Na sequência do que escrevi aqui deixo esta reflexão aos leitores, para a quadra pascal
Preocupa-me viver numa sociedade que tende a desculpabilizar os criminosos e a perseguir e penalizar os que violam simples regulamentos sociais.
Preocupa-me constatar que a justiça tende a ser complacente com um criminoso, porque acredita na sua regeneração, mas não mostra a mesma compreensão com um fumador, um obeso, um homossexual, um defensor da eutanásia ou o médico que ajude um paciente a praticá-la.
Uma sociedade destas só pode estar assente nos valores da hipocrisia e do materialismo. Está-se marimbando para a segurança dos seus cidadãos, mas é intolerante quando se trata de aplicar uma multa.
Uma sociedade que olha para as questões de segurança com um ligeiro encolher de ombros, mas se torna implacável para quem possa pôr em risco os valores morais em que se sustenta, só pode ser uma sociedade apodrecida.
Não quero viver numa sociedade onde os governantes se comportam como guardiões do “templo dos bons costumes” e compactuam com os salteadores que violam, matam e roubam os que sustentam o templo.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Bem vindos ao Iraque...
Mc Cain- o provável futuro presidente dos EUA- foi ao Iraque e achou que está tudo a correr bem. O “basbaque” que os americanos puseram a substituir Saddam ( que por acaso também tinha lá sido posto pelos americanos) anuncia que a paz está próxima e Bush, no seu refúgio da Casa Branca desfaz-se em auto elogios à sua decisão de invadir o Iraque, esquecendo no entanto pequenos pormenores que deveriam ter sido suficientes para resignar ao cargo ( Tinha previsto uma guerra quase sem derramamento de sangue, que duraria um mês e os resultados estão à vista).Vemos as reportagens que nos últimos dias Luís Castro tem feito em Bagdade, para a RTP e constatamos que entre as palavras dos políticos e a realidade vai uma interminável distância. Apenas à guisa de exemplo, lembro aquele iraquino que dizia “ antes tínhamos um ditador, agora temos muitos” .
Se lembrarmos os números de mortos e todos os efeitos colaterais da guerra suja desencadeada por Bush, não há nenhuma razão para olharmos para trás e dizer, como ele :“ Voltaria a agir da mesma maneira”. Isso só significa que o homem é ainda mais burro do que eu pensava, porque nem sequer percebeu que a crise dos EUA é fruto da sua desastrada actuação na Casa Branca.
Admito que ainda haja por aí alguma direita mais trauliteira, que continue a defender Bush. Pessoalmente, subscrevo o que o meu amigo Arnaldo Gonçalves escreve no ExíliodeAndarilho
“É uma guerra perdida como a de África nos anos 70! Porque se havia uma razão de justiça ela perdeu-se no meio da trapalhada e da irresponsabilidade dos dirigentes(...)"
O problema é que é impossível imaginar durante quanto mais tempo vai durar a trapalhada e até quando vamos continuar a sofrer os efeitos das loucuras de Bush.
Mesmo que os Democratas venham a ganhar as eleições em Novembro ( o que não acredito) não poderão retirar rapidamente do Iraque. Os efeitos de uma saída apressada poderiam ser tão gravosos e nefastos como os que conduziram à situação actual.
Iraque, 5 anos depois
Faz hoje cinco anos que a empresa “2B 1 A & Zero” (Bush, Blair, Aznar & Barroso) fez explodir as primeiras bombas no Iraque, iniciando um negócio que previa elevados proventos, caso conseguisse neutralizar a concorrência do “carniceiro de Bagdade”.O negócio deu para o torto, mas os empresários estão todos bem na vida. O “carniceiro” jaz morto e arrefece, na companhia de milhares de iraquianos, vítimas da política empresarial da
“2B 1 A and Zero”.
Como sempre, os consumidores é que se lixaram. Os que não morreram, estão a pagar a gasolina mais cara!
A foto ilustra bem a alegria dos consumidores com a chegada da empresa de salvação nacional ao Iraque
Rochedo das Memórias 28- "Voulez-vous danser avec moi?"
Em 1958, quando os EUA lançam o primeiro satélite experimental de comunicações, o Atomium - símbolo da Exposição Internacional de Bruxelas- interrogava o Mundo: para onde nos levará a energia nuclear?Os apelos à paz e à reconstrução do pós –guerra e os alertas para os problemas causados pelo progresso, lançados pela Exposição de Bruxelas, caíram em saco roto. Todos fizeram orelhas moucas e o resultado está à vista.
Por cá, as críticas também não eram encaradas com bons olhos. Quando D.António Ferreira Gomes, bispo do Porto, escreve uma carta a Salazar alertando-o para a situação social do País, obtém como resposta o exílio forçado.
A candidatura de Humberto Delgado às presidenciais de 1958 , ainda lança uma réstea de esperança na oposição democrática, mas o regime faz batota e proclama-se vencedor de umas eleições que manifestamente perdeu. Ainda faltavam 16 anos para o 25 de Abril, não havia volta a dar-lhe.
50 anos depois, o Correio da Manhã vem dizer que Salazar gostava de mulheres atrevidas. A ser verdade, não se percebe a razão de não ter ligado peva a Marlene Dietrich em “Testemunha de Acusação”.
No ano seguinte, Fidel Castro derruba o ditador Fulgêncio Baptista e irá permanecer à frente dos destinos de Cuba durante 49 anos, perante a crítica de todo o mundo que, no entanto, não perde a oportunidade de se banhar nas suas praias de águas tépidas e límpidas.
Da Europa, a voluptuosa BB, pendurada num cartaz publicitário, bem lhe perguntava "Voulez -vous danser avec-moi?" – mas o rebelde cubano não lhe daria troco. O mesmo faria , aliás, em relação à beat generation que se revia em “Pela estrada Fora” de Kerouac.
E se Kruschev visitou os EUA, aproveitando para visitar o recém inaugurado Museu Guggenheim e cumprimentar Lloyd Wright, Fidel permaneceu em Cuba, a ver “Intriga Internacional” de Hitchcock e “Ben Hur” , galardoado com 11 estatuetas de Hollywood.
Enquanto as consumidoras mais jovens aprendiam um novo nome de brinquedos – Barbie- os adultos, deliciam-se com a última maravilha do mundo automóvel: "É tão giro ter um Mini!"- gritava a publicidade a plenos pulmões. O êxito do Mini é assegurado em plena era espacial. Mas(pasme-se!) só neste ano é inventado o abre latas.
Com a evolução dos electrodomésticos que facilitam a vida no lar, as mulheres têm mais tempo livre para ir ao cabeleireiro. As tiragens das revistas femininas disparam e em Portugal o êxito chama-se "Crónica Feminina".
Estávamos em plena era espacial e, à falta de Sputniks, Salazar inaugura o monumento a Cristo-Rei.
Rejeitado pela CEE, Salazar vira-se para EFTA, na companhia da Grã Bretanha, Noruega, Áustria, Suécia e Suíça.
Dois heróis de banda desenhada- Astérix e Obélix- testemunham o enlace.
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