quinta-feira, 17 de julho de 2008

O "chip"

Não tencionava falar do “chip” que o governo quer colocar nas matrículas dos automóveis. No entanto, como sonhei com isso enquanto dormia a sesta e acordei estremunhado, corri para o computador a dar-vos conta dos meus receios.
Eu acredito que aquele ar de cachorrinho indefeso de um membro do governo na Assembleia da República, quando toda a oposição atacava a ideia, seja sincero. Eu não ponho em dúvida que a intenção do governo seja a mais piedosa e que o "chip” sirva apenas para o que o governo diz ( o que, convenhamos, já não é pouco).
Não deixo, porém , de manifestar os meus receios. Em primeiro lugar, porque um dos objectivos é obter informação para o planeamento de infra-estruturas. Ora já estou a ver a cena... um tipo qualquer descobre que há muita gente a ir para uma praia escondida, por um caminho de terra batida onde só é possível chegar num 4x4 e alvitra: “Eh pá e se construíssemos ali uma estrada, para evitar que esta malta estrague os automóveis?” A ideia até parece boa e piedosa, mas eu não gostaria de a ver em prática, pois assim qualquer dia as raríssimas praias onde se pode estar mais ou menos sossegado durante o verão desaparecem.
Depois, há que pensar quem vai gerir a coisa. Num país onde o segredo de justiça é constantemente violado, sem que nunca se descubra quem foi o “bufo”, quem me garante a mim que um dia não receba uma carta de um chantagista qualquer a informar: “ passas para cá 10 mil euros, ou digo à tua mulher que estavas a namorar com outra num pinhal esconso. Está tudo lá no chip!” A videovigilância nos prédios, nos parques de estacionamento, nas caixas multibanco, quiçá em breve em algumas ruas, não é suficiente?
As hipóteses de invasão da privacidade de cada um poderiam multiplicar-se, mas termino com esta. Que garantias me dá o governo de que se um dia o poder cair nas mãos erradas, não vai utilizar os “chips” para fins menos recomendáveis? Nenhuma. Ora isso assusta-me e – depois de tudo quanto me foi revelado durante a sesta- chega para concluir que esta história do “chip” é uma pulhice. Ou então, não durmo mais a sesta, para não ter destes pesadelos.

6 comentários:

  1. Cada vez mais próximos de "nighteen eighty four" :-S

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  2. Xiii, agora quem perdeu o sono fui eu.
    Não é que não sabia desta?
    Big Brother is watching us, não há dúvida.
    Veludinhos azuis

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  3. eu tb. não achei graça quando ouvi, cada vez nos querem invadir mais, mesmo que seja com bons propósitos. Inventem outras formas de ser efectivos, olhem para outros países onde se funciona sem essa invasão e não queiram agora ser pioneiros nestas merdas!

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  4. cerejinha: o problema do Orwell, foi estra adiantado 20 anos!

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  5. alex: pois, o exemplo da Finlândia só serve para algumas coisas. noutras gostamos mais de copiar o Mugabe, ou retroceder ao tempo do Estado Novo ( com chip)

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