção europeia, apesar de alguns “ entraves”, permitiu a formação de uma mentalidade europeia nos jovens, na qual a maioria dos adultos não se revê porque não a compreende. Daí não virá mal ao mundo, porque a geração que hoje se senta nos bancos das escolas ( desde Portugal à Letónia) interpretará a Europa como um todo - não como um somatório de países- e terá mais capacidade para dirigir do que aquela que hoje traça os seus destinos.
É por isso que estou confiante.