quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A nova estratégia do PS

O Governo entrou em 2008 com uma nova estratégia para defender a credibilidade e eficácia das suas medidas. Cavaco criticou a política de Saúde e logo o Ministro da pasta veio “humildemente” reconhecer que provavelmente não estava a explicar bem aos portugueses a brilhante actuação do seu Ministério.
Hoje, em entrevista à “Visão”, Ferro Rodrigues vem acusar o PS de “insensibilidade e arrogância” e de imediato Vitalino Canas vem admitir que “ a necessidade de fazer reformas que parecem duras mas são inevitáveis podem dar a sensação que o Governo é insensível”. (Gostei especialmente do “parecem duras”. Acredito que para Vitalino Canas e seus camaradas não sejam, mas pretender que elas não doem aos portugueses não é só insensibilidade... é cabotinismo!).
Canas aproveitou a oportunidade para mandar umas “ferroadas” a Ferro Rodrigues, atribuindo as suas afirmações ao facto de estar a viver fora do País, mostrando assim que o verniz lhe estala na língua...
Se o Governo está numa de reconhecer a ineficácia da sua comunicação, fico á espera que justifique os elevados salários dos seus gestores ou as indemnizações principescas dadas a gestores de empresas públicas que meses depois são reconduzidos. Claro que vou esperar sentado...
Em ano que antecede as eleições, é natural que a estratégia de fingir reconhecer “humildemente” os erros, ganhe alguma consistência, como forma de aliviar o desgaste do Governo. Acredito que até venha a dar resultados positivos ( o povo português gosta de chicote e rédea curta...) mas no seio dos socialistas que não estão sentados na manjedoura do Poder, haverá pela certa muita deserção. Nada que preocupe crates e os seus correligionários, cada vez mais apostados em conquistar votos ao PSD e ao PP e marimbando-se para o PS. crates sabe muito bem que só poderá reforçar o seu peso eleitoral se continuar a conceder privilégios aos que deles não necessitam, a espalhar umas esmolas pelos mais desfavorecidos e a concentrar o peso dos sacrifícios na classe média.
A ironia e sagacidade com que crates mexe os cordelinhos da política interna deixa-me perplexo e apreensivo. Porque sei que ele sabe que grande parte da classe média portuguesa apoia a sua política, por uma simples razão: em cada português existe um ambicioso sonhador, que desenganado quanto à possibilidade de enriquecer através do Totoloto ou do Euromilhões, acredita que à custa de uma “cunhazita” , de uma entrada para o PS pela mão certa, de um “favorzinho” ou de um “abaixar de calças” pode aspirar a juntar-se ao “grupo e resolver os seus problemas.
Afinal, não é isto que lhes ensinam os “talkshows” e as telenovelas, sejam as de ficção ou as da vida real?

Conversas com o Papalagui (12)

-Cá em Portugal, o vosso Ministro da Saúde devia seguir o exemplo de Inglaterra...
- Porque dizes isso?
- Em Inglaterra, os fumadores e os gordos vão passar a ter o acesso ao Serviço Nacional de Saúde condicionado.
- E depois virão os tipos que estejam na praia mais do que duas horas por dia, os utilizadores de telemóveis, os que comam fritos mais do que duas vezes por mês, e os apreciadores de fast-food?

Conversas com o Papalagui (11)

-Anda por aí muita agitação com a nomeação de dois socialistas para a Administração do BCP...
-Não percebo porquê!
-Então, não te parece um descaramento que sejam nomeados dois amigos de Sócrates para a Administração?
-Não!
-...?
-Quem os nomeia não é o Governo , são os accionistas.
-Mas eles vêm da CGD, para onde foram nomeados pelo Governo...
-E isso inibe-os de exercer cargos num banco privado?
-Por uma questão de ética...
Oh Papalagui! Vens-me falar de ética, quando aquele Banco perdoou milhões de dívidas ao filho e amigos do Jardim Gonçalves, sem que ninguém se tivesse chateado?

Sinistralidade e Estatísticas


Eu já sabia que a Estatística é aquela ciência que determina que "se eu comer dois frangos por semana e o meu vizinho não comer nenhum, isso significa que comemos um cada um". Mas fiquei agora a saber coisas ainda mais fantásticas. Por exemplo, que para efeitos de contabilidade das vítimas da sinistralidade rodoviária, só contam como mortos aqueles que morrem antes de chegar ao Hospital. Se um ferido grave vier a falecer depois de dar entrada no Hospital, entra para a lista dos feridos!


A Estatística é uma ciência gira e por vezes muito conveniente, não é?

Isso é que era uma foto!

Digna de primeira página, teria sido a fotografia de um Presidente do Conselho de Prevenção de Tabagismo a sair de uma reuião para fumar um cigarro!Felizmente, na época em que essa situação ocorria ainda havia jornalistas que consideravam "rasca" esse tipo de jornalismo e o caso nunca foi notícia. Como os tempos mudaram!

Hipocrisias

Retardei o regresso a Lisboa para evitar as confusões de trânsito do dia 1. Não me safei, no entanto, de encontrar os loucos do costume:gente a conduzir enquanto fala descontraidamente ao telemóvel, carrinhas “tipo Renault”a fazerem manobras perigosas, autocarros de passageiros a ultrapassarem-me a 140, camiões a ultrapassarem-se lentamente em subidas obstruindo as duas vias, condutores de todo o tipo de veículos a fazerem ultrapassagens sem utilizar o pisca. Vi de tudo isto num dia de chuva, com o piso molhado e perigoso. Vi transgressões suficientes para pagar o ordenado de todos os membros do Governo pelo menos durante dois dias. Cheguei a casa com um amargo de boca, porque não me conformo com o facto de se poderem cometer impunemente infracções graves, enquanto um tipo que circula a 140 corre sérios riscos de ser multado, mesmo que circule em zona sem movimento e apenas esteja a colocar em risco a sua vida.
Mais hipócrita que isto, só mesmo a lei anti-tabágica!

Antevisões 2008(2)

Portugal continuará a prosseguir uma política de apoio aos mais desfavorecidos. Assim, os subsídios a atribuir aos partidos políticos aumentarão 5,7% , os vencimentos 2,1% e as pensões e demais prestações sociais 2,4%.
A isto se chama de justiça redistributiva.

Uma imagem previsível

A capa do DN de ontem não me causou qualquer surpresa...salvo o facto de se tratar do DN!
Uma fotografia do presidente da ASAE ou de um qualquer Ministro a fumar durante a noite de fim de ano era das coisas mais fáceis de prever. Não deixo porém de lamentar que tenha sido o DN a fazê-lo. Embora cada vez mais parecido com o antigo Correio da Manhã, o DN ainda é para mim um jornal de referência. Cada vez menos, é verdade, mas iisso não impede que lamente, pronto!
Pessoalmente, como cidadão e jornalista, espero continuar a ter razões para elogiar o trabalho da ASAE em 2008 e faço votos para que aqueles que a atacam pelo facto de cumprir as tarefas que lhe são cometidas, reflictam um pouco antes de escrever.