terça-feira, 19 de agosto de 2008

A China que eu vi (5)



Na China há 100 milhões de filhos únicos, devido ao controlo de nascimentos imposto pelo governo desde final dos anos 70, que sanciona os casais com mais de um filho com multas pesadas. A excepção são os gémeos.
Apesar de algumas medidas de controlo serem próprias de barbárie, não cabe aqui tecer críticas à medida adoptada nos anos 70, mas peço aos leitores um momento de reflexão e pensem como seria o planeta sem o controlo de natalidade na China . A redução da natalidade – agora aceite passivamente por muitos casais jovens- trará a breve prazo outro tipo de problemas, como o envelhecimento da população e a desproporção entre os dois sexos. É que é muito comum os pais que têm uma filha darem-na para adopção ( ouvi dizer, mas não posso confirmar, que muitos matam o primeiro bebé se for menina) a famílias estrangeiras. Dentro de alguns anos, haverá milhões de chineses condenados ao celibato, por não terem mulheres chinesas com quem casar
A política do filho único também fez aumentar o individualismo e o egoísmo, criando uma geração cheia de problemas Tudo isto está a contribuir para um certo abrandamento na aplicação da lei, mas é ainda cedo para se poderem tirar conclusões.
Cantão é um entreposto chinês para adopção de crianças.
Aumenta de forma acelerada o número de casais europeus , americanos e australianos que aí vão , com o intuito de adoptar crianças chinesas. O processo de adopção é bastante fácil - existem muitas bébés à espera de serem adoptadas-, mas obriga a que um casal permaneça um mínimo de duas semanas na cidade. É por isso frequente ver dezenas de casais passeando com bebés chinesas ao colo ou dentro de carrinhos. Os centros comerciais são um dos locais privilegiados por estes casais para passar o tempo. Foi num desses locais que ouvi esta conversa entre duas portuguesas carregadas de sacos e frenéticas na azáfama das compras:
- São tão giros estas bebés chinoquinhas, que parecem mesmo um brinquedo.... Se fosse mais nova ainda convencia o meu marido a levar uma!
-Cala-te lá, filha! E depois quando ela crescesse? Não a podias abandonar na rua como fazes com os cães...


PS: Para quem duvidar, afianço que há testemunhas desta conversa!

19 comentários:

  1. Não ouso remetê-lo para um post que fiz sobre esta política de controlo de natalidade na China, senão remete-me para um sítio que eu cá sei.Rsrsrsr
    Quanto à conversa, se não garantisse que é verdade acreditava que se devia à sua fértil imaginação.
    Valham-nos todos os Budas!
    Beijinhos

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  2. Esclarecedor o diálogo entre as duas portuguesas e não me dispomho a perder mais palavras.
    Quanto à questão demográfida da China não conheço os estudos recentes, mas lembro-me de aqui há ums dezenas de anos atrás o problema poder tornar-se insuportável, para os recursos futuros do planeta.

    A seguir com atenção.

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  3. Não sei como, mas ainda consigo ficar chocada com comentários destes... Alguns exemplares da espécie humana é que deviam ser largados na rua ao abandono...

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  4. Blue: Ouse, ouse, porque além de gostar de pessoas ousadas, também gosto muito de ler
    Conchinhas

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  5. salvoconduto:de acord om previsões de ociólogos chineses, em 2004, , em 2020 haverá entre 30 a 40 milhões de chineses condenados ao ceibato,porque a relaçã será de 13 para 10.
    Em 2005 a China já tinha mais de 300 milhões de hbitates com mais de 60 anos
    Em 2040, o número de idosos vai ultrapassar a população americana...
    Todos estes números têm como base as medidas de corecção à lei do filho único...

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  6. Limba: mas a estas, como andavam com belos arreios dourados, ninguém as abandona...

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  7. Infelizmente já ouvi histórias assustadoras em relação à natalidade na china.

    Mas realmente o control de natalidade tem que existir...no entanto o que as pessoas muitas vezes fazem é que se torna mais condenável.

    Quanto às portuguesas...pois...ainda dizem que o ser humano é o mais racional...nestes casos fico com as minhas dúvidas!!!!

    Beijinhos

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  8. Como é possível haver "gente" assim?!

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  9. Desconhecia que esta situação das crianças chinesas dadas para adopção era uma realidade tão bem organizada.

    Choca sabê-lo, embora, de outro modo, as alternativas para estas crianças sejam demasiado crueis.

    Apesar de tudo, tinha já, na tal lista dos "10 mais", uma referência a este assunto.

    Quanto ao diálogo, tenho a mesma opinião que a Blue: se não fosse a sua garantia, pareceria uma autêntica anedota de loiras!!

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  10. A política do filho único, fez aumentar o número de abortos clandestinos, de fetos do sexo feminino.
    Surgiram também problemas éticos e culturais, que resultaram na morte ou no abandono de meninas recém-nascidas, porque se ficarem com ela, já não podem ter o filho homem.
    90% dos bebés abandonados são meninas!
    Os casais urbanos que não cumpram a lei, sofrem uma multa superior a 15mil euros.
    E sabe-se que esta preferência pelo filho homem, na China, está profundamente enraizada é uma tradição milenar e feudal.
    É ao filho homem que cabe a responsabilidade de sustentar e cuidar dos pais idosos, dar-lhes um enterro digno e mais não sei quantas tradições confuncianas de oferendas sobre os seus túmulos.
    É o filho homem, o único herdeiro dos bens familiares.

    O governo chinês, depois do terramoto de Maio deste ano, abriu uma excepção nesta política de filho único para aqueles pais que o perderam na tragédia ou para aqueles filhos que ficaram incapacitados.

    E olhe só para esta notícia: "Mas, e os casais que tiveram apenas uma filha mulher? Esse é outro problema enfrentado pela geração dos filhos únicos. Afinal, não são eles os responsáveis por manter seus pais? O resultado é que muitos casais jovens acabam sendo obrigados a sustentar os pais e os sogros, além do próprio filho. Isso se não estiverem vivos avós e avós, fato bastante frequente. Não é à toa que muitos preferem permanecer solteiros."

    E olhe se continuo, nunca mais saio daqui!

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  11. Borboleta: por vezes haverá alguma ficção no que se conta, mas há realmente episódios impressionantes.

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  12. Cecília: por acaso nenhuma delas era loira, mas quando se trata de irracionalidade, a cor não tem importância.

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  13. Carol: se eu contasse aqui outras histórias de portugueses na China, ficava com os cabelos em pé, acredite! Este episódio é só uma amostra.

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  14. Patti: tudo o que diz é verdade, verdadinha preocupando-me, para além da desumanidade de algumas situações,o que pode significar no futuro uma China onde os homens estão em esmagadora maioria, impossibilitados de encontrar parceiras chinesas para casar e constituir família e tudo o mais que descrevo no post e em algumas respostas a comentários.
    Os chineses já se aperceberam disso e desde 2001 que a legislação vem sendo mais branda.
    Uma das situações que acho mais curiosas - independentemente de aqui discutir o seu significado- prende-se com a sua aplicação às numerosas etnias que existem na China.
    Sabe que há etnias onde as famílias podem ter até cinco filhos? A justificação dada pelo governo chinês é a necessidade de manter um equilíbrio entre as diversa etnias, o que me parece merecer uma reflexão profunda. Ando a estudar o ssunto há uns meses, mas teho tido dificuldade em encontrar dados estatísticos fiáveis queme permitam tirar conclusões sérias.
    Ah! E pode continuar à vontade, porque já percebi que está bem informada sobre esta questão.

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  15. Segundo me informei, surge agora outro problema com os filhos únicos.
    Sentem-se sozinhos, são-lhes exigidos bons resultados na escola e que sejam competitivos para vencer na futura profissão, além de seres meninos da mamã, superprotegidos e apaparicados.
    O que se reflecte no mercado de trabalho, onde são tidos por mimados, egoístas, com dificuldade de trabalhar em grupo e pouco exigentes, desistindo à primeira dificuldade, porque não estão habituados a obter o que querem pelo seu próprio esforço.

    Se é assim no trabalho, imagine estes meninos nos casamentos! Devem ser umas ricas prendas.

    E já que falou na aplicação da lei a diversas etnias, também há o caso dos novos-ricos chineses e estrelas da televisão e desportos, que podem pagar as multas exigidas facilmente e assim terem oº de filhos desejado.
    Apesar destes privilegiados serem uma minoria, existe um descontentamento em relação ao desrespeito da aplicação da lei.

    Ou há democracia ou comem todos.
    Ah desculpe, enganei-me, falei em democracia.

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  16. depois ainda ficamos admirados com o outro que queria caminha em vez de competir.Tugas nos seu melhor,haja dinheiro!

    Pedro Oliveira

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  17. Patti:mais uma vez confirmo o que escreve e partilho da sua dúvida quanto ao seu comportamento matrimonial. No entanto, a mulher chinesa está a emancipar-se e o facto de ter grnde variedade deescolha, confere-lhe alguma vantagem ( refiro-me, obviamente, à mulher urbana ecom alguma formaçãacadémica).
    Quato aos privilegiados que podem pagar as multas,não me parece que seja um fenómeno chinês. Existem privilegiados em todo mundo que, por esse facto gozam de "bensses". Ouviu certamente falar do "Ballet Rose", no tempo de Salazar , caso que levou Mário Soares a ser deportado para S. Tomé, porque a PIDE suspeitou que fosse ele a denunciar o caso à imprensa britânica.
    Quanto a falar de democracia na China,só por "lapsus linguae", realmente. Bem,palpita-me que lá fundo, o Durão Barroso ainda acredita. Ouviu as declarações dele no caso do Tibete?

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  18. Pedro: quanto às caminhas, os chineses têm que se prevenir antes... pra não gastarem dinheiro em abortos, ou a pagar multas...
    Abraço

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  19. Penso que disse que acreditava que a China estaria aberta, neste momento, para o diálogo com o Dalai Lama sobre a soberania do Tibete.

    O ano passado acho que foi o ano do porco e este ano, será o da cobra?

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