quinta-feira, 31 de julho de 2008

BINGO!!!( e linha...)

Hoje, às 9h47m anunciava aqui, no CR, que a minha aposta sobre o conteúdo do discurso do PR seria o Estatuto dos Açores. Às 20h02m via a minha previsão confirmada.
Às 20h10m ouvi um grande Ohhhhhh! de desconsolo ecoar pelo país. Em uníssono, o povo confirmava o que eu também tinha previsto no mesmo post: a montanha vai parir um rato. E não é que pariu?
Mas atenção, porque o discurso de Cavaco Silva não foi tão inócuo quanto se possa pensar. Foi um anúncio de algo que se avizinha. Se tiver tempo e pachorra, amanhã descodifico isto, mas creio que quem viu a maneira célere como Manuela Ferreira Leite - oportunista e pouco séria- se apressou a vir para as câmaras de televisão apaparicar o PR, sabe certamente o que pretendo dizer. Portugal merecia mais do que esta aliança do "five o'clock tea" em que MFL e o PR apostam para o futuro.

Em tempo: o meu amigo Pedro Correia do Corta-Fitas tem toda a razão quando escreve que Portugal só é europeu no mapa.
Ah! e não se esqueçam de reparar na etiqueta deste post. É que em 2 dias vi confirmadas três pevisões que aqui fizera. É obra!!!

O Eucalipto vermelho



O eucalipto tem, como principal característica, secar tudo à sua volta e apresenta várias espécies. Aquela que mais recentemente chegou a Portugal foi o eucalipto vermelho. Originário da Austrália, foi importado por um industrial de pneus que chegou a presidente do Benfica. Felizmente não abunda em Portugal, mas o exemplar mais conhecido está plantado em Lisboa, na segunda circular e tem uma característica peculiar: seca tudo que a Norte do país lhe tente impedir o crescimento.
As primeiras tentativas não tiveram grande êxito. Apesar de envidar todos os esforços para acabar com as ligas de basquetebol e andebol, não teve grande sucesso. Experimentou depois o futsal. Secou o Freixieiro, apropriando-se dos seus jogadores e formando a sua própria equipa. Agora, perdido o campeonato, tenta reconquistá-lo secando o Belenenses com jogos de secretaria.
No futebol, é o que se sabe. Secou o Boavista e tenta secar o FC Porto, única equipa que resiste à sus destruição avassaladora.
No ciclismo, não conseguindo vitórias apesar do orçamento investido na plantação de corredores, secou a LA- MSS, da Maia, engendrando uma história de doping que está muito mal contada. Com efeito, não se percebe como é que o eucalipto vermelho, apesar de ter tido dois casos de doping durante a última época e outro escondido pela Federação, já este ano, continua a poder participar nas provas realizadas em Portugal e a LA-MSS foi proibida de correr. Ah, pois, eles ganhavam tudo!
O eucalipto vermelho detesta concorrência que lhe seja superior, pelo que provoca graves danos ambientais. Num país tão preocupado com a protecção do ambiente, não se percebe muito bem que, para além do crescimento dos PIN ( predadores turísticos e industriais) ainda seja permitida a proliferação desta espécie de eucalipto tão nociva.
Certamente ( tal como acontece com os PIN) haverá um forte interesse nacional que o justifique! O mesmo interesse que abafa alguns encontros comprometedores do eucalipto vermelho com dirigentes de topo das Federações e Ligas.
Consta que o eucalipto vermelho, cansado de perder no hóquei em patins, também estará a preparar uma golpada paar poder impôr-se nessa modalidade.
Tenho dúvidas é que quando o eucalipto vermelho tentar atravessar a segunda circular em direcção a Alvalade, permaneça impune. Ai, outros interesses se levantarão e o eucalipto vermelho será finalmente erradicado.
Nessa altura, o eucalipto vermelho dirá “ mas eu sou o dono da bola( e da bicicleta e do taco de bilhar e do stick, etc) e por isso acabou-se o jogo” .Uma psicóloga amiga afiançou-me que este comportamento é típico de pessoas que, em crianças, sempre brincaram sozinhos e se masturbaram até muito tarde diante de revistas da Palyboy. Não me conseguiu explicar é como esse comportamento infantil se manifesta de igual modo em algumas plantas, como o eucalipto vermelho...

A senhora juíza

Ana Gabriela Freitas proferiu uma sentença extraordinária! Para justificar a condenação de meia dúzia de ciganos, não se coibiu de tecer apreciações a toda a etnia cigana, rotiulando-a de gente " com pouca higiene... subsidiodependente.... e traiçoeira".

Não pensem que AGF é o nome da minha empregada de limpeza, da empregada da tasca da esquina, da senhora que vende castanhas e gelados aqui no Saldanha, ou de uma analfabeta. Não! Ana Gabriela de Freitas é juíza em Felgueiras e lavrou em sentença estas palavras, olvidando uma das mais elementares regras da urbanidade.
Não satisfeita, AGF ainda escreveu esta pérola: não se vislumbra "a menor razão para acolher a rábula da 'perseguição e vitimização dos ciganos, coitadinhos!".
Imaginam o que me aconteceria se aqui escrevesse que AGF é pateta e generalizasse a afirmação a todos os juízes deste país?
Mas a juíza AGF tem outras singularidades, como defender em Tribunal que não era seguro afirmar que Fátima Felgueiras tivesse fugido para o Brasil.
O caso de Ana Gabriela de Freitas não é unico. Quem tiver tempo e pachorra de percorrer algumas comarcas deste país a ler sentenças de alguns juízes, vai pasmar! Não haverá quem acabe com a impunidade de algumas cabeças deformadas investidas na missão de julgar?
É que ser juiz em Portugal, hoje, não é prestigiante, tão extenso é o rol de situações caricatas. E uma justiça desprestigiada e desrespeitada, nunca pode exercer a sua função com dignidade e elevação.
Se nos tribunais as coisas se passam assim, quem se admira que a justiça desportiva seja vista como uma pirraça de putos, em luta pelos cromos dos seus jogadores de eleição?

Em tempo: Fui na conversa e meti o pé na argola. Afinal, a sentença referia-se exclusivamente aos arguidos e não a toda a comunidade cigana. Que eu me engane, é como o outro... agora que vários jornais e rádios tenham dado notícia, sem comprovarem o que estavam a escrever, é que não me passava pela cabeça. Outros tempos.... Assim sendo, e para que conste, AGF não violou o DL 111/2000, pelo que este post deixou de ter sentido. Poderia tê-lo retirado "de fininho", mas achei "de mais homenzinho" dar a mão à palmatória e pedir desculp aos leitores por os ter induzido em erro.

Há coisas fantásticas, não há?

Ontem, uma das notícias mais badaladas na comunicação social indígena era a da "censura" feita pela China a alguns sites na Internet durante os Jogos Olímpicos.
Ora vejam o que eu escrevi no dia 8 de Maio aqui Sou eu que sou bruxo, ou a comunicação social portuguesa anda muito distraída para só agora vir falar no assunto?

Cavaco fala ao País

Inesperadamente, Cavaco Silva anunciou que vai falar ao país às 20 horas. Se o PR interrompe as férias para falar aos portugueses, provavelmente tratar-se-á de algo importante. Toda especulação sobre o que irá dizer é possível. Não creio que as declarações de João Cravinho, ou a demissão de Fragateiro do Teatro Nacional D. Maria II, justifiquem a intervenção do PR.

A minha aposta vai para a declaração de inconstitucionalidade do Estatuto dos Açores. Cavaco terá achado que era oportuno, depois da decisão do Tribunal Constitucional, explicar aos portugueses a decisão de enviar par o TC um diploma que fora aprovado por unanimidade na AR. Penso que não valia a pena maçar-se com isso. A maioria dos portugueses está-se marimbando para o Estatuto dos Açores, não sabe o que ele implica, nem sente que seja um problema seu.
As razões avançadas por João Villalobos no Corta-fitas parecem-me, por isso, merecer alguma atenção
Até às 20 horas, a especulação vai crescer mas, em minha opinião, " a montanha vai parir um rato". A ver vamos

Dicionário do Rochedo (11)

Concorrência- Na sociedade libero- global, esta palavra adquiriu um novo significado. Em economês significa grandes benefícios para os consumidores, que poderão adquirir produtos e serviços a preços mais baixos, graças ao milagre da regulação. Como o milagre não aconteceu e já Sain Simon contara, a concorrência degenerou em novos monopólios, cada vez mais fortalecidos a que se juntou a especulação. O resultado está à vista: produtos alimentares , petróleo, serviços públicos essenciais e tudo o resto estão mais caros, enquanto os salários - esses sim- encolheram.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pelo país dos blogs (22)

A Blue fez ontem um post sobre as atrocidades na Colômbia que merece a pena ser lido. É mais uma voz a juntar a sua indignação às atrocidades de Uribe e da sua polícia, que tem dizimado milhares de sindicalistas e opositores ao regime colombiano.
É curioso que com tanta gente na blogosfera a criticar Chavez - que não consta ter matado ou mandado matar os seus opositores - acusando-o de ditador, louco e outros epítetos similares, sejam muito poucas as vozes na bologosfera a denunciar o que se passa na Colômbia.
O mesmo se pode dizer em relação à comunicação social que, por razões aparentemente insondáveis, se remete a um cobarde silêncio.
No dia em que Chavez, Lula, ou Morales, prenderem alguns opositores, multiplicar-se-ão os posts críticos da blogogaita bushiana, a imprensa fará chamadas de primeira página e a restante comunicação social abrirá os seus espaços noticiosos com a notícia.
Em Portugal, deve ser politicamente incorrecto criticar Uribe, esse paladino da liberdade que libertou Ingrid Bettencourt ( que estranhamente também não diz uma palavra sobre o assunto) e mais 3 reféns americanos a troco- ao que consta na imprensa internacional, mas que também é tabu na comunicação social portuguesa- de 20 milhões de dólares para os cofres da FARC.
Na impossibilidade de transcrever um excerto do post da Blue, aqui fica o link. para o Bluevelvet( o título do post: O Reverso da Medalha)
Vale a pena ler, pois é o excerto de um relatório da Amnistia Internacional sobre o regime sanguinário de Uribe que a comunicação social e alguma blogosfera insistem em apresentar como democrático.

A Revelação: sim, já fui corrompido!

Então, foi assim que tudo se passou...
Eu estava há pouco tempo em Espanha e conhecera-a num fim de semana em Granada, através de amigos comuns. Deixei-me seduzir por aqueles olhos verdes que me faziam lembrar o mar do Guincho em fim de semana de Outono e arranjei um pretexto para a ir visitar na semana seguinte a Córdoba.
Fomos jantar a um restaurante no centro histórico. Ela sugeriu que pedíssemos de entrada umas amêijoas. Não me apetecia muito amêijoas, naquele dia, mas ao fixá-la nos olhos em busca de uma alternativa, não resisti àquele verde olhar doce, emoldurado por longos cabelos negros, formando um conjunto que me cheirava a maresia. Não tive, pois, coragem para contrariar a sugestão, apesar de ter fortes argumentos para o fazer.
Comemos as amêijoas, dividimos um prato qualquer de carne que já não me lembro, ela comeu uma daquelas sobremesas supercalóricas e tomámos café.
Depois de paga a conta e termos acertado “vamos até lá casa beber um whiskey enquanto vês a minha colecção de selos”, levantei-me. Sem perceber muito bem como, fui violentamente atacado. O estômago fechou-se num aperto e devo ter deixado escapar um esgar de dor ou de vergonha, quando percebi que umas algemas me tolhiam os movimentos, impedindo-me de ir a qualquer sítio. Ela olhou para mim atónita, enquanto me via correr para a casa de banho.
A colecção de selos teve que esperar e o whiskey aproveitou para envelhecer um pouco mais no bar da sala. Em vez disso, tive que ir a correr para a farmácia, onde me receitaram alguns medicamentos para que a coisa passasse.
Dois dias depois, quando cheguei ao trabalho, fui interpelado pelos colegas:
- Então porque é que não vieste trabalhar ontem?
Imaginam os leitores o desconforto que senti naquele momento? Mas lá engoli em seco e respondi, em nome da verdade, que tinha sido corrompido... Poderia ter dito que tivera uma intoxicação alimentar, mas isso seria faltar à verdade, pois eu não ingerira nenhum produto tóxico, mas sim um produto alimentar corrupto. Ou seja, comera um produto ( no caso concreto amêijoas - e lembro que basta uma para nos corromper) que entrara em decomposição ou continha germes próprios de produtos podres. Se o produto estivesse crú, teria detectado facilmente o problema, mas como o comi já cozinhado não observei qualquer anormalidade e só passadas cerca de duas horas os meus intestinos me avisaram, com estrépito, que fora corrompido de forma vil.
Por isso, não se assustem, mas por favor nunca “obriguem” ninguém a comer amêijoas em Agosto num restaurante em Córdoba. E nada de inventar desculpas e dizer que a culpa foi do Califa...

Adivinhações

Ao tentar encontrar resposta para o deafio que a Patti me lançou hoje, fiz uma descoberta.

Escrevi isto no dia 20 de Novembro de 2007. Até pareço bruxo!

Aditamento: Patti, o desafio que me lançou não é de resposta fácil, mas amanhã apresentarei a solução

terça-feira, 29 de julho de 2008

A Confissão


Caros leitores e amigos:

Chegou a hora de vos fazer uma confissão dolorosa, mas não ficaria bem com a minha consciência se continuasse a esconder essa faceta da minha vida. Amanhã, contar-vos-ei todos os pormenores, mas por agora quero que todos saibam a verdade: Já me deixei corromper! E não foi apenas uma vez confesso...
Surpreendidos com esta minha confissão espontânea? Parece que até ouço alguns a dizer "olha parecia um tipo tão direitinho e afinal sai esta prenda!"
Acreditem, se quiserem, mas ser corrompido é apenas um sinal dos tempos que correm e não há volta a dar-lhe. Ser corrompido pode acontecer ao mais impoluto político ou ao mais honesto cidadão, por isso estou de consciência tranquila.
Só vos peço uma coisa: não comecem já a fazer conjecturas e juízos de valor acerca de mim. Amanhã, quando vos explicar como tudo aconteceu, pelo menos alguns vão compreender-me e aceitar-me como sou.
Depois, se alguém na minha situação tivesse agido de forma diferente, que me atire a primeira pedra.

Os estudos (às vezes) confirmam a prática- e vice-versa

Um estudo acaba de revelar que os portugueses “não são de confiança”. Nem no amor, nem no trabalho, nem mesmo nas relações pessoais. Bem, estudos são estudos. O problema é quando a prática os confirma...
Depois de ter lido isto, pensei que a situação é um bom exemplo da genialidade dos portugueses para a falcatrua e o arranjinho.
O Boavista interpôs uma providência cautelar para contestar as decisões de uma reunião do CJ que o despromoveu à II Liga. Que fez a Federação? Pediu um parecer a Freitas do Amaral para saber se a reunião seria válida. Sem pôr em dúvida a seriedade de Freitas do Amaral, que foi meu professor de Direito Administrativo, não posso deixar de estranhar a conclusão a que chegou. Por uma razão simples: Contraria aquilo que me ensinou na Faculdade!
Com o parecer ( não vinculativo) na mão e embora sabendo que as opiniões da maioria dos especialistas na matéria sobre este assunto são contrárias à de Freitas do Amaral, que fez Gilberto Madail?
Convocou uma reunião da Direcção da FPF para assumir o parecer com carácter vinculativo. A malta aprovou, mas segurou-se, (não vá acontecer o que sucedeu com o Gil Vicente que, depois de despromovido, viu o Tribunal dar-lhe razão. Agora pede indemnização choruda à FPF, que vai ter de puxar pelos cordões à bolsa).
Para tentar sacudir a água do capote, decidiu a Direcção da FPF convocar uma Assembleia Geral Extraordinária que se co-responsabilize pela decisão.
Confortados com este estratagema saloio, mas ainda com um problema para resolver, devido às providências cautelares apresentadas por Boavista e Presidente do CJ da FPF, socorre-se da figura processual mais canalha que conheço e invoca o interesse público para anular as providências cautelares.
O mais natural é o juiz ceder a este tipo de chantagem que é a invocação do interesse público, por isso, o Boavista pode "tirar o cavalinho da chuva" e começar a pensara em recorrer aos Tribunais Civis , o que provocará um enorme imbróglio no futebol português, com a possibilidade, inclusivé, de a FIFA impedir a participação da selecção nacional no Mundial de 2010..
São situações como esta que dão razão ao estudo, mas o que importa é que há muita gente satisfeita com esta solução, para além dos responsáveis federativos:
- O secretário de estado do desporto, que há dias mandou o recado: resolvam isso rápido para acabar com as dúvidas no futebol português. Coitado de Laurentino Dias... se soubesse a embrulhada em que se está a meter... A única solução airosa seria destituir a FPF e retirar-lhe o estatuto de "utilidade pública", mas não vai ter coragem para tanto.
- O presidente do Paços de Ferreira, clube que vai jogar a I Liga, onde desportivamente não tem direito de participar, ocupando o lugar do 9º classificado. Ouvi o homem dizer “fez-se justiça” e logo me lembrei do estudo. Realmente a noção que muitos portugueses têm da justiça é a falcatrua, a vigarice, o suborno e a indigência.
- Gilberto Madail, tal como Pilatos, também está satisfeito. Resolveu por agora o problema ( validando decisões à revelia da lei e ignorando a opinião dos tribunais sobre o assunto) e, quando a FPF tiver que pagar uma indemnização milionária ao Boavista já não está na Federação. Por essa altura, provavelmente, andará com os restantes senhores da UEFA a fumar umas cachimbadas ou charutadas em restaurantes de luxo, a pavonear-se em limousines e a gozar o sol num “off-shore” turístico das Caraíbas
- Freitas do Amaral - que além de receber o dinheiro do parecer ainda vai amealhar uns trocos com a sua publicação em livro- deverá sentir-se com a leveza de quem cumpriu a sua missão com desvelo. Mesmo tendo opinião contrária à que emitiu no parecer, quando era assistente de Marcelo Caetano, nos anos 60, ou "esquecendo" que os tumultos e troca de insultos seriam razão suficiente para o Presidente do CJ encerrar a reunião.
- Vital Moreira ( contrariamente aos juízes que julgaram o caso no foro civil, ilibando o Boavista e Valentim Loureiro) é favorável às escutas telefónicas também está satisfeito e já se apressou a dizer no seu blog que o parecer de Freitas do Amaral corrobora a sua opinião, expressa nas sebentas que fornece aos seus alunos. Este aspecto não deve agradar muito a Freitas do Amaral, pois uma sebenta sempre é mais barata que um livro...
- Os conselheiros de justiça que supostamente continuaram a reunião. Para eles pouco importa que tenham violado normas constitucionais, penais e processuais. O importante, para eles, era defender os interesses do seu cliente do coração, o SL e Benfica.
- Finalmente, Platini. Tem agora pretexto para voltar a dizer que a razão estava do lado dele e, com este argumento, candidatar-se ao lugar do sr. Blatter.

No meio de tudo isto, alguém teria de se tramar. Como sempre, foi o mexilhão que, neste caso, se chama Carolina Salgado e começará a ser julgada em Novembro, tendo ainda possivelmente de responder em tribunal noutro processo, por declarações falsas. Mas isso fica para outro post.

Coisas do Sebastião (8)



Quer aumentar o seu QI? Beba saké!


Pelo menos é esta a proposta de cientistas japoneses que , depois de aturados testes em 2000 pessoas, constataram que aqueles que bebiam até 54 centilitros diários tinham um QI mais elevado do que os que não consumiam álcool.
Alto lá! Antes de começar para aí a emborcar saké até ao desfalecimento total, leia o que o Sebastião tem para lhe dizer
Esta descoberta levanta muitas dúvidas. Como os próprios cientistas nipónicos admitiram, não foram considerados neste estudo factores como o ambiente social, o estilo de vida ou o tipo de alimentação.Assim (Ohhhh!) o melhor é mesmo não confiar neste estudo. Invista antes numa alimentação cuidada e numa vida activa, combatendo o sedentarismo tão próprio dos tempos modernos.

Dicionário do Rochedo (10)

Consultoria ( ou Consultadoria)- Neologismo criado para justificar uma actividade que visa detectar problemas, mesmo onde eles não existem; por vezes é usada como sinónimo de parecer e significa emitir uma opinião técnica sobre determinado assunto cuja conclusão está, normalmente, em consonância com aquilo que a entidade ou empresa que o pede, deseja concluir.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Postal do Porto

Hoje almocei com os meus amigos Manel M. e Jorge P. O Manel é meu amigo desde a adolescência, ao Jorge conheci por razões profissionais e ficámos amigos. Só os encontro quando venho ao Porto, porque são ambos avessos a Lisboa. O Manel vai meia dúzia de vezes por ano ao Algarve, mas passa sempre ao largo de Lisboa " Tenho medo c'aquilo seja cuntagioso, carago! Se calhar nem debia estar aqui a almoçar cuntigo, pá. Tás há tantos anos, lá ( na verdade ele diz naquela merda) que já te debe ter pegado a maleita, pá".

O Manel é genuíno no que diz. Tanto, que até deixou de ir a Lisboa ver os jogos do Porto, desde que há Sport TV. " É menos uma hipótese que têm de me cuntaminar, carago! Aquelas multidões num são recomendábeis, pá! Lagartos e águias, porra,! toda a gente sabe que têm peçonha".

O Jorge vai todos os meses a Lisboa, por razões profissionais, mas raras vezes nos encontramos. Vai num comboio e vem no outro, ou seja, chega imediatamente antes da reunião e regressa no primeiro combóio, logo após a reunião. Menos efusivo na contestação a Lisboa, limita-se a perguntar no seu genuíno sotaque: "Qué que bou lá fazer, pá? Aquela merda tem alguma coisa que se beja? "

Gosto de conversar com estes meus amigos, beber um copo ao fim da tarde, ou almoçar como agora foi o caso. Mas critico-lhes muitas vezes o exacerbado bairrismo que tem o seu quinhão de responsabilidade na situação de esquecimento dos governos em relação ao Porto. Eles convivem mal com as minhas críticas, mas no fundo sei que as compreendem. Não deixarão de ser meus amigos por isso. Hoje, porém, ficaram abespinhados quando lhes disse que as minhas amigas tripeiras ( algumas delas eles conhecem-nas) são muito mais abertas e desempoeiradas do que eles. E falei-lhes também de amigas de Lisboa que gostam muito do Porto e cá vêm com frequência, não se cansando de elogiar hospitalidade dos portuenses, mas criticando algum bairrismo exacerbado. Disse-lhes isto, porque sei que este tipo de juízos em relação a Lisboa tem tendência a tornar-se residual. Alvitrei msmo que se Elisa Ferreira viesse a ganhar as eleições em 2009, poderia ser bom para o Porto.

Um sonoro F...-se ecoou no restaurante, logo seguido de uma sentença: "Se o PS não tiver nenhum gajo com c...... para se candidatar e pôr o Rio a dar de frosques, estamos bem f.... Olha que não sei se voto numa gaja!- asseverou o Manel.

Aabámos na galhofa, claro, mas comigo a torcer para que Elisa Ferreira seja a próxima presidente da Cãmara do Porto. A cidade precisa de uma mulher a dirigir o seus destinos.

Desafio

A Fada lançou-me há dias um desafio a que vou finalmente tentar responder. Tere que enunciar 8 coisas 8 que gostaria de fazer / ter antes de morrer. A dificuldade principal deste desafio está na escolha. Procurei ser selectivo e escolher as oito mais importantes. Talvez daqui a um mês as opções fossem diferentes, mas por agora são estas:

1- Ter uma reforma prolongada, com saúde e feliz;

2-Construir uma casa ( pode ser pequena) com um terreno enorme à volta, onde possa criar muitos animais, como fazia na infância;

3- Que essa casa seja na Patagónia ( talvez próximo de Esquel, com vista para o Parque Nacional de Los Alerces, ou nas proximidades de Península Valdez);

4- Ter dinheiro para produzir a revista dos meus sonhos;

5- Montar uma escola de artesanato, para que não se perca o artesanato português;

6- Ter uma coluna num jornal onde possa contar a realidade da América Latina, para que aqueles que chamam ditador e louco a Chavez, ou apelida(ra)m Lula de lunático, percebam que não podem ver a América do Sul, com os olhos turvos dos europeus;

7- Adormecer e acordar todos os dias da minha vida com a Felicidade a meu lado;

8- Terminar a minha vida com a consciência tranquila, porque nunca atropelei ninguém para alcançar os meus objectivos; porque nunca traí um(a) amigo(a); porque sempre consegui ser objectivo ( o futebol não conta!!!) no meu trabalho; porque nunca espezinhei os interesses dos outros, para poder ter uma notícia.

Oh, já acabou! Tinha pelo menos mais 8, mas ficam para outra vez.


sábado, 26 de julho de 2008

"Ó meu Porto da eterna mocidade..."





Depois da chuva de ontem e da manhã cinzenta de hoje, o céu abriu-se num azul esplendoroso. Fui almoçar ao cais de Gaia para poder desfrutar desta paisagem magnífica sobre o Porto que todos os meses me lava a alma. Vá, tenham inveja de mim! Eu limito-me a ficar eternamente grato a Luís Filipe Meneses, por ter percebido que visto de Gaia, o Porto tem ( ainda) mais encanto.

Gosto do Porto, como de nenhuma outra cidade deste país. Nesta cidade brejeira onde existem trolhas, picheleiros e bueiros; onde há chantras, garinas e aloquetes; onde os idosos ainda se chamam velhos, um maricas é um paneleiro, ou um amigo que nos trai um filho da puta, há também muita poesia e amor. Aqui há a Rua dos Abraços, a Rua dos Beijoqueiros e "ilhas" onde as mães gritam para os filhos: "Anda cá meu filho da puta, quem te deu ordem p'ra comeres esse mulete?" Aqui , durante os bailes, os namorados estão "no roço" e as mães admoestam os filhos mal comportados dizendo "vai fazer piruetas nos cornos do teu pai!

Demorei anos a perceber porque é que nunca consegui ser feliz no Porto, nesta cidade de mulheres lindas, um rio prenhe de poesia e aquela marginal esplendorosa, da Ribeira até à Foz.

Hoje sei muito bem porque é que esta cidade me expulsou a mim e aos meus maiores amigos de infância, dispersando-nos pela Europa, Ásia e Américas. O Porto fechou-se no seu casulo, gerido por autarcas que nunca amaram a cidade, apenas a usaram como trampolim para fazer política em Lisboa. Assim germinaram mentalidades bairristas, por vezes aniquilosadas, que não deixaram a cidade crescer e evoluir. E muita gente emigrou....

Aqui, no cais de Gaia, enquanto contemplo o casario que se debruça sobre o Douro, observo bandos de gaivotas em piruetas, ouço o linguarejar de espanhóis, ingleses, franceses, asiáticos e sul americanos, descrever fascinados a paisagem de que desfrutam, enquanto disparam sofregamente as suas câmaras, na ânsia de registar para sempre as imagens inolvidáveis de umas férias, ou de um fim de semana, deixo-me invadir pela nostalgia. É tempo de despertar. Logo à noite, no Dragão, há apresentação da equipa. Claro que vou lá estar!









Sugestões...

A sugestão deste fds saiu mais abaixo do que era previsto e com um atraso inexplicável em relação ao que tinha programado. As minhas desculpas...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sabem o que é jornalismo?

Quando os jornalistas confundem um parecer (não vinculativo) com a ratificação de uma decisão tomada por um órgão, das duas uma: ou as escolas de jornalismo andam a formar imbecis, ou há muita má-fé da parte de quem escreve.

Sou admirador confesso do Professor Freitas do Amaral, de quem fui aluno na Faculdade de Direito, pelo que respeito a sua opinião. No entanto, o não menos respeitável Professor Marcelo Rebelo de Sousa é de opinião contrária à de Freitas do Amaral e considera as decisões da reunião do CJ "inexistentes". Respeito igualmente a sua opinião, embora uma me convenha mais do que outra.

Alguns jornalistas, inebriados com o parecer que favorece as suas cores clubísticas, esqueceram o fundamental. Quem vai decidir , em última instância, é o Tribunal Administrativo. O resto, são apenas pareceres. A diferença é que Freitas do Amaral foi pago ( até vai publicar um livro tão desvanecido está com a qualidade do seu próprio parecer) e Marcelo Rebelo de Sousa deu o parecer à borla.

Quando os jornalistas não entendem ( ou não querem entender) isto, o jornalismo não se recomenda. É apenas opinião. E opinião, cada um tem a que quer. Para isso existem os blogs e as colunas de opinião. Os jornais devem dar notícias. Os jornalistas devem garantir que elas seja isentas, verídicas e fundamentadas. Não misturem tudo, faz favor!

Sugestões para uma noite de Verão (2)



Porque se chama ao Verão “silly season”? A tentativa de dar resposta a esta questão pode ser encontrada no exercício que lhes proponho:
Os concorrentes agrupam-se em duas equipas com um máximo de 3 jogadores de cada lado.
Os jogadores de cada equipa vão elencando, numa folha de papel, casos ocorridos durante o Verão que sejam dignos de ser considerados típicos da “silly season” (Atenção! Não vale recorrer aos posts deste blog).
A equipa vencedora será a que conseguir enumerar mais casos. Para aguçar a imaginação, será também escolhido um vencedor individual, a quem será atribuído o “Prémio Pateta”. Para ganhar este prestigiado prémio, o vencedor terá que ser escolhido entre todos os jogadores, como o que apresentou o caso mais original .
A título meramente exemplificativo, aqui lhes deixo uma foto que tirei na Plaza Dorrego ( Buenos Aires) e que explica como um turista também pode ser, a troco de um punhado de pesos, protagonista da “silly season”.




Bom fim de semana e divirtam-se!

Post parvo e só para adultos!


(Não aconselhável a pessoas sensíveis)

Ano passado, a DECO lançou uma campanha denominada “Vamos acabar com os pontos negros”.
Por razões que adiante explicarei, achei mal.
Um destes dias li no “Metro” que Manuel João Ramos,ex- vereador da CML e presidente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) discorda da definição de pontos negros adoptada pela DGV, porque “não é ética e sacrifica vidas humanas”.
Estou de acordo. A definição da DGV é um pouco sádica e, pessoalmente, também tenho sido vítima de uns pontos negros que nada têm a ver com aqueles de que falam a extinta DGV e a DECO.
Os pontos negros de que falo não matam, mas doem. Não estão nas estradas, mas sim nas minhas costas. Mas se doem, porque não estarei eu de acordo com a campanha da DECO?
É simples. Tenho tirado, ao longo da vida, alguns benefícios dessa característica da minha pele. Quando ainda era jovem e as miúdas me diziam “Ena, tantos pontos negros!”, confesso que me sentia envergonhado e a minha vontade era desaparecer. Cheguei a confessar a um médico o incómodo que me causavam no relacionamento com as miúdas, mas ele explicou-me que nada havia a fazer, porque a sua profusão se devia às características da minha pele sul-americanizada.
Quando “amadureci” ( eu tenho sempre esta mania de que já sou um homem maduro, não liguem!) comecei a perceber que algumas mulheres adoram pontos negros.
Depois de... ( bem vocês sabem do que estou a falar) muitas namoradas em permanência ou apenas de passagem mostravam-se encantadas com a possibilidade de passar alguns minutos a espremer- me os pontos negros. “Deixa-me espremer !Deixa lá! É só um, vá!” E eu, naquele estado de modorra em que o corpo e a mente se aquietam depois daquilo que vocês sabem, lá ia na cantiga! Claro que atrás de um vinha outro e a coisa só parava quando eu, desperto do torpor, acabava por me impôr e punha fim à “reinação”.
Houve uma altura da minha vida em que cheguei a desconfiar que a minha característica de pele passava de boca em boca e comecei mesmo a imaginar quando uma namorada de ocasião ia com uma amiga à casa de banho e me deixavam a sós, a conversa que se travava entre elas
“ Não me digas ! Se ele tem assim tantos, deixa-me só dar uma voltinha! Vá lá, é só um bocadinho... eu prometo que não espremo todos...”
As coisas podiam não se passar exactamente assim, mas a verdade é que a avaliar pelas situações em que depois de uma ida à casa de banho, as amigas das minhas "namoradas" passavam umas horas a escrutinar as minhas costas, me levaram a imaginar que assim fosse.
O reverso da medalha foi começar a pensar que as mulheres saíam comigo pelo supremo prazer de me aliviarem as costas de uns quantos pontos negros.
Isso não impediu que algumas vezes me tivesse sentido tentado a exibir despudoradamente as minhas costas a algumas mulheres que eu gostava que fossem minhas namoradas. Contive-me sempre, mas perdi a hipótese de confirmar o sucesso da estratégia.
Pronto, esta CENA é parva, mas que querem? É este Verão do Porto que me põe assim!

Dia de Inverno com propostas de Verão

Embora o tempo pelo Porto esteja mais parecido com um dia de Inverno, não me esqueci que hoje é dia de "Sugestões para uma noite de Verão". Até já!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Mau perder!



José Eduardo Moniz:


A TVI perdeu o concurso para a transmissão dos jogo da Liga para a RTP e logo você mobilizou "a imprensa do costume" para desferir ataques à RTP e ao Governo. A linguagem ressabiada é característica sua, não há nada a fazer.

Convém no entanto esclarecê-lo que, tal como eu, há muitos milhares de portugueses que gostam de futebol que suspiraram de alívio quando souberam que a RTP tinha ganho. A TVI prestou, nos últimos anos, um péssimo serviço ao futebol. Para além do sectarismo dos seus comentadores, a TVI quase ignorava os clubes, para além dos 3 grandes. O programa sobre a jornada ia para o ar de madrugada ( quando ia...), raramente cumpria o horário anunciado, tinha intervalos para publicidade com uma duração escabrosa ( Cheguei a contar dois intervalos com duração de 45 minutos - 25+20- para um programa com idêntica duração) e os resumos dos jogos eram super ridículos.


A RTP ganhou e com isso vai ganhar o futebol. Não se preocupe, JEM, com os custos da operação para o povo português e deixe-se desse discurso pedante a apelar ao sentimento. Quer convencer-nos que os portugueses não pagam os custos do futebol, quando é transmitido pela TVI? Deixe-se dessas tretas, porque nós não somos ceguinhos! Tem todo o direito de estar triste, não tem é o dreito de nos querer fazer passar por parvos, com o discurso da treta das televisões privadas. Tal como no futebol, as vitórias conquistam-se no terreno e não na Secretaria, por isso deixe-se de ameaças veladas e saiba perder! Se a RTP lhe mete tanto medo, certamente é porque não é assim tão má como a pintam!


O futebol vai tirar-lhe uma boa fatia do "share" ? Talvez, mas será que a RTP, lá por ser pública, não tem direito a um lugar ao sol? Afinal a sua televisão de reality shows escabrosos e telenovelas a metro tem tanto medo do futebol e da RTP? Não percebo!


Continue, JEM, a fazer a sua televisão de cano de esgoto e deixe a RTP cumprir a sua função de serviço público, dando a muitos portugueses aquilo que eles gostam de ver. E veja o lado positivo da questão: com os milhões que lhe sobraram terá agora oportunidade de encher as noites do seu canal ainda com mais lixo. Para quando um daqueles reality shows onde até morre gente em directo? Vá, mostre que é capaz de fazer ainda melhor pela estupidificação do povo português!

Você não sabe, JEM, mas tem feito mais por este governo com a televisão acéfala e acritica que vende aos portugueses, do que qualquer RTP com futebol. Sócrates, certamente, um dia lhe agradecerá! Por agora, mostre lá que é capaz de fazer boa televisão privada sem a complacência e apoio do Estado. Mas despache-se, porque o Nuno Santos já aprendeu a receita,com um orçamento bem menor que o seu, suponho.

Passe bem

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Coisas do Sebastião (7)

A nova Fada do Lar
Desde que os telecomandos modificaram os hábitos dos chefes de família e instituíram a prática do “zapping”, que as mulheres aspiravam a um aparelho idêntico que aliviasse as tarefas domésticas. Pois ele aí está!!!
Um súbdito de Sua Majestade inventou um “braço mecânico” com uma mão em cada ponta, que pode ser programado para fazer diversas actividades., como aspirar a casa e lavar a loiça. Movendo-se sozinho pela casa, o “braço” vai-se ligando às tomadas eléctricas, accionando os aparelhos necessários para fazer a limpeza do lar.
As suas funções podem ser ainda mais sofisticadas, podendo mesmo substituir o marido ( eh, mentes diabólicas, não é isso!!!) na tarefa de substituição de uma lâmpada que ele vem adiando há uma semana sob variados pretextos.
O folheto informativo não esclarece se o referido aparelho está habilitado a substituir o marido noutras tarefas, ou a solucionar as dores de cabeça crónicas de algumas esposas...

Conversas com Paplagui (33)

- Deixei-te uma mensagem no telemóvel e não respondeste
- Não ouço mensagens...
- Também te enviei um SMS
- Não leio SMS...
- Então para que é que tens telemóvel?
- Eh pá! Não vês que me faz imensa falta?

Dicionário do Rochedo(9)

Ciberespaço- Tal como o saber, é aquele que não ocupa lugar

E os abutres foram com o Pai Natal ao circo!

Talvez seja injusto ao escrever isto, mas as notícias que leio sobre as dificuldades de algumas famílias portuguesas, que estão a recorrer à Santa Casa da Misericórdia ( por e-mail, note-se!!!) pedindo auxílio, deixam-me indiferente. O mesmo sentimento por aqueles que roubam no supermercado produtos caros.

Muitas destas famílias vivem confortavelmente, rodeadas de produtos supérfluos que adquiriram com recurso ao crédito, mas preferem sujeitar-se à humilhação ( partindo do princípio que sabem o que isso é...) de pedir auxílio a uma instituição que está vocacionada para acudir aos mais necessitados, a desfazer-se dos bens que- acreditam- lhes conferem o estatuto social que a publicidade, às cavalitas do modelo de sociedade onde vivemos, lhes apregoa.

Desde 1998 que venho escrevendo sobre questões de endividamento, alertando para os perigos do endividamento excessivo; já participei em dezenas de sessões de esclarecimento sobre o assunto. Tive sempre a sensação que, do lado de lá, quem me lia e ouvia murmurava interiormente: " esses exemplos são de gente sem cabeça, comigo isso nunca vai suceder!"

Quem assim pensava tinha um aliado de peso.Enquanto eu escrevia, falava, mostrava situações de famílias que passavam dificuldades, o Banco de Portugal assistia, impávido, à proliferação de publicidade que convidava as pessoas a endvidarem-se de forma néscia e comunicava a todos os portugueses que a situação ainda não era preocupante. Era o que os portugueses, inebriados na febre consumista do pavão, queriam ouvir. Quem mais sábio do que o Banco de Portugal- Entidade Reguladora do sector bancário- para analisar a situação? Por outro lado, o presidente da associação nacional de bancos também vinha, qual abutre a quem pretedem roubar a presa, protestar contra os alarmismos de alguns jornalistas. "Está tudo bem, não há razão para preocupações...".

Mas havia! Quando a taxa de endividamento dos franceses ultrapassou os 76%, tocaram as sinetas de alarme em França. Nessa altura, a taxa de endividamento ds portugueses já ultrapassara os 100%, mas como nós somos bons na arte do desenrascanço, que mal havia em fomentar o desperdício?

É certo que os portugueses se endividaram por culpa própria, mas aqueles que tinham o dever de os alertar não só nada fizeram, como ainda contribuíram para que a situação se agravasse.

Agora, na situação de penúria, outros abutres se levantam. Paulo Portas foi o primero a aguçar os dentes, acusando o BP de inacção. É preciso ter topete e não ter um pingo de vergonha na cara! Que legitimidade tem PP para criticar o BP? Os portugueses têm memória!

Provavelmente, a próxima abencerragem a surgir indignada, perante as venerandas câmaras ou nas passadeiras de vaidades que certa imprnsa está sempre disposta estender-lhe, será o inenarrável António - Salvador da Pátria- Borges. Fechar-se-á por aí o círculo da hipocrisia, ou ainda vamos assistir à exibição de novos artistas neste circo de abutres?

Pelo país dos blogs (21)

Agora tirem as vosas conclusões

"Os emigrantes ucranianos chegaram a Portugal sem um tostão, depois de terem gasto o que tinham numa viagem para Portugal, chegaram cá e não pediram nem tinham direito a rendimentos mínimos ou subsídios de desemprego, chegaram e procuraram trabalho, a maioria encontrou-o apesar de sempre ter havido desemprego, não foram morar para bairros da lata, mandaram os filhos para a escola.
Hoje temos uma comunidade ucraniana bem sucedida, gosta de Portugal e dos portugueses e estes gostam deles, integraram-se nos bairros onde vivem, são bons vizinhos, esforçam-se por perceber a nossa cultura e integram-se na sociedade, os seus filhos são educados e excelentes alunos.
Comparem-nos e tirem conclusões, avaliem muitas das tretas que políticos, ideólogos e responsáveis por movimentos dizem por aí, avaliem-nos à luz da experiência da comunidade ucraniana.
Deixemo-nos de tretas, uma parte da pobreza em Portugal anda de mão dada com a falta de vontade de trabalhar, há grupos sociais onde uma boa parte dos seus membros nunca chega a trabalhar em toda a vida e, pior ainda, encontraram excelentes soluções para viverem à custa dos que trabalham e que, não raras vezes, ganham menos do que eles. Alguns desse pobres são verdadeiros novo-ricos ao pé de outros pobres, daqueles que não têm etiquetas que os possam tornar em protegidos da sociedade."

Publicado no Jumento ( com link na coluna da direita). Para ler e pensar. Eu assino por baixo e já tirei as minhas. E vocês?

Posts com dedicatória (4)

Regressou à nossa companhia depois de uns dias de férias. Sei que estava à espera de um presente que alguém lhe haveria de trazer do Afeganistão. Não sei se já o recebeu, mas entretanto trouxe-lhe estes presentinhos sem importância da cooperativa Mó de Vida.
São produtos do Comércio Justo. Achei-os bonitos. Espero que goste. Sirva-se.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Arquive-se!



Se o caso Maddie fosse tema de seriado americano, ou de filme do “Dirty Harry”, certamente que um dia destes haveria um polícia a desenterrar o processo e a descobrir toda a verdade. Não é que não tenha esperança em saber um dia o lado B de toda esta história, mas duvido é que ela venha a ser divulgada graças à acção de um polícia inconformado. Na vida real as coisas resolvem-se com mais "subtileza", porque valores mais altos se levantam .E por aqui me fico...
O que de mais preocupante ressalta em volta do desaparecimento de Maddie, não é o ( para mim aparente) falhanço da PJ. Verdadeiramente preocupante é perceber, dia a dia, que vivo num país onde o acesso à justiça está condicionado por outros valores, a saúde é vista como um luxo sóao alcance de alguns, a educação está refém das estatísticas, o ambiente e a cultura são peças decorativas descartáveis nas opções governativas.
O caso Maddie é mais uma peça desconchavada no cenário de uma justiça que surge aos olhos dos cidadãos mutilada na sua essência: a descoberta da verdade. Vejam-se, por exemplo, os recursos ( financeiros, técnicos e humanos) postos à disposição de uma equipa de élites para desvendar os casos de corrupção desportiva. E nem invoco o argumento de que haveria coisas muito mais importantes a desvendar pela justiça do que a pretensa corrupção no futebol, com epicentro a Norte. Limito-me a constatar que a tão badalada operação “Furacão” está prestes a ser reduzida a pó; que ainda não sabemos se a mãe de Joana é realmente culpada do desaparecimento da filha; que o caso Esmeralda se arrasta há tempos sem fim, pondo em causa o futuro da criança; que não se vislumbram grandes sucessos no processo Casa Pia; que naquele “processo exemplar” do Apito Dourado, que serviria de exemplo ao país, não houve um único condenado por corrupção, mas sim por delitos menores ( de que não estavam inicialmente acusados, sublinhe-se...) que são tão comezinhos em Portugal, como beber um copo de água numa tarde de estio.
Sinto-me a viver num país à espera de alguém que do alto do poder que a União Europeia lhe conferiu, pronuncie um dia o fatídico e decisivo despacho: “Arquive-se! Portugal é um caso sem solução à vista.”

Os putos divertem-se (2)


A JS ( Juventude Socialista) reuniu-se em congresso durante o fim de semana. O vigor da organização revelou-se logo no facto de só haver um candidato à liderança da agremiação rosa. Por aquelas bandas, o debate de ideias deve ser comparável à balada monocórdica dos dirigentes adultos.
Os Jotas da Rosa talvez quisessem transmitir ao país que com eles algo iria mudar no PS, mas o que de melhor arranjaram para o demonstrar, foi colocar em debate questões fracturantes como o casamento dos homossexuais, a adopção por casais “gays”, a eutanásia ou a regulamentação jurídica da prostituição. Não coloco em causa o interesse destas questões, mas acredito que o único propósito da apresentação destas propostas foi piscar o olho à esquerda, fazendo assim um favorzito ao governo que a todo o custo vai querer pescar votos à esuqerda em 2009.
Não vi, li ou ouvi, ao longo destes dois dias, quaisquer propostas da JS que apontassem para a solução de problemas graves que afectam o país, de uma forma diferente da que os dirigenets do partido pai preconizam. Admito que tenha havido défice de informação e que eu, fruto da canícula, tenha estado um pouco distraído. Mas se alguma coisa importante se tivesse passado certamente teria tido eco na comunicação social.
A frase mais ajuizada que ouvi no Congresso foi proferida por Alberto Martins : “arrisquem o sonho e construam a utopia”. A questão, é que esta frase foi proferida por um antigo resistente que hoje em dia também parece estar acomodado à Nova Ordem”. Depois, foi lá Sócrates fazer chacota das palavras de Ferreira Leite sobre o casamento entre homossexuais , dando um bom exemplo aos jotinhas como devem comportar-se quando forem grandes: esquecer ideias e projectos e recorrer à chicana política é quanto basta ( na opinião de José Sócrates) para ser feliz - agora e no futuro.
Mais abaixo, na Figueira da Foz, Manuela Ferreira Leite dirigiu-se aos jotas laranjinhas, com um dixcurso que eu ouvia da minha avó. Com o país mergulhado na crise, os jovens aflitos para encontrar emprego, MFL sugeriu-lhes que não reivindicassem subsídios de desemprego, que fossem empreendedores e se tornassem todos empresários. Por outras palavras: desenrasquem-se e não venham cá pedir batatinhas, que para o vosso peditório já dei.
Cada um à sua maneira, os líderes dos principais partidos deram maus exemplos e maus conselhos aos jovens. Há alguma esperança no futuro? Sim, talvez para José Sócrates, que vê MFL cada vez mais à sombra de Cavaco Silva, o que só o irá beneficiar em 2009. Os jovens portugueses não se vão esquecer como foram tratados por Manela e Cavaco, quando estiveram no Poder. Siga para Bingo!


Os putos divertem-se (1)


Há uma coisas que me irrita solenemente : os jotas. Essas jovens tribos partidárias que antecedem o nome do partido a que pertencem, com o prefixo Jota, trazem -me sempre à memória a Mocidade Portuguesa, entidade de que sempre fugi com artimanhas várias. A minha aversão às sessões doutrinárias de sábado à tarde, no João de Deus, causaram amargos dissabores ao meu pai, sucessivas vezes chamado ao colégio para explicar as razões da minha evasão a tão benfazejas horas de doutrina pátria. Na tentativa de o ajudar a explicar-se, cheguei a simular um estratagema, que consistia em provar que envergar aquela farda me provocava alergia. Fi-lo por escrito, em carta dirigida ao comandante de “esquina”, um puto já com buço e ar de Sílvio Cervan dos anos 60, ( sim, também era sócio do Benfica) que orientava os trabalhos. O resultado foi uma suspensão das aulas durante uma semana.
Cresci como as ervas daninhas, rejeitando de forma sistemática qualquer “canga” que me quisessem impôr e assim continuei, já adulto, resistindo estoicamente aos apelos de amigos que me convidavam para enfileirar este ou aquele partido. Até hoje.
Creio que já perceberam a razão porque não vou à bola com as Jotas. Jovens que servem de correia de transmissão dos valores do seu partido, sem apresentar alternativas aos erros dos adultos e até identificando-se com eles, não trazem nenhum contributo para melhorar o país.
Conheço um número razoável de Jotas no Centrão. Cada vez que vejo a sua actuação, quando chegam a lugares de chefia na Administração Pública, contorço-me em esgares de revolta. Têm os mesmos vícios dos adultos e logo lhes copiam as manhas, exigindo as mesmas mordomias: carros novos, telemóveis, cartões de crédito e uma parafernália de mimos a que se julgam com direito.
Os Jotas são a cópia da devassa do Centrão. A única ideia que têm de futuro para Portugal é a da manutenção dos jogos de influências, da arregimentação e do compadrio. É por essas e por outras que não acredito no futuro de Portugal. Os jovens tantas vezes anunciados como aqueles que vão construir um Portugal novo, já são velhos aos 30 anos. Nas ideias, nos comportamentos, na sua visão da sociedade. Dos Jotas, nada espero. Dos jovens que se libertaram da canga partidária, não sei. Terão força para lutar contra o situacionismo? Espero bem que sim , porque é neles que deposito a minha última réstia de esperança.

Dicionário do Rochedo (8)

Centro Comercial - Conjunto de lojas de bairro que se agruparam em holding; nova forma de exploração de trabalhadores; local de diversão onde as pessoas sem imaginação vão passear ao fim de semana; cemitérios das salas de cinema; local onde as mulheres derretem os cartões de crédito dos maridos, enquanto eles vão ao futebol ( versão macho man do S.L e Benfica))

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dicionário do Rochedo (7)

BUG- Palavra muito utilizada pelos portugueses em 1999. Significava que se as coisas não corressem bem no dia 1 de janeiro de 2000, não teríamos dinheiro no banco, nem poderíamos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do reveillon . Para os mais caretas significava a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador; desgraça, catástrofe; caos. Na verdade ( muitos só o souberam depois...) significa apenas o transtorno causado a Thomas Edison por um insecto, que dificultou o funcionamento do seu fonógrafo.
Entretanto, há já quem anuncie um novo Bug para 2038.

O fim do mito alentejano


Entro em Portugal pela fronteira de Elvas, ansioso por comer um “petisco” alentejano e matar saudades da comida portuguesa que não trinco há três semanas. Abandono a auto-estrada e vou em busca de um local onde possa saciar o meu desejo. Ao fim de alguns quilómetros ( que se hão-de estender até às proximidades de Évora) constato que perdi tempo à procura de algo que já não existe...
O mito alentejano que surgiu algures nos anos 70 e se acentuou na década de 80 está a esfumar-se.
Os vinhos já não são o que eram e a hotelaria de qualidade é uma coisa que praticamente não existe, porque não chega ter boas instalações, é preciso também ter bom serviço e os restaurantes apostarem numa boa comida regional, em detrimento da comida internacional asséptica a que alguns “gourmets” encartados chamam de “fusão”. Mas, como me disse um hoteleiro, o problema é que nas Escolas de Hotelaria é isso que ensinam!
E quanto a pessoal? Os locais não querem trabalhar na hotelaria, e quem troca uma quitanda em Lisboa ou no Porto, com comensais diários assegurados, por um estabelecimento hoteleiro , ainda que luxuoso, mas quase sempre às moscas?
Quem entra em Portugal pela fronteira de Elvas e pensa poder matar saudades da cozinha portuguesa, desiluda-se. Desapareceram as velhas casas de pasto e tasquinhas onde a comida regional alentejana era quase sempre boa e proliferam as marisqueiras, muito procuradas pelos espanhóis, principalmente ao fim de semana .
A cultura cerealífera, que emprestava toda aquela “mística” à paisagem alentejana deu lugar a pastos para porco preto, borregos e pouco mais, e os olivais reduzem-se a pequenos tufos verdes, circundando os “montes” com piscinas, que muitos lisboetas compraram para repouso de fim de semana.
Também muitos europeus vieram instalar-se no Alentejo, em busca do sossego que já não encontram nos seus países, optando por uma vida em contacto permanente com a natureza. Passeando pelo Alentejo, constata-se que não foi só a paisagem a mudar radicalmente com o Alqueva, para gáudio de espanhóis e amantes de desportos aquáticos. Mudou também a própria essência da região
Quanto à costa alentejana, estamos conversados. De PIN ( Projecto de Interesse Nacional) em PIN, vão desaparecendo as praias de excelência e surgindo os empreendimentos turísticos cavalgando a costa.
Por cada festival de música, ergue-se uma multidão de oportunistas prontos a sacar do turista de ocasião os lucros de uma época inteira. Em vez de darem valor à qualidade dos produtos regionais, os “taberneiros” e “quitandeiros” da costa alentejana internacionalizaram-se na comida de plástico e na má qualidade de serviço.

O Alentejo é,hoje, uma pálida imagem de outros tempos. Ainda resistem algumas excepções, quase sempre segredos bem guardados por quem conhece aquelas paragens de gingeira mas, por muito que a Odete Santos insista em dizer o contrário, a verdade é que o Alentejo nunca mais voltará a ser “nosso” ( nem “deles”...)

Regresso ao Cubo


" Este fim-de –semana, uma amiga desafiou-nos a ir à nova coqueluche da noite lisboeta. O Kubo é um espaço à beira rio concebido e explorado pelo clã familiar de João Rocha que justifica plenamente – apesar dos preços especulativos a que já me habituei na noite lisboeta – mais visitas. Em noites quentes como a da última sexta-feira, com a Lua a reflectir a sua luz nas águas calmas do Tejo, os lisboetas não desperdiçaram a oportunidade de comungarem uma parte da noite com o seu rio, num espaço onde o bom gosto se alia à simplicidade. Muitas caras conhecidas, hordas de jovens em estágio exploratório antes de partirem para as discotecas e os “voyeurs” do costume.Na última sexta feira houve Lisboa ao Cubo. No Kubo. "
Bom, isto foi o que escrevi ano passado, quando o Kubo abriu as suas portas, em período de obras da Kapital.
Este fim de semana voltámos lá. A mesma lua espelhada nas águs do Tejo, o mesmo calor, o mesmo cenário, mas uma diferença abissal: o Kubo perdeu o "glamour". Caras conhecidas poucas, uma invasão de meninos de "casquette" a emprestar ao espaço uma aragem de subúrbio, a que nem sequer faltam umas figuras femininas a fazer lembrar os "Classificados Relax" do DN.
Hei-de lá voltar para ver se confirmo a má impressão ou se, pelo contrário, recupero a boa imagem com que fiquei ano passado. Depois digo-vos.

"Workshop" Comércio Justo

Depois de na sexta-feira vos ter deixado uma proposta de discussão sobre o Comércio Justo, para uma noite de Verão, hoje proponho uma tarde "prática".
Amanhã, dia 22, às 15 horas, terá lugar na Cooperativa Mó de Vida, no Pragal, o workshop "À mesa com o Comércio Justo".
A iniciativa é do Instituto Marquês de Valle Flôr e o objectivo é não só dar a conhecer os princípios do CJ, mas também ensinar a confeccionar alguns pratos com produtos provenientes da América do Sul e de África, comercializados pelo CJ.
Uma oportunidade para conhecer melhor os princípios e fundamentos do CJ, ficar a saber novas receitas com que pode surpreender os seus amigos e acabar de vez com essa ideia que o CJ se reduz a café e pouco mais.
Além do mais, a Mó de Vida é uma cooperativa muito simpática onde poderá encontrar produtos inovadores ( para as senhoras há peças de vestuário tentadoras) a preços razoáveis.
E, quem sabe, não sairá de lá com a solução para alguns presentes de Natal?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sugestão para as noites de Verão (1)



Imagine o seguinte cenário:
Um restaurante ( em qualquer ponto do país) afamado pela sua gastronomia e também pelos preços que pratica - caros!!!)
Na altura de tomar café, é-lhe apresentada uma vasta lista daquela bebida, com marcas de proveniências várias. Opta por uma chávena de Sagris da Papua , cujo preço é de 3€.
Recorde-se então de uma viagem que fez ano passado àquele país e da visita a algumas plantações de café, na zona de Madang, onde constatou as condições precárias em que trabalham os nativos que andam na apanha do café e soube que auferem a fabulosa quantia de 3 cêntimos à hora ( repito: TRÊS)!
Fazendo rapidamente as contas, chega à conclusão que um trabalhador da apanha do café na Papua Nova Guiné teria que trabalhar 100 horas para pagar um café naquele restaurante. Apesar de tudo, constata que a situação já é melhor, porque em 1992, o mesmo trabalhador precisava de 164 horas de trabalho. Se for optimista, conclui: vantagens da globalização!
O exercício que lhe proponho, para uma noite destas, é o seguinte:
Discuta com os seus amigos o verdadeiro significado da globalização, procurando ponderar vantagens e inconvenientes. De passagem, mostre que é uma pessoa bem informada sobre o assunto e fale-lhes de algumas marcas prestigiadas, com fábricas no Vietname, cujos trabalhadores vivem em condições sub-humanas; dos trabalhadores que certas empresas americanas, muito reputadas internacionalmente, recrutam na China e mantêm como escravos nas suas instalações na ilha de Guam; do trabalho infantil que enche as montras das lojas com produtos que consumimos com prazer, indiferentes à miséria de quem os produz. Finalmente, fale aos seus interlocutores da experiência mundial do Comércio Justo.
Exercício alternativo: se considerar este exercício muito puxado, proponho que pegue nos suplementos de Verão de alguns jornais, ou leia a “Caras” . Sempre é um exercício mais sedutor e menos exigente!

Coisas do Sebastião (6)


Automóveis movidos a lixo
Não se trata de ficção... é mesmo verdade! Depois dos carros a gás e dos carros eléctricos, surgiu também o carro movido a lixo.
Apresentado em Inglaterra, é capaz de atingir velocidades na ordem dos 200 kms/hora, podendo em breve transformar-se num meio de locomoção alternativo não poluente e do agrado de muitos aceleras.
Consumindo 100 quilos de lixo aos 100 quilómetros, este novo veículo verde move-se à custa de um gás resultante da fermentação de lixo orgânico produzido nos nossos lares. Apenas um senão: se é candidato(a) à compra de um destes veículos existem alguns obstáculos a ultrapassar. O primeiro tem a ver com o preço - 800 mil euros, o que equivale aproximadamente a quatro Ferraris; o segundo é que só existe um exemplar no mercado e não está, para já, prevista a sua comercialização.
No entanto, não desespere, pois é bem provável que dentro de algum tempo a produção destes veículos se torne uma realidade e o possa adquirir a preços mais reduzidos. O problema é se o abastecimento de lixos for atribuído às gasolineiras, pois é certo e sabido que isso significa que o lixo vai passar a ser pago a peso de ouro!

Dicionário do Rochedo (6)

Branquear- No tempo do “Omo lava mais branco” significava tornar a roupa mais branca; depois da guerra dos detergentes e fruto da evolução das economias que já não usam sabão macaco, passou a significar um acto que consiste em conseguir, através de um conjunto complexo de operações, justificar socialmente um enriquecimento rápido;Aplica-se também a casos de recuperação social da imagem; como advérbio de modo, significa também “off-shore”; no desporto significa entrevistas de Luís Filipe Vieira a Judite de Sousa

Propostas diferentes para noites de Verão

Alguns investigadores afirmam que as férias, totalmente relaxantes e despreocupadas, diminuem a inteligência . Assim , aconselham os turistas a manter o cérebro activo lendo, fazendo palavras cruzadas ou resolvendo passatempos. É isso que explica aquleas páginas de Verão de muita imprensa dita séria. Como a maioria daqueles passatempos é enfadonho e parece repetir-se de ano para ano, vou fazer aos leitores do CR propostas mais arrojadas.
Nos próximos 4 fins de semana ( a começar já neste), vou trazer aqui uma proposta diferente do habitual, esperando que no regresso de férias os leitores venham com um espírito novo.
Hoje, ou o mais tardar amanhã, apresentarei a primeira proposta.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uribe: anjo e demónio?

Já é oficial. O marido de Sonia Betancur , cujo desaparecimento relatei aqui, apareceu morto. Uribe comete um crime com uma mão e lava-se com a outra. O único "crime " cometido por Guillerme Rivera Fúquene era ser sindicalista, o que é intolerável na Colômbia.

Pena que aqueles que não perdem tempo a acusar Chavez de louco, ditador e outros epítetos, se tenham remetido ao mais profundo silêncio em relação a este caso. Guillerme Rivera deixa uma viúva e duas filhas em dificuldades, mas pouco lhes importa quando um crime político é perpretado por um regime sanguinário, desde que seja amigo de Bush.

Que se saiba , até agora , Ingrid Bettancourt não se pronunciou sobre o assunto. Eu compreendo que esteja eternamente grata a quem a libertou dos torcionários das FARC.

Ser solidária com os outros reféns, fica-lhe bem, mas seria uma prova de dignidade se manifestasse a sua repulsa por este crime hediondo. O silêncio é, no mínimo, comprometedor.

Leia toda a informação sobre este caso em Tempo das Cerejas (clique)

Aditamento: como toda a gente, fiquei satisfeito com a libertação de Ingrid Bettencourt. A minha consciência é que não consegue pactuar com toda a encenação montada à sua volta, nem com a farsa que pretende branquear o regime de Uribe.

Bairro do Aleixo: a cada um seu paladar


A notícia da demolição do Bairro do Aleixo , no Porto, é mais uma boa oportunidade para eu continuar a defender a existência de uma televisão pública.
Ontem, enquanto o telejornal da RTP acompanhava a notícia de uma reportagem onde eram ouvidos moradores que discordavam da demolição, outros que a apoiavam com reservas e outros que a receberam como uma benção, a SIC fazia outra abordagem. Deu a notícia informando antecipadamente os telespectadores que a população estava contra a demolição e, na reportagem de suporte, limitou-se a ouvir três pessoas que discordavam da decisão de Rui Rio.
É desta isenção das televisões privadas que eu tenho medo, percebem?
Já aqui discordei muitas vezes de Rui Rio, mas desta vez até estou de acordo. Na verdade, já há muitos anos que qualquer sociólogo ou urbanista sabe que habitação social em altura ( principalmente tão desmesurada como é a do Bairro do Aleixo) é um erro colossal. Não só porque dificulta a gestão dos espaços, mas também porque aumenta a conflitualidade.
Podem dizer-me que por detrás da decisão está uma negociata com empresas de construção e imobiliário e que é um bom negócio para a Câmara. Neste caso não me interessa. Não é isso que está em jogo. Importante é saber ( e sobre isso nenhum dos canais deu qualquer informação) se demolir apenas a 5ª Torre – onde existem os problemas do tráfico de droga e a degradação é mais evidente – era solução, adiar um problema, ou gerar outro tipo de conflitualidade. Aí estava o cerne da notícia . Que não interessa apenas ao Porto... porque a pobreza não se resolve apenas com casas novas.

O "chip"

Não tencionava falar do “chip” que o governo quer colocar nas matrículas dos automóveis. No entanto, como sonhei com isso enquanto dormia a sesta e acordei estremunhado, corri para o computador a dar-vos conta dos meus receios.
Eu acredito que aquele ar de cachorrinho indefeso de um membro do governo na Assembleia da República, quando toda a oposição atacava a ideia, seja sincero. Eu não ponho em dúvida que a intenção do governo seja a mais piedosa e que o "chip” sirva apenas para o que o governo diz ( o que, convenhamos, já não é pouco).
Não deixo, porém , de manifestar os meus receios. Em primeiro lugar, porque um dos objectivos é obter informação para o planeamento de infra-estruturas. Ora já estou a ver a cena... um tipo qualquer descobre que há muita gente a ir para uma praia escondida, por um caminho de terra batida onde só é possível chegar num 4x4 e alvitra: “Eh pá e se construíssemos ali uma estrada, para evitar que esta malta estrague os automóveis?” A ideia até parece boa e piedosa, mas eu não gostaria de a ver em prática, pois assim qualquer dia as raríssimas praias onde se pode estar mais ou menos sossegado durante o verão desaparecem.
Depois, há que pensar quem vai gerir a coisa. Num país onde o segredo de justiça é constantemente violado, sem que nunca se descubra quem foi o “bufo”, quem me garante a mim que um dia não receba uma carta de um chantagista qualquer a informar: “ passas para cá 10 mil euros, ou digo à tua mulher que estavas a namorar com outra num pinhal esconso. Está tudo lá no chip!” A videovigilância nos prédios, nos parques de estacionamento, nas caixas multibanco, quiçá em breve em algumas ruas, não é suficiente?
As hipóteses de invasão da privacidade de cada um poderiam multiplicar-se, mas termino com esta. Que garantias me dá o governo de que se um dia o poder cair nas mãos erradas, não vai utilizar os “chips” para fins menos recomendáveis? Nenhuma. Ora isso assusta-me e – depois de tudo quanto me foi revelado durante a sesta- chega para concluir que esta história do “chip” é uma pulhice. Ou então, não durmo mais a sesta, para não ter destes pesadelos.

Dicionário do Rochedo (5)

Biodegradável- Canção de sucesso de Rita Lee que, tal como os detergentes, se dissolveu na complexa máquina da sociedade de consumo; algumas pessoas descartáveis não são biodegradáveis.

Conversas com o Papalagui (32)

- Porque será que todos os anos, no mês de Julho, há por aqui problemas com imigrantes?
- Não sejas xenófobo, Papalagui! Também foi em Julho que o Durão Barroso emigrou para Bruxelas e deixou o país de tanga, transformado em país do "fio dental".

Post com dedicatória (3)


A primeira vez que entrei neste blog, foi amor à primeira vista. Depois, descobri que a proprietária desse blog tem especial paixão pelo artesanato. Finalmente, descobri que tem um outro blog ( EM SETE LÍNGUAS!!!!) onde mostra as peças que ( juntamente com uma irmã, creio) faz. É o Pano pra Mangas Vão lá, apreciem e deixem comentários.
As fotos que aqui deixo, embora sejam dedicadas ao outro blog, não podiam deixar de reflectir a "veia para o artesanato" da autora.
A foto de cima foi tirada em Chiangmae ( Tailândia), durante as festividades locais.
A foto de baixo, no Parque Flamengo ( Rio de Janeiro), foi tirada durante a Cimeira da Terra e retrata um dos muitos eventos do Forum Global, uma iniciativa das ONG que decorreu paralelamente à Cimeira.
Resta dizer que este blog tem link na coluna da direita e tem nome de fruto. Fácil, não é?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Crónicas do meu baú(6)

Repórteres de Verão
O Verão não traz apenas calor, férias e praia. Traz também incêndios e, com eles, notícias espantosas veiculadas por repórteres televisivos dotados de grande imaginação. Os jornais das 20 horas, da última terça- feira, foram pródigos em surpresas. Na RTP , uma ofegante ( apesar de estar parada) repórter dava notícias de um incêndio a lavrar na serra de Aire. Depois de enaltecer a acção dos bombeiros, invocou a providência divina que, aliada ao esforço dos bombeiros, “impediu que as chamas entrassem no distrito de Ourém”.
Desculpe lá, Ana Rita Freitas, mas essa de Ourém ter sido promovida a distrito deve ter sido milagre dos pastorinhos, ainda ufanos com a beatificação!
Melhor ainda esteve a TVI. Numa notícia sobre o incêndio em Castilla La Mancha ( imediatamente traduzido para Castela a Mancha!!!!) uma voz off , masculina, afirmava de forma peremptória, mas levemente emocionada: Próximo de Guadalajara , as chamas fizeram 11 mortos, todos voluntários...” .
Eu já sabia que em Espanha há gente para tudo, mas voluntários para a morte é que nunca me ocorrera!
Admito que as intervenções destes dois repórteres tenham sido fortemente influencidas pela conferência que Mark Kramer proferiu há dias na Escola Superior de Comunicação Social. Advogando que a crise do jornalismo de imprensa- sentida em todo o mundo- pode ser ultrapassada com uma forma de escrever que esteja mais perto dos leitores, Kramer defendeu a ideia de um jornalismo narrativo que “prenda” os leitores à notícia. .
Caramba, senhores repórteres, também não é preciso exagerar! Jornalismo narrativo não é sinónimo de “criativo” ou “inventivo”! Por isso, o melhor mesmo, é reconduzir Ourém à sua condição de concelho e esclarecer os espectadores de que os 11 mortos de Guadalajara eram efectivamente voluntários, mas apenas enquanto bombeiros! Tanto quanto julgo saber, voluntários para a morte, apenas alguns radicais da Al –Qaeda ou organizações similares. Pelo menos para já!....

( Em 2005, foi assim. Este ano, como será?)

Pelo país dos blogs(20)

" ...Se eu tiver vontade de chorar, faz com que chore um dilúvio, mas que tenha saído de casa sem pintar os olhos.Para cada dia triste, dá-me uma montra com sapatos lindos.
Já que nunca pedi milagres, faz com que as minhas rugas sejam bem discretas.
Dá-me saúde, tempo livre e silêncio...
E que nunca falte perfume na minha carteira"...

Um pequeníssimo excerto da oração de uma mulher que só pode estar muito bem com ela própria e com a vida.
Vale a pena ler o resto em " Um Quarto de Fadas"

Nuclear? Não, obrigado!

O mais importante da declaração de Vítor Constãncio não foi dizer que a crise ainda vai piorar, ou que o Governo não deve proceder a uma actualização de salários para compensar a perda de poder de compra dos portugueses. O que mais me arrepiou, foi a (quse) indiferença do Governador do Banco de Portugal ao afirmar que se deve ponderar a opção pela energia nuclear.
Constâncio junta a sua voz a Berlusconni e a alguns empresários que defendem o nuclear como solução para crise energética. É mais um a querer atirar-nos para um beco sem saída, onde acabaremos inevitavelmenet chamuscados.
Mais do que uma leviandade, a declaração de Constâncio confirma que há cada vez mais gente a pretender deixar aos filhos um planeta inabitável.

Previsões acertadas

Tinha previsto isto em Dezembro. Este sinal e esta declaração incomodaram muita gente. Às vezes preferia não ter razão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Conversas com o Papalagui (31)

- Parabéns! O Porto afinal vai à Champions, deves estar satisfeito...
- Fez-se justiça.
- Só isso? Não mandas uma das tuas farpas para quem andou a querer tramar o Porto?
- Já aprendi a ignorar os batoteiros que subiram na vida à custa de subornos e vêem no compadrio a forma de ultrapassar os obstáculos.
- Olha, mas trouxe-te um espelho para ofereceres àquele gajo que tu sabes...
- Já agora traz aí meia dúzia de Códigos Civis e Administrativos, para oferecer a uns tipos que tiraram cursos de direito por correspondência e ainda não perceberam a diferença entre uma toga e a camisola de uma equipa de futebol.
- Até te arranjo um guia dos bares de alterne para ofereceres a umas madames de Lisboa.
- É capaz de fazer jeito, para ver se elas descobrem por lá mais algumas pessoas da sua inteira confiança, que as ajudem a amenizar as suas frustrações pessoais.
- Sabes o que te digo?
- Diz lá...
- O ideal era a UEFA ter proibido a selecção e as equipas portuguesas de participarem nas competições europeias durante dois anos, para ver se todos ganhavam juízo!
- Não deixo de te dar alguma razão... Pelo menos, para ver se acabam de vez com os Abreus, os Pereiras e todos os que transformaram o futebol português numa choldra.

Corado de vergonha

Uma senhora de robe em cima do capot de uma viatura não é propriamente uma cena normal, salvo quando se trata de um anúncio publicitário.
Pensei que era disso que se tratava quando, há uns tempos, passando a horas temperanas pela 5 de Outubro vi aquele cenário. Assim que me aproximei, ao ver o aspecto desalinhado da senhora e o seu ar de desespero, lembrei-me logo de uma cena que o meu amigo Pedro Oliveira protagonizava com Ana Zannatti no filme “O Lugar do Morto” e alvitrei outra hipótese. Mas não podia ser. Não havia luzes, nem câmaras... apenas acção. Protagonistas, a referida senhora e um fulano de verde fardado, que não era jogador do Sporting, mas sim um fiscal da EMEL. Passava pouco das 8 da manhã e achei o espectáculo caricato. Abrandei o passo para ver se percebia o que se passava, sem me juntar ao grupo de mirones que entretanto se tinha postado a ver o filme sem ter que pagar bilhete. (Também não havia pipocas, nem coca –cola, nem arrotos). Alguns diálogos em surdina não se sobrepunham ao vociferar alterado da senhora que repetidamente dizia:
“ Só levam daqui o carro, se me levarem também”.
O indivíduo verde tentava, em vão acalmá-la. “Não posso fazer nada, minha senhora... Tenho que cumprir ordens. Acalme-se por favor...”
Quando vi que o carro estava bloqueado, fez-se luz. Comecei a escrever o argumento. “Uma senhora é acordada por alguém que a avisa de que estão a bloquear-lhe o carro. Salta da cama alterada, desce as escadas em correria louca e, temendo que lhe levassem o carro, precipita-se para cima dele, no intuito de impedir a concretização do nefando acto”.
Havia, porém, algo que não batia certo. O que levava um fiscal da EMEL a bloquear um carro às 8 da manhã? E o que fazia o reboque ali? Não é normal àquela hora...
Uma senhora de tailleur assertoado que entretanto chegara num BMW resolveu o enigma, quando se aproximou da senhora de roupão e disse em voz audível e ligeiramente alterada:
“ A senhora não paga a prestação do carro há seis meses. Avisámo-la várias vezes e a senhora ignorou sempre as nossas cartas. Não tivemos outro remédio.”
Percebi que, sem dar por isso, me juntara ao grupo de mirones. Corei de vergonha e estuguei o passo. Fiquei sem o fim da história. Paciência...

Dicionário do Rochedo (4)

Ambiente- Método de avaliação da saúde do planeta; pretexto para a realização de muitas reuniões internacionais onde os governantes se deslocam para confraternizar e concertar posições sobre as explicações a dar às populações, que justifiquem a razão porque insistem em adiar medidas que possam salvar o planeta; área que serve para os governantes mostrarem que se estão nas tintas para os pareceres de técnicos e cientistas; justificação para os partidos levarem mais alguns dos seus militantes para o Governo.

Problemas técnicos

Questões de natureza técnica levaram ontem à desordem total aqui do Rochedo. Impossibilidade de postar e responder a comentários, desaparecimento do contador, etc. Hoje creio que já está tudo normalizado e em breve a vida voltará à normalidade.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Uribe e Chavez

Tem sido curioso observar as reacções na blogosfera ao encontro entre Uribe e Chavez.
Já aqui manifestei a minha posição quanto a ambos e estou à vontade para escrever isto:
Chavez tem uma ideia para a América Latina e exprime-a de forma frontal, sem receio de ir contra o pensamento dominante e ser apelidado de louco ou novo Fidel.
Uribe tem como única ambição perpetuar-se no Poder, servir os americanos e defender os seus interesses no narcotráfico.
O encontro entre os dois serviu, acima de tudo, os interesses da Região mas, como o futuro em breve demonstrará, em termos pessoais Chavez saiu a ganhar.
Fico a aguardar, com curiosidade, as reacções daqueles que tanto criticaram Chavez por pretender alterar a Constituição para se poder recandidatar ( medida que na altura critiquei), quando Uribe fizer o mesmo na Colômbia - o que vai acontecer a breve prazo.
Nessa altura, talvez aqueles que tantas loas teceram à coragem de Uribe, em torno da libertação de Ingrid Bettencourt, percebam melhor a encenação.
Também aí me adiantei à concorrência, duvidando da "estória" que nos contaram. Ainda este fim de semana o DN avançava com hipóteses ainda mais "inaceitáveis" do que a que na altura aventei.

(In)felicidades

As duas senhoras sentaram-se no restaurante numa mesa paredes meias com a minha.
Uma delas pediu jaquinzinhos. O empregado disse que já tinham acabado e ela optou então pelas petingas.
Na altura da sobremesa, pediu uma maçã assada.
-Já acabou- respondeu o empregado
-Então traga-me uma tarte de amêndoa
Passados alguns minutos o empregado regressou para informar que a tarte de amêndoa também já acabara.
Entre consternada e resignada, a senhora exclamou:
- Se eu tivesse tido essa pontaria a escolher marido, tinha sido mais feliz.
Pim!

Conversas com o Papalagui (30)

- Eh pá, o mundo está a ficar perigoso...
- Então porquê?
- O Irão está a testar mísseis que podem alcançar Israel
- E os mísseis que Israel tem para atacar o Irão e todos os países vizinhos não são perigosos?

Dicionário do Rochedo (3)

Airbag- instrumento destinado acriar mais segurança ao condutor de um automóvel e seus acompanhantes, em caso de acidente provocado pela distracção de quem gosta de falar ao telemóvel enquanto conduz .

domingo, 13 de julho de 2008

Quem não quer ser lobo...

Eu comprendo que os administradores da Galp não gostem de ser vistos pela opinião pública como ladrões e pessoalmente não os considero como tal. Agora que há coisas mal explicadas em relação aos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis, não tenho dúvidas.
Aconselho por isso os senhores da Galp a esclarecer os portugueses acerca das razões que fizeram disparar os preços.
À guisa de ajuda, aqui deixo algumas questões que muito gostaria, como cidadão, de ver esclarecidas:
1- Quantas vezes aumentaram este ano os combustíveis nos países da UE ( para maior facilidade, proponho a comparação na UE a 15) desde Janeiro?;
2- Qual o montante dos aumentos em cada um desses países ? ( só como exemplo: em França, em Junho, a gasolina sem chumbo 95 comprava-se, sem grande dificuldade, a 1,43€, embora alguns distribuidores, como a Total e a ESSO a vendessem a 1,58/1,59€, mas só nas auto-estradas. Nas estradas nacionais e municipais o preço era inferior.
Já em Espanha, em Maio, a mesma gasolina custava 1, 215€ e no início de Julho, 1, 249.
Nesse mesmo período, em Portugal a gasolina sem chumbo 95 , na Galp, subiu de 1, 45 para 1,529€!)
3- Porque razão noutros países da UE os preços de um mesmo distribuidor variam nas várias regiões do país e em Portugal são uniformes de Norte a Sul?
Podia continuar... mas se os senhores da Galp responderem satisfatoriamente a estas três questões, prometo deixar de duvidar da legitimidade da subida de preços dos combustíveis em Portugal. Caso contrário, apenas digo como o povo: "Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele."

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Discursos de Salazar (2)- O estado da Nação


Portugueses!
Realizou-se ontem na Assembleia Nacional ( que os bolcheviques baptizaram de Assembleia da República) o debate sobre o Estado da Nação. Não compreendo, nem aceito muito bem, a necessidade de fazer esses debates. No meu tempo eu sabia sempre como estava a Nação, não precisava de discutir isso com os portugueses. Estes governantes, agora, são muito inseguros...
Claro que a Nação não está grande coisa. Está mesmo muito pior do que no meu tempo, por culpa do Marcelo que não fez nada do que eu lhe disse e deixou que os comunistas tomassem conta do país.
Não fosse aquela maldita cadeira que a Pulquéria debicou até ao tutano, provocando a minha queda ( eu sempre avisei a Maria que galinhas só nos jardins de S. Bento, mas ela era teimosa como um diabo e não me dava ouvidos...) e Angola ainda seria nossa. Perdemos as nossas colónias e fomos meter-nos com os europeus que não são gente nada recomendável, desde que os meus amigos Hitler, Mussolini e o trolaró do Franco deixaram o poder. Neles, podíamos confiar, mas estes são gente sem pulso e firmeza, que se deixou embalar pelo canto seráfico da democracia. O resultado está à vista...
A justiça é um pandemónio ( quando é que no meu tempo o Vale e Azevedo tinha fugido para Londres? E acham que os pais daquela menina que desapareceu no Algarve estariam agora a rir-se da polícia portuguesa se eu ainda mandasse em Portugal? A PIDE haveria de descobrir a verdade); a educação nem se fala! Quem os mandou pôr mulheres a dirigir o Ministério da Educação? As mulheres devem ficar em casa a aprender as artes digníssimas da costura e da culinária, a tratar dos filhos e a confortar os maridos que chegam a casa cansados depois de cumprirem o seu dever de servir o país. O dever delas para com a Pátria é garantir que os homens estejam sempre felizes e bem tratados, para melhor servirem Portugal.
O que mais me impressionou foi ouvir falar de pobreza. No meu tempo isso não existia. Havia sempre um caldito e um bocadito de pão seco com toucinho para todos. Mas também me quer parecer – e digo-o porque como os portugueses sabem, sempre fui um homem justo- que os portugueses estão mas é mal habituados. Já viram tantos automóveis? E para que é que precisam de andar com os telefones na mão? Não lhes chega terem telefone em casa? Isto para já não falar daqueles jovens que andam sempre com uns fios agarrados à cabeça . Parece que andam a fazer electroencefalogramas como os epilépticos. Que falta lhes faz a boa educação da Mocidade Portuguesa!
Bem, mas a verdade é que a Nação já esteve pior. Desde que está lá este rapaz, o Sócrates, as coisas andam melhor. Apesar de ser ainda novito, o rapaz tem pulso, tem convicções e é firme. Malha nos trabalhadores e enaltece os patrões. Gosto dele. Dizem que ele é socialista, mas eu não acredito. Era lá possível um socialista pôr os marçanos na ordem e dignificar o trabalho digno de quem lhes dá de comer empregando-os nas suas fábricas e empresas!

O actual sr.Primeiro Ministro, sem ter a escola da humildade que eu sempre cultivei, é um homem bem formado que até poderia refundar a União Nacional, se para tal lhe não faltasse a formação de base da Mocidade Portuguesa. Claro que para o fazer, teria que se desenvencilhar daquela senhora Ferreira Leite, porque a política, como já disse, não é lugar apropriado para as mulheres.
Eu sei que há muitos portugueses - instigados pelos comunistas e pelos jornais ( que falta faz a Censura!!!)- que andam por aí a dizer que o meu sucessor é aquele fedelho do Portas. São calúnias, para me denegrir! Acham que eu gostava de ver o país entregue àquele miúdo que gastou um dinheirão a lavar os dentes? E o dinheiro que ele gasta naquelas fatiotas? Chegavam-lhe muito bem dois pares de ceroulas. Eu não gosto de quem desperdiça dinheiro. Por isso é que aprecio o dr. Teixeira dos Santos... está a mostrar aos portugueses que o trabalho dignifica, cultiva o espírito e salva as almas. Os portugueses não devem exigir grandes salários, mas sim estar agradecidos por ter dinheiro para uma sopinha diária e para pagar as contribuições- esse sim , o dever de qualquer patriota.
Os portugueses reclamam muito da saúde. Sem razão, diga-se. Os portugueses não podem exigir esse luxo de terem sempre um médico à sua disposição quando estão doentes. Vou, por isso, dar um conselho ao engº Sócrates ( não é nome para um sr. Primeiro –Ministro, por mim chamavam-se todos Antónios...): dê-lhes com a PIDE ! Aqueles homens generosos e amantes da Pátria tratam da saúde dos portugueses num instante!



A Bem da Nação

Dicionário do Rochedo (2)

Arrumador ( ver tb moedinhas)- Indivíduo que anda à procura de condutores, para os obrigar a estacionar o carro num local onde o condutor não quer, ou que já enxergou antes de ver o moedinhas.
O nome destes arrumadores deriva de moeda, objecto que o condutor é obrigado a dar-lhe, em troca da garantia de que o seu carro não será riscado.
Trata-se de um negócio próspero, a avaliar pelo número de “moedinhas” que já usam telemóvel e MP3 ou i-pod