quarta-feira, 14 de maio de 2008

Euro 2008: o lado B (2)


Fenómeno curioso, este da bola! Ao mesmo tempo que é motivo de alegria para milhões de crianças em todo o mundo que a podem pontapear, é também causa de lágrimas e horrores para milhares de crianças que ajudam ao seu fabrico em condições de trabalho indignas.
Sempre que se realizam eventos desportivos de grande dimensão, o tema é recorrente: organizações não governamentais alertam os consumidores para as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam de forma despudorada as normas mais elementares da Organização Internacional do Trabalho ( OIT) e a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A maioria dos adeptos que exulta quando a bola se anicha nas redes da equipa adversária, desconhece que aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu fabrico. Como desconhece que os sapatos desportivos de marca que leva calçados, o cachecol ou a camisola que identificam a sua simpatia por uma das equipas, podem ter sido fabricados à custa de trabalho infantil e trabalho escravo, em países como a China, Índia, Paquistão ou México, ( para apenas citar alguns) .
Alertada para este facto por várias organizações internacionais, a FIFA adoptou, em 1996, um Código de Conduta em que assume a total responsabilidade sobre as condições laborais dos trabalhadores envolvidos na produção dos bens por ela licenciados, procurando desta forma credibilizar os seus produtos junto dos consumidores.
Os principais parâmetros deste Código de Conduta assentam na garantia dada aos consumidores de que nos produtos licenciados pela FIFA não há recurso ao trabalho infantil, nem ao trabalho escravo, há liberdade de associação sindical por parte dos trabalhadores, são pagos salários justos, a semana de trabalho não excede as 48 horas e que são garantidos os requisitos de segurança e higiene nos locais de trabalho.
Este Código de Conduta viria a ser adoptado pela UEFA durante a realização do Euro 2000 na Bélgica e Holanda ( curiosamente foi na Holanda que nasceu a Campanha Roupas Limpas e na Bélgica que reuniu, em 1998, o Tribunal Permanente dos Povos para condenar o desrespeito pelos consumidores, manifestado por algumas das empresas mais conhecidas da área da distribuição e da produção de material desportivo).

Tudo teria acabado em bem, não se desse o caso de a contrafacção destes produtos escapar às malhas da FIFA. Por isso, já sabe... se comprar produtos contrafeitos, pode estar a contribuir para a exploração de uma criança! Pense duas vezes antes de comprar...

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