Cheira-me que a entrada do exército colombiano no Equador, para matar o número 2 das FARC, tem o dedinho de Bush.
Em vésperas de abandonar a Casa Branca, o presidente-pirómano quis atear mais uma fogueira e escolheu o quintal que lhe estava mais próximo para a sua última brincadeira.
Depois do seu périplo pela América Latina, em 2007, Bush deve ter pensado que precisava de fazer qualquer coisa pelos sul-americanos. Fez uma aproximação a Lula , (porque precisa do etanol para os bio-combustíveis); ignorou Kirchener porque exemplos de sucesso de recuperação económica fora da alçada do FMI e do amigo americano, não devem ser muito divulgadas; assinou contratos comerciais com o Uruguai e a Colômbia com a habitual sagacidade dos americanos- o que significa que os EUA ficaram com a febra e os sul-americanos roeram os ossos; deu um salto ao México e à Guatemala para tirar uma fotografia com os seus próximos e apaziguar os que protestavam com as medidas anti-imigração dos americanos.
Quanto a Chavez e Evo Morales ( Bolívia) terá pensado que não havia ( de momento) nada a fazer, mas não deixou de se condoer com os pobres sul- americanos ameaçados pelos ditadores.
Regressou a casa com duas espinhas cravadas na garganta, mas terá prometido a si mesmo que não sairia da Casa Branca sem fazer uma “gracinha”.
A renúncia de Fidel foi um pretexto, mas a ideia mirífica veio da Europa, via Sarkozy. Ao ver que o presidente francês se propunha mediar o conflito entre as FARC e Uribe, ficou enciumado e pensou “no meu quintal ninguém mexe”. Numa conversa de “pé de orelha” com Uribe, apresentou-lhe a proposta: “invades o Equador, a pretexto de ameaças terroristas ( a receita é sempre a mesma), com sorte limpas o sebo a um truta das FARC, o Chavez cai no engodo e ameaça-te com uma guerra. Tu dizes que tens documentos que provam que o Chavez financia as FARC (nós tratamos de arranjar provas falsas, porque já estamos habituados).Ao primeiro tiro pedes-nos ajuda e entramos pela Venezuela para resolver o assunto, em nome da preservação da democracia na América Latina”.
Aparentemente, Chavez caiu “como um patinho” e apressou-se a deslocar tropas para as fronteiras com a Colômbia, levando uma mensagem de guerra.
Embora Bush deseje o contrário, penso que tudo se vai reduzir a uma ameaça e trocas de piropos. A bem da América Latina, que o que menos precisa é de um conflito armado.
Bush pensará o contrário e não resistirá a atirar mais gasolina para cima da fogueira. Os Estados Unidos estão mergulhados numa crise económica gravíssima, que desta vez parece não ser tão ameaçadora para a Europa e Bush ficará para sempre como o grande culpado. Nada melhor do que desencadear uma briga fora de portas, para tentar iludir a miséria dentro de casa.
É por essas e por outras que penso que, seja qual for o vencedor das eleições em Novembro, o mundo poderá respirar de alívio com a partida de Bush
Será mais uma teoria conspirativa, mas de Bush tudo se pode esperar...
terça-feira, 4 de março de 2008
Centro mais centro, não há!
Subscrevo, integralmente, o que escreve João Villalobos sobre o novo partido que Rui Marques pretende criar. Penso que o homem que um dia partiu à descoberta de Timor, mas perdeu o azimute, vai ter que dar e apanhar muita cotovelada, num espaço que está a abarrotar, mas sugiro-lhe desde já uns slogans para a campanha:
“ Centro mais centro não há”, ou então “ Nós somos o verdadeiro Centrão. Uma oportunidade para os que ainda lá não estão”.
“ Centro mais centro não há”, ou então “ Nós somos o verdadeiro Centrão. Uma oportunidade para os que ainda lá não estão”.
E que tal um livro de Boas Maneiras?
Ligo para uma Câmara no Norte ( distrito do Porto) e peço para contactar com determinado serviço. Por três vezes a chamada vai parar a um serviço diferente do que pretendo. À quarta tentativa irrito-me com o telefonista, explico-lhe que sou jornalista, estou a falar de Lisboa, preciso de informação para um trabalho e acho intolerável tanta displicência.
“Ai é jornalista? Está irritado e a falar de Lisboa? Então ligue outra vez” ... e desligou-me o telefone na cara.
Ora aqui está um funcionário que presumo venha a ser classificado com nota máxima na sua avaliação. A arrogância e falta de educação perante um mouro ( ele não pode adivinhar que até sou do Porto) e ainda por cima jornalista, deverá ser justamente premiada naquela autarquia...
Tenho vasta experiência em contactos com Câmaras e serviços públicos e nunca fora atendido desta forma e é por isso que aqui faço o registo. Vou, também, envidar os melhores esforços para dar parabéns ao herói, por isso, penso telefonar ao sr. presidente da Câmara a pedir-lhe o nome do seu diligente e bem educado funcionário, propondo que lhe seja entregue a "medalha municipal por bons serviços prestados ao concelho na luta contra os mouros" e a talhe de foice sugiro que preveja no seu orçamento a oferta de um manual de boas maneiras aos seus funcionários, não se dê o caso de haver por lá mais exemplares destes...
“Ai é jornalista? Está irritado e a falar de Lisboa? Então ligue outra vez” ... e desligou-me o telefone na cara.
Ora aqui está um funcionário que presumo venha a ser classificado com nota máxima na sua avaliação. A arrogância e falta de educação perante um mouro ( ele não pode adivinhar que até sou do Porto) e ainda por cima jornalista, deverá ser justamente premiada naquela autarquia...
Tenho vasta experiência em contactos com Câmaras e serviços públicos e nunca fora atendido desta forma e é por isso que aqui faço o registo. Vou, também, envidar os melhores esforços para dar parabéns ao herói, por isso, penso telefonar ao sr. presidente da Câmara a pedir-lhe o nome do seu diligente e bem educado funcionário, propondo que lhe seja entregue a "medalha municipal por bons serviços prestados ao concelho na luta contra os mouros" e a talhe de foice sugiro que preveja no seu orçamento a oferta de um manual de boas maneiras aos seus funcionários, não se dê o caso de haver por lá mais exemplares destes...
Conversas com o Papalagui(23)
- Viste o “Prós e Contras" ontem à noite?
- Vi...
- Gostei muito de ouvir o Prof João Lobo Antunes.
- E o Prof Villaverde Cabral também disse coisas muito oportunas.
- Que conclusão tiraste daquilo tudo?
- Que o programa devia mudar de nome...
- Porquê?
- Talvez fosse melhor chamar-se “Era um Redondo Vocábulo”
- Vi...
- Gostei muito de ouvir o Prof João Lobo Antunes.
- E o Prof Villaverde Cabral também disse coisas muito oportunas.
- Que conclusão tiraste daquilo tudo?
- Que o programa devia mudar de nome...
- Porquê?
- Talvez fosse melhor chamar-se “Era um Redondo Vocábulo”
Rochedo das Memórias 19- Vespas, bikinis e ladrões de bicicletas
A criação da Vespa, produzida em fábricas italianas que durante a guerra fabricavam material militar, é um sucesso, mas os olhares masculinos voltam-se avidamente para as praias mediterrânicas onde as mulheres exibem generosamente os seus corpos num fato de banho de duas peças: o biquini. Os efeitos secundários desta peça de vestuário, no universo masculino, são idênticos aos obtidos pelos EUA nos ensaios atómicos que fazem no atol de Bikini. Há coincidências incríveis, não há? Mas neste ano de 1946 as coincidências não se ficam por aqui... embora ainda ninguém fale de próteses mamárias, a verdade é que começa a ser produzido o silicone. Do que já se fala é das lentes de contacto que irão surgir no ano seguinte.Nesse ano, a Índia e o Paquistão tornam-se independentes da Grã-Bretanha, mas como a União Indiana decide anexar Caxemira, os dois novos países vão entrar em conflito. Noutras paragens, as Nações Unidas decidem atear um barril de pólvora, dividindo a Palestina em dois estados ( um judeu e outro árabe).
No mundo das comunicações a evolução é enorme. Bell inventa o transistor , nos EUA efectua-se a primeira emissão de Televisão por cabo, e os consumidores correm em busca da máquina fotográfica Polaroid, dos discos long-play e do gravador para uso doméstico. Finalmente era possível registar, para ouvir quando mais apetecesse, a música que passava na telefonia, os discos dos amigos ou a confissão de amor da namorada.
Neste mesmo ano de 1947 inicia-se a reconstrução da Europa, com a aprovação do Plano Marshall. Quem também se recompõe das humilhações sofridas durante as primeiras aparições em público é Maria Callas que passa de matrona grega a diva num toque de magia que, dada a reforma de Aladino e a greve das Fadas Madrinhas, só a sociedade de consumo consegue executar.
E como era preciso devolver o glamour às mulheres parisienses, Christian Dior mete mãos à obra e relança a moda.
A Mc Donalds faz a sua estreia nos Estados Unidos em 1948, ano em que nasce o estado de Israel e um pouco por todo o mundo se assiste à declaração de independência de antigas colónias britânicas. Pelo sim, pelo não, a ONU aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e cria a Organização Mundial de Saúde. A isto se chama, visão de futuro!
Por esta altura já Sartre percebera que na sequência da Guerra havia muitas Mãos Sujas, por isso as dá a conhecer ao público no palco do teatro Antoine de Paris. Mas quem acaba preso a um grande sucesso é Vittorio de Sica com a estreia do seu filme Ladrões de Bicicletas.
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