terça-feira, 11 de março de 2008

Pecado, disse ela

A Igreja anunciou ontem os novos pecados mortais.
A Igreja de vez em quando tem destas coisas. Quer mostrar que anda a par com o mundo e reedita a sua lista de condutas pecaminosas. Passou o século XX a condenar as danças( o Tango, o Rock ‘n Rool e o Twist), fez de árbitro na conduta sexual, como perita no assunto, vociferou contra algumas guerras e apoiou discreta ou deliberadamente algumas ditaduras e agora, no século XXI , achou que era altura de renovar as listas das condutas que podem conduzir à fogueira eterna.
Para a Igreja passou a ser pecado fugir aos impostos, acelerar nas estradas ou consumir drogas. Coisas que todos devíamos saber desde há muito, pois são comportamentos que colidem com a ética e a cidadania, dois conceitos anteriores à própria Igreja. Fica a intenção de avivar a memória e alertar a consciência, o que é de louvar, mas duvido da eficácia. Não só porque os católicos se afastam cada vez mais da Igreja Católica e procuram alternativas noutras confissões religiosas, quer porque sabem que há sempre uma confissão pronta a conceder-lhes a absolvição.

Estão a ver como é preciso?

A especulação que tem sido feita à volta da presença da mulher de António Costa na manifestação dos professores de sábado, demonstra bem a forma como a sociedade portuguesa encara o papel da mulher. Subserviente ao marido, ao pai e ao irmão, porque com a política não se brinca.
Às vezes dá jeito pensar nestas coisas, nem que seja no DIM. Mas quando o Movimento Democrático das Mulheres só dois dias depois é que vem utilizar o seu "Tempo de Antena" na RTP o que se há-de pensar?
Provavelmente, que no MDM pensam que no DIM, as mulheres portuguesas estavam todas a jantar com os maridos e namorados, trocando beijinhos e carícias e por isso não tinham tempo para ver televisão. Haja dó!

Rochedo das Memórias 23- O "warm-up"

Ao declínio da Europa corresponde a emergência dos Estados Unidos e da URSS. A Guerra Fria prenuncia a entrada em rota de colisão de duas concepções opostas de modelo social, cujo ponto de maior fricção virá a ocorrer na década seguinte, com o episódio da Baía dos Porcos. Do lado americano, McCarthy inicia a perseguição aos comunistas, do lado soviético a reacção não tardará. O equilíbrio é mantido à custa do Terror Nuclear, com as duas superpotências a fazerem sucessivas experiências com a bomba H. ( Estados Unidos em 1952 e URSS em 1953).
Para trás ( 1950) ficara a Guerra da Coreia.
Enquanto as colónias europeias em África e na Ásia se vão libertando do jugo colonialista e se tornam independentes, a China de Mao invade o Tibete e Chang Kai-Chek proclama , em Taiwan, a República da China.
Por cá, a oposição a Salazar sofre ainda a síndrome da desistência de Norton de Matos nas eleições presidenciais de 1949. Dividida e enfraquecida por questiúnculas internas, vê emergir na frente de combate, nomes como os de António Sérgio, Jaime Cortesão ou Vieira de Almeida.
O espaço de manobra é curto e Salazar mostra, logo no início da década, que não está disposto a pactuar com quem não partilhe das suas opiniões e envia um sinal à oposição, logo em 1950, com o julgamento de Álvaro Cunhal a quem é aplicada uma pena “sui generis”: cinco anos de prisão, prorrogáveis indefinidamente.
Entretanto, se ainda estamos a assistir ao warm up da sociedade de consumo, com Charlie Brown e os Peanuts a marcarem o ritmo, isso não invalida que se possa dizer que esta década vai marcar o início de uma alteração de mentalidades, ancorada na televisão a cores e no automóvel. Nem o facto de a reconstrução de Roterdão ter sido delineada a pensar na prioridade aos peões, impedirá o avanço inapelável do automóvel que invade as estradas em velocidade ainda de cruzeiro, mas que conhecerá uma forte aceleração a partir da década seguinte.
Nota: reedições ( ver Avisos- O Regicídio)

Conversas com o Papalagui (24)

-O Cristiano Ronaldo está em todas. Na televisão, nos jornais, nas revistas...
-Estás-te a referir às reportagens sobre as filmagens do anúncio do BES?
- Sim, sim. Olha que conseguir aquelas reportagens todas deve ter custado um dinheirão ao BES
- Custado dinheiro?
- Claro... tanta publicidade... não me digas que é à borla, não?
- Não sejas parvo, pá! Aquilo não é publicidade... é jornalismo e do melhor!