sexta-feira, 27 de junho de 2008

Paella e depois... ripanço


Amanhã vou aqui comer uma paella. Depois, mais umas centenas de quilómetros para uma semanita de férias naquela fotografia. Agora vão ser férias a sério. Muita água, mas pouca praia.

A praia no Verão faz-me lembrar o Metro, mas em versão descapotável!

"Nos entretantos", espero poder comemorar a vitória da Espanha no Euro - 2008. Espero não lhes dar azar! O pior de tudo vai ser aturar os alemães. Quer ganhem, quer percam, vão embebedar-se...

Rochedo das Memórias 61- Esperando o "bug" às portas do Paraíso

Foto roubada na Internet

No último ano da década o FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes... inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão euro.
Os moedinhas já andam de telemóvel e as taxas de juro vão subir. Começa a falar-se de “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as cosas não correrem bem no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”.
Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, um provérbio antigo corre de boca em boca: "Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.

A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem . Preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê.

.....
Viu-se. Ainda não terminou a primeira década do século XXI, mas muitas das previsões já se confirmaram. O preço da gasolina está imparável, a Europa social regressou ao século XVIII, os alimentos escasseiam, para delírio dos especuladores.
A Igreja – que levou 50 anos a perceber que os males do mundo não estavam nos salões de dança, proclama que poluir é pecado. Tarde piáste! O mundo está de pantanas a contorcer-se com convulsões sociais, o aquecimento global e catástrofes naturais. O degelo já é uma realidade de consequências imprevisíveis, mas “ no passa nada”.
Por cá as lamentações do costume. Alapados em automóveis, os terráqueos lusos vão falando ao telemóvel, discutindo tacadas nos sobreiros em Benavente, a destruição da costa alentejana e o crescimento imparável de países como a China e a Índia.
A vida está má? Não parece...em Portugal só se pensa que o melhor é ir consumindo, porque já não há volta a dar-lhe. E lá volta a sabedoria popular a animar o tuga “ Morra Marta, morra farta” .
Será que vão ser felizes para sempre?

Adenda: o Rochedo das Memórias não acaba aqui. Digo mais... agora é que vai verdadeiramente começar.

Y Viva España!!!!

Atrasado, por razões óbvias, mas não deixo de me congratular com a passagem da Espanha à final. Domingo estarei em Espanha e espero que ganhem à Alemanha, para festejar com eles. Ainda bem que Scolari não soube derrotar a Alemanha. Já imaginaram se a final era Portugal- Espanha e Portugal gnhava? Punham-me veneno nos "churros" pela certa!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Onze Minutos"

foto roubada na Internet

Não, não vou falar daquele livro do Paulo Coelho em que a protagonista é uma miúda que foi para Genève, porque acreditava que ganhar a vida na horizontal entre um abrir e fechar de pernas era “fixe”.
O título deste post reproduz um facto real, que ocorre na minha vida, e por vezes me provoca mais incómodos e transtornos do que à protagonista de Paulo Coelho, que ganha a vida em Genéve entre um bar de alterne e quartos de pensões esconsas. ( Se lerem até ao fim, verão que a minha estória, tem um final feliz...)
Acreditem ou não, onze minutos é o tempo que dura a viagem de metropolitano entre minha casa e o meu gabinete de trabalho. O tempo exacto que demora Maria ( na versão de Paulo Coelho) a abrir e fechar as pernas, a troco de umas centenas de francos suíços.
Nesse tempo que dura a minha viagem - cronometrei várias vezes e deu sempre certo- não ganho um chavo ( isso fica para os ceguinhos que andam a pedir esmola entre ladainhas e toques de acordeão, ou para crianças-mendigas acompanhadas de cãezinhos amestrados) , mas passo momentos tão desagradáveis como os da Maria.
Não levo com nenhum gajo em cima a arfar , é certo, mas ...ouço conversas indiscretas; aturo telemóveis a tocar; levo com jovens generosos que colocam os i-pod nos ouvidos em altos berros, para que os vizinhos possam partilhar a sua música; senhoras com carteiras gigantescas que a meio da viagem decidem procurar um qualquer objecto no meio da bagunçada que deve ser aquele espaço; jovens de mochila às costas que se esquecem que não viajam sozinhos e a cada movimento que fazem atingem o vizinho; crianças romenas ranhosas a pedir esmola; crianças portuguesas a fazer birras, perante o ar complacente das mamãs; ucranianas de decotes generosos e saias justas a fazer lembrar a Maria; sovacos suados a pedir uns esguichos de desodorizante... enfim, uma parafernália de protagonistas que confundem uma viagem de metropolitano com o sofá da sala, onde se esparramam diante do televisor a ver um filme, enquanto comem pipocas e libertam fluidos.
No verão, quando pernoito em Lisboa, costumo fazer o trajecto a pé, mas hoje estava atrasado para mais uma daquelas sessões do Portugal Sentado* e por isso vim de metro.
A viagem começou mal. Logo na Quinta das Conchas, senta-se ao meu lado um fulano, na casa dos 50 e muitos , artilhado com i-pod de onde saía, em doses generosas de decibéis, música dos MetalliKa!!! Em pé, junto a mim, um jovem ouvia música que não consegui identificar. Levantei os olhos do jornal, na busca de um lugar mais sossegado. Reparei que vários jovens iam de auscultadores enfiados nos ouvidos, outros faziam exercícios físicos, ginasticando os dedos em teclas de telemóveis e outros acumulavam as duas funções. Havia também gente com olhar distante e algumas jovens lendo livros.
Fiquei onde estava. Entre o Campo Grande e Entre Campos, começou o recital dos telemóveis a tocar. Fim de concentração na leitura. Senhoras a remexer nas carteiras à procura do aparelho e, depois, as conversas. Uma senhora dizia em altos berros ( para a filha, presumo) o que devia fazer para o almoço; outra, mesmo em frente a mim, telefonava para a empresa a dizer que estava atrasada, porque a camioneta que a devia ter trazido até ao Campo Grande avariara; um jovem mandava beijinhos sonoros ( presumo que à namorada, mas nos tempos que correm nunca se sabe...); outro, nervoso, anunciava à mãe que ia ter com ela ao local de trabalho porque “20 euros para almoçar e ir ao cinema não dá para nada, mãe!”.
Já em Entre Campos o ceguinho - que pessoa amiga afiança ter encontrado a passar férias no ALLGARVE- irrompeu pela minha carruagem na sua lenga-lenga quase milenar. A escassos metros, seguia uma velhota, que conheço há anos, exibindo uma receita. Pede, também há anos, que os passageiros comparticipem em despesas que deveriam ser suportadas pelo Estado.
Chegámos finalmente ao Saldanha. Já não posso mais...
Estou na fila para passar a cancela onde devo colocar o passe a oscular a célula fotoelectrica . Vai chegar a minha vez. O Portugal Sentado* espera por mim. À minha frente só há uma senhora. De súbito, uma “murraça” no olho direito. A senhora à minha frente trazia o seu passe na carteira e, para o ir buscar, lançou inadvertidamente a carteira para trás, levando uma daquelas peças metálicas a atingir-me com violência.
É então que me lembro dos “Onze Minutos”. Fico na dúvida. Afinal, Maria é capaz de ter razão. Aguentar cenas destas todos os dias, e ainda ter de pagar por cima, é capaz de ser mais doloroso do que apanhar com um gajo em cima a arfar, a troco de umas centenas de francos suíços.
Garanto que não vou tirar a prova, mas que fiquei a pensar na Maria, lá isso fiquei.
O olho direito, infllamado, ainda me dói! A imagem de aflição da senhora e os sucessivos pedidos de desculpas, não me aliviam a dor.
Logo à noite, quando for jantar com ela, talvez a dor passe...

* Para quem não saiba o que é o Portugal Sentado: ler aqui e aqui
Em tempo: um simpático anónimo chamou-me a atenção, por isso quero dizer a todos que faltam as aspas em estória. Assim: "estória" . Não foi erro, foi de propósito, entendem?

Rochedo das Memórias 60- "Foi bonita a festa, pá!"


Em 1998 só dá Portugal. O país está na moda. A cidade do Porto serve de anfitriã à Cimeira Ibero-Americana e recebe a notícia de que em 2001 será capital Europeia da Cultura. A zona ribeirinha é considerada Património Mundial e, para cúmulo, o F.C. Porto sagra-se tetracampeão. Foi S. João o ano inteiro na Invicta.
Em Lisboa, poucas semanas antes da inauguração da Vasco da Gama, um detergente decide promover a sua imagem oferecendo uma feijoada a 15 mil convivas, em cima do tabuleiro da nova ponte. O evento entra para o Guiness, nas vésperas de abertura da EXPO. Não vêm tantos visitantes como os inicialmente esperados, mas quem não veio não sabe o que perdeu. Lisboa está linda e a última exposição do século foi um espanto.
Para terminar da melhor maneira o ano, José Saramago recebe o Prémio Nobel da Literatura.
A realidade virtual chega aos brinquedos. A vedeta é o tamagotchi, mas já se anuncia a pequena órfã Kimiko, os digimonsters e as namoradas virtuais. A bem da sociedade de consumo, as "alcopops" entram nos hábitos dos consumidores mais jovens e o Ecstasy torna-se um complemento de todas as noites.
Contra o trabalho infantil, realiza-se uma grande marcha que percorre os cinco continentes e termina em Genève, à porta da OIT. Entretanto, em Bruxelas, o Tribunal Permanente dos Povos acusa empresas como a C&A, Adidas, Nike, e Walt Disney, de violarem os direitos dos trabalhadores. Horários de trabalho excessivos, remunerações inferiores ao nível de subsistência e condições laborais deficientes, aviltantes da dignidade humana, são algumas das acusações.
O ano finaliza com um fracasso ao ritmo do tango. Em Buenos Aires, na Cimeira sobre o clima, foram mais uma vez adiadas medidas de fundo para salvar o Planeta. Paulatinamente vamo-nos autodestruindo, mas Gardel não tem culpa.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A pedrada do dia*

Manuela Ferreira Leite manifestou a sua solidariedade com os desfavorecidos e teve uma palavra especial de consolo para os funcionários públicos.
A D. Manuela deve andar a precisar de ler o “Rochedo das Memórias”! Já se esqueceu que foi ela quem iniciou a saga persecutória contra os funcionários públicos e lhes congelou os salários? Um dia destes ainda vem insurgir-se contra quem chamou aos jovens “geração rasca” ( eu sei que o original não lhe pertence, mas ela utilizou-o).
A líder do PSD disse que as obras públicas programadas pelo Governo são “um colossal erro político”.
Não disse quais- a D. Manuela primeiro diz as coisas e só depois pensa nelas- mas basta lembrar que Durão Barroso disse um dia que “ nem mais um quilómetro de estrada, nem aeroporto, nem TGV enquanto houver uma criança em listas de espera” e depois foi o que se viu. Não só voltou atrás, como se pirou para a UE, deixando o país entregue a um “naïf” que passou o tempo todo a queixar-se de ser mal tratado na incubadora.
Todos sabemos que o objectivo de Manuela Ferreira Leite não é ser líder do PSD , nem roubar o lugar a Sócrates, mas sim colocar-se na linha de sucessão de Cavaco. Mas, para isso, não lhe basta ser um Durão Barroso de saias.
* sem raiva, mas com memória

Pelo país dos blogs ( 14)

"... O "directo" do dr. Vale e Azevedo valeu seguramente por cinquenta colóquios e cem perorações inúteis sobre a justiça portuguesa porque a revelou. Não se viu nos seus olhos nem ressumou da sua boca qualquer sinal de impotência. Pelo contrário, os dois responsáveis pela justiça em Portugal - um político e o outro pela investigação - é que pareciam dois incrédulos amadores postos em sentido pela luxuosa "vítima". A culpa é dele?"

Leiam o resto In " Portugal dos Pequeninos" ( com link na coluna da direita). Assino por baixo.

Não à Indiferença!

Há coisas que revoltam e nos deixam desesperados pela impotência em lutar contra elas. Não é este o caso.

Cada um de nós pode fazer alguma coisa. Cada um de nós tem obrigação de denunciar esta situação. Cada um de nós tem o dever de perguntar, a quem de direito, a razão porque acontecem estas coisas. Cada um de nós tem o dever de exigir das seguradoras respeito e tratamento igual para todos os cidadãos. Cada um de nós tem o dever de exigir ao Estado que obrigue as seguradoras a serem empresas de bem. Nenhum de nós pode ficar indiferente!

Por isso, pergunto: para que servem os relatórios de responsabilidade social, em empresas com este tipo de comportamento?

Adenda: parabéns ao Corta-fitas que, mais uma vez, mostrou que a blogoesfera ( ou o blogobairro, como preferirem) também é um espaço de soliadriedade.

The good, the bad, and the ugly

Pedro Santana Lopes reclama ética na política;
João Vale e Azevedo pretende ética na justiça;
Luís Filipe Vieira proclama-se o paladino da ética no desporto.
Com estes exemplos queriam que o país estivesse melhor?

Rochedo das Memórias 59- O último conto de Fadas


1997:Assim se reescreve um conto de fadas. Era uma vez uma princesa que trocou o seu príncipe encantado por um plebeu... e não foram felizes para sempre! Sob um túnel de Paris encontraram a morte e o povo saiu à rua para a chorar. Diana entra na lenda pela porta errada dos contos de fadas. Dando a volta ao argumento, que desta vez não teve um final feliz.
Meses antes Hong- Kong voltara a ser da China. O "El Niño" passou o ano a fazer das suas, ateando fogos aqui e provocando inundações acolá.
No final do ano, em Santiago do Chile, reúnem-se organizações de consumidores de todo o Mundo para o último Congresso do século. Não faz sentido falar de globalização, quando as assimetrias entre os consumidores dos países ricos e pobres são gritantes. Em debate estão os grandes desafios do século XXI: os info excluídos, os alimentos transgénicos, o consumo ético, o acesso à justiça., o crédito ao consumo e o consumo sustentável.
No mundo da música elas é que mandam. São as "Spice Girls". A Internacional consumista é injusta... já ninguém se lembra das "Doce".
Na televisão, a SIC distribui os Globos de Ouro, mas quem os leva para casa é a RTP. Para que servem as audiometrias?
O sudeste asiático abala as Bolsas ocidentais, mas em Portugal ninguém se importa e as acções da EDP são disputadas quase a murro.
O café das manhãs de sábado sabe melhor, agora que apareceu o DNA, um suplemento do Diário de Notícias que é um prazer ler e saborear.
A sociedade de consumo tem um novo produto para venda: a máquina fotográfica digital. Adeus álbuns de fotografias, olá disquette! E a festa faz-se numa nova catedral. Chama-se Colombo e reclama ser o maior da Europa. Dança-se a "Valsa Lenta" em "Jardins Proibidos". O que nos está a fazer falta é "Um Paciente Inglês"...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pelo país dos blogs (13)

A minha amiga Patrícia Fonseca, jornalista da Visão, dá uma informação preciosa no seu blog -
blogkiosk ( de que aqui faço um resumo)

Propublica - um projecto americano na blogosfera, nasceu há duas semanas sob o lema «journalism in the public interest» e é um projecto de carácter filantrópico, que promete oferecer material de excelência aos jornais e revistas que entendam publicá-los. O site do projecto funciona também como agregador de notícias e reportagens escolhidas a dedo e tem uma categoria inovadora que promete dar que falar: o «Scandal Watch».
Uma excelente notícia para todos os jornalistas que (ainda) se interessam pela investigação e que a Patrícia, apesar de estar actualmente nos Estados Unidos, fez o favor de divulgar.
Obrigado e volta depressa!

Crónicas do meu baú (3)

São cada vez mais os portugueses a aderir à colocação de publicidade nos seus automóveis a troco de alguns euros mensais ( afiançam-me que a lista de espera atinge os milhares).
Ontem à noite, enquanto bebia um copo na 24 de Julho, ocorreu-me esta “Reportagem Imaginária”, cujo título poderia muito bem ser:
"VIOLENTO ACIDENTE NA 24 DE JULHO- DONUTS ESMAGAM CUTTY SARK!"
Violento acidente ocorreu a noite passada, quando um Donuts, que tentava ultrapassar um Super Bock, embateu num Cutty Sark que circulava em sentido contrário. Segundo um Pepsodent, que no momento circulava no local, o acidente ficou a dever-se ao excesso de velocidade do Donuts que não conseguiu controlar o veículo, mas opinião diferente foi avançada por um Mac Donalds que afirma que o Cutty Sark circulava fora da sua faixa de rodagem, talvez distraído com a presença de um Pizza Hut de onde saíam duas jovens em vestuário estival.
Do acidente, apenas há a lamentar prejuízos materiais que resultaram na destruição de 6 Donuts e 4 garrafas de Cutty Sark, enquanto as Super Bocks (de lata) apenas sofreram ligeiras amolgadelas.
À nossa reportagem, o Pepsodent confirmou ter ficado encandeado, depois de lavar os dentes a Paulo Portas.
Entretanto, ao que apurámos, as autoridades procederam ao teste do balão, tendo verificado que apenas o Superbock apresentava um grau de alcoolemia superior ao permitido por lei.
Fonte da brigada da GNR no local manifestou estranheza porque- afirmou- “tratava-se de um “Superbock sem álcool”.

Verdades (in)convenientes

Tal como os questionários de Proust que pululam no Verão, há notícias enganosas que de forma cíclica saltam para a comunicação social, sem que se perceba muito bem porquê.
Uma delas garante que Portugal é o país com mais feriados. Já por várias vezes( incluindo aqui ) desmenti a notícia a que o “Expresso” deu relevo pelo menos três vezes e não vou bater mais no ceguinho.
Outra tem a ver com o número de funcionários públicos. Em 2004, durante o curto (des)governo de Durão Barroso, dei-me ao trabalho de fazer um estudo comparativo que demonstrava que não era verdade que Portugal fosse o país com maior número de funcionários públicos ( em termos percentuais). Tentei publicar em pelo menos três jornais, mas nenhum deles mostrou interesse. Não sei se por duvidarem da veracidade do estudo, se por colocar em causa a estratégia do governo para a reforma da Administração Pública.
Acabei por publicar excertos do trabalho no site do Clube de Jornalistas. Sem ecos, o que não me admirou.
Ontem, ao ler o DN, deparo no topo da primeira página com a seguinte notícia:
“ Portugal em 10º lugar na UE em funcionários”.
Apesar de já ter chegado a essa conclusão há três anos, fui ler.
A notícia baseia-se num estudo realizado pela CGTP, que desmistifica outras ideias feitas quanto à função pública.
O DN nem precisava de ter esperado pelo estudo da CGTP. Bastava ter ido ao site da Direcção Geral da Administração Pública e teria deparado com um estudo que desmente o que tem vindo a ser afirmado desde os tempos da Drª Manuela Ferreira Leite, pelos sucessivos governos.
Seguindo a teoria de Goebbels, alguns assessores de imprensa do governo têm vindo a passar para a comunicação social dados que não correspondem aos estudos feitos pelo próprio governo. Isto dá que pensar, mas como desde 2004 que já tirei as minhas conclusões, outros que gastem os neurónios a tentar perceber porque é que isto se passa. Se tiverem algum interesse nisso, claro!

Coisas do Sebastião (5)

Ligue as pontas e tire as suas conclusões...
1- A maior parte das reservas de sementes a nível mundial é controlada por 20 multinacionais que detêm 90% da comercialização de pesticidas;
2- Na última década, 25% dos pesticidas exportados pelas multinacionais americanas eram produtos químicos proibidos, não registados, ou retirados do mercado... nos Estados Unidos;
3- As actividades das multinacionais são responsáveis pela emissão de mais de metade dos gases causadores do efeito de estufa, controlando 50% da extracção e refinaria de petróleo e idêntica percentagem de extracção, refinaria e comercialização de gás e carvão;
4- Os países em desenvolvimento são responsáveis pela produção de 96% dos resíduos radioactivos e 90% dos clorofluorcarbonetos;
5- Os resíduos radioactivos e os clorofluorcarbonetos são os grandes responsáveis pela destruição da camada de ozono.
Simples, não é?

Rochedo das Memórias 58- "Tou Xim?"- "É o bicho, é o bicho"

Estamos em Portugal, no ano de 1995, e a música de Vangelis ecoa pelo País. Consta que algumas coisas vão mudar lá para o final do ano. "É o Bicho é o Bicho"- afirma Iran Costa.
Lá por fora, impulsionada pelo êxito do livro de Susana Tamaro, "Vai Onde Te Leva o Coração", a Princesa Diana confessa-se à BBC. Audiências a subir... na moda é tempo de wonderbra . Há muita gente a arfar... Mas não são os amantes da informática, porque para eles o progresso chama-se Windows 95 e nem dão por isso. Em Nova Iorque as lojas de computadores oferecem pizzas aos compradores do novo sistema e em Londres, a Microsoft paga uma edição gratuita da Times. É a publicidade à escala global.
Um mês após ter sido votada na ONU a proibição de testes nucleares, milhares de pessoas saem à rua no Japão, Nova Zelândia e Austrália, em sinal de protesto contra o ensaio que a França prepara no atol de Muroroa.
Estamos em 1996 e agora já ninguém esconde: a doença das vacas loucas não é invenção. O Homem conseguiu alterar a Natureza. Para pior. Valha-nos a esperança de ter sido descoberta vida em Marte. Se não coubermos todos na Lua, pode ser uma boa opção.A carne de vaca britânica é embargada e mais tarde o mesmo sucederá à portuguesa. Adeus "iscas com elas". Entretanto, em Hong Kong, as galinhas acordam com gripe.
Um conto de fadas chega ao fim: Carlos e Diana divorciam-se. Em 69, o Ocidente dançava aos som de Hellen Shapiro e "Hello Dolly"; em 96 Dolly é nome de ovelha, cujo nascimento permanecerá em segredo até ao próximo ano . Trata-se de um clone concebido sem pecado, mas parte da comunidade científica não vê a clonagem com bons olhos.
O prémio Nobel da Paz fala português: Ximenes Belo e Ramos Horta são os escolhidos.
Em Portugal a "Festa do Consumo " causa estragos. Hipermercados passam a fechar ao domingo à tarde. Mas a Bolsa volta a animar-se. O Rendimento Mínimo está garantido.
"Tou -xim?" É p'ra dizer que acaba de ganhar um prémio! A saga dos telemóveis combina-se com a praga dos vendedores de cartões de férias.
O país é um hipermercado publicitário onde se vendem ilusões de prémios por carta, pelo telefone, ou pela televisão. Os Serviços de Telecomunicações deValor Acrescentado servem para tudo e oferecem de tudo. De sexo a simples brincadeiras para crianças. As contas telefónicas arrasam as bolsas de muitos consumidores. "Querido pai, querida mãe , então que tal?" Não haverá quem ponha mão nisto? Houve. Braveheart.Um sucesso de bilheteira.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Ó patego! Olhó balão...


Esteja onde estiver, nunca me esqueço da noite de S. João. Como um relógio suíço, a memória avisa-me da data e lá estou eu a recordar episódios vividos durante aquela noite.
Nunca fui grande folião. Em miúdo ia até à Baixa portuense, mais arrastado pela vontade dos amigos do que por iniciativa própria. Nunca gostei muito de confusões e mesmo nas minhas idas ao Estádio das Antas ficava sempre num camarote de família.
Lembro-me que a primeira vez que fiz, de alho porro na mão, o outrora obrigatório percurso Santa Catarina, Santo António, Sá da Bandeira, Av dos Aliados e outra vez Santa Catarina, Praça da Batalha, Alexandre Herculano para terminar nas Fontainhas, passei uma semana a sentir o cheiro que me impregnava as entranhas. Depois vieram os malfadados martelinhos e, para além do cheiro, passei a ter outra preocupação: livrar-me dos zumbidos que me atazanavam os tímpanos!
“Malgré tout”, a noite de S. João permanece na minha memória como um álbum de recordações inolvidáveis. São tantos os episódios vividos naquela noite, que dariam para escrever um livro de memórias.
Poupo-vos à descrição. Não resisto, porém, a relembrar a imagem que todos os anos regressa neste dia.
O meu maior prazer, em noites de S. João, era ir com os meus irmãos e alguns amigos para o jardim de minha casa, logo que o sol se punha, lançar balões. Assim que o primeiro começava a subir, ficava a seguir-lhe o rasto até desaparecer. Depois, punha-me a imaginar o seu destino. Como se eu próprio viajasse dentro de cada um dos balões que lançávamos, imaginava mil viagens por cumprir.
Muitas delas, cumpri-as mais tarde. Até destinos que nenhum balão de S. João poderia alcançar. Só a minha imaginação e o meu amor, desde pequenino, à Geografia e à História justificavam esta postura. (Ao contrário da maioria dos miúdos, nunca achei chato ter que decorar o percurso dos rios e seus afluentes, as linhas de combóio e os seus ramais. Porque eu não decorava, limitava-me a viajar com eles).
O S. João é talvez responsável por esta minha vida de andarilho, tantas vezes lhe recitei estas quadras - que fiz aos 8 ou 9 anos- , sempre que via um balão no ar:

“Oh meu rico S. João
Pode ser que esteja errado
Mas aquilo que mais queria
Era ir para outro lado.

São João, meu bom barqueiro,
De barco não quero ir
Dá-me um balão ligeiro
Para ao céu poder subir.

São João gostava tanto
De num balão poder subir
Não me deixes em pranto
Vá lá, deixa-me ir”

( Vá lá, façam um esforço e não riam. Eu era uma criança, caramba!)

....
As noites de S. João são hoje diferentes. Menos gente na Baixa, mais festas em bairros, mais artefactos ( muitos deles “made in China”) a acompanhar o alho porro.
A última vez que passei uma noite de S. João no Porto foi no ano em que lá estiveram Xanana Gusmão e Jorge Sampaio. Levei uns amigos lisboetas que nunca lá tinham estado e adoraram. Como eu, em miúdo, ficavam de olhos postos no céu a olhar para os balões, enquanto eram mimoseados com vassouradas de alho porro e marretadas de martelinhos. Foi uma noite como as de antigamente, com farra até às 6 da manhã e regresso a pé desde a Ribeira até às Antas ( com uma pausa para comer um cabritinho, pois claro!).
Desde então, estes meus amigos nunca mais voltaram a pôr os pés numa noite de Santo António.

Ainda um dia destes me telefonaram a perguntar se não queria ir com eles ao Porto, passar a noite de S. João. Tiraram dois dias de férias e vão com mais alguns amigos, a quem pegaram o “bichinho”, divertir-se até ao Porto.
Fico feliz por eles, mas estou em crer que no próximo ano vão mudar de ares. Inadvertidamente disse-lhes que há dois anos passei a noite de 23 de Junho numa praia espanhola (ainda bastante desconhecida, mas para dar uma ajuda sempre digo que faz parte das denominadas praias de Granada).
Ali também se comemora o S. João, com balões e tudo. Às onze da noite consegui, com a ajuda de uma simpática recepcionista do hoel, arranjar um balão. Há muitos anos que não lançava um balão. Eram centenas a cortar a noite estrelada, mas escura. Só deixei de seguir o meu, quando se perdeu no horizonte longínquo.

Só que, meus amigos, noite de S. João como a do Porto, não há em lado nenhum do Mundo!!!

Rochedo das Memórias 57- "Não posso mais..."

Em 1994 o computador mostra a sua força e derrota o campeão do Mundo de xadrez Kasparov. Anos mais tarde, dando sinais que não digeriu a derrota, Kasparov irá desafiar Putin. Nova derrota, demonstra que os ídolos também se abatem.
Em Portugal Lisboa é capital Europeia da Cultura e vêem-se os primeiros sinais da EXPO -98: começam as demolições.
A TV Pimba assenta arraiais com "Perdoa-me", "Cenas de um Casamento" e "All you Need is Love". A RTP , em vez de estar quieta, contra-ataca no mesmo estilo.
De Foz Côa vem a surpresa: gravuras pré-históricas são descobertas e ... era uma vez uma barragem.
Os telefones eróticos atacam em força, as vendas por correspondência são uma praga, o “time share” uma alienação, a publicidade entra em nossas casa sem pedir licença, os hipermercados crescem como cogumelos, os desportos radicais assentam praça. Em cada esquina há um moedinhas, uma caixa multibanco e um cócó de cão. Pedro Abrunhosa interpreta o sentir dos portugueses cantando "Não Posso Mais".
Depois das auto estradas de betão, entramos , em 95, na era das auto estradas da informação. Mas nestas não andamos: navegamos ou "surfamos" sem pagar portagem. A conta vem ao fim do mês, como a dos telefones eróticos. Chega o porta- moedas electrónico e a TV por cabo, vai-se às Docas de patins em linha, e quem nos traz as cartas é "O Carteiro de Pablo Neruda".
O muito chorado Monumental reabre as suas portas transformado em Centro Comercial. A sociedadde de consumo celebra mais uma vitória…
Cada um tem o seu PC , os cartões de visita passam a incluir fax e e-mail. E toda a gente nos quer levar coisas a casa. Da Telepizza à comida chinesa, passando por refeições completas, incluindo serviço e guardanapos, tudo é possível obter através do telefone. O trânsito vai aumentar na hora de ponta de fim de tarde e as motoretas da Telepizza passam a ser referenciadas como perigo público.

Pelo país dos blogs (12)

Há cada vez mais blogs que me presenteiam pela manhã com música francesa. Deliro! A música francesa ( seja actual ou do passado) é, para mim, a música do Verão. Um dia vou explicar porquê e talvez aproveite para fazer uma menção especial a todos os que me alegram as manhãs. Obrigado! Agora vou trabalhar... enquanto ouço Natasha Saint Pier e Berry ( uma descoberta que fiz durante a minha estadia em terras de Sarkozy).

Quem quiser ouvir " Le Bonheur" é so clicar aqui. Sejam felizes também!

Pelo país dos blogs ( 11)

"...Manuela Ferreira Leite chega à liderança do PSD de mão dada com a chatice e a maçada, zangada com o mundo mediático que a acolhe e no qual vai ter de viver (contrariada, é bom de ver), e focada num discurso onde a cada passo parece chamar a todos nós, cidadãos espectadores da politica nacional, “cambada de mentecaptos eternamente manipulada pela politica espectáculo e seus actores de serviço”. A cambada deve habituar-se à ideia de que chegou finalmente uma pessoa séria..."
Lido em Pedro Rolo Duarte ( com link na coluna da direita).
Leiam o resto e fiquem desde já a saber que concordo com tudo que o PRD escreve.

domingo, 22 de junho de 2008

sábado, 21 de junho de 2008

Pelo país dos blogs (10)

"Pergunta-me um amigo por que razão não falo de política portuguesa. Que eu saiba, nada de especial acontece em Portugal desde o tremor de terra de 1755, pelo que nada há a escrever, comentar e prever. As coisinhas da política do campanário são tão pequenas que não deixam sulco, não apaixonam nem merecem atenção. Portugal fechou-se, definitivamente, no seu pequeno mundo: um mundo sem ideias, sem novidade e absolutamente vazio. Leio os blogues e tresandam àquela triste resignação - por vezes armada de cinismo, por vezes de indignação - que outra coisa mais não concita senão um desdenhoso virar de costas."....

Leia o resto no Combustões ( com link na coluna da direita)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

No aconchego das palavras





Hoje fugiram-me as palavras. Diante do teclado só via letras que não consegui articular.Como se de repente tivesse desaprendido de falar.
Perguntei pelas palavras a um dicionário, que me disse que tinham fugido porque se sentiam traídas.
Traídas? Mas por quem?- perguntei.
Pelos homens, como tu, que as usam sem lhes dar o merecido valor .
Mas as palavras têm valor?- perguntou ao meu lado a tabuada.
Ignorante!- retorqui com o apoio do dicionário.
Ignorante, eu?

Ignorante e inútil- acrescentei.
Inútil? Essa é boa! Que seria de ti sem mim? Sou eu, com os meus números, quem te paga o ordenado ao fim do mês, quem te ajuda a fazer os orçamentos que cobras nos artigos que escreves. Sem mim, serias nada.
Existiria melhor sem os sacripantas dos teus números. Tolhem-me os movimentos, condicionam as minhas escolhas e obrigam-me a viver a vida num trapézio de orçamentos.
E que farias tu sem um livro de cheques?- perguntou o dicionário
Livro de cheques? A maioria deles são carecas. Já não se usam. Eu sou toda novas tecnologias. Internet nas Finanças, nas compras por correspondência, nas viagens, no pagamento do seguro do carro... Aliei-me às imagens e reduzi os catálogos da La Redoute a peças de museu. Já não preciso das palavras, só de gestos. E tu dicionário , também serás em breve peça de museu, substituido que será pela linguagem SMS, as palavras do futuro.
As palavras não caíram em desuso. É através delas que exprimo os sentimentos- repliquei indignado.
Sentimentos? Ainda tens disso? Provavelmente estás fora de moda. O sentimento dos homens hoje em dia reduz-se a uma conta bancária e um cartão de crédito. São números, meu velho amigo. Olha para o Sócrates. Ele é que é futuro. Novas tecnologias, dinheiro, lucros, essa é a linguagem que resta. É a linguagem dos números.
Não é verdade- interrompeu o dicionário vendo-me em apuros. Se reduzires os homens a números é o fim da Humanidade.
Então, prepara-te para o fim- retorquiu a tabuada com um sorriso cínico.
Fiquei a vê-la a esgueirar-se entre duas caixas multibanco, sedutora, no seu vestido provocante, despertando a cobiça dos homens.
.....
Pedi ao dicionário que trouxesse as palavras de volta. Obrigou-me a prometer que, daqui em diante, as trataria bem. Que não as utilizaria para agredir nem insultar de forma gratuita.
As letras são sensíveis, sabias? – perguntou o dicionário. Quando as juntamos em palavras de que elas não gostam, ficam ofendidas. Precisam de carinho, como qualquer ser humano...
Compreendi a mensagem. Fui até ao meu Rochedo e aguardei o seu regresso.

Ao fim de algum tempo, uma nuvem encobriu o sol durante alguns segundos. Olhei na sua direcção e comecei a ver as palavras desprenderem-se em direcção a mim. À frente, vinha o A .
Aconcheguei as letras no Rochedo e com elas formei as palavras
ALEGRIA,AMIZADE e AMOR. Voltei a sentir-me feliz...
Estávamos há uns minutos em silêncio, brincando com o horizonte, quando a RAIVA perguntou:
Prometes que não me voltas a usar no teu blog?
E foi assim que tomei a decisão. O Rochedo voltará a ser como prometi no primeiro post.
( aqui)

Rochedo das Memórias Especial - Lembram-se como foi?



Portugal foi eliminado pela Alemanha. Paciência. Lembram-se como foi em 2004? Afinal, a única diferença é que as ilusões acabaram mais cedo...

Segunda-feira, 14 de Junho: Isto é um pagode?
O país foi assolado por um tufão durante o fim de semana! Portugal foi derrotado pela Grécia e de outras derrotas inesperadas se falou. Regresso ao trabalho, já sem os efeitos do jet lag. Continuo estupefacto com as bandeirinhas nas janelas e nos automóveis. Ao sair do metro uma ucraniana propõe-me a compra de uma. Reparo que há algo de estranho na bandeira: os castelos foram substituídos por pagodes! Venho depois a saber que as bandeiras foram mandadas fazer na China, sob os bons auspícios da Fundação Luís Figo. Pedro Abrunhosa canta em surdina aos meus ouvidos “ Não posso mais”!
Escrevo uma carta à CML reclamando do taxista que me quis vigarizar .

Segunda –feira 21 de Junho: Perdoa-me!
Portugal ganhou na véspera à Espanha, garantiu a passagem aos quartos de final e o País entrou em euforia. Os portugueses continuam a esgrimir e a beijar bandeiras com pagodes. Há algo de afronta e mesmo de pagão nesta idolatria por uma bandeira de contrafacção, ou é “chinesice” minha? O taxista roubou na bandeirada? A padeira enganou no pão? O sr Viegas roubou no peso do fiambre? Scolari ensaiou um número de circo com a história de Aljubarrota? Que importa, se ganhámos à Espanha ? A SIC noticia a reposição de “ Perdoa-me”! O País aplaude de pé.
Quinta-feira 30 de Junho: Crónica do Rei Pasmado
O sonho tornou-se realidade, comentam dois jovens sentados à minha frente no banco do metro. Terão finalmente decidido casar, ou algum deles ganhou o totoloto? Nada disso...Portugal está na final! Para demonstrar a sua euforia, o povo dá à bandeira os mais variados usos: chapéu, saia, top, boné, soutien tudo aquilo que a imaginação permita. Em Alcochete abriu o maior “outlet” da Europa sem ter licença? Que importa? Não é lá que está a estagiar a selecção? Lembro-me dos resultados das audiometrias. Como é possível que tenham sido menos de 5 milhões os portugueses a assistir ao Portugal- Inglaterra? E há também um site do Governo, dizendo que “ aborto é solução para gravidez precoce”. É a vez de Pinóquio atacar no mundo da sociedade de consumo com “Ensaio sobre a Lucidez” Mas há quem prefira não esquecer Jorge Andrade, que mandou Ricardo ir a Fátima sozinho, no caso de Portugal ser campeão. Teve o merecido castigo no jogo contra a Holanda: fez um auto-golo.

Segunda feira, 5 de Julho :regresso à normalidade
O País está de ressaca. Sabemos agora que de nada valeu apelarmos a todas as superstições e crenças. O ex-primeiro -ministro levou a “gravata da sorte”; Madail fez a vontade a Scolari e não foi visto no Estádio da Luz; no balneário acenderam-se velas e rezaram-se preces a Nossa Senhora de Caravaggio e a Nossa Senhora de Fátima. Cada português procurou um sinal de sorte e procurou pautar o seu comportamento, de modo a evitar o “mau olhado”. Em vão. Repetiu-se a “tragédia grega” do jogo inaugural e o troféu fugiu-nos das mãos. (Terá sido culpa do Jorge Andrade?). Contiveram-se as vozes dos que proclamavam Velas 1- Alhos 0, numa clara demonstração de que rejeitavam a táctica de António Oliveira no Mundial Coreia/ Japão.
Muitos portugueses continuarão a pensar que só Nossa Senhora dos Milagres poderá fazer alguma coisa para que comportamentos como o do taxista 2806 sejam definitivamente erradicados e os direitos dos consumidores respeitados. Algumas bandeiras com pagodes continuam hasteadas em janelas, mas já não vejo corpos femininos envoltos nas cores lusas. Chamo um taxi para me levar ao aeroporto. No caminho, vou lendo a notícia de que a Inspecção Geral das Actividades Económicas ( ainda não havia ASAE) apreendeu milhares de artigos de contrafacção, que alguns taxistas foram presos por vigarizarem turistas, que Portugal não cumpre a liberalização energética, que pagamos a electricidade mais cara da Europa, que os fogos florestais voltaram a matar. Lembro-me da carta que enviei à CML reclamando do 2806. No regresso, talvez já tenha resposta. Chego ao aeroporto, pago a corrida. Tudo certinho, sem vigarices. A vida regressou à normalidade. No avião, a passageira do lado lê David Lodge :“Um almoço nunca é de graça”.
Este ano ( 2008) a euforia cabou mais cedo. Foi como regressar a 1996, quando fomos eliminados nos "quartos" pela República Checa.
Moral da História: Scolari fez-nos regressar à casa de partida.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Je t'aime. Moi non plus?

Vi-te hoje na Versailles. Estavas sentada diante de uma chávena de café, com o olhar distante de quem procura ontens no dia de amanhã. Inerte, como se tivesses parado naquela posição desde o dia em que te vi pela última vez, há quase 20 anos. Entre as mãos tinhas um cigarro apagado, em posição de desafio, mas no teu olhar já não existia a expressão lutadora de outros tempos.
Aproximei-me.
O cigarro começou a rolar entre os teus dedos, como se num momento eu tivesse accionado um interruptor que te trouxe de volta à vida.
Sorri.
Devolveste-me um sorriso apagado e estendeste a face para que te beijasse. Obedeci.
Arrastaste enfim a voz num esforço perceptível. Há quanto tempo!
Sim, há quanto tempo...
Perguntei por ti.
Respondeste-me em palavras enroladas nos sedativos que te mantêm agarrada à vida.
Perguntei por ele.
Deixaste o olhar fugir na procura de uma resposta que te escapou por entre os dedos, no momento em que deixaste cair o cigarro apagado sobre a mesa.
Mudei de assunto.
Tocaste-me na mão ao de leve e pediste para me sentar. Obedeci, como nos tempos em que éramos apenas um. Passaste-me os dedos pela face como que a querer fazer-me a barba com as costas da mão.
Continuas charmoso.
Silêncio...
Bom, tenho de ir embora.
Pois, tiveste sempre de partir...
Dei-te um beijo de despedida.
Agarraste a minha mão num quase pedido de socorro.
Desprendi-me e levantei-me. Da porta lancei-te um último aceno. O cigarro voltara a bailar entre os teus dedos, como a substituir a mão que eu te negara.
Saí. Respirei fundo. Que teria sido de mim se não me tivesse libertado de ti?
No cérebro soaram fortes os acordes.
« Je vais et je viens, entre tes reins »
E tu :
« Tu es la vague, moi l’île nue»
E eu outra vez:
«L’amour physique est sans issue»

E porque não por prazer?

“ As pessoas escrevem por uma multiplicidade de razões, fome de celebridade, desejo de vingança, narcisismo , ódio e dinheiro.”
Maria Filomena Mónica ( Meia Hora, citado no DN)

Por acaso nunca terá ocorrido a MFM que há gente que escreve apenas por prazer? Então, embora já nos conheçamos, permite-me que me volte a apresentar. E já agora, numa voltinha pelo blogobairro é capaz de encontrar mais exemplos.

Rochedo das Memórias 56- Com "Control", portugueses aventuram-se no espaço

A princípio destinava-se apenas a ser usada pelos militares. Depois, passou a ser utilizada por todos os sectores do Departamento de Defesa dos EUA. Hoje anda nas bocas do mundo. É a Internet (Net para os amigos) que irá acabar de revolucionar os já tão alterados hábitos de milhões de pessoas em todo o Mundo. Com os computadores também se criam efeitos especiais. Começou a era da realidade virtual
Mas neste ano da graça de 1993, em que se quebram todas as barreiras de comunicação, as grandes vedetas são os dinossauros de Spielberg, que invadem as salas de cinema com o seu Parque Jurássico
O desemprego e a recessão ameaçam os países ricos, a SIDA continua a fazer milhares de vítimas e a Igreja a dizer não ao "Control", agora à venda com vários sabores.
Em Portugal há um novo canal de televisão. É da Igreja e chama-se TVI. Em breve irá mudar de mãos. De mão em mão anda também o primeiro CD ROM feito em Portugal. Apesar de o conteúdo não ser dos mais aliciantes, (a I Série do Diário da República desde 1970), a curiosidade é grande. Dentro de pouco tempo será uma banalidade. O que não é banal é que no espaço de poucas horas morram duas crianças num mesmo Aquaparque, os novos centros de diversão da época estival. Mas acontece no Restelo e as dúvidas sobre as condições de segurança daqueles estabelecimento aumentam.
Portugal está no pelotão da frente e em Outubro, enquanto os estudantes mostram o rabo ao Ministro da Educação, é lançado o primeiro satélite português. Começou a aventura no espaço.

Grandes cabeças, ou "cabeçudos"*



Vital Moreira defende que o referendo popular ao Tratado de Lisboa seria uma inutilidade, porque o povo não o percebe.
Ricardo Costa recusa-se a divulgar o seu fervor clubista , alegando que “os portugueses não estão preparados para saber qual é o clube de um membro da CD da Liga”.
Dando de barato que Vital Moreira não está a defender alguns interesses de clã e Ricardo Costa não é simpatizante dos encarnados ( o que me custa engolir, mas dou isso de barato e finjo que acredito), não é possível ignorar o que está subjacente a estas afirmações: um elitismo muito querido aos governantes do Estado Novo, mas pouco condicente com uma democracia.
Compreendo que o referendo ao Tratado de Lisboa seria uma inutilidade, porque a maioria das pessoas votaria de acordo com as orientações partidárias e não por convicção, porque desconhece o que está em causa. Daí a defender o argumento que a AR é o local próprio para fazer a aprovação do Tratado, vai uma grande distância.
Não creio que um conjunto de deputados arregimentados pelos partidos, que pretensamente representam todos os portugueses, saibam mais sobre o Tratado de Lisboa do que a maioria dos portugueses. A maioria não o leu e é tão ignorante ( infelizmente não apenas sobre este tema, mas sobre a maioria das coisas que diariamente votam em Plenário) como a maioria dos portugueses.
Sendo assim, Vital Moreira teria feito melhor em defender que o Tratado fosse aprovado durante uma conversa entre Sócrates e Cavaco, em reunião à volta de uma chávena de chá. Na verdade ( retirada eventualmente a chávena de chá...) foi dessa forma que o Tratado de Lisboa foi aprovado. Os deputados limitaram-se a seguir as orientações que lhes foram dadas.

No caso do juiz Ricardo Costa, a situação é um pouco diferente. Ao afirmar que os portugueses não estão preparados para conhecer a sua filiação clubística, o narcísico juiz insultou os portugueses, porque se há matéria em que cada português tirou uma licenciatura, foi em futebolês.
Ora RC disse, por outras palavras, que as pessoas não estavam preparadas para aceitar que um juiz adepto do SLB tomasse uma decisão contra o FC Porto. Não foi transparente, o que não é bom para a imagem de um juiz. Não se assumiu, dando assim azo a todo um conjunto de suspeições, que até podem não ser justas.
Preferiu uma tirada típica das grandes cabeças que julgam estar acima de qualquer suspeita e, ainda pior, se julgam iluminados por uma qualquer bênção divina que lhes permitiu escapar à mediocridade pensante da ralé.
Vital Moreira e Ricardo Costa talvez se julguem “grandes cabeças” do regime, abençoados pelos deuses e por eles escolhidos para defenderem os seus “rebanhos”. Para mim, não passam de cabeçudos!
*Vale a pena ler o post de hoje do Vital Moreira no Causa Nossa ( link na coluna da direita) sobre a ADSE. A ignorância, por vezes, prega partidas aos iluminados.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cenas de táxis (3)

Aterro na Portela a hora temperana, quando os primeiros raios de sol começam a dardejar as colinas de Lisboa. É o primeiro dia do Euro 2004, mas àquela hora, este é o único voo. Mesmo assim espero uma hora pela bagagem. Dirijo-me para a fila dos táxis, antevendo desde já o enfado do motorista quando eu lhe pedir para me levar até ao Lumiar. Surpresa! Nem um lamento...
Ao longo da segunda Circular começo a recuperar as sensações inigualáveis da luz e do ar de Lisboa , mas quando entro na Alameda das Linhas de Torres, o meu coração começa a bater acelerado. Bandeiras nas janelas, automóveis com bandeiras desfraldadas ao vento... será que houve outro 25 de Abril? À memória vem-me o livro de Isabel Allende “ O meu país inventado”. O taxista esclarece-me que as pessoas estão a responder a um apelo de Scolari e, sem que o possa impedir, num “flash” vejo a imagem de Zandinga e um vago discurso do seleccionador, manifestando o seu apreço por Pinochet. Adiante...
Finalmente, o táxi pára à porta de casa. O motorista pede-me mais do dobro do que pago habitualmente. Perante a minha estupefacção, pergunta: há quanto tempo é que o senhor está fora de Portugal? Há três semanas, respondo. Então não sabe que saiu uma Lei que aumenta os preços dos táxis ao fim de semana? Inconformado e incrédulo, peço-lhe para ver o taxímetro. Acede prontamente, com ar triunfal, mas logo o rosto se fecha num ar compungido. Esquecera-se de ligar o taxímetro! Lembrei-lhe que era obrigado a manter o taxímetro ligado, até ser efectuado o pagamento.
De solícito, passou a agressivo. "Não quer pagar, é? Então vá à m..... seu c.... " E meteu-se no táxi a toda a velocidade, mas não sem me impedir de lhe tirar o nº da licença. Chegado a casa, telefone para a rádio Táxi e para a ANTRAL disposto a apresentar queixa. Nada feito. Do outro lado do fio, respondem-me que ao fim de semana não recebem queixas. Em todas as profissões há comportamentos como o deste taxista que denigrem uma classe profissional- e haverá sempre quem esteja disposto a fazer como Pilatos.

Lido noutro lado

"Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta”
João Bénard da Costa em resposta a Isabel Pires de Lima ( Público, hoje)
Não tenho pachorra para intelectuais da treta que se exprimem desta maneira. Era altura de se reformar. Já não bastava a seca que deu a toda a gente em Viana do Castelo no 10 de Junho?

Rochedo das Memórias 55- Das escapadinhas, ao Rio de Janeiro e o aquecimento na sala oval

No ano em que o escudo adere ao Sistema Monetário Europeu (1992), Portugal estreia-se na Presidência da CEE e, em Lisboa, o polémico Centro Cultural de Belém é inaugurado para acolher a Presidência portuguesa. Fecha logo de seguida e reabrirá no ano seguinte. Ele há coisas assim...
Com os Jogos Olímpicos e a Expo -92 a realizarem-se em Espanha, os portugueses passam o ano a saltar a fronteira, inaugurando as "escapadelas de três dias". Quem também se escapa, mas por período mais longo, para os EUA, é o corrector da Bolsa Pedro Caldeira. O jogo da Bolsa dera para o torto e várias figuras públicas ficam sem umas massas valentes. Quem não anda muito bem de finanças são os estudantes. Novos actores da sociedade de consumo, os jovens não têm dinheiro para as propinas. Vai daí, manifestam-se em frente à AR. Derrubam o Ministro mas azar... os pais vão mesmo pagar propinas.
Finalmente a RTP deixa de ter o monopólio televisivo. A esperança numa televisão melhor nasce com a SIC, mas o sonho dura pouco tempo. A qualidade passa a ser nivelada por baixo. No entanto, a aposta no Poder do Dinheiro revela-se acertada. Por meia dúzia de contos, qualquer um se despe em palco, mas desta vez os púdicos espectadores e os atentos Bispos não reagem contra a ofensa aos costumes perpretada por filmes como "O Império dos Sentidos" ou “Pato com Laranja”. A sociedade de consumo ri-se baixinho... enquanto as iras se voltam contra Saramago e o seu "Evangelho Segundo Jesus Cristo"
O Mundo parece estar arrependido por ter tentado destruir a diferença. Por isso atribui o Prémio Nobel da Paz a Rigoberta, uma índia guatemalteca, ignorando dois ex-inspectores da PIDE a quem o Governo concede pensões por "serviços excepcionais". Injustiças.
A Europa passa a ter a sua Disneylândia. Esteve a um passo de ficar em Portugal, mas Paris ganha a corrida. Conviver com o Rato Mickey e o Pato Donald é agora mais fácil.
O ambiente está,durante três semanas, no centro das atenções: no Rio de Janeiro discute-se o futuro da Terra, ameaçada pelos efeitos nefastos do progresso. No final da Cimeira da Terra, as cenas do costume. Trocam-se muitos abraços e beijinhos, chega-se de madrugada, e à pressa, a compromissos mal amanhados que abrilhantarão os discursos finais, mas a discussão fundamental é adiada. Em Tóquio é que vai ser. Os EUA, como sempre, estão-se nas tintas e o Presidente Bush ( pai) nem põe os pés no Rio de Janeiro para discutir seja o que for. Limita-se a enviar recados pela imprensa. Bem feito. No final do ano será substituído na Casa Branca por Bill Clinton. Na sala oval vai-se sentir o efeito de estufa: o ambiente vai aquecer, graças aos calores de Monica Lewinski.

Acham isto normal?

Lembram-se a algazarra que foi quando Santos Ferreira e Armando Vara “se transferiram” da CGD para o BCP? Não houve cão nem gato que não atacasse os dois, acusando-os de falta de pudor; não houve nenhum maneta que não corresse para o computador debitando ataques ao Governo, acusando-o de estar a interferir na vida de um banco privado.
Poucos meses depois, Miguel Cadilhe ( que algumas luminárias vêem como um putativo Salvador do PSD e, consequentemente, da Pátria) leva para o BPN um reformado por invalidez e um quadro da CMVM que era suposto estar a investigar eventuais irregularidades .... no BPN.
Silêncio ensurdecedor! “No pasa nada!” . Percorro a blogoesfera e nem uma palavra leio sobre o assunto ( bem, eu sei que não vejo tudo, mas refiro-me àqueles que visito regularmente e mais alguns que frequento amiúde); na imprensa , apenas o DN e o Diário Económico dão grande destaque ao assunto. Nos noticiários televisivos- mais preocupados em divulgar a ementa e a ocupação dos tempos livres dos jogadores da Selecção no Euro-2008- nem uma palavrinha.
Ou eu ando muito distraído e não consegui ler, ver ou ouvir quase nada sobre o assunto, ou então estes comportamentos passaram a ser tão corriqueiros que toda a gente os acha normais.
Há ainda outra hipótese, mas essa é tão bárbara que nem a equaciono aqui.
Limito-me a registar e dizer que a mim, este tipo de comportamentos me preocupa. Porque dá uma imagem do que é Portugal hoje em dia. Um país cujos padrões éticos e morais estão ao nível de uma qualquer república das bananas.Será mais um efeito colateral da globalização, ou uma imposição da União Europeia?

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quem vai eleger esta mulher?


Quem pode, em consciência, escolher para Primeiro Ministro uma mulher que afirma não ter tomado posição sobre a questão dos camionistas, porque nesses dias estava a fazer de avó, e isso é mais importante do que a política? ( Público de hoje)

Estou mesmo a imaginar a cena... Um dia, está ela em S. Bento, rebenta uma bernarda qualquer com taxistas ou agricultores, o Cavaco telefona-lhe a dar conta da ocorrência e aDrª Manuela responde em chor convulsivo ( sim, o Público diz que ela também chora...):
"Eh pá, trata lá tu disso, que eu agora estou a dar o biberão ao meu neto!"
Sinceramente, apesar de não apreciar o estilo de MFL, pensava-a mais honesta e menos irresponsável!

Os 3 Porquinhos e a cabrinha mentirosa

Notícia dos jornais:
Benfica vai pedir indemnização de 30 milhões de euros à FPF, por não participar na Champions”.
O Benfica, que ficou em 4º lugar na Liga, pretende ser indemnizado por ( na opinião do seu presidente e do advogado rosa que o aconselha) não participar numa prova para a qual, em termos desportivos, não conseguiu classificar-se.
O SLB pretende ganhar dinheiro à custa de uma decisão ( ainda não transitada em julgado) de um juiz içado a presidente do CD da Liga, cuja imparcialidade está por provar, ignorando que só em virtude de uma medida disciplinar duvidosa aplicada ao FC Porto, se colocou a hipótese de o SLB o vir a substituir. O aspecto desportivo que se dane, não é isso que interessa a LFV. Os seus interesses não vão além do saldo da conta bancária.
Atendendo a que LFV não se cansa de afirmar que é um empresário de sucesso, exemplo de honestidade intocável, esta atitude fala por si. Provavelmente, andou a etudar boas maneiras numa escola da Porcalhota...
O advogado rosa sabe muito bem o que acontece ao SLB se processar a FPF, mas presta-se ao papel de cabrinha mentirosa, para manter viva a chama de ódio anti-portista nos adeptos benfiquistas.
Eu sei que LFV não é o único empresário português a pensar desta forma. Há muitos empresários como ele, neste país, que passam a vida a criticar a ingerência do Estado, mas que não perdem uma oportunidade para lhe estender a mão a exigir que lhes pague os prejuízos resultantes da sua incapacidade de gestão. Fazem-me lembrar aqueles romenos que pululam pelos cruzamentos do país, pedindo uma esmola a troco da passagem de uma esponja pelos vidros dos nossos automóveis e que, uma vez recusada a esmola, cospem no pára brisas ( quando não fazem pior...).
A atitude de LFV é a do vampiro que vive à custa do sangue que suga às suas vítimas. Pode ser um excelente empresário ( quem sou eu para duvidar?) mas devia agir de forma compatível com o que apregoa.
Assim, dá a ideia de ser mais um daqueles empresariozecos de meia-tigela, cujo sucesso se deve, exclusivamente, à exploração dos erros alheios. Isso tem um nome e não é muito honroso para o presidente do SLB, nem para a instituição Benfica.
Posição bem diversa tem Joe Berardo. Sem papas na língua disse que não queria que o Benfica beneficiasse de um eventual afastamento do FC Porto da Champions, porque considerava isso pouco ético. Deu uma lição a LFV. Mas isso pouco interessa ao homem dos pneus. De Joe Berardo, LFV apenas quer o dinheiro. A ética é palavra que não faz parte do seu vocabulário rudimentar e conselhos só recebe de Leonor Pinhão e Carolina Salgado. Desconhece, certamente, que um empresário sem ética tem o lugar no mercado a prazo.
Bagão Félix, bem lhe podia ter explicado isso, antes de Joe Berardo. O problema, é que o ex-ministro do Trabalho já veio a terreiro partilhar da posição de LFV. Sendo assim, estamos conversados!
Ou talvez não, porque o último comunicado da UEFA é, também, uma indirecta ao SLB.
Se Platini não fosse daquele tipo de franceses orgulhosos, incapazes de voltar atrás com a palavra, já teria vindo pedir desculpas ao FC Porto, pelas diatribes que vomitou contra o clube e tinha posto na ordem LFV. Mas Platini
De uma coisa não duvido. A procissão ainda vai no adro e muita tinta vai correr sobre este assunto. Convém ao SLB e ao jornal "A BOLA".





Rochedo das Memórias 54- O fim da URSS



Em dois meses, como o mundo está diferente!...No primeiro ano da década assinala-se o nascimento do bébé 5 mil milhões. No último, irá nascer o bébé 6 mil milhões. Meu Deus, como as pessoas se estão a multiplicar! Haverá lugar para todos?
Em Portugal vai toda a gente ao "Baile do Rivoli" , mas "Não há estrelas no Céu". Quem o afirma é Rui Veloso. Por pouco também deixa de haver peixe. Um desastre ecológico destrói 100 toneladas no rio Tejo e uma maré negra atinge Porto Santo. Para nos dar estas e outras notícias nasce um novo diário: “ O Público”.
A televisão - ou melhor a CNN- inicia o ano (1991) em grande estilo, a transmitir em directo a Guerra do Golfo. Afinal o "Carniceiro" não se assustou com as ameaças e os EUA iniciaram a "Tempestade no Deserto". O mundo assiste embasbacado,pela televisão. como se se tratasse de um filme de ficção. As pessoas ainda não sabem que vêm aí os “reality shows”.A guerra dura 45 dias e no fim quem desaparece não é o país das "Mil e Uma Noites", mas sim a URSS que cai como um baralho de cartas no jogo do "Burro em Pé". Em poucos dias várias Repúblicas soviéticas declaram a independência e a URSS volta a ser Rússia. Uma maçada para a UEFA!
No Congresso Mundial dos Consumidores que se realiza este ano em Hong-Kong, os problemas dos países de Leste estão no centro de todas as atenções. Enquanto a pessoas se deliciam com a possibilidade de comprar nas ruas contrafacções chinesas que reproduzem os originais do ocidente, porque estes povos há muito suspiravam, há relatos de fábricas a fechar todos os dias, desemprego e miséria a alastrarem. É o reverso da medalha do "sonho americano"
Talvez por não gostarem do que se passa à sua volta, oito cientistas decidem fechar-se durante dois anos dentro de uma estufa. Dizem que vão estudar os ecossistemas. Quando isto na Terra der para o torto, talvez possam instalar-se noutro planeta ou numa nave espacial.
É assinado o Tratado de Maastricht. A moeda única já tem hora marcada para o seu nascimento. Por agora chama-se ECU, mas anos mais tarde Guterres vai sugerir que se chame Euro.
Continua "O Silêncio dos Inocentes". Em exibição "num cinema perto de si".
Em Portugal andam a contar-nos as cabeças. Afinal quantos somos? Isso é que o Censos quer saber e a Internacional Consumista agradece ser informada. Já temos auto-estrada Lisboa-Porto, a moda é emagrecer e a pergunta sacramental:"Já foste ao Tallon?"

São mesmo "tugas"

Há cada vez mais portugueses com comportamentos “tugas”. Navegando pela blogoesfera percebi que, durante a minha ausência, terá havido um movimento que apelava ao boicote de abastecimento na Galp, como forma de protesto contra os preços praticados pela gasolineira. Com espanto, constatei que durante o bloqueio o pessoal correu para os postos de abastecimento não só para encher os depósitos, mas também para encher bidões, numa irresponsável atitude de açambarcamento*.
Hoje, um movimento denominado MUSP (Movimento de Utilizadores dos Serviços Públicos) organiza um buzinão para protestar contra o aumento do preço dos combustíveis. De carro, para poupar gasolina!

* Quando se deu o primeio choque petrolífero, li num jornal inglês que havia portugueses a guardar gasolina em casa. Alguns, utilizaram mesmo as banheiras para armazenar o precioso líquido. Nunca terá sido tão apropriado aos “tugas” o título do filme de Ettore Scola “Feios, porcos e maus”

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Rochedo das Memórias 53- Da Internacional Consumista à Globalização ( ou vice-versa)

A década começa com a libertação de Nelson Mandela. Terminava o apartheid. Bom augúrio. Mas como o mundo não sabe viver sem problemas...vai buscar um à terra das "Mil e Uma Noites". Chama-se Saddam Hussein, nome difícil de pronunciar. Quando invade o Koweit, arranjam-lhe um nome de guerra: "Carniceiro de Bagdad". Sempre dá mais jeito...
Com a queda do Muro de Berlim, a Internacional Consumista tem largo terreno para se expandir. De Mc Donalds em riste, aterra em Moscovo e depõe Lenine. Gorbatchov recebe o Nobel da Paz. Começava uma nova era, iniciada em 1989. A Internacional Consumista assentava arraiais e começava a inebriar o mundo com as suas promessas de “viver o Paraíso na Terra”.
Em Junho de 1989 o mundo assistira, em directo, aos acontecimentos de TIAN AN MEN. O regime não caiu, o ocidente lamentou-se, ameaçou exercer represálias, mas pouco tempo depois lá estava a exportar os seus produtos, porque o mercado chinês não se pode desprezar.Seis meses mais tarde caiu o muro de Berlim, Ceausescu foi assassinado perante as câmaras de televisão. O ocidente anima-se mas permanece expectante, seguindo os acontecimentos.
Agosto de 1991. O ocidente exultou. As beatas entraram em transe.Algum clero organizou vigílias. Depois dos sobressaltos, as angústias terminavam e as dúvidas dissipavam-se: a Rússia convertera-se!
Que importância têm os aspectos contraditórios do desmembramento do Império Soviético, se afinal o grande bastião do comunismo, o génio do mal que punha barreiras às exportações dos produtos ocidentais, está subjugado e não tardará a estender a mão em busca de auxílio? O delírio foi tão grande, que ate permitiu esquecer que o fundamentalismo islâmico estava prestes a triunfar numa Argélia que fica a dez braçadas da Europa e que se vivia ainda o rescaldo da guerra do Golfo.
O verdadeiramente importante para Internacional Consumista - que se preparava para assaltar o poder ao colo da democracia – é que do Atlântico aos Urales, todos os europeus possam ver, especados diante da pantalha, noticiários lidos pelo Rambo, ou seguir atentamente as peripécias de seriados protagonizados por Gorbatchev ou Imelda Marcos, enquanto bebem coca- cola e trincam amendoins.
O importante, verdadeiramente importante, é que os nossos irmãos do Leste Europeu possam, em breve, tal como nós, desfilar sob a bandeira da Internacional Consumista e desaguar, felizes, nos hipermercados do supérfluo e do desperdício, cujas portas lhes serão franqueadas por magnânimos empresários ocidentais.
O verdadeiramrente sublime é que de S.Francisco a Moscovo, passando por Lisboa, Praga ou Budapeste todos, sem excepção, possam confraternizar nos espaços standardizados dos “Pizza Hut”, “Mc Donalds” e quejandos, verdadeiros laços de comunicação entre os povos.

Expo- 2008 (4)

Praça no topo da Avenida Pablo VI, que dá acesso à entrada da Porta de Água.
Na foto, o pavilhão de Aragão. Do outro lado da praça, fica o Gabinete de Imprensa

O dia na Expo- 2008 começa às 9 horas com a abertura dos parques de estacionamento. Às 9h15m abrem as bilheteiras e às 9h30 abre o recinto para os visitantes.
Os organizadores anunciam a realização de 3400 espectáculos ao longo dos 93 dias do certame. Espectáculos, concertos, e uma parafernália de programas para crianças


Às 12 horas comemora-se o dia nacional de cada país e , meia hora mais tarde, pode assistir ao espectáculo do "Cirque du soleil". Denominado "CABALGATA", o espectáculo relata a hitória de foi concebido especialmente para a Expo e percorrerá todo o recinto.
Atendendo ao calor que se costuma fazer sentir em Zaragoza no Verão, a hora não parece ser a mais adequada, mas os organizadores é que sabem.

Mais para o fim do dia (18h00) pode deslocar-se ao Tribunal da Água, onde decorrerão diariamente conferências alusivas ao tema da Exposição: a água e o desenvolvimento sustentável.
Meia dúzia de vezes por dia, sem hora marcada, poderá também assistir a espectáculos de acrobacia de inspiração aquática
A partir das 20 realizam-se espectáculos temáticos e exposições no Palacio de Congresos e/ou no Auditorio Zaragoza.
O encerramento dos pavilhões é às 22 horas, seguindo-se animação nocturna até às 3 da manhã, hora de encerramento do recinto.
Durante o dia, cerca de meia centena de restaurantes estarão ao seu dispôr para o servir. A preços de Expo, como é de calcular...

EXPO-2008 (3)

A Avenida Pablo VI, que conduz à Torre da Água, principal entrada da EXPO, stava neste estado
À porta dos diversos pavilhões ( alguns por concluir a azáfama era grande...


Alguns dos ajardinados apresentavam este aspecto
Como antecipei aqui, a abertura da Expo 2008 foi um pequeno “flop”. Pavilhões por concluir, acessos condicionados, parte da cidade ainda esventrada. As fotos que tirei e reproduzo, dão uma pálida imagem do que pode encontrar quando chegar a Zaragoza, se decidir ser dos primeiros a fazê-lo.
Entretanto, não deixa de ser estranho que as agências de viagens se tenham alheado do evento e não apresentem programas de visita à Expo nos seus cardápios. Não pude confirmar, mas já duas ou três pessoas amigas me disseram que procuraram informações junto de duas das principais agências de viagens portuguesas e constataram o espanto dos funcionários que as atenderam. "Expo em Zaragoza? Mas que é isso?"
Estarão as agências de viagens apenas interessadas em vender férias de longo curso, estilo Brasil, Ásia e Caraíbas?

Rumo a uma nova Europa

Vislumbro, ao longe, os contornos da nova Europa. Retirada a maioria dos direitos sociais aos trabalhadores, engordadas as contas bancárias do capital à custa de horários de trabalho de 65 horas semanais, alcançada a autonomia de alguns teritórios como o Kosovo ( outros se seguirão a curto prazo)aos governantes europeus que emergiram da geração dourada de 60, resta-lhes aguardar que se cumpra o seu último desígnio: uma democracia com novo rosto. Traduzida para a nomenclatura moderna destes governantes sem passado e sem futuro ,democracia significa: hás-de votar como eu quero, nem que tenhamos que fazer eleições e referendos as vezes que for preciso.
O modelo inspira-se em Mugabe. Depois de convocar novas eleições, recusando assumir a derrota, teve esta frase lapidar: só comigo morto é que a oposição governará.
Estaremos preparados para a grande chacina dos actuais líders europeus? Não me parece...

domingo, 15 de junho de 2008

Eles não sabem, nem sonham....


Dois cachecóis passam lentamente a caminho de um qualquer lugar onde vão ver o Portugal-Suiça. Vão entrelaçados num longo abraço. Não sinto qualquer emoção. Vai ser o primeiro jogo da selecção neste Euro 2008 que vejo em Portugal, mas é a feijões. Emoção e vontade de ir buscar um cachecol, talvez só lá para quinta-feira, penso.

Não passaram nem cinco minutos quando vejo, do alto do meu Rochedo, um preto trajado a rigor com as cores portuguesas. Acompanham-no três crianças pretas, igualmente vestidas com a camisola portuguesa. O mais velho- que não deve ter mais do que seis anos- leva consigo uma bandeira maior que ele. Vão alegres, com ar feliz, de quem vai festejar mais uma vitória.
Emociono-me com a cena. Depois lembro-me que acabou de ser aprovada uma directiva comunitária que permite manter presos, até 18 meses, cidadãos extracomunitários encontrados em situação irregular no espaço europeu. Mesmo que sejam menores! Mais uma medida exemplar nesta Europa Social, que há-de ser exemplo para o mundo, (recordam-se?...)

Os quatro pretos que ali vão, prontos a defender as cores portuguesas, ainda não sabem que vivem numa Europa assim. Apetece-me ir avisá-los, mas já é tarde. Acabam de entrar numa carrinha cheia de pretos, engalanada de cachecóis e bandeiras portuguesas, que partiu para um qualquer palco onde vão ver o jogo. Vão vibrar por um país que talvez um dia destes engaiole alguns dos seus familiares , imigrantes ilegais, durante 18 meses. Vão defender as cores da traição.

Regresso com dor

Com a vesícula a gemer, fruto de três semanas de excessos gastronómicos por terras de França, cancelei uma ida ao Porto e vim refugiar-me no Rochedo. O dia de ontem estava lindo, mas aquela mancha negra no horizonte não enganava. Seria sol de pouca dura.
A caminhada foi curta. Ancorei no Rochedo e resolvi pôr-me em dia com o País, lendo jonais e revistas atrasadas. Péssima opção. Em cada página lia coisas que me faziam aumentar a dor.
Chá de hipericão e abstinência de café e bebidas alcoólica, acompanhadas de peixe fresco grelhado à vista, foram a receita milagrosa.
À noite, fiquei em casa a ver "Na rota de Che". O documentário do Nuno Leote, que recria a viagem do guerrilheiro é um bocado manhos0, mas não dei o tempo por perdido, porque pude rever lugares e paisagens por onde passei e que me permitiram reviver momentos de perfeita loucura e emoção. A América Latina mantém o fascínio que me fez apaixonar por ela.
Hoje estou como novo, o tempo é que voltou à fórmula antiga. Nuvens ameaçadoras no horizonte prometem mais chuva. Veremos no que isto vai dar. Se o sol regressar, vou manter-me por aqui. Caso contrário, regresso a Lisboa. Vem salvar-me, sol!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Lições de Santo António

1-O "Não" dos irlandeses- Quando as pessoas foram chamadas a dar a sua opinião sobre o Tratado de Lisboa, o resultado foi o previsto. Não me congratulo com a vitória do "Não"- que poderá pôr em risco o futuro da UE- mas não se pode escamotear que este foi um sério aviso aos governantes europeus que cada vez estão mais distantes dos povos, marcando o ritmo e rumo da Europa em gabinetes, na convicção de que com mais ou menos arranjinhos, levarão a sua avante.
Durão Barroso e Sócrates estão tristes e preocupados. Creio que Sarkozy e Angela Merkel não partilham o mesmo estado de espírito. O "não" irlandês servir-lhes-á, às mil maravilhas, para se tornarem os "maquinistas" da Europa. Com ou sem a Grã Bretanha, é o que falta saber.
2- O velho, o rapaz e o burro- Sócrates tem sido acusado de falta de firmeza na crise dos camionistas. Se recorresse à força e imitasse Zapatero, seria criticado à mesma. Os Paulos Portas deste país são rapazolas sem vergonha nem tento na língua. Visto neste prisma, compreende-se a atitude do Governo. Sabendo que seria sempre criticado, optou pelo mal menor. Pena que Sócrates não aja com a mesma prudência quando estão em causa trabalhadores que fazem reivindicações justas, mas isso é de outro folhetim.
Esta história ainda não acabou. O regresso à normalidade não vai durar muito tempo, como já anunciaram os taxistas. E os camionistas, mais dia, menos dia, voltam a parar. Espero que da próxima a reacção do Governo seja diferente. Quanto mais não seja, para poder assistir às críticas de Paulo Portas contra a violência utilizada pelas forças de segurança.

3- O Euro 2008- O "timing" do anúncio da ida de Scolari para o Chelsea não foi o melhor mas, pior ainda, é a forma descabelada como os jornalistas(???) desportivos têm tratado o assunto. Duvido que o ambiente seja tão mau na selecção como nos querem fazer crer... e no que concerne à ideia peregrina de terem anunciado que Deco, autorizado( quanto a mim mal...) a deslocar-se a Barcelona, estaria no iate de Abramovich a assinar contrato com o Chelsea, foi uma "sacanice" imperdoável. Eu sei que a imprensa desportiva é 99% de invenção e 1% de informação,mas o(s) autor(es) da ideia ( apesar de verosímel...) estariam melhor num espectáculo circense do que a escrever em jornais.
4- A (in)decisão da UEFA-O processo da (não) ida do FC Porto à Liga dos Campeões ainda vai fazer correr muita tinta, mas desde já se podem tirar duas ilações.
Primeiro, a UEFA não sabe concretamente os "enredos" à volta da decisão do juíz Costa, por isso decidiu dar tempo ao CJ da FPF para se pronunciar e esclarecer a situação- o que ele não vai fazer, com medo das reacções de LFV. Em segundo lugar vamos assistir a todo o tipo de pressões, por parte do Benfica, junto da UEFA e da FPF, para que a decisão seja desfavorável aos azuis e brancos.
A ajudar à festa, não vão faltar bácoros a opinar na imprensa desportiva ( e não só...) . Sempre em defesa do SLB, pois são os benfiquistas que lhes compram os jornais e os ajudam a (sobre)viver.
5- A Ressurreição- A Drª Manuela ressuscitou em dia de Stª António. Para opinar sobre a Europa, mas manteve-se muda quanto ao País. Eu pensava que a Drª Manuela se tinha candidatado a líder do PSD para substituir Sócrates, mas afinal, parece que o objectivo dela é ocupar o lugar de Durão Barroso.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

EXPO 2008 (2)

carrinhas "limpas" são imagem de marca da EXPO 2008


O tema da Expo-2008 é água e desenvolvimento sustentável e nela participarão pouco mais de 100 países.
Para chegar ao recinto, o melhor é esquecer o carro. As alternativas são diversas:
Autocarros- 12 linhas Expresso ligam vários pontos da cidade ao recinto da Exposição. Os preços são variáveis, de acordo com o ponto de partida.
Os autocarros turísticos-ostentando o símbolo da EXPO- constituem uma boa alternativa para quem pretenda visitar também a cidade. Partem da Plaza del Pilar de 12 em 12 minutos e no seu circuito fazem 12 paragens. Os passageiros podem entrar e sair onde e quando quiserem. A duração do percurso, sem "escalas" é de cerca de hora e meia. Preço: 6 €
Telecabines- a exemplo do que acontecia na nossa EXPO, o recinto é atravessado por telecabines. A diferença, é que em Zaragoza são um meio de transporte para chegar à Expo e não apenas para a observar do alto. O trajecto é feito entre a zona do Parque Delícias e a Porta Sul da Exposição.
Preço: 9€ ( ida e volta) Pode obter uma pequena redução, ( cerca de 3€)se comprar os bilhetes das telecabinas juntamente com os de entrada no recinto
Barco- Pode também chegar ao recinto de barco, navegando ao longo do Ebro. Preço: 14€
Entrada no recinto: o preço de um bilhete para adulto é de 35€/dia. O preço para 3 dias é de 70€.
Maiores de 65 anos, jovens dos 15 aos 25 e deficientes- 26,30€ e 52,50€
Crianças dos 5 aos 14 anos- 21€ e 42€
O recinto abre às 9h30m e encerra às 3 da manhã. Os pavilhões encerram às 22horas

Expo- 2008 em Zaragoza(1)

No próximo sábado, dia 14, abre ao público em Zaragoza a EXPO-2008. Pelo que me foi permitido ver, valerá a pena a ida à cidade aragonesa, mas creio ser mais avisado esperar algumas semanas antes de rumar a Zaragoza. Motivo? A escassos dia da inauguração, a cidade parece um estaleiro, como a fotografia abaixo documenta. Na zona da exposição também ainda há muito a fazer, como mostrarei em próximo post. Os próprios aragoneses não acreditam que tudo esteja pronto no dia da inauguração, apesar dos trabalhos que decorrem freneticamente dia e noite.
O que mais me espantou, foi o facto de não se ver um único cartaz anunciando o evento, no caminho entre Barcelona e Zaragoza e, mesmo dentro da cidade, apenas os autocarros turísticos decorados de forma alusiva, e uns discretíssimos sinais indicando os parques de estacionamento, anunciam ao visitante a realização da EXPO-2008.
Tudo muto discreto, pois. Tão discreto, que não deixa de causar grande estranheza a um português. Para quem vai de Portugal, a área da exposição não passa despercebida,ao longe, mas as indicações para lá chegar pura e simplesmente não existem.
Certamente que tudo será melhorado nas próximas semanas ( ou dias...) por isso, atendendo a que a EXPO apenas encerrará a 14 de Setembro, talvez seja mais avisado esperar algum tempo antes de programar uma visita a Zaragoza. Mesmo correndo o risco de ter de arrostar com a canícula dos meses de Verão...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Morreram dois camionistas. E depois? (2)

Não gosto de camionistas. E depois? É crime? Tenho as minhas razões. Pessoais, mas não só. Deixando de parte as razões subjectivas, restrinjo-me à análise das outras.

Rezam as crónicas de antanho ( pronto, Pedro Correia, lá vai mais uma palavra que detestas...mas como estou fora do país, espero que me perdoes) que quando se pretendia rotular uma pessoa como mal educada, se dizia "fala como um carroceiro". A expressão ainda é utilizada nos nossos dias, mas como já não existem carroças, seria mais lógico dizer " fala como um camionista" ou, para utilizar um pleonasmo, "fala como Luís Filipe Vieira". (O acordo ortográfico deveria preocupar-se era com estas coisas e não com os acentos e as vogais mudas ou abertas, mas enfim, essa questão fica para outra altura).

A diferença entre um carroceiro e um camionista não é apenas o meio de locomoção- nunca vi nenhuma carroça decorada com calendários da Pirelli, exibindo mulheres mamalhudas, e galhardetes do Benfica! Os carroceiros, quando eram atacados por fúrias sexuais, vingavam-se num rebanho; os camionistas procuram a puta do quilómetro 34 e "acham" que isso é progresso!

Eu sei que a vida de camionista é dura. Percorrem diariamente milhares de quilómetros, na solidão de uma cabine,rodeados de gajas da Pirelli, fotografias do Nuno Gomes e galhardetes do Benfica, apenas com o Marco Paulo e a Mónica Sintra como companhia. É natural que os seus pensamentos estejam constantemente dirigidos para a função. Por isso conhecem os nomes e sabem o preçário de todas as putas de estrada e têm na cabeça um GPS que os informa do local exacto do seu estacionamento.

Alguns têm pensamentos mais profundos e sonham com o prémio do Euromilhões que lhes permita sair da estrada e tornar-se empresários. Outros, utilizam o segundo neurónio,põem uma gravata e candidatam-se a presidentes do Benfica!

Mas se eu sou portista, pago os meus impostos, não gosto de ir às putas e conduzo um cabriolet, porque raio é que hei-de estar solidário com um camionista, que morreu porque pretendia impedir outro de ser livre? Acham-me com cara de otário, ou de chulo que vive à custa dos outros?

Não, para isso já existe uma instituição em Portugal. Chama-se Sport Lisboa e Benfica, está desde o Estado Novo habituado a viver à sombra das mordomias governativas e tem como presidente um lídimo representante da classe. Como não ganha nada em campo, move as influências dos amigos e beneficia das jogadas de secretaria.

Definitivamente, não estou aqui para encher pneus. Seja de ar, ou de coca, não me interessa. Prefiro respeitar as regras do jogo e dormir todas as noites tranquilo. Como os camionistas que não se revêem no que acabo de escrever.

Adenda: Portugal lá ganhou, está nos quartos ( e muito provavelmente nas meias, porque a Croácia deve ser pêra doce) e Sócrates vai ter mais uns dias de paz, com o povo exultando com os feitos da selecção e esquecendo a falta dos tomates e outras leguminosas, o preço da gasolina e dos produtos alimentares.