quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Revelação: sim, já fui corrompido!

Então, foi assim que tudo se passou...
Eu estava há pouco tempo em Espanha e conhecera-a num fim de semana em Granada, através de amigos comuns. Deixei-me seduzir por aqueles olhos verdes que me faziam lembrar o mar do Guincho em fim de semana de Outono e arranjei um pretexto para a ir visitar na semana seguinte a Córdoba.
Fomos jantar a um restaurante no centro histórico. Ela sugeriu que pedíssemos de entrada umas amêijoas. Não me apetecia muito amêijoas, naquele dia, mas ao fixá-la nos olhos em busca de uma alternativa, não resisti àquele verde olhar doce, emoldurado por longos cabelos negros, formando um conjunto que me cheirava a maresia. Não tive, pois, coragem para contrariar a sugestão, apesar de ter fortes argumentos para o fazer.
Comemos as amêijoas, dividimos um prato qualquer de carne que já não me lembro, ela comeu uma daquelas sobremesas supercalóricas e tomámos café.
Depois de paga a conta e termos acertado “vamos até lá casa beber um whiskey enquanto vês a minha colecção de selos”, levantei-me. Sem perceber muito bem como, fui violentamente atacado. O estômago fechou-se num aperto e devo ter deixado escapar um esgar de dor ou de vergonha, quando percebi que umas algemas me tolhiam os movimentos, impedindo-me de ir a qualquer sítio. Ela olhou para mim atónita, enquanto me via correr para a casa de banho.
A colecção de selos teve que esperar e o whiskey aproveitou para envelhecer um pouco mais no bar da sala. Em vez disso, tive que ir a correr para a farmácia, onde me receitaram alguns medicamentos para que a coisa passasse.
Dois dias depois, quando cheguei ao trabalho, fui interpelado pelos colegas:
- Então porque é que não vieste trabalhar ontem?
Imaginam os leitores o desconforto que senti naquele momento? Mas lá engoli em seco e respondi, em nome da verdade, que tinha sido corrompido... Poderia ter dito que tivera uma intoxicação alimentar, mas isso seria faltar à verdade, pois eu não ingerira nenhum produto tóxico, mas sim um produto alimentar corrupto. Ou seja, comera um produto ( no caso concreto amêijoas - e lembro que basta uma para nos corromper) que entrara em decomposição ou continha germes próprios de produtos podres. Se o produto estivesse crú, teria detectado facilmente o problema, mas como o comi já cozinhado não observei qualquer anormalidade e só passadas cerca de duas horas os meus intestinos me avisaram, com estrépito, que fora corrompido de forma vil.
Por isso, não se assustem, mas por favor nunca “obriguem” ninguém a comer amêijoas em Agosto num restaurante em Córdoba. E nada de inventar desculpas e dizer que a culpa foi do Califa...

17 comentários:

  1. Eu não disse?
    Não é que adivinhei?
    Foi corrompido mas foipelos olhos verdes da pikena:))
    É para aprender.
    As mulheres são péssimas rsrsrs
    Veludinhos azuis

    ResponderEliminar
  2. Ora, ora...!
    Deve ser por isso que não gosto de ameijoas, seja em que mês for e seja em que local for... E ainda me chamam de tola!

    ResponderEliminar
  3. A culpa afinal era da ameijoa...
    Antes assim.
    Fui ingenua? talvez, prefiro sê-lo que parece-lo.

    Conhece aquele tipo de pessoas que pegam em palavras cruzadas e quando chegam a meio completam-nas através das soluções?
    Eu prefiro deixa-las sem o fazer, mais tarde regresso e termino-as com a mente mais lucida.

    Deixo-lhe um beijo

    ResponderEliminar
  4. Já não se pode ser gentil!

    ResponderEliminar
  5. ângela: não gosta dmêijoas? À Bulhão Pato são uma delícia!

    ResponderEliminar
  6. Já me ri bastante à sua conta! Esqueceu-se dos meses com R? Tenho uma cena ligeiramente semelhante mas com caracoletas gigantes, que nojo!!!

    ResponderEliminar
  7. Coragem: como já escrevi no seu blog, nunca esquecerei o seu gesto de ENORME mulher!
    Em relação às palavras cruzadas sigo o seu modelo. Raras vezes ficam por fazer. Tal como o Sudoku, é questão de termos a mente limpa.
    Beijinho grande para si também

    ResponderEliminar
  8. salvoconduto: poder, pode, mas a gente arrisca-se...

    ResponderEliminar
  9. Fada: se lhe tivesse acontecido o mesmo, de certeza que não se ria...
    Creio que essa coisa dos meses sem R é um bocado treta e quanto a caracoletas, gosto sim senhor. Principalmente "à la Bourgoignaise".
    Hmmm! Marchavam umas agora.

    ResponderEliminar
  10. Corrompido e punido passado duas horas - fossem assim todas as corrupções! =)

    ResponderEliminar
  11. Corrupções...coitado...logo das mais fortes!

    Andas a escolher mal quem te pode corromper! lolol

    Coitado! Acho que a esta altura tudo já voltou ao normal...terás perdido os olhos verdes?

    Beijos

    ResponderEliminar
  12. Borboleta: a escolha até era boa...
    quanto aos olhos verdes, ainda lá fui a casa ver os selos, mas depois vim para Portugal e nunca mais lhes pus a vista em cima!

    ResponderEliminar
  13. Oi. Carlos.
    Pela primeira vez aqui vou escrever...lol.
    Quem nunca foi atrás de uns olhos bonitos???? Eu (fiz muitos km)e fui. Quem não o fez????Tambem me dei mal. Mas fui! Ficaram na memoria aqueles lindos olhos, quanto ao resto o tempo encarregou-se de limpar.
    Parabens pelo blog.

    ResponderEliminar
  14. Bomdiaalegria: lá dizia o outro "olhos verdes são traição..."
    Obrigado,volte mais vezes!

    ResponderEliminar
  15. :) Estava-me a parecer muito difícil que pudesse ter sido corrompido mesmo :)

    ResponderEliminar