
É depois da Segunda Guerra Mundial que as mulheres conseguem colher os melhores frutos da sua longa luta. O conflito contribuiu de forma significativa para que isso acontecesse, pois enquanto durou as mulheres começaram a trabalhar na indústria e na agricultura, ocupando postos de trabalho deixados vagos pelos homens.
A década de 50, porém, não foi pródiga em muitos avanços na luta das mulheres. É já na década de 60 (1963) que a escritora americana
Betty Friedan publica o livro
" A mística feminina", no qual faz uma análise devastadora da subordinação da mulher na sociedade americana. Três anos mais tarde, funda a
NOW - Organização Americana para a Defesa dos Direitos da Mulher - e a partir de então a luta pela libertação ganha novo fôlego e novos contornos. Da luta pelos direitos políticos, passa à luta por igualdade de oportunidades no acesso à educação e ao mercado de trabalho, tendo o primeiro passo sido dado com a entrada nas Universidades.
Em 1968, decorria em
Atlantic City a eleição de
Miss América, quando um grupo de mulheres activistas se manifestou lançando para os caixotes do lixo os seus
"soutiens". Na época, os meios de comunicação eram apenas dirigidos por homens, por isso, a comunicação social aproveitou este acontecimento para denegrir os movimentos feministas, reduzindo-os a uma luta contra a opressão que aquela peça de vestuário exercia sobre os seios.
Os homens exultaram de contentamento com esta
"gaffe", mas o movimento de libertação da mulher não estancou a sua luta e em 1970
Germaine Greene publica um livro explosivo. Em
"O Eunuco Feminino", a investigadora defende que o casamento é uma forma legalizada de escravatura das mulheres e alerta para a necessidade de se dar início a uma "
segunda vaga" do feminismo. Segundo
Germaine Green, a luta das mulheres pela igualdade de oportunidades, na educação e no emprego, tinha que evoluir através de um combate que garantisse igualmente a igualdade sexual e económica.
Recebido sobre um coro de protestos e gerando grande polémica, o livro teve o condão de agitar as hostes femininas. No ano seguinte, durante as celebrações do
Dia Internacional da Mulher, em Londres, algumas mulheres empunhavam cruzes onde se viam pregados os símbolos da escravidão doméstica:
o cesto das compras e o avental. Durante a manifestação, fizeram chegar ao primeiro Ministro uma carta em que exigiam igualdade em matéria educativa, laboral e salarial.
Ainda hoje, a "manifestação" de
Atlantic City é associada por muitos à celebração do
Dia Internacional da Mulher , mas a verdade é que foram os trágicos acontecimentos ocorridos um século antes em Nova Iorque que determinaram a celebração desta data.
Nota: excerto do artigo "Feminino, Plural", que publiquei na revista "DIRIGIR"