segunda-feira, 17 de março de 2008

Tibete: rescaldos à flor da pele

É sem surpresa que assisto ao desenrolar dos acontecimentos no Tibete. Em ano de Jogos Olímpicos em Pequim e com a carta de alforria de Bush – que retirou a China da lista negra dos países violadores dos direitos humanos- era de esperar que Hu Jintao não perdesse tempo a demonstrar ao mundo que Bush se tinha precipitado.
Ao contrário do que o ainda presidente americano pensa, o crescimento económico da China não é sinónimo de maior respeito pelos direitos humanos. Quem visitou o país recentemente, pôde aperceber-se que as desigualdades aumentaram nos últimos anos e que no seio de uma China que se abriu para o exterior, pela via comercial, persistem violações gritantes. No âmbito político, da liberdade de imprensa, ou dos delitos de opinião.
O facto de Hu Jintao ter escolhido o Tibete para relembrar que a China mantém o seu desígnio de incluir a terra do Dalai Lama e mesmo Taiwan, na Grande China, também não surpreende. Na verdade, os piores conflitos no Tibete, desde 1950, ocorreram precisamente quando Jintao era Governador delegado no Tibete, em 1989.
Como aconteceu em relação aos incidentes de Tian An Men, as autoridades chinesas ignorarão as manifestações e os pedidos de “clemência com o Tibete” oriundos do Ocidente. Tão pouco darão grande importância às ameaças de boicote aos Jogos Olímpicos, porque sabem que não terão grande expressão.
Os EUA ficaram reféns de uma proclamação precipitada e agora têm reduzido espaço de manobra para convencer os seus aliados a boicotarem os Jogos Olímpicos com base numa violação de direitos humanos , que afiançaram há poucos dias estarem a ser respeitados. A oposição ao boicote, formulada pelo presidente do COI permite, por sua vez, que o Governo chinês encare qualquer ameaça nesse sentido, com algum desdém.
Dentro de poucas semanas a vida voltará à normalidade em Lhasa, com as autoridades chinesas a reforçarem a sua posição no Tibete. O mundo inteiro voltará a consumir , indiferente, produtos “made in China”. Respaldado nas incoerências do Ocidente, Hu Jintao continuará a levar a água ao seu moinho. Com a paciência de chinês que o mundo continua a menosprezar.
Será por ignorância que a UE se remete ao silêncio, ou terá o passado maoista de Durão Barroso sopesado na manutenção de um silêncio aquiescente?

Sei que estás em festa, pá...

Mas depois de 30 anos de tanta festa e tanta dança, não estará na hora de tomar um banhito e descansar?

Rochedo das Memórias 26- Disneylândia:"O pecado mora ao lado"

Enquanto em Nova Iorque se evoca Mc Carthy na peça “A Caça às Bruxas”, em Paris, Samuel Beckett está “À Espera de Godot”.
É pouco provável que Staline apreciasse o género, mas de qualquer modo, a sua morte em 1953 impede-o de assistir ao primeiro filme em Cinemascope, lançado pela 20th Century Fox . Quem não deve ter perdido pitada é Isabel II, que este ano ascende ao trono britânico, o que a deve ter impedido de ler o relatório Kinsey sobre “O Comportamento Sexual da Mulher”.
A vacina contra a poliomielite começa a ser testada em crianças em 1954, ano em que a loucura dos consumidores se volta para o rádio transistor de bolso, cuja comercialização acaba de ser anunciada. Os discos de 45 rotações e o gira discos portátil fazem também as delícias da juventude. Ali podem ouvir o primeiro single de Elvis Presley ( That’s all right Mamma).
Por cá a música é dada pelos “Cinco Violinos” do Sporting, que abafam o assassinato de Catarina Eufémia em Baleizão, durante uma greve de trabalhadores agrícolas.
O primeiro passo para a União Europeia fora dado em 1951, com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, mas é só com a entrada em vigor do Tratado de Roma (1958) que a CEE é criada. Nessa altura, já os países do Leste Europeu tinham assinado o Pacto de Varsóvia,(1955) como resposta à admissão da Alemanha Ocidental no seio da NATO.
“O Pecado mora ao lado”, garante a conspícua Marilyn Monroe, mas são os teddy boys quem revoluciona o vestuário com a moda dos jeans, enquanto choram o desaparecimento trágico de um ídolo (James Dean) que se haveria de transformar num mito.
Estamos em 1955 e, com a abertura da Disneyland, o mundo conhece um novo estilo de parque de diversões, que rapidamente se torna um ponto de interesse e romagem turística.

Dia das Mentiras

Disse-me uma joaninha que o Dia das Mentiras vai deixar de ser a 1 de Abril. Como reconhecimento pelos bons serviços prestados ao mundo por George Bush, Tony Blair, Aznar e Durão Barroso, passará a ser “comemorado” a 16 de Março!
Adenda(a propósito deste post) imperdível a crónica de Manuel Pina no JN de hoje

União Nacional( R)- os herdeiros desavindos

Uma das alas da União Nacional (Reconstruída), mais vulgarmente conhecida por Centrão, reuniu algumas das figuras mais emblemáticas para celebrar o terceiro aniversário do seu Governo. Fê-lo no Porto num pavilhão minúsculo e lá cantaram em uníssono os “Parabéns a Você”, fazendo ecoar as suas vozes na comunicação social lida, vista e ouvida.
O líder da outra ala achou por bem fazer chacota e enviar uns “chistes” diante das câmaras, alguns opinadores apelidaram o comício de “manifestação de desagravo” , mas no final a festa fez-se e isso é que foi importante para o PS.
Confesso que não vejo qualquer problema no facto de os “rosinhas” terem querido celebrar três anos de martírio do povo português, na intimidade de um pavilhão minúsculo. Eles sabem perfeitamente que não podem ir para a rua festejar o que só a eles diz respeito, por isso comemoraram na intimidade.
Também não descortino a razão de tanto “chiste” por parte da ala laranja da UN(R ), pois em tempos não muito remotos comportaram-se de forma similar.
O grande problema nestas manifestações de “rosas” e "laranjinhas” reside apenas no facto de darem a ideia de uma família desavinda que, apesar de comungar dos mesmos valores e princípios, não se entende por uma questão de “partilhas” .
Todos sabemos que quando se trata de heranças, as questiúnculas familiares são frequentes. Como ainda este fim de semana li, os herdeiros de Champalimaud andam à traulitada e não se entendem quanto às partilhas. O que estranho, no meio de tudo isto, é que o velho Botas já tenha morrido há 40 anos, o 25 de Abril já tenha sido há mais de 30 e que os manos continuem de costas voltadas, como se houvesse entre elas diferenças insanáveis.
A verdade é que não há, por isso já era tempo de seguirem o exemplo da Alexandra Lencastre e da irmã. Chamem as revistas cor de rosa, anunciem que estão prestes a fazer as pazes e o povo rejubila de alegria.
Vá lá, façam um esforço que os portugueses agradecem. É que isto de ter de tomar partido por um deles de quatro em quatro anos é desgastante! Além disso, o Botas devia ficar contente ao saber que os herdeiros finalmente se entenderam.

O veto de Cavaco

O veto de Cavaco Silva ao diploma que passa para as mãos da CML o controlo da zona ribeirinha, não foi um veto político como alguns fundamentalistas laranjas se apressaram a reclamar. Foi um veto prudente, que visou evitar males maiores.
Se ninguém aceita de bom grado que seja a APDL a controlar aquela área, também serão poucos os que vêem com bons olhos a proposta do Governo, que abre a possibilidade de a zona ribeirinha vir a transformar-se numa coutada de interesses imobiliários pouco transparentes, dada a falta de controlo a que ficaria sujeita a edificação. Isto para já não falar do perigo de o exemplo alastrar a outras autarquias que olham para as suas zonas costeiras com voraz apetite e já salivavam a imaginar o “mar de hpóteses” que se abriam à sua frente.
O litoral português está cheio de maus exemplos. Cavaco evitou males maiores.

Esquerda vence municipais em França

Confirmou-se a pesada derrota de Sarkozy em França. O único consolo da direita foi ter consguido manter Marselha. Adivinham-se dias difíceis para Sarkozy!