Não passei ao lado das ocorrências do Liceu Carolina Michaelis. Vi o video na televisão, li notícias nos jornais e nos blogues, fiz alguns comentários no Arrastão e no Portugal dos Pequeninos, mas não me apeteceu na altura blogar sobre o assunto e penso que agora já pouco teria a acrescentar a tudo quanto se escreveu e falou sobre o assunto ( ainda há minutos vi o António Vitorino a opinar, desde o Maputo). Infelizmente, penso que em breve terei oportunidade de escrever o que penso sobre estes casos de indisciplina- a menos que se tornem tão vulgares que deixem de ser notícia!
Conheço razoavelmente bem o meio escolar nas suas diversas vertentes. Já me impressionei ao ver alunos puxar de facas para professores e colegas, já me revoltei com atitudes de desrespeito de pais em relação a professores, já vi mães ameaçarem, insultarem e agredirem professoras diante dos seus filhos.
Estou, pois, vacinado em relação a qualquer situação de desrespeito e desautorização dos professores. Não me espantei com o que se passou, porque não é caso virgem. Direi mesmo que é bastante mais frequente do que muitos possam imaginar...
O que importa salientar é que o caso apenas assumiu este mediatismo, porque um aluno filmou tudo e depois resolveu colocar no You Tube, provavelmente à espera de vir a tornar-se "vedeta". A imprensa, a rádio e a televisão sabem, tão bem como eu, que esta cena não é pioneira, mas nunca tinham tido a possibilidade de fazer imagens reais que testemunhassem a violência que grassa nas escolas. ( O caso do video feito há tempos pela RTP foi desvalorizado por se tratar de uma escola problemática-eufemismo para escola frequentada por crianças pretas de bairros da periferia- como se as escolas não fossem quase todas problemáticas!)
No meio de tanta agitação mediática, lembrei-me de uma reportagem que li há dias sobre miúdas estudantes, ente os 15 e os 18 anos ,que se prostituem para arranjar dinheiro que lhes permita ter acesso a coisas tão importantes para as suas vidas, como " carregar o telemóvel", " comprar umas roupas", ou "ir a uma discoteca".
Confesso que essa reportagem me abalou bastante mais do que a cena do Carolina Michaelis. Será por já ser indiferente à volência nas escolas? Obviamente que não. Senti-me incomodado, porque não consigo entender que tipo de relação manterá consigo, com o seu corpo e com a sociedade, uma criança que descontraidamente assume prostituir-se para satisfazer "necessidades" que a sociedade do hiperconsumo lhe criou.
Mas- interrogo-me- terei ficado incomodado pelas crianças que se prostituem, ou pelo facto de viver numa sociedade que é responsável por estes comportamentos e onde há adultos que se aproveitam da debilidade dessas jovens?
Remeto ainda os leitores para o que escrevi aqui , para recordar casos tão sinistros como este que se passam em Lisboa, em pena rua!

