quinta-feira, 10 de julho de 2008

Discursos de Salazar (1): Cimeira do G-8

Esta foto publicada hoje no DN mostra os participantes no opíparo jantar de 24 pratos com que os líderes do G-8 comemoraram o encerramento das discussões sobre o problema da fome no mundo.
A avaliar pela ementa e pelo custo de cada refeição (300€ por pessoa até acho muito pouco...) os problemas devem ter ficado resolvidos.

É inadmissível que se critique o facto de o jantar ter incluído caviar, trufas, caranguejos gigantes e outras iguarias. Afinal, aqueles anjos apenas comeram coisas que sabem que os pobres não podem comer, porque lhes faz mal! Deviam ser elogiados, mas esses esquerdalhos mesquinhos que infestam a imprensa portuguesa só sabem dizer mal. Queriam que eles comessem fuba e arroz, tirando essas iguarias da boca dos pobrezinhos, era? Ficava-lhes bem seguir os exemplos da Igreja, que um filme didáctico como "As Sandálias do pescador" nos ensinou a respeitar.

Foi seguindo esses princípios cristãos, que os líderes do G-8 excluíram do jantar os líderes africanos da Etiópia, Tanzânia e Senegal. Se os tivessem convidado a participar, corriam o risco de serem acusados de estar a enxovalhar os pobres, obrigando-os a comer coisas que só lhes fazem mal à saúde. Além disso aquela pretalhada não está habituada a comer de faca e garfo e servi-los em baixelas seria uma afronta aos seus modos simples.

Acusar os líderes do G-8 de andarem a enganar o mundo inteiro, fingindo que vão resolver os problemas da fome e da desigualdade, à custa de políticas ultra-liberais, é próprio de meia dúzia de comunistas trôpegos, que não percebem que estas políticas fazem as delícias de alguns milhares que usufruem das regalias que o sistema lhes confere.

Temo, inclusivé, que hoje estejam todos de diarreia ( intestinal, porque de diarreia mental sofrem todos), incluindo o sr. Durão Barroso que ascendeu ao poder em Portugal com o humilde discurso da tanga e na primeira oportunidade foi para Bruxelas para salvar os portugueses.

E vejam lá o bem que lhe fez a mudança. Já não tem aquele ar enfezado de maoísta, agora está bem gordinho e com boas cores. As cores que só a direita dá.

Como diriam os meus amigos Hitler, Mussolini e aquele trolaró do Franco, os campos de concentração fazem bem à saúde. Basta ver como a esposa do Dr. Barroso ganhou um ar jovial.

Para Bruxelas em força! A Europa é nossa e as termas de Vichy também!

A Bem da Nação

13 comentários:

  1. Mas isto é quase irracional, de mentes completamente acéfalas!!

    Como é que se reunem para falar da fome no mundo e têm à mesa o manjar dos deuses?

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  2. Vergonha é um conceito que não consta nos dicionários de muita gente.
    Neste caso concreto, a falta de vergonha desta gentinha deixa-me enojada.

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  3. Eu só queria ser mosca para ver o modus operandi dos talheres do Berlusconi e do petit Sarko.
    Satisfaça-me a curiosidade. Foi o Marc Veyrat o chef?

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  4. Gostei do comentário ao "ar enfezado de maoísta"... Lembro-me bem do Durão Barroso desses tempos, por motivos que ainda um dia lhe contarei. Olhe que foi cá um percurso! Conheço uma ou duas histórias magníficas do tempo em que ele era MR. Das verdadeiras.

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  5. Invejoso eu? Que fiquem lá com as iguarias que eu vou telefonar à minha comadre que me tem prometidas umas pataniscas de bacalhau, que cotumam ser uma delícia, e não me caiem mal de certeza.

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  6. Sabe quel é o mal?
    É que se perdeu a vergonha!
    Beijinhos eveludinhos azuis

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  7. Que aborrecimento ter de discutir a fome no mundo!...Aquela malta junta-se para almoçar e falam de tudo, futebol, bolsa, petróleo, lucros, cargos e depois, se sobrar tempo ao fim do 5º digestivo, são capazes de, com cara de enjoo, dizer: "E depois temos de escrever qualquer coisa sobre os pretitos que morrem à fome."
    "- Deixa estar que o Bush diz qualquer coisa..."
    "- Porreiro pá, porreiro pá..."

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  8. Patti:à nossa escala,em Portugal, há coisas semelhantes...

    Ângela e Blue: veronha e falta de pudor

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  9. maloud: só lhe sei dize que, segundo o DN o "trabalho" foi feito por 25 dos mais conceituados chefes de cozinha mundiais. Oresumo que lá estivesse não só o Marc Veyrat, mas também o Adriá et "tutti quanti"

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  10. Fada: também conheço umas histórias e creio que até já escrevi aqui sobre uma delas...

    Salvoconduto: e já agora uns jaquinzinhos!

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  11. Victor: eu vi logo que o porreiro pá não era made in Portugal!

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  12. Sim senhor, os Portugueses votaram em massa no Grande Português, desejaram ansiosamente o sei regresso, e ei-lo de volta, em formato digital e pronto a comentar as políticas que por aí se fazem.

    E que olho apurado! =)

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  13. magucha: no mundo virtual toda a Ressurreição é possível!

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