terça-feira, 30 de setembro de 2008

A bolsa ou a vida?

Foto roubada na Internet

Desde quinta-feira que não lia jornais, nem via notícias na televisão. É um bom exercício para manter a sanidade mental, mas demasiado perigoso, pois se estivermos muito tempo “desligados” da máquina, corremos o risco de um dia acordar sem perceber o que se passa à nossa volta.
Ontem vi o Telejornal , depois bloguei um pouco e hoje estendi o tempo do pequeno almoço a folhear o JN. Fiquei a saber que o plano Bush foi rejeitado pelo Congresso e que o mundo está suspenso, temendo uma catástrofe financeira. Estranho mundo este, onde as pessoas receiam mais a queda de alguns ícones do capitalismo, do que um desastre natural que ceife milhares de vidas. Já não estranho. Este é o mundo real que deveria ter percepcionado em miúdo, mas o meu constante alheamento da realidade não o permitiu.
Quando era miúdo brincava, no quintal lá de casa, a um jogo qualquer em que fazíamos de polícias e ladrões. Havia uma determinada altura em que os ladrões apanhavam uma vítima e perguntavam: “A bolsa ou a vida?”.
Eu gostava muito desse momento. Ficava suspenso da resposta, porque ela definia o carácter da vítima. Quando a resposta era “A bolsa”, percebia que nunca poderia ser amigo dessa vítima.
As notícias que vi e li nas últimas horas, devolveram-me à casa onde nasci , brincando aos polícias e ladrões. Acabei, aterrando no mundo real. Em pleno século XXI, com milhares de pessoas a morrer de fome, os governos americano e europeus dispostos a investir muitos milhares de milhões para salvar a Bolsa. Pergunto-me porque razão não há nenhum governo preocupado em investir parte desses milhões para evitar a morte dos milhares que diariamente vivem com fome; para gizar planos de protecção do emprego; para dar maior protecção na saúde e na segurança social aos seus cidadãos. Pelo contrário, desinvestem na protecção dos cidadãos e até temos em Portugal um desgraçado de um político que preconiza a privatização da segurança social.
O mundo real é feito à imagem do que alguns sonharam em criança: salvar a bolsa, desdenhando a preservação da vida..
Lanço um último adeus ao Douro. Fixo os olhos nas suas águas reflectindo o casario ribeirinho e preparo-me para regressar a Lisboa. Ao mundo real. De gente que vive com os olhos nas cotações da Bolsa, ignorando o faminto que lhe estende a mão. Dos Tio(s) Patinhas e Irmãos Metralha, que zombam de Patos Donald tão ambiciosos quanto inúteis.
Aqui, no Alto Douro, o mundo é feito de fantasia, de cores, de contos de fadas e duendes. De pequenos milagres solidários. De entreajuda. Do calor das vindimas. Da conjugação entre o Homem e a Natureza. Foi por ter crescido nas suas margens, por aqui ter construído um mundo de ilusões, que me tornei tão cretino e imbecil... mas recuso-me a rejeitá-lo. Sinto mesmo, que o amo cada vez mais.
Regressemos pois à realidade. O importante é salvar a Bolsa, como insistiam alguns dos meus amigos de infância, mesmo depois de lhes dizer que, se pretendiam salvar a bolsa, eu lhes tiraria a vida. Eles é que estavam certos. Sabiam que ressuscitariam anos mais tarde para recuperar a Bolsa, transformando-se de vítimas em algozes. Vingam-se ceifando vidas para engordar as suas bolsas agora recuperadas.
Esqueceram-se da história do “Velho Avarento”. Tanto quis encher a sua bolsa, que acabou por rebentá-la e perder todo o dinheiro armazenado.
Não tarda que alguém venha apoderar-se dos despojos do Ocidente. Depois, talvez voltemos a ser solidários...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vindimas (Remake)


Aqui no Douro está um tempo fabuloso, com céu azul imaculado e temperaturas invejáveis. Há vindimas por todo o lado, respiro tempos da minha infância, sou contagiado pela alegria daqueles tempos. Sem nostalgias, mas sim com uma sensação de juventude que se renova. Decidi por isso reproduzir este post que escrevi em Outubro de 2007

“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”
( Cântico popular)
As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.
Terminei essa vivência, quando tive que procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”. Ainda hoje recordo, com saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina.
Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, uma pequena notícia de jornal devolveu-me estas recordações e deixou-me com um ligeiro amargo de boca. A Real Companhia Velha está a utilizar uma máquina para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas.

Actualizado em Setembro de 2008:Não se acabou a festa das vindimas, apenas está diferente. E O Douro continua lindo, como espero mostrar-vos em próximos posts.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À espera do "Cimbalino"


Enquanto espero que me tragam o café, entro em reflexão. Há tempos, o director da ASAE afirmou que metade dos estabelecimentos de restauração portugueses estão condenados. A minha experiência de viajante dentro de portas, permite-me acrescentar que 80 a 90 por cento dos estabelecimentos de restauração portugueses não prestam. Ementas pouco variadas, confecções a oscilar entre o medíocre e o péssimo, condições de higiene entre o duvidoso e o deplorável e atendimento desprovido de profissionalismo.
Perante este panorama, interrogo-me: como é possível haver tanta gente a escrever sobre restauração na comunicação social portuguesa? Como é possível que, quase diariamente, se recomendem restaurantes? Como é possível incluir centenas de restaurantes recomendáveis em guias de restauração?
Estou longe de ser um “gourmet”, tenho tendência a utilizar mais o faro do que os guias quando, nas minhas deambulações pelo país, opto por um restaurante. Sigo também conselhos de amigos fiáveis, mas não tive tempo de pedir à maloud uma sugestão.
Hoje decidi seguir os conselhos de um guia e tramei-me! O restaurante até é asseadinho, tem uma boa vista sobre o Douro, mas a ementa é trivial. O atendimento é simpático, mas bastante demorado, apesar de meia sala estar vazia ( ou meio cheia, depende da perspectiva do proprietário).
A truta era sensaborona e as batatas de qualidade sofrível. A salada mista era composta por duas rodelas de tomate verde e umas folhas de alface que até um grilo esfaimado recusaria. Carta de vinhos só com dois exemplares do Douro mexerucas, meias garrafas nem vê-las que isto do “se conduzir não beba” é só para quem faz as leis ter com que se entreter. Sugeriram-me que bebesse vinho a copo, perguntei se estava num daqueles restaurantes “finos” onde o vinho a copo ao preço de uma garrafa virou moda, ou numa taberna. A empregada – de leste e provavelmente paga a pataco- ruboresceu e virou-me as costas, afastando-se bamboleante. Contrariado, já tinha decidido pedir uma garrafa de água, quando o gerente, solícito, veio em meu socorro dizendo que escolhesse uma garrafa e só pagaria o que bebesse. Polidamente recusei.
O café, pedido há mais de 10 minutos, só agora chegou à mesa. (Pausa para não deixar arrefecer).
Saiu-me na rifa uma “italiana” ( isto quando se pede um café sem “livro de instruções” é como jogar no totoloto, tanto pode vir a transbordar, como a rasar o fundo da chávena…) mas bebi-a sem razões para reparo.
Olha, olha, a trazer a conta foram lestos… Mesmo sem ter de a pedir, já repousa ao meu lado num cofrezinho a preceito. Terão medo que me pire sem pagar?
Dou ou não gorjeta? A empregada não tem culpa, não é? Há tempos estourou uma discussão no 5 dias sobre esta magna questão da gorjeta. Aqui no CR também já tive uma conversa sobre isso com o Papalagui.
Sou um mole…toma lá gorjeta, para ver se amanhã me corre bem o dia de trabalho.
Boa opção. Ao afastar-se, a empregada refinou a sua passada bamboleante. Na próxima dou-lhe uma gorjeta maior. Pode ser que tenha direito a dança do ventre!
Informação adicional: Quem pensar que a foto de Mariah Carey é despropositada, é porque não se lembra que servia num restaurante quando foi descoberta

Rochedo das Memórias- Da mercearia de bairro ao "Outlet"(2)


Corria a década de 60 para o seu final, quando surgiram em Lisboa os primeiros aglomerados de lojas. Chamavam-se "drugstores"(em inglês farmácia) e ali também havia de tudo um pouco. Estes embriões de "disneylândias" não tiveram grande sucesso, até surgir nos anos 70 o primeiro centro comercial. Dava pelo nome de APOLO 70 e dispunha, para além de lojas, cinema,"bowling", um snack-bar restaurante. e um barbeiro que foi muito frequentado por figuras públicas.
A escassa variedade de diversões ao alcance dos jovens de então, aliada à facilidade de acesso e contiguidade dos espaços de lazer, foram algumas das causas do sucesso então atingido e que rapidamente foi copiado, dando-se assim início a uma "nova era" nos hábitos de consumo.
Os anos 80 assinalam o triunfo do consumismo acéfalo em Portugal. O aparecimento do "Amoreiras", um centro comercial de grandes dimensões e características inovadoras, para onde convergiam excursionistas provenientes dos mais variados pontos do País- e até de Espanha- é o símbolo consumista da época e ficará como marco de uma forma de comsumo que alia a necessidade ao prazer. Quando apareceu, foram muitos os que lhe anunciaram um fim precoce e sem glória, acusando-o de ter dimensões exageradas. O futuro viria a desmentir os profetas da desgraça...
Os anos 80 trazem também para Portugal os primeiros hipermercados que, com velocidade astronómica, se expandem por todo o País em concorrência desenfreada. Jumbo, Carrefour, Continente e Modelo são nomes que se entranham no nosso léxico, com a mesma familiaridade com que noutros tempos falávamos da Fernanda varina ou do Chico padeiro. Muitos outros se hão-de seguir. Os hipermercados que nos finais dos anos 80 começam a proliferar em Portugal pertencem já, na sua grande maioria, a uma terceira vaga. Caracterizam-se por agregar estabelecimentos de vários tipos e espaços de lazer, cinemas incluídos.
Em algumas zonas do País, estes estabelecimentos cumprem um papel social, pois é o lugar para onde se deslocam muitas pessoas ao domingo para passear, já que não têm outra distracção. Todos se lembrarão, certamente, das polémicas que então se levantaram em volta dos hipermercados. Por um lado, os pequenos comerciantes acusavam-nos de lhes roubar clientela e contribuirem para o aumento do desemprego, por outro exigia-se o encerramento dos hipermercados ao domingo, com argumentos que passavam, entre outros, pela defesa da família. A verdade é que apesar da polémica- se não morreu está pelo menos adormecida - os consumidores aderiram com entusiasmo aos hipermercados e mudaram os seus hábitos. Uma vez por semana(normalmente ao sábado) os portugueses correm para os hipers de onde saem cheios de sacos a abarrotar. Já não regateiam preços com a varina, nem com o merceeiro. Limitam-se a olhar para os escaparates procurando as promoções e deixam-se ir na onda.
( Continua)

Dicionário do Rochedo (32)

Ozono- Camada da atmosfera que o homem está a destruir, para poder encher as montras e escaparates com produtos que gosta de consumir; o ( tamanho do ) buraco de ozono é inversamente proporcional ao espaço livre para estacionamento nas grandes cidades. Alguns autores consideram que ( a camada de ) ozono é uma construção mitológica de uns cientistas que ganharam o Prémio Nobel. Há quem acredite que o ozono é uma coisa que só aparece no Verão para lhes estragar as férias. Para afastar os malefícios do ozono, recorrem aos métodos utilizados pelas tribos da Papuásia e da Melanésia e untam o corpo com produtos fabricados pelos deuses da indústria dos cosméticos ( ver :aerossóis; protectores solares)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Rochedo das Memórias -Da mercearia de bairro ao "Outlet" (1)



Em 1907 abria em Lisboa o "Grandella"( a que dedicarei um post), cujas dimensões e características constituíram um símbolo do orgulho nacional, mas estava longe do conceito de hipermercado ou centro comercial que haveria de proliferar décadas mais tarde.


Com efeito, quando em 1923 abriu em S. Francisco o primeiro supermercado, ainda a Europa estava muito longe de conhecer esses estabelecimentos e perceber as transformações que uma nova forma de comércio iria operar nos hábitos quotidianos dos cidadãos do Velho Continente. Na verdade, só em 1963 abriu o primeiro hipermercado europeu. Foi nos arredores de Paris e chamava-se Carrefour, por ficar num cruzamento. Era apenas uma placa de vendas de grandes dimensões que pouco tinha a ver com os actuais hipermercados, e onde praticamente apenas se vendiam produtos alimentares.
Enquanto a publicidade lançava os seus pregões, aliciando os consumidores parisienses para o novo estabelecimento, em Portugal a música era outra:
"Olhó carapau fresquiiiinho!" e " Capital, Lisboa ó Pópular" eram apenas alguns dos muitos pregões que se ouvia cantar nas ruas das cidades portuguesas. Assim se anunciavam as varinas e as notícias trazidas pelas mãos de um ardina. Durante o dia, a horas mais ou menos certas, andavam de casa em casa ( e por ordem de entrada em cena) entoando os seus pregões, o padeiro, o leiteiro, o ardina, a hortaliceira e a varina. O cauteleiro, o amolador ou o vendedor de castanhas, tinham aparições mais ocasionais e alguns mudavam de pregão de acordo com a época do ano e o produto que traziam para venda.
Cedo os miúdos se habituavam a identificar como figuras familiares estas personagens que hoje desapareceram das ruas.
"Gastava-se" sempre do mesmo talho, da mesma mercearia, das mesmas lojas e, de quando em vez, nos céus estralejavam foguetes anunciando a chegada de enchidos frescos à mercearia de um qualquer bairro

Nos anos 60, a familiaridade entre consumidores e vendedores ainda era grande e o comércio muito estratificado, sendo frequente que as lojas tivessem moços de recados que entregavam as encomendas, pedidas por telefone, em casa dos clientes mais gastadores. Quado nos finais dos anos 60 abriram em Portugal os supermercados "Pão de Açúcar", o acontecimento foi muito badalado, mas foi a partir daí que os pregões começaram a rarear.

Afinal, a ASAE tinha razão...

Estão lembrados do alarido que andou por aí contra a ASAE, por ser um organismo persecutório, que não deixa o mercado respirar? Lembram-se das invençoes acerca da proibição da venda de bolas de Berlim nas praias e de outros mitos criados à volta da actuação da ASAE que não tinham qualquer fundamento, a não ser a incapacidade de algumas pessoas em interpretar os comunicados? Não nego que haja situações em que a actuação da ASAE possa pecar por excesso de zelo, mas o que alguns pretenderam foi aniquilá-la, fazendo acusações que revelam total desconhecimento ou má-fé
Como é habitual, assim que o tema deixou de ser moda as águas acalmaram, mas hoje apeteceu-me voltar a agitá-las. Motivo? Os dados agora divulgados referentes às reclamações dos consumidores (cerca de 100 mil em seis meses), revelando que a maioria das queixas apresentadas pedem a intervenção da ASAE!
Prova-se, assim, que os colunistas que tanto alarido fizeram estão completamente divorciados da realidade, pois os consumidores afinal confiam na ASAE e exigem a sua intervenção.
Entretanto, uma associação denominada DEFENSO, requereu em Tribunal a inconstitucionalidade do diploma que confere determinados poderes de fiscalização à ASAE. Independentemente da decisão final, aconselho-vos a fixar o nome das empresas que integram a DEFENSO. É que cá para mim, uma empresa que não quer ser fiscalizada, provavelmente terá telhados de vidro. Não é o povo que diz "quem não deve não teme?"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fantasias TMN!


Ontem de manhã, ao ligar o telemóvel, li no visor PIN errado! Tinha a certeza que estava certo, por isso insisti e acabei com o telemóvel bloqueado.
A primeira reacção foi correr para o telefone a marcar uma consulta no médico, para me queixar que o sr. Alzheimer me tinha vindo visitar. Depois lembrei-me que devia ter guardado em qualquer sítio um cartãozinho com o PIN e o PUK ( pronto, confesso, sou um bocadinho distraído e desorganizado nessa coisa dos papéis...) e encetei a árdua tarefa de o procurar.
Uma hora depois, Eureka! Sorrio vitorioso pelo 2 em 1. Encontrei o cartão e o PIN estava correcto.
Bora lá meter o PUK!- disse para os meus botões. Debalde! PUK errado... Valha-me S. Gregório!
Pé na tábua ( ou melhor, na sola dos sapatos) e ala até à TMN de Picoas.
Quando chegou a minha vez expliquei o sucedido, o jovem que me atendeu pediu-me a identificação, tentou repetir sem sucesso a operação de introdução do PUK e do PIN, mandou-me aguardar um momento e passados alguns minutos regressa com ar grave:

- Conhece alguma senhora com este nome... ?- perguntou
- Não, porquê?
- É que este telefone está no nome dessa senhora...
- Como? Mas não confirmou aí que este telefone é meu?
- Sim, mas no plano de carregamentos é o nome dela que aparece...
- Eu não faço carregamentos, sou jornalista e aderi ao Media XXI, que é um plano de pagamentos por factura que, por coincidência, está em meu nome...
Nova retirada do jovem, mais uns minutos de espera e regresso com o mesmo ar grave, mas felizmente também com uma solução.
- Houve um problema informático qualquer, mas já está resolvido. Tente lá agora outra vez.
Tentativa bem sucedida, pergunto:
- Mas afinal o que é que se passou?
- Isso também eu gostava de saber...
- Mas então não sabe como é que aparece aí uma Celeste qualquer como titular do meu número de telemóvel?
- Não... gostava de lhe poder dar uma explicação, mas não sei. De qualquer forma o problema já está resolvido.
E foi assim, sem uma explicaçãozinha minimamente aceitável, que voltei a poder utilizar o telemóvel.
Afinal vou mesmo ligar ao médico para marcar uma consulta. Mas não é para mim, é para o telemóvel. Quem me diz a mim que não sofre de Alzheimer e está incapaz de reconhecer o dono?
Ou o problema será da tal de Celeste?


O País vai de carrinho...


Assinalou-se ontem o Dia sem Carros. A ideia de, uma vez por ano, sensibilizar os cidadãos para a necessidade de trocarem o carro pelos transportes públicos, apesar de boa não tem conseguido alcançar os seus objectivos.
Tornou-se recorrente - pelo menos em Lisboa- usar o alibi da falta de qualidade dos transportes públicos, para justificar o recurso ao automóvel. Quem vive em Lisboa, sabe que essa justificação não tem cabimento.
Já há transportes de grande qualidade, cumprimento de horários e, nomeadamente nos comboios, grande conforto.
Foi ontem anunciado o reforço dos transportes públicos durante a noite ( ao fim de semana) com comboios a circular até às 4h30m da madrugada, mas não acredito que tenham muito sucesso, porque quem se diverte à noite vai continuar a querer regressar a casa de rabinho tremido. Apanhar um comboio às 4 da manhã? Deus nos livre!
Acontece é que a maioria das pessoas pensa que os transportes são os dos anos 60, porque nunca lá entraram ou acham que é preferível aguentar engarrafamentos de horas, a ter de esperar 4 minutos pelo Metro!
Claro que pais que habituam os filhos a ir de rabinho tremido todos os dias de casa até à escola, não podem esperar outra coisa, que não seja a exigência de um carro, quando os filhos atingem 18 anos e a recusa em andar de transportes públicos.
Por muitas razões que expliquei aqui e aqui , sou defensor das portagens para entrar em Lisboa, porque é a única forma de estancar o chorrilho de carros que diariamente entra na cidade. Para isso, porém, era preciso um Presidente da Câmara com coragem…
Em homenagem ao Dia Sem Carros e aos apreciadores de engarrafamentos, aqui fica a minha homenagem, nas palavras do Zeca:

O país vai de carrinho
Vai de carrinho o país
Os falcões das avenidas
São os meninos nazis

Blusão de cabedal preto
Sapato de bico ou bota
Barulho de escape aberto
Lá vai o menino-mota

Gosta de passeio em grupo
No Mercedes que o papá
Trouxe da Europa connosco
Até à Europa de cá

Despreza a ralé inteira
Como qualquer plutocrata
Às vezes sai para a rua
De corrente e de matraca

Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava a dança macabra
Com os meninos nazis

Depois mandava-os a todos
Com treze anos ou menos
Entrar na ordem teutónica
Combater os sarracenos

Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos!

Chame-se o Bufallo Bill
Chegue aqui o Jaime Neves
Para recordar Wiriamu,
Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama
de novo o Grão-Capitão
Só os meninos nazis
Podem levar o pendão

Mas não se esqueçam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prá puta que o pariu

José Afonso

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Fábula dos 3 Porquinhos e dos Irmãos Metralha durante a crise financeira

Ó George, tu que estás aí em baixo, mostra a estes gajos todos que nos estamos marimbando para as regras de mercado e mandamos o liberalismo e os tótós dos europeus à fava!
Constâncio, diz aí ao pessoal para bater a bolinha baixa. E o Durão que tenha calma, porque aqui na Europa, quem manda sou eu!

Sócrates, o Trichet está ali a dizer para bateres a bola baixinho. Vê lá se reduzes os salários e despedes mais uns milhares... mas não mexas no meu ordenado, porque já ganho miseravelmente!


Durão, ou fazes qualquer coisa ou isto vai tudo pelos ares!



Ó George, isto está um Caos! Anda cá dar-me uma ajuda , senão não me renovam o mandato!




Ó José, olha o que eu penso da Europa!

Pelo país dos blogs (29)

O blog Enganados e sem Nada foi criado por trabalhadores de uma empresa, ( Capepresso) enganados pelo patrão. Uma maneira de se fazerem ouvir e poderem ter voz. Um exemplo de quem se recusa a calar a infâmia, lutando pelos seus direitos com dignidade. Vão até lá ver as cenas edificantes de algum patronato.

Via Arrastão

Autópsia de um discurso


Sócrates fez um excelente discurso em Guimarães (Por favor, antes de me acusarem de estar louco, leiam até ao fim!).
Não seria difícil brilhar, perante os sucessivos dislates de MFL, o visível desconforto do PSD em criticar o governo, ou apresentar propostas alternativas, por se identificar com a governação do PS. Mas Sócrates foi mais longe e lembrou algumas propostas alucinadas do PSD caso formasse Governo- como é o caso da privatização da Segurança Social.
Com o CDS não perdeu um segundo. Se os democrata-cistãos já eram um nado-morto, ficaram completamente atascados nas malhas do descrédito, depois de Paulo Portas ter escondido aos seus parceiros, durante um ano, a demissão de Nobre Guedes. Quem ai votar num partido que nem para si próprio é capaz de falar verdade?
Como é seu hábito disparou contra o PCP, acusando-o de não defender os trabalhadores. O discurso anti-PCP está tão gasto, que já se transformou numa “cassette”. Sócrates sabe, porém, que entre os seus apoiantes e potenciais votantes os ataques ao PCP são muito apreciados e que se não desbobinasse a “cassette” da vacuidade, muitos dos seus seguidores não lhe perdoariam.
O ataque à extrema – esquerda ( onde Sócrates teme perder votos) já se tornou um must. Para sua felicidade, a extrema –esquerda ainda não percebeu que vive numa teia de contradições , divorciada da realidade do país, preocupando-se com propostas fracturantes para entalar a rosa, tentando capatr-lhe votos dos descontentes do PS que nem sequer conhecem as propostas do Bloco. Quando as conhecerem, ou desertam, ou não votam. O Bloco vive da figura de Louçã. – um dos poucos políticos credíveis da nossa praça- e de um conjunto de libelinhas tontas que esvoaçam em seu redor, à espera de boleia para uns minutos de fama.
Mas apesar de viver rodeado de um deserto de alternativas, nem por isso Sócrates consegue ser um oásis. Que propostas concretas apresentou? Nenhuma! Limitou-se a apregoar a MUDANÇA, reafirmando que irá prosseguir a sua política!
Sócrates sabe que, apesar de ter governado para agradar ao capital e desprezando quem trabalha, isso não lhe provocará grande mossa em 2009, se conseguir estancar a abstenção. Apesar de ter desprestigiado a função docente e enxovalhado os funcionários públicos, que transformou em marionettes, sabe que pode recuperar muitos votos acenando com o papão de que com o PSD ainda será pior. ( Os dirigentes do PSD e seus porta-vozes não oficiais parecem querer dar-lhe razão…)
Funcionários públicos e professores, que poderiam ser decisivos no resultado das legislativas de 2009, vivem- também eles- rodeados de contradições e de medos. Embora descontentes, escondendo a raiva de terem sido os "bombos da festa" da política reformista, não podem pôr em risco a mesada certa ao fim do mês. Há rendas e créditos bancários para pagar e, para muitos, a certeza de que não encontrarão emprego se decidirem desertar das fileiras do Estado.
Pondo num prato da balança o achincalhamento a que têm sido sujeitos, a perda de poder de compra nos últimos 10 anos, a subserviência a que estão obrigados, a desmotivação diária e - noutro- o risco de arrostar com um PSD revigorado pela força de uma vitória eleitoral, pronto a dizimar o que resta da estrutura da Administração Pública, e a depositar as reformas dos portugueses nas seguradoras a escolha vai para o mal menor. E esse, Sócrates garante-lhes.
Percebem agora, porque considerei o discurso de Sócrates excelente?
É que apesar de ter tratado os portugueses que trabalham como concorrentes do concurso da Teresa Guilherme, lançando-os no desemprego, destruindo vínculos familiares, impregnando-os de ideias suicidas, os portugueses têm ainda mais medo do que possa vir com este PSD, do que com a continuidade do PS no poder.
Eu sei que Sócrates foi sádico, mas jogou no medo para captar votos. Só não percebo é como ainda há socialistas a votar no PS, mas isso fica para outra altura

domingo, 21 de setembro de 2008

Laranjas sem sumo (1)


António Borges, cujo papel no PSD ainda não percebi, continua a defender a privatização da segurança social, indiferente ao descalabro da AIG que obrigou Bush a injectar dinheiro dos contribuintes, para salvar as reformas de 74 milhões de americanos.
Será que começo a perceber os objectivos desta espécie de vampiro loiro, que parece estar ansioso para chegar ao Poder?

Deambulações pelo planeta rosa (1)


Manuel Alegre, o veterano deputado socialista, acusou a JS de se preocupar com temas laterais, esquecendo as questões que preocupam a sociedade portuguesa, como a pobreza, o desemprego ou a precariedade laboral.
Tanto bastou para que um menino da JS saltasse em defesa da honra e dissesse que não recebia lições de ManUel Alegre. Apetece-me dizer a esse sub-produto da fábrica de políticos rosa que teria muito a aprender com Manuel Alegre. Mas se o menino está muito satisfeito pelo seu papel e acha que o verdadeiramente importante neste momento é discutir os casamentos entre homossexuais, poderia ter pelo menos a dignidade de ser bem educado e respeitar quem poderia ser seu avô.
Estes meninos fabricados nas juventudes partidárias, que nada de útil fizeram na vida e pretendem escrever o futuro na arte da genoflexão perante o chefe, deviam mira-se ao espelho para verem como são ridículos e impertinentes.

Pausa

Para compensar a semana diabólica, ontem à noite decidi relaxar a rever este filme. Quando acabou, percebi que tinha recuperado a minha paz interior. Há fimes que funcionam como verdadeira terapia. Para mim, este é um deles.

sábado, 20 de setembro de 2008

Previsão certeira

Tal como previra, esteve um sábado lindo em Setúbal, com sol e calor a convidar para o ar livre. Mas tudo bem, porque foi gratificante ver como os participantes, especialmente os mais jovens, apreciaram e discutiram aquilo que eu e o Pedro Brinca lhes fomos dizer.
E, ao fim e ao cabo, ainda pude desfrutar um pouco deste dia que parecia de verão, em vésperas de chegada do Outono. Valeu a pena!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Desabafo outonal

Fim da tarde. Chego a casa depois de um dia extenuante, mas bom. Consegui conter-me e não mandei à m.... uma histérica que estava a pedi-las .

Um MD cheio de entrevistas, vontade de me estender na varanda a gozar o pôr do sol. Mas onde está o sol? Amanhã talvez apareça outra vez para me fazer pirraça, porque vou estar a trabalhar na margem sul, encafoado numa sala com não sei quantas pessoas a ouvir-me debitar banalidades. Vou espairecer dando uma volta pelo blogobairro, onde encontro sempre coisas que me fazem sorrir.Que se lixem as entrevistas. Domingo também é dia e pode ser que o sol brilhe.

Adenda: Peço desculpa por não ter respondido aos vossos comentários de ontem. Mais logo...pode ser?

Pelo país dos blogs (28)

Uma boa notícia!

O Vilaforte atingiu as 200 mil visitas ( uau!),ofereceu simpáticos presentes e aproveitou para mudar de endereço. A partir de agora, quem quiser comentar já não tem de enfrentar uma caixa-forte quase inexpugnável, porque o simpático blog de Porto de Mós passou a estar alojado no Sapo. Parabéns a toda a equipa e um abraço especial para o Pedro Oliveira, visita assídua do CR.

A partir de hoje, o Vilaforte passa também a figurar na coluna da direita.

Em breve novos blogs vão fazer companhia ao Villaforte. Já os seleccionei e antes do final do mês informarei aqui, como habitualmente, as minhas escolhas. Uma delas marca a estreia dos blogs internacionais no CR.

Entretanto, agradeço publicamente os presentinhos que a Bluevelvet e a Carol tão amavelmente me ofereceram. Em breve vão figurar num slide show do CR. Obrigado pela vossa gentileza!

Por terras de Montemuro

Isolada, quase perdida no coração da serra de Montemuro, a norte de Castro Daire, fica a povoação de Campo Benfeito. Não é fácil chegar lá. Num emaranhado de estradas estreitas, com sinalização escassa, a placa que indica o caminho a seguir para chegar à povoação deve ter ficado atascada num qualquer embaraço burocrático. De uma grua, espreguiçando-se lentamente ao sol de um fim de manhã de Setembro, saiu em sotaque brasileiro a senha que precisava para atingir a meta desejada.
“Campo Benfeito? É já ali... segue em frente e vira na primeira à direita. Quando você vir umas casas, é aí...”
E foi assim, com a ajuda de sotaque de telenovela à berma da estrada, que três quilómetros mais tarde cheguei a uma povoação com cerca de cinco dezenas de casas em pedra, interligadas por um labirinto de ruas estreitas calcetadas. De quando em vez, avista-se uma casa que quebra a harmonia da paisagem, sinal iniludível de que a emigração chegou aqui. ( 1) Um letreiro em ferro forjado desenhando a palavra Capuchinhas anuncia-me, de forma indubitável, que acabo de cortar a meta.
À minha espera, estão a “tia” Ofélia, a Henriqueta e a Isabel.
Depois juntaram-se outras mulheres que me contaram como decidiram contrariar a tendência da emigração, juntando-se para formar uma cooperativa de artesanato. O resto da história não posso contar aqui, porque uma revista me pagou para a escrever nas suas páginas.
É deste jornalismo feito de histórias reais, que fala das pessoas sem insídias, acusações torpes ou insinuações grosseiras, que eu gosto.
Felizmente que há quem saiba disso e queira publicá-las

Dicionário do Rochedo (31)

OPA, OPC e OPV- Siglas criadas pelo mercado financeiro, no intuito de tornar claras algumas operações escuras.
OPA hostil- negócio entre empresas que faz lembrar o mercado do Bolhão, num dia em que as peixeiras foram para a suas bancas engravatadas.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Rock 'n stock (2)

Alguns “colaboradores” da RTP continuam a brindar-nos com momentos de bom humor em horário nobre. Recusando-se a seguir os estafados e repetitivos modelos dos “Malucos do Riso” ou “Batanetes”, a televisão pública oferece-nos uma programação humorística variada, entre as 20 e as 22 horas, assente no improviso.
Começa o Telejornal - onde alguns “colaboradores” se esforçam para aliviar os telespectadores do “stress” provocado pelas (más) notícias- e surgem as primeiras “buchas” bem humoradas. A mais recente ocorreu no dia do Manchester – Benfica, quando um colaborador da área desportiva ( Paulo Catarro) lamentava o infortúnio de um jogador benfiquista (salvo erro Karagounis...) ao lesionar-se, “não podendo assim estrear-se pela primeira vez ...” .
O melhor da noite, porém, só viria depois do habitual ( mas nunca estafado) “Contra Informação”. Durante o concurso “ O Cofre” – um programa que pretende contribuir para o enriquecimento cultural dos portugueses- o colaborador-apresentador sucumbiu a mais um dos seus inúmeros “deslizes”. Quando os concorrentes tentavam encontrar a resposta à pergunta “Quem escreveu «Afirma Pereira»?”, Jorge Gabriel tentou dar uma ajuda:
- “Autores portugueses! Não conhecem autores portugueses”?
Saíam alguns nomes em catadupa e depois fazia-se silêncio. Talvez por saber o que representa o silêncio em televisão, cada vez que havia uma pausa, Jorge Gabriel insistia:
- “ Vá lá, digam nomes de escritores portugueses!”.
Assim se passaram três longos minutos. Sem que os concorrentes acertassem e sem que ninguém na produção conseguisse evitar o “afundanço” do seu colaborador, insistente na tese de que Antonio Tabuchi é português. E foi convicto dessa certeza que, esgotado o tempo para a resposta, Jorge Gabriel anunciou aos concorrentes.:
-“ Então! Chama-se António... ( para Jorge Gabriel todos os Antónios são portugueses? Será que pensará o mesmo em relação a Jorge Luís Borges? ) Tabuchi!”
E com esta “piada de mau gosto” terminou mais uma sessão de “ O Cofre”.
Tudo isto seria muito divertido, se não estivéssemos a falar de “serviço público de televisão”. Para apresentar um concurso, não basta ter um apresentador popular. É preciso que seja um “bocadinho” culto e que tenha por trás uma produção que o ajude e impeça de dizer disparates. Erros similares ( como elevar Sidney a capital da Austrália) aconteceram anteriormente com apresentadores de outros concursos, cujo denominador comum é ganharem ordenados de futebolistas da Super Liga, para jogarem nos Distritais. Dá que pensar!

* Lisboa, numa noite em que ressacava de uma gripe, diante do televisor.

Momento de Humor (2)

Um homem depara-se com um enterro, seguido de uma inusitada procissão:
Primeiro vinha um caixão.
Depois um segundo caixão.
Em seguida, um homem sozinho levando um 'pitbull' pela coleira.
Finalmente, atrás dele, uma longa fila indiana só de homens.
Sem conseguir conter a curiosidade, aproxima-se delicadamente do homem
com o cão e diz:
- 'Os meus sentimentos pela sua perda... mas... eu nunca vi um enterro assim..
O senhor poderia dizer-me quem é que morreu?'
- 'Bem... no primeiro caixão está a minha mulher'.
- 'Sinto muitíssimo! O que aconteceu com ela?'
- 'O meu cão... ele atacou-a...'
- 'Que tragédia! ...
- 'E o segundo caixão?'
- 'A minha sogra... ela tentou salvar a filha'...
Um silêncio consternado e pungente. Os dois homens olham-se nos olhos.
- 'Empresta-me o cão?'
- 'Meta-se na fila...'
( Recebido por e-mail)

Conversas com o Papalagui ( 36)

- É uma injustiça andarem a prender os tipos que assaltam as gasolineiras!
- Estás parvo ou quê?
- Tu é que disseste.
- Eu????????
- Sim. Não andas sempre a dizer que ladrão que rouba a ladrão, tem 100 anos de perdão?
- És mesmo estúpido! Não percebes patavina de câmbios, regras de mercado do petróleo, nem finanças. Os postos de abastecimento até dão descontos e a Galp não rouba, está a acautelar o futuro
- Mas nos outros países da UE o preço da gasolina baixou…
- Porque são uns estúpidos que não sabem fazer contas.
- Um dia destes ainda vais dizer que a culpa da gasolina não baixar de preço é do Chavez!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Rock 'n stock (1)*



Durante muitos anos tive medo de mostrar às pessoas o que escrevia. A culpa foi do sr.Borges, meu professor na Escola Primária ( assim se chamava à época), figura de mestre escola do Estado Novo que um dia nos mandou escrever uma redacção sobre um sonho.
Escrevi e meti-me num 31! O sr. Borges não acreditou que tivesse sido eu a escrevê-la , tentou obrigar-me a confessar que tinha sido o meu irmão mais velho, ou a minha mãe – que na altura escrevia crónicas no Primeiro de Janeiro- a escrevê-la, mas insisti que fora eu. E fora… mas de nada me valeu dizer a verdade, porque apanhei 10 reguadas -as únicas que apanhei na minha vida. Deve ter sido nesse dia que comecei a perceber o que era a PIDE!
Dada a minha intransigência em confessar o delito, chamou os meus pais, mostrou-lhes a redacção e advertiu-os que não deviam ajudar-me. Os meus pais disseram que não tinham sido eles, garantiram que não fora nenhum dos meus irmãos e que na realidade eu lhes mostrara a redacção, depois de escrita e tinham ficado a pensar que eu me inspirara num livro qualquer.
O sr. Borges ficou uns momentos calado, depois perguntou aos meus pais quais eram as minhas leituras. A resposta foi idêntica à que daria a maioria dos pais de outras crianças da minha idade. Eu só lia as leituras normais para um miúdo de 9 anos, porque me estava vedado o acesso a leituras mais avançadas embora as tentasse surripiar, sem êxito, aos meus irmãos ( a biblioteca lá de casa era-me inacessível sem visto prévio).
O sr. Borges cofiou o bigode e afirmou peremptório: então levem-no a um psiquiatra!
Os meus pais insistiram , durante duas semanas, para lhes dizer a verdade. Só acreditaram que não mentira, quando me mandaram escrever uma redacção sobre as vindimas, sem sair da sala onde se dedicavam às suas leituras.
Quando terminei ficaram aliviados. Afinal não lhes mentira.
Sr. Borges: Esteja onde estiver, fique a saber, se ainda ninguém lhe disse, que aquela história da viagem num comboio eléctrico, onde viajei até ao País das Maravilhas e acabei por pedir a Alice em casamento, saiu mesmo da minha cabecinha. Por isso, se persiste em ser professor aí no lugar onde repousa, nunca peça aos seus alunos para lhe escreverem sobre a vida actual na Terra. Não ia acreditar como o mundo mudou desde que partiu, correria o risco de voltar a morrer e ser transformado outra vez em terráqueo.
Era muito bem feito, mas não lhe desejo esse mal! Limito-me a enviar cópia deste escrito ao ministro da educação para que ele nunca mais o ponha a ensinar. Mas talvez lhe consiga arranjar um lugar aqui, na Papua Nova Guiné!
* Crónica retirada à poeira do meu baú, porque também tem direito à vida.
Wewak, Papua Nova Guiné, Agosto de 1991( com a ilha de Cousteau em fundo)

Dicionário do Rochedo-30

Mediático- Indivíduo que não está com meias medidas para nos entrar pela casa dentro, para se dar a conhecer através da televisão. Quando é bem sucedido salta num ápice para capa de revista onde expõe as suas intimidades e arranja muitas namoradas. Alguns exemplares arrependem-se e começam a insultar os jornalistas por se intrometerem na sua vida privada.
Mediática-(f)- Distingue-se do exemplar masculino, pelo facto de normalmente aparecer nas capas das revistas muito mais despida. Gosta de falar da sua vida amorosa e de anunciar publicamente as doses de silicone que "ingere"para modificar o corpo ( normalmente, mamas e glúteos). Há exemplares cujo principal fascínio é dizer mal dos "gajos" com quem foram para a cama ( ex: Margarida Rebelo Pinto).

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Como um castelo de cartas...

Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.
Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necesitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.

Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.
Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.
É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.

Dicionário do Rochedo -29

Internet (1)- Rede que permite navegar a quem não sabe nadar; forma de surfar sem molhar os calções.
Internet(2) - Rede a que o autor deste dicionário e proprietário do CR está com dificuldade de aceder, por manifesta falta de tempo, impedindo-o inclusivé de cumprimentar (visitar de fugida ainda posso, mas não mais) os amigos e vizinhos de que tanto gosta.
Adenda: Quer isto dizer que o CR vai viver praticamente de "enlatados" (leia-se: posts em stock) até ao final da semana e que os comentários nos posts da vizinhança, durante os próximos dias, serão escassíssimos. Não me levem a mal... como diria o outro "É a vida!"

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Descascando Lisboa

Já tinha estado em Portugal, mas não conhecia Lisboa. Estivera comigo a fazer uma reportagem sobre o Douro vinhateiro e, antes de regressar a Lisboa, levei-a ao Porto. Ficou tão maravilhada, que por ali quis ficar os 3 dias que ainda tinha disponíveis. “Lisboa fica para a próxima”- garantiu-me, pouco entusiasmada com as fotos que já vira.
A oportunidade deu-se agora, em escala a caminho da Croácia.
Começámos sábado, manhã cedo, na Quinta da Regaleira, curiosidade imensa desperta pelas histórias do local. Depois caminhada até ao Palácio da Pena onde se deslumbrou.
Paragem na Praia das Maçãs , em casa de amigos, para um aperitivo antes do almoço em Ribamar, com o mar em fundo.
Caminho de regresso para paragem na Ericeira. Ficou especada, olhando o mar que lhe fez lembrar Punta Arenas natal. Sentados no terraço do Vila Galé, recordámos tempos partilhados mais a sul, onde a Argentina e o Chile trocam um beijo fugaz.
Foi um martírio para a tirar da Ericeira, mas lá se fez o regresso por Colares, cabo da Roca e Guincho onde lhe mostrei o meu Rochedo.
O jantar estava programado para as Furnas, mas a brisa fresca alterou os planos. Optei pelo novo Gordini e depois encontro com amigos latino-americanos.
México, Chile, Argentina , Uruguai, Brasil e Honduras em conversa animada, testemunhada por deslumbrante Lua Cheia, iluminando a marina. A conversa não podia deixar de se centrar na América Latina. Enquanto decorria a conversa ia pensando na solidariedade dos latino-americanos, tão contrastante com o "cada um para seu lado" que caracteriza a UE. Também se falou de Portugal e dos portugueses, de hitórias sobre as quais não quer agora aqui falar.
O domingo foi passado em Lisboa, percorrendo os locais obrigatórios. Os miradouros provocaram um disparar constante de fotografias , entrecortados por “ Mira! Estupendo! Qué maravija!" ( assim mesmo, com sotaque sulista…).
Hoje foi fazer compras com uma amiga comum (mexicana a viver há anos em Lisboa) e despedir-se de Lisboa. Vai encantada, mas ninguém lhe tira aquele nome da cabeça.
“ Erizera, dices?” Corrijo o nome no mouleskine dela. Relembro-lhe os elogios que fez a Sintra, mas permaneceu na dela.
“Belíssima, pero tengo que pasar una noche en el hotel de Erizera, quando vuelva de Croácia”.
Revelo-lhe o número do melhor quarto, onde o amanhecer pode ser mágico, quando o tempo ajuda.
“Reservalo, para…”.
Combinado, Marcella! Buen viaje hasta Hvar. Que lo desfrutes!

Regresso às aulas

Se tudo tiver corrido como programado, a partir de hoje todas as escolas portuguesas terão entrado em funcionamento. Será, para muitos, o início de uma nova vida que os irá habilitar , daqui a uns anos, com um curso que lhes confere capacidade para exercer uma profissão. Se terão oportunidade para a desempenhar, é outra história que passa por questões que o país terá que resolver a breve prazo, sob pena de hipotecar o futuro.
Neste dia, porém, confesso que não estou muito optimista. Parece-me que o facilitismo impera na escola, onde os professores estão quase proibidos de chumbar, por imperativo das estatísticas, o que levará os alunos a chegar à Universidade com fraca preparação.
A impossibilidade de atingir a média necessária para entrar nas Universidades e cursos que muitos pretendiam tirar, obrigá-los-á a optar por Universidades privadas, ou por outros cursos. Em muitos casos, o curso será conseguido com grande esforço financeiro, noutros nunca será acabado, noutros ainda a conclusão do curso não significará aptidão profissional.
Eu sei que a questão não é nova e que há, hoje, no mercado, muitos profissionais cujos cursos foram obtidos com passagens administrativas, votação de braço no ar e outros artifícios vários. Não quer isso dizer que, entre eles, não haja excelentes profissionais. Não é isso que está em causa. Parece-me, no entanto, que o facilitismo de que tanto se fala nos corredores de acesso à Universidade, em nada contribui para criar profissionais competentes e responsáveis. Se assim for, a escassa produtividade de que tanto se fala, também não terá melhorias nos próximos tempos.
Porventura estarei enganado, mas apeteceu-me pensar no assunto e colocá-lo à vossa reflexão, neste dia de “regresso às aulas”.

A TV não é um detergente!

Há pessoas que pensam que a televisão é uma espécie de detergente que permite branquear o passado. Desiludam-se, porque a TV não lava mais branco, apenas disfarça as nódoas. Fica assim aqui o meu conselho: comprem uma embalagem de Skip e metam-se dentro da máquina de lavar. Pode ser que resulte...

Esclarecimento ético

A fim de esclarecer algumas dúvidas que poderão ter surgido sobre as motivações que me levaram a escrever isto:
- Como não vi a entrevista, o meu único intuito foi clarificar a minha opinião sobre as pessoas que invocam a sua superioridade ética ou moral, para fazerem valer as suas posições. Acredito firmememnte, que só invoca superioridade ética quem necessita de o propagandear! Uma pessoa que se considere superior nunca o afirma, porque ao fazê-lo está a violar a mais elementar regra da ética. Simples, não é?
Depois de ler alguns comentários, fiquei a conhecer o alvo do remoque. Afinal, a situação atinge uma gravidade ainda maior, já que MJM se considera eticamente superior em relação a um sujeito que " está obrigada" a acusar e de cuja condenação depende a sua própria credibilidade.
É bom não esquecer que a MJM foram concedidos meios excepcionais para reunir provas que lhe permitam provar a teoria que defendeu num livro que escreveu com José Vegar ( Fraude e Corrupção em Portugal). Se não conseguir apresentar resultados, a sua credibilidade vai pelo cano de esgoto.
Nunca pretendi pôr em causa a qualidade técnica de MJM, apenas me interroguei sobre o carácter de quem invoca a superioridade ética como argumento...

domingo, 14 de setembro de 2008

Mergulho na América Latina

Tenho estado "cercado" de América Latina por todos os lados. Agora já só resta um bocadinho de Punta Arenas. Volto amanhã, para responder aos comentários atrasados ok?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Rochedo das Memórias- A Sala de Brinquedos (virtuais)- 4


O fenómeno "tamagotchi" alterou comportamentos no seio familiar e na escola.
Uma amiga, professora de Matemática, contava-me na altura, como travou, pela primeira vez, contacto com um destes animaizinhos virtuais:
"Um dia, em plena aula, vi que um dos meus alunos brincava com um pequeno aparelho electrónico. Pensando tratar-se de um jogo, disse-lhe para deixar a brincadeira para o intervalo. Entre lágrimas, o miúdo apenas me respondeu, sem tirar os olhos da máquina, que o tamagotchi estava a morrer!. No espaço de duas semanas as aulas foram invadidas por um exército de tamagotchis e não tive outro remédio que não fosse proibir a sua entrada na sala de aulas."
Apesar de ter sido interdita a sua entrada em quase todas as escolas , havia quem considerasse o "tamagotchi" um brinquedo educativo porque responsabilizava a criança a ocupar-se e a tratar de alguém." François Bowen, professor de Psicopedagogia da Universidade de Montreal refutou esta afirmação, dizendo: "Poderia ser educativo, se fosse utilizado para ensinar as crianças que tomar conta de um animal exige cuidados e disponibilidade...mas há uma grande diferença entre carregar num botão e ter que se vestir para ir passear o cão."
Uma psicóloga, por sua vez, fazia uma comparação curiosa: "o tamagotchi está para o brinquedo, como a fast - food para a comida caseira..."
Em Portugal, negócio dos "tamagotchis" não atingiu as proporções esperadas, mas noutros países viveu-se uma autêntica "tamagotchimania".
Em Inglaterra o brinquedo começou por ser encarado como um bom substituto de um animal doméstico, mas rapidamente pais e professores compreenderam que os intrusos perturbavam as aulas e a vida familiar. Isso não impediu o aparecimento de um cemitério para "tamagotchis" em Inglaterra, a que se seguiram outros na Hungria, na Tailândia e até... um cemitério virtual na Internet!
A necessidade de cuidar dos "tamagotchis" enquanto as crianças estavam na escola, levou ao aparecimento de "baby- sitters" em países como a Hungria, Singapura ou Japão.
Portugal nunca albergou cemitérios, nem viu a "tamagotchimania" atingir as proporções alcançadas no Japão, onde o entretenimento das crianças consistia em torturar até à morte, e no mais curto espaço de tempo possível, os indefesos animais.
Inspirada no "tamagotchi", a sua criadora ( Aki Maita) e a empresa que os comercializava (Bandai), decidiram lançar novos animais virtuais.
O primeiro a surgir foi o "Digimonster"que, em vez de requerer cuidados "maternais", sujeitava as crianças a emoções mais fortes. O objectivo era promover a "cultura física" dos animais e posteriormente acoplá-los de forma a que lutassem entre si em combates violentos, de preferência até ... à morte.
Mas a associação Maita - Bandai ficou ligada a outras imbecilidades, como o "tamagotchi" com sexo e outro que dispensava a "baby- sitter" por estar dotado da função "Pausa", para permitir descanso aos seus utilizadores.
Proveniente de Taiwan e Hong-Kong, aportou à Europa a polémica Kimiko, uma órfã que desencadeou uma tempestade de protestos. As crianças que se deixavam enamorar por ela, tinham de alimentá-la e cuidá-la até estar em condições de ser adoptada, pois se não o fizessem, a órfã virtual desaparecia e volatizava-se no espaço sem deixar rasto.
De Hong-Kong chegou a última novidade. Criada para agradar a um escalão etário mais elevado, "a amante virtual" (My Lover) destinava-se a jovens inibidos, incapazes de se declararem por palavras ou actos tão simples como oferecer um ramo de flores. Uma vez de posse da "amante virtual" o seu proprietário tinha de a cortejar, satisfazendo-lhe todos os caprichos: levá-la a jantar fora, a discotecas, oferecer-lhe presentes, enfim, tudo aquilo que uma mulher é capaz de pedir a um homem quando o vê apaixonado. À medida que a capacidade de sedução ia aumentando, o pretendente ia coleccionando pontos que, sucessivamente, lhe davam direito a um beijo virtual e até a um casamento.
Quem não satisfizesse os caprichos da namorada virtual e não fosse mestre na arte da sedução, poderia meter-se numa grande “alhada”, porque a boneca reagia de forma desabrida e desaparecia no ciberespaço, com outro terráqueo ou com um argonauta.
Apesar de alguns protestos registados em Hong-Kong, por parte de uns quantos puritanos em vias de extinção, que reclamavam que este brinquedo só deveria ser vendido a maiores de 18 anos, a verdade é que a sua venda era livre e podia ser encontrada nas mais famosas lojas de brinquedos daquele Território.
Felizmente, confirmaram-se as previsões da maioria dos psicólogos: a vitória final, acabou por pertencer ao boneco de peluche!

A minha ética é melhor que a tua!

Maria José Morgado disse ontem à noite, na entrevista a Judite de Sousa: “ Eu tenho uma superioridade ética que me permite calar a boca”.
Não pude ver a entrevista, por isso desconheço o contexto em que a frase foi proferida. Para o caso, pouco interessa, porque a frase vale por si.
Eu já conhecia a superioridade moral da Europa que se traduz mais ou menos no seguinte: critica ferozmente um cartoon , porque exibe um preservativo no nariz de um Papa, ou indigna-se perante a imagem de um sapo a ser crucificado, por ofender os valores dos católicos. Quando os muçulmanos reagem de forma violenta, contra um cartoon em que Maomé aparece com uma bomba no turbante, a indignação da Europa volta-se contra os muçulmanos que querem pôr em causa os valores democráticos e a liberdade de expressão dos europeus. Estamos conversados…
Também conheço, desde há muito, a superioridade moral da Igreja que tem no seu decálogo comportamental o item “não matarás”, mas se associa a governos ditatoriais que perseguem e matam pessoas, por delitos de pensamento. Mais… alguns dos seus membros, dão-se ao luxo de participar nos massacres! E quanto à Igreja, o melhor é ficar mesmo por aqui, porque o rol de exemplos seria quase indecoroso.
Uma colectividade ou civilização que invoque a sua superioridade moral, para defender as suas causas, mete-me nojo.
Uma pessoa que invoca a superioridade ética faz-me rir. No caso de Maria José Morgado, faz-me pensar! Terá alguém que se considera eticamente superior a outras, capacidade para julgar? A mim, parece-me que não. E a vocês?

Dicionário do Rochedo (28)

Instrumentalizar- Dar lenha aos outros para se queimarem; pôr algumas pessoas, a que se chama de amigos, ao serviço dos nossos objectivos; chantagear

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de Setembro (2)



Faz hoje 35 anos que os Estados Unidos assassinaram Salvador Allende, o presidente chileno eleito democraticamente, para colocar no poder um execrável, cobarde e sanguinário ditador: Augusto Pinochet.

Se no longínquo ano de 1973 os EUA respeitassem os governos eleitos democraticamente, nunca teriam ajudado Pinochet a matar Allende. Para azar dos sul-americanos, os EUA só se preocupam com o governo democrático da Geórgia ( no que são seguidos por babados analistas políticos de fraca memória).

Tive a felicidade de trabalhar com um ex-ministro e um ex- secretário de Estado de Allende, que escaparam à implacável polícia política de Pinochet. Pude , por isso, perceber como o 11 de Setembro de 1973 atrasou o crescimento da América Latina em várias décadas. Hoje, compreendo, também, que aquele crime hediondo justifica o aparecimento de Chavez, Morales e outros líderes sul-americanos que querem impõr uma nova ordem no sub-continente americano.

Gostava que todos aqueles que atacam os novos líderes sul-americanos com acusações grosseiras e despidas de qualquer contextualização histórica , percebessem que os países sul-americanos foram até há bem pouco tempo colonizados pelos EUA, que não se coibiram de intervir naquela zona do Globo, para impôr ditaduras sanguinárias, sempre que a escolha dos povos tendia para a democracia.

Acabou-se o tempo em que a América do Sul era coutada americana. Felizmente, o mundo mudou. Paar mim, ficará para sempre viva a memória de Salvador Allende. Um mártir assassinado às mãos de uns bárbaros que pretendem dominar o mundo a seu bel-prazer.

Lamento o 11 de Setembro de 2001, pelas mortes de civis, mas vejo-o como punição à arrogância da administração americana, implacável na defesa dos seus mesquinhos interesses económicos.

11 de Setembro (1)


Faz hoje sete anos que um ataque terrorista destruiu as Torres Gémeas em Nova Iorque , lançando o pânico no mundo.
A invasão do Iraque – que pretensamente se destinava a restabelecer a paz no Médio Oriente e a dar mais segurança ao mundo- pegou rastilho a outros conflitos internacionais. A popularidade de Bush nos EUA e fora deles está a rondar o “Ground Zero” . Em breve, Bush abandonará o cargo e ficará para a História apenas a sua imagem de um pretenso “Salvador do Mundo”ensandecido. Bin Laden está vivo, a Al Qaeda mais organizada e o mundo mais perigoso. Talvez tudo tivesse sido evitado, se Bush não tivesse chegado à presidência dos EUA, por métodos fraudulentos.
O que mais me assusta, ao evocar o 11 de Setembro, é pensar que dentro de poucos meses, os americanos, porque não aprenderam a lição de Bush ( ou porque gostaram dela) elejam para a vice-presidência uma louca como Sarah Palin.
Se isso acontecer e para azar de todos nós houver um outro 11 de Setembro nos EUA, as decisões da Casa Branca poderão ser ainda mais nefastas para a paz mundial, do que as provocadas pelo aventureiro louco que dirigiu o mundo nos últimos oito anos.
Uma coisa é certa: o 11 de Setembro de 2001 irá sendo, lentamente, arquivado nos livros das nossas memórias.
Há, porém, um outro 11 de Setembro, muito mais distante, que não se apagará facilmente da memória dos que acreditam e lutam pelos valores da democracia. Sobre esse vou escrever o próximo post. É já a seguirt

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Palpite do dia

Será impressão minha, ou a campanha de Fernando Seara para a candidatura à Câmara de Lisboa, começou na segunda-feira, cerca das 23 horas, na SIC- Notícias?

Coisas do Sebastião (12)

Que reacção teria , se ao trincar uma saborosa sanduiche de perú deparasse com um objecto estranho, que seguramente não fazia parte da ementa? Certamente que se irritaria, talvez pedisse mesmo o livro de reclamações e jurasse não voltar a comer naquele estabelecimento. Mas sem sombra de dúvida que a sua irritação se transformaria em pasmo ao descobrir que tal corpo estranho era, nada mais nada menos, do que parte do polegar de um ser humano!
Fazemos votos para que isso nunca lhe aconteça, mas a verdade é que a cena passou-se mesmo com um jovem que pacatamente almoçava numa cantina escolar. Incrédulo, quis saber a origem de tão insólito acompanhamento.
De pergunta em pergunta acabou por chegar à fala com o fornecedor das sanduiches que, confrontado com a situação, explicou, entre um encolher de ombros e algum enfado, que a situação se devia ao facto de um dos funcionários da empresa (que abastece várias cantinas escolares), ter cortado um dedo naquele dia, enquanto preparava as sanduíches.

Nada de anormal, claro, se tivermos em consideração que o episódio se passou na cantina de um liceu americano. Mas ao contrário do que acontece muitas vezes nos Estados Unidos, desta vez o jovem estudante não teve direito a qualquer indemnização.

Dicionário do Rochedo (27)

Implementar- Erro de leitura de um "pivot" do telejornal, que os tecnocratas adoptaram para justificar a adopção de medidas não consensuais.

Portimão: Notícias de última hora

Transportadas pela brisa fresca da manhã, chegam ao Rochedo as reacções da blogosfera aos acontecimentos ocorridos ontem na esquadra de Portimão.
Daniel Oliveira, do Arrastão, considera a detenção "um abuso de poder", porque "não está provado que o atirador quisesse acertar na vítima".
O comentador do "Eixo do Mal" interroga mesmo: " não terá sido o nervosismo de estar numa esquadra, que lhe terá despoletado uma sintomatologia reactiva espontânea?"
João Miranda, com aquela honestidade intelectual que o caracteriza, condena no Blasfémias "a ignominiosa intervenção do Estado, através de um agente policial, num conflito entre privados". E interroga-se: " Até quando é que o Estado vai continuar a interferir na iniciativa privada, numa abusiva manifestação de Poder estalinista"?
Este post de João Miranda já recebeu comentários de 237 pessoas, um camionista com 2,3g de álcool no sangue e Luís Filipe Vieira.
Adenda: Estes post é pura ficção, mas em virtude das posições que ambos assumiram em relação ao caso BES , poderia ser verdadeiro.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Rochedo das Memórias- A Sala dos Brinquedos -3






A versão plástica do Hulla Hoop faz furor, rivalizando com o disco voador e com o iô-iô que, depois do grande sucesso dos anos 20 e 30, ganha luzes no interior. Os rapazes deliravam com as miniaturas automóveis da Matchbox e da Corgi ou com o Action Man, enquanto as raparigas conheciam a Barbie, a boneca dos seus sonhos. Mais tarde vai chegar a Sindy, criando-se uma rivalidade entre as duas, muito semelhante às da vida real. .
O fascínio pela luta do espaço animava os brinquedos a pilhas, cuja sonoridade e jogos de luz faziam os encantos dos mais pequenos. Para espicaçar a imaginação, surgia o Lego, um jogo de construções ainda hoje muito apreciado, apesar de as normas comunitárias sobre brinquedos terem obrigado a que se descaracterizasse.
Com o advento da sociedade de consumo e a multiplicação da oferta, poucos são os brinquedos que resistem muito tempo ao sucesso. Os videojogos começam a invadir a Sala de Brinquedos a partir dos anos 70 e o microchip entra na indústria dos brinquedos, com a primeira criação de sucesso: o Game Boy.
A década de 80 tem no cubo de Rubik o seu êxito mais epidémico e as maiores receitas de bilheteira. Mas os jogos electrónicos estão cada vez mais implantados nos gostos dos jovens, principalmente por culpa da Nintendo que lança o Supermario, a que a Sega responde com o Sonic.

Entretanto, o brinquedo começava a deixar de ser "p´ró menino e p'rá menina", tornava-se unisexo. Começa a ser possível ouvir pais dizer " o meu filho brinca com bonecas e a minha filha adora jogar à bola", sem medo que os amigos pensem que as crianças têm tendências esquisitas.

As bonecas já não se limitam a dizer "papá" e "mamã", ou a chupar biberão. Choram, riem, têm namorados, casa com piscina, automóvel próprio e motorista, vão à ópera, vestem "toilettes" para ir aos "cocktails", reproduzindo cada vez mais a realidade do mundo dos adultos e coarctando a imaginação das crianças
Nos anos 90, a consola playstation, da Sony, permite a ligação directa ao televisor, sendo uma das mais procuradas brincadeiras electrónicas. Ao findar o século, o tamagotchi põe a cabeça em água aos pais, porque não há nenhuma criança que não queira ter um exemplar, mas o Furby assume-se, no final da década, como a grande novidade a que todos querem ter acesso.
Os jogos interactivos eo brinquedos virtuais são a grande loucura e, nos desenhos animados, Dragon Ball é um sucesso total que põe as associações de consumidores em polvorosa devido à sua violência. A sala de brinquedos já não é o que era dantes.

Despedida

Este ano foi-se embora mais cedo, quase sem avisar. Ontem, ao chegar a casa , tive esta sensação.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Uma lufada de ar fresco?


José Luís Arnaut disse ao DN que “Sarah Palin é uma lufada de ar fresco”.
Vale a pena fixar estas palavras, no momento de votar em 2009. Pelo menos para relembrar o que o destacado membro do PSD considera “lufada de ar fresco”: uma mulher anti-aborto, que despreza os gay, é contra o divórcio e a favor da pena de morte, não esconde uma pitada de xenofobia e racismo, é ultra conservadora, apoia fervorosamente a guerra do Iraque, faz lembrar uma Barbie com óculos e é acérrima defensora do ensino do criacionismo. Dêem-lhe tempo e ela ainda vai afirmar que a ida do Homem à Lua não passou de um filme de ficção científica, igual ao que “justificou” a invasão do Iaraque.
Sarah Palin representa o que de mais conservador e retrógrado ainda existe na América( sim , América e não EUA) e a sua eleição significará, para o mundo, um cataclismo tão pernicioso como foi a eleição de Bush. Ao seu ideário ultra-conservador, Sarah Palin alia uma falta de experiência assustadora ( Lembre-se que há dois anos era apenas presidente da câmara de uma cidadezinha minúscula, perdida nos confins do Alaska ).
Mas há mais… Sarah é a garantia de que as desigualdades económicas e sociais se vão manter ( se não agravar) e pertence ao grupo de ambientalistas cépticos que acredita que os problemas ambientais e as alterações climáticas são histórias inventadas por pessoas que, em criança, passaram a vida a ouvir a ameaça do “homem do saco”.
E já agora, se nunca foram ao Alaska e gostariam de lá ir, despachem-se! É que Sarah Palin pretende transformar aquilo num queijo gruyère, para explorar petróleo. A mulher pode ser gira, mas é completamente doida!

Momento de humor (1)

Colecciono algumas histórias bem humoradas que me vão enviando por mail. Pontualmente, vou começar a publicá-las. Obrigado à leitora que me enviou esta. Não digo o nome, para ela não se zangar comigo!

Depois do Festival de Cerveja da Grã-Bretanha, em Londres, os presidentes das empresas de cerveja saíram para beber um copo.
O presidente da Corona senta-se e pede ao barman: - Senhor, quero a melhor cerveja do mundo, a Corona.
O sujeito da Budweiser diz: - Quero a Rainha das Cervejas, a Budweiser.
O dono da Cors exclama: - Quero a única cerveja feita com água das Montanhas Rochosas: a Cors!
O dono da skol exclama: - Quero a única cerveja feita com água do amazonas: a skol!
O director da UNICER diz: - Dá-me uma Coca-Cola.
Os outros olham para ele e perguntam: - Então? Não vais beber uma SUPER BOCK ?
Ele responde: - Se ninguém está a beber cerveja, eu também não bebo...

Rochedo das Memórias - A Sala de Brinquedos (2)




Logo no início do século XX ( 1901) , um jogo de construções punha meio mundo a brincar. Chamava-se Meccano, teve a sua origem em Inglaterra e com ele brincavam os engenheiros de palmo e meio.
No ano seguinte, as meninas apaixonam-se por um urso de peluche chamado Teddy, cuja criação se deve a uma banda desenhada publicada pelo Washington Post, cujo protagonista era um urso. O êxito da banda desenhada foi tal, que a indústria de brinquedos decidiu transformá-lo num peluche que fez, durante anos, as alegrias da pequenada.
No pós- guerra os rapazes brincam com soldadinhos de chumbo e as raparigas com uma boneca de celulóide que granjeia enorme popularidade. Chamava-se Kewpie e aparece nas embalagens de um sem número de produtos.
O invento dos anos 20 que faz sonhar os mais pequenos dá pelo nome de comboio eléctrico e transformar-se-ia , anos mais tarde, numa verdadeira paixão para alguns adultos. Invade as casas com luzes e sons que recriam as autênticas viagens de comboio, o transporte mais usado na época. Em lares mais abastados, o comboio elléctrico ganha tamanhas proporções, que sai da sala de brinquedos e passa a ter direito a sala própria.
Nos anos 30, o Monopólio e o Scrabble são os jogos da moda, enquanto as bonecas de trapos passam a ser cada vez mais apreciadas.
Os anos 40 , com uma guerra a desassossegar o mundo, são pouco propícios a brincadeiras de vulto. As crianças assinalam no mapa Ada Europa os avanços e recuos dos aliados, com bandeiras oferecidas pelos jornais.
Os anos 50 são pródigos em brinquedos para alegrar a meninada. O aparecimento dos brinquedos de plástico, a bolsa mais recheada dos consumidores e a aposta da indústria japonesa nos brinquedos, revitalizam o mercado. As crianças agradecem.

Dicionário do Rochedo (26)

Hacker- Pirata do mundo virtual, mas que existe no mundo real. Actua no ciberespaço, gosta de entrar onde não deve e tem uma especial predilecção pelas contas bancárias.

domingo, 7 de setembro de 2008

A mulher ventríloquo

O tão aguardado discurso de Manuela Ferreira Leite foi, afinal, um número de circo. A líder laranja falou pela voz de Pacheco Pereira ( aqui e além também de Marcelo) e desdisse tudo o que andou a dizer- e fazer- ao longo dos últimos anos.Influências também de Cavaco? Talvez...
Hilariante, foi também o facto de fazer críticas ao Governo que assentam, que nem uma luva àquele último de que fez parte.
Ideias inovadoras? Não ouvi nem uma... Propostas concretas que não rocem a demagogia? Zero!
Já sabíamos que a política portuguesa se transformara num circo. Ficámos agora a saber que a líder laranja se assume como mestre de cerimónias, através da nobre arte do ventríloquo.
Que tristeza!

sábado, 6 de setembro de 2008

Jogos Paralímpicos

Foto Reuters

Antes de escrever este post fui dar uma olhadela pelos blogs de uma certa esquerda que costuma arvorar-se defensora de questões fracturantes.
Com fractura exposta fiquei eu quando, no final da ronda, constatei que em nenhum deles havia uma linha escrita sobre os “Paralímpicos de Pequim”.
Provavelmente, se o acontecimento do dia fosse uma manifestação gay na viela do Bloco, uma petição pró - aborto do macaco siamês, ou um abaixo assinado a denunciar a discriminação de que está a ser alvo a pulga afegã, todos esses blogs estariam prenhes de prosa abonatória para as vítimas, e de acusações inflamadas contra os discriminadores.
Como se tratou da cerimónia inaugural dos Paralímpicos- e porque certamente esgotaram a verve verrinosa anti- China durante os Jogos de Pequim- nem uma palavra.
Por razões profissionais, apenas pude ver os últimos 75 minutos da cerimónia. Digo-vos que além de deslumbrante, foi cheia de simbolismo. Os mais conhecedores da realidade chinesa dir-me-ão que “a bota não condiz com a perdigota” e não deixarei de lhes dar razão...
Permitam-me, porém, que vos lembre, que o silêncio sobre os Paralímpicos denota a indiferença que a esquerda bem pensante revela para com os deficientes. Tão pressurosos a defender alguns valores ( com alguns dos quais também me identifico), manifestam um certo atavismo e talvez mesmo relutância, em falar dos problemas que, diariamente, cidadãos diferentes enfrentam numa sociedade padronizada para as pessoas “normais”.
Indiferentes, por agora, ao sucesso dos nossos atletas, virão talvez um dia destes fazer comparações com o sucesso alcançado pelos Paralímpicos e o insucesso dos outros. Ter-lhes-ia ficado bem uma jogada de antecipação, para mostrarem que a discriminação a que os deficientes estão sujeitos em Portugal os preocupa, para além dos sucessos desportivos.
"Ah!, pois, hoje é sábado”- diz-me o Papalagui do canto da sala, enquanto escrevo este post. Estás cheio de razão, amigo. Ao sábado não se escreve sobre assuntos incómodos que possam ensombrar a consciência dos cidadãos!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Venham à festa!

Exmª Senhora Presidente do Blogobairro, D. Patti;
Ilustres condóminos que se dignaram aceitar o convite para comparecer neste evento;
Ilustres condóminos que, embora ausentes, aqui quero saudar;
Senhoras e senhores que aqui virão pela primeira vez amanhã e em dias seguintes e se arrependerão eternamente por não terem cá vindo mais cedo:


Faz hoje um ano que iniciei esta aventura solitária na blogosfera. Antes, tivera uma experiência num blog intercontinental, planeado a dez mãos pelo meu amigo Arnaldo Gonçalves, mas que dada a preguiça de três dos tripulantes, não conseguiu ultrapassar o Bojador e, ao fim de sete meses, ancorou em porto seguro, para que cada um pudesse tratar da vidinha.
Não planeara ter um blog a solo, mas o bichinho do Alembojador ficou a moer e, sentado no Rochedo de que falei no primeiro post que escrevi, decidi aventurar-me.
Ao fim de um mês de actividade parti para a China e a maioria dos poucos leitores que me visitavam, cansados talvez de esperar o meu regresso, desabituram-se de cá vir. Só em final de Novembro retomei a actividade- o que significa, na prática, 10 meses de postagens no CR . Mas como o que vale, é a data do registo, aqui estou hoje a comunicar-vos o meu primeiro aniversário.
Em primeiro lugar, para vos dizer que a aventura está a valer a pena. Comecei na imensidão anónima e desconfortável da blogosfera, mas hoje estou no conforto deste blogobairro, que diariamente sinto alargar-se, como uma qualquer urbanização onde os espaços verdes e os parques infantis, são substituídos por mais habitações.

Tem aumentado o número de visitantes e de comentários. Procuro quase sempre responder, inventando tempo onde por vezes não existe, mas procurando responder com uma palavra à generosidade dos que perdem uns minutos a dar a sua opinião.
Quero, porém, deixar um aviso… Até final do mês, alguns trabalhos que tenho entre mãos vão exigir deslocações para fora de Lisboa, o que implica menos tempo para postar , mas continuarei a privilegiar a resposta aos comentários. Se forem mais ligeiros e atrsados, não me levem a mal.

Já tive oportunidade de vos dizer que não entro na "guerra de audiências". Se assim fosse, o "Rochedo" seria muito diferente. Só quero andar por aqui enquanto conseguir ter a mesma postura no CR, que tenho na vida. Com independência, com alegria, com tristeza e às vezes com revolta, vou escrevendo o que me apetece, sem estar à espera de outra coisa que não seja esta partilha fantástica, razão primeira de por aqui continuar. Tenho que reconhecer, porém, que o número de visitas excedeu muitíssimo o que esperava. Com sinceridade, sendo free-lancer na profissão, como na vida, nunca pensei chegar ao fim de um ano a caminho das 50 mil visitas!
Tenho vivido momentos fantásticos no CR graças a todos vocês, que me têm incentivado a continuar, mas tenho que destacar o post de ontem da Patti, no seu excelentíssimo Ares da Minha Graça, e cujo reconhecimento já deixei aqui expresso.
Há visitantes que aqui vêm diariamente, outros de vez em quando e muitos que acostam aqui uma vez e não voltam mais. Muitos me têm citado e linkado. A esmagadora maioria não conheço, mas a todos agradeço. Sem a vossa simpatia, sem os comentários que aqui deixam, este blog seria mais pobre.
Agradeço também a todos aqueles que me citaram na imprensa e nos seus blogs e àqueles que deliberadamente ignoram o CR.
Finalmente, uma palavra muito especial para a minha amiga Maloud, (que teve a gentileza de oferecer o champagne ) com quem compartilhei belos momentos na adolescência, com quem cresci, e que reencontrei graças ao CR. Se outras razões não houvesse, esta seria suficiente para me sentir compensado pelas duas a três horas diárias que dedico a esta aventura.
A todos, sem excepção, muito obrigado. Voltem sempre e não se inibam de criticar. Foi com as críticas que aprendi a crescer na vida. É convivendo bem com elas que quero fortalecer este Rochedo.
PS: Música e fogo de artifício só para o ano, se ultrapassarmos a crise!

E depois do silêncio?

Refugiada no seu tabu de silêncios, Manuela Ferreira Leite vai ouvindo crescer o ruído de críticas dentro do PSD. Até Marcelo Rebelo de Sousa, que há dias pedia que o partido se unisse em torno da sua líder, recuou no último fim de semana, escrevendo no Sol um artigo demolidor que consubstancia o descontentamento das hostes laranja. ( Ele já mudou de discurso outra vez e o mais provável é que volte a mudar enquanto escrevo este post, mas não há nada a fazer perante uma mente irrequieta como a de Marcelo. A única solução, mesmo, é ler este post no momento certo, porque daqui a 10 minutos já pode ser tarde…)
Acredito que MFL tenha pensado que não valeria a pena gastar a sua artilharia durante a “silly season”, consciente que cada palavra proferida ganha nesse período proporções desmesuradas , mas depressa se volatizam com a nortada.
Os analistas aguardam com expectativa o discurso da “rentrée”, agendado para o dia 7.
Não me parece que haja razão para grandes expectativas, pois embora não acredite na versão menezista do discurso “pífio”, o mais provável é que MFL se perca em banalidades, resumindo os temas quentes deste Verão. Insistir no pedido de demissão de Rui Pereira ( agora na versão Abrupta de Pacheco Pereira ), tecer críticas ao Governo sem apresentar alternativas e desenrolar um leque de lugares comuns, que qualquer cidadão mais atento discute à mesa do café, não será a receita ideal para um discurso mobilizador do eleitorado.
Não acredito que MFL traga algo de novo e ponha o país a pensar… salvo se sob a pacatez do espaço aéreo algarvio interdito, Cavaco Silva tenha tido oportunidade de explicar a MFL a sua estratégia para o ano de eleições que se avizinha e lhe tenha dado algumas dicas que lhe permitam fazer umas flores.
Uma coisa, é certa…nos bastidores da Universidade de Verão, estejam atentos aos telefonemas e SMS que a líder laranja for recebendo, antes de subir à tribuna

Logo, há bolo!

Alguns leitores já tiveram a amabilidade de me parabenizar pelo 1º aniversário do Rochedo. Agradeço desde já, mas aqui fica o aviso: mais logo, há bolo e discurso! Quanto ao champagne, espero que a minha boa amiga Maloud, disponibilize uma garrafita de Dom Perignon da sua soberba garrafeira.
De qualquer modo, se ela não estiver pelos ajustes, vou ao "Leão da Estrela" e peço ao Santos Carvalho que me ceda uma das garrafitas de " Biúba Quelicote", que ele gostava de beber na companhia das meninas de um bar em Matosinhos! ( estou mesmo a ver os comentários que aí vêm sobre o Calor da Noite, café com leite e essas coisas todas, por isso já fui vestir a armadura anti-tanque).
Até já!