terça-feira, 18 de março de 2008

Boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim seria suicídio

Considero que um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, na sequência dos incidentes ocorridos no Tibete, seria uma estupidez. Tive a mesma opinião em relação aos boicotes dos Jogos de Moscovo e de Los Angeles, porque penso que misturar questões políticas com eventos desportivos é pura cretinice.
A reacção célere dos EUA e da UE - recusa pronta de qualquer hipótese de boicote- não passa, porém, de hipocrisia pura.
É verdade que, como escrevi aqui, não estavam reunidas as condições para o Ocidente apelar ao boicote, depois dos salamaleques em que se tem desdobrado, perante a China.
A recusa em ponderar o boicote radica, porém, noutras questões.
Enquanto os boicotes dos Jogos de Moscovo e Los Angeles se inseriram num quadro de manifestação de força de ambos os blocos, no caso vertente não está em causa a força nem a manifestação de poder de um país sobre uma região. A China não tem ( pelo menos por agora) quaisquer interesses expansionistas- pretende apenas reafirmar ao Mundo a sua liderança no Tibete- nem está preocupada em impôr a sua ideologia para além das suas fronteiras.
A questão chinesa é muito mais comezinha. Radica no crescimento económico e no controlo de mercados, preocupação que igualmente subjaz aos interesses do Ocidente que encontraram na China dois "tesouros" de valor acrescentado: mão de obra barata e um mercado irrecusável quer pela sua dimensão, quer pelo tipo de produtos e equipamentos de que necessita.
Neglegenciar o mercado chinês, numa altura em que está em recessão económica é um "luxo" a que o Ocidente não se pode dar. E os Estados Unidos, cuja dívida pública foi comprada pelos chineses, muito menos!
Há 20 anos atrás, aquando dos incidentes de Tian An Men, o Ocidente estava numa posição de superioridade em relação à China e ainda ensaiou alguns protestos e fez tímidas ameaças a Pequim, que fez "ouvidos de mercador".
Rapidamente todos perceberam que a China era um mercado cheio de potencialidades que não se podia enjeitar e logo recuaram nos seus propósitos.
Hoje, um boicote ao Jogos Olímpicos significaria o suicídio do Ocidente. Não só por questões económicas, mas também porque a esmagadora maioria dos produtos que fazem as delícias dos consumidores ocidentais tem componentes chinesas.
Já imaginaram o que significaria, para o estilo de vida ocidental, uma retaliação chinesa a um eventual boicote aos Jogos Olímpicos?

Rochedo das Memórias 27- "West Side Story" (nem todos foram felizes para sempre...)


As preocupações ambientais começam a fazer-se sentir. A Grã Bretanha aprova em 1956 o Clean Air Act, que proibe o aquecimento a carvão, e confere às autarquias poderes para criarem zonas livres de fumo. Estas medidas surgem na sequência da morte de 2000 pessoas em Londres, em 1952, quando a capital inglesa esteve sob um intenso smog durante 10 dias.
Mas se em Inglaterrra Alec Guiness punha o país a rir com “ O Quinteto Era de Cordas”, por cá havia poucos motivos para sorrir. As preocupações não são ambientais, mas sim políticas. É preciso continuar a reprimir para que “o povo seja feliz”, por isso Salazar reforça os poderes da PIDE, no mesmo ano em que é criada a Fundação Gulbenkian.
Os contos de fadas têm uma nova versão, proveniente do Mónaco, mas esta é bem real.
A plebeia Grace Kelly casa com o príncipe Rainier III, mas não serão felizes para sempre. Um acidente de automóvel provoca a morte da princesa e a história não acaba com um final feliz.
Da união tinham entretanto nascido três princesas que provocariam escândalos e as delícias da imprensa “fofoqueira”.
Ali mesmo ao lado, em Basileia, a catalã Montserrat Caballé conhece o seu primeiro êxito, com a ópera “La Bohème”
Nos EUA apresenta-se “My Fair Lady” e acaba, no papel, a segregação racial nos transportes públicos, mas vai demorar ainda alguns anos até que a decisão do Supremo Tribunal de Washington seja cumprida.
Para Leste, depois de denunciar os crimes de Estaline, Kruschev não lhe quer ficar atrás e manda o Exército Vermelho esmagar a revolta popular húngara, cortando quaisquer veleidades democráticas de Budapeste.
Inglaterra e França procuram, no Suez, recuperar velhos hábitos coloniais, mas as Nações Unidas, cuja voz ainda era respeitada, corta cerce quaisquer veleidades saudosistas.
Em 1957, quando Elvis Presley já arrastava atrás de si um elevado número de fãs, era inventado o gravador de video e a URSS espantava o mundo com o lançamento do Sputnik, quebrando as tréguas na luta pela conquista do espaço. Uma cadela torna-se a primeira astronauta e o seu nome fica na História: Laika
Eisenhower é autorizado, pelo Congresso, a intervir militarmente no Médio Oriente. Curiosamente, nesse ano Henry Fonda chega às salas de cinema acompanhado de “Doze Homens em Fúria”. Os jovens são aplacados com “ outras fitas: “West Side Story” torna-se num dos maiores êxitos musicais de todos os tempos.
“O Grande Salto em Frente” de Mao é que se revela um rotundo fracasso.
Neste ano nasce a CEE ( que merecerá destaque num RM Especial a publicar no dia 25 de Março), constituída pela RFA, Itália, França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
A Europa percebe que é na união, que pode construir a Paz.

"Six Degrees"

A blogosfera cada vez mais me faz lembrar a série da RTP 2 "Six Degrees". Explicarei porquê mais adiante.
Se nunca viu, fique a saber que vai para o ar à segunda feira, depois do Jornal 2.

É o mercado, estúpido!

O preço da gasolina aumentou desmesuradamente nos dois últimos anos. Os consumidores reagiram e começaram a comprar carros a diesel. Abel Mateus, Presidente da Alta Autoridade para a Concorrência, falou vagamente na hipótese de concertação de preços.
O preço do petróleo continuou a aumentar em dólares, mas com a valorização do euro face ao dólar, o aumento é irrisório em termos absolutos. Depois de uma subida abrupta, a gasolina estabilizou em volta dos 1,40€, mas o gasóleo continuou a subir. Já se anuncia que, em breve, ultrapassará o preço da gasolina, como já acontece em Espanha.
Se eu acreditasse em histórias da carochinha de fadas e duendes, engolia a versão dos senhores do “pitróleo”, para esta inversão dos preços, mas como já sou crescidinho e nunca vi fadas e duendes, tornei-me descrente. Acredito mais na hipótese aventada por Abel Mateus.
Então, a ser verdade, porque é que a AAC não consegue “pegar no fio à meada”? A explicação é simples. O mercado está a funcionar!
Provar a existência de cartelização é tão difícil como procurar agulha em palheiro. Sabem quantos anos demorou a União Europeia a provar que os laboratórios estavam concertados para manipular o preço das vitaminas? (As multas foram pesadíssimas, mas até serem descobertos, quanto é que os laboratórios ganharam com a “cartelização”?)

É por estas e por outras que o sr. Saleiro devia pensar duas vezes antes de pedir a demissão de Abel Mateus que tem feito um trabalho excepcional à frente da AAC. Saleiro devia saber que não basta saber a verdade, é preciso prová-la. E quando o mercado funciona exclusivamente em favor da oferta, a prova torna-se muito difícil

Taxistas e supermercados

No Porto, quatro crianças são atropeladas quando atravessam uma passadeira. O condutor foge. É um motorista de táxi que mais tarde se acaba por entregar às autoridades, mas só o faz porque um colega de profissão o denunciou. Como era de esperar, estava bêbado. Como não era de esperar, saiu há poucos meses da prisão por prática de furto.
Era taxista, conduzia bêbado e devia, por isso, ser duplamente responsabilizado e proibido, para o resto da vida, de conduzir um táxi. Florêncio de Almeida, presidente da ANTRAL é da mesma opinião. No entanto, a ANTRAL não tem poder para banir estes taxistas que denigrem a classe. É pena...
Na mesma cidade do Porto, há algumas semanas, uma funcionária de um supermercado foi despedida porque autorizou uma velhota a levar "fiado" produtos no valor aproximado de 20 euros. Entretanto, os jornais noticiavam, há algumas semanas, que os tribunais perdem tempo e gastam dinheiro dos contribuintes a julgar furtos em supermercados no valor irrisório de dois e três euros. O gerente de um supermercado "lesado" afirmou que fora para tribunal, para "dar o exemplo".
Eu sei que a comparação soa um bocado a demagogia, mas às vezes apetece-me escrever estas coisas. Os leitores que me julguem