quarta-feira, 23 de abril de 2008

Tony Carreira:um fenómeno por explicar...

( Este post vai ser a minha perdição. Não é aconselhável a pessoas sensíveis)

Há umas semanas, uma jovem jornalista por quem nutro grande consideração- um dia vão ouvir falar dela, garanto-vos- surpreendeu-me ao dizer que tinha bastante apreço por Tony Carreira. Dias depois, um post da Patti no Ares da Minha Graça ( link ao lado) que não conheço, mas cujos posts muito aprecio, colocava a questão mais ou menos nestes temos: porquê não gostar de Tony Carreira?
Dei comigo a matutar no assunto. Seria preconceito?
Digo desde já que em termos musicais os meus gostos divergem da maioria. Sou francófono assumido e, para além de Katie Melua, Aimee Mann e algum jazz e soul, no meu carro só entra música francesa e latino-americana. Em casa os meus gostos são mais ecléticos, a música anglo-saxónica tem uma presença mais assídua, mas limitada a uma dúzia de nomes.
Num fim de semana decidi, no remanso do meu Rochedo, ouvir Tony Carreira e tentar perceber se era preconceito ou mero desconhecimento que me levava a não ver nele mais do que um cantor pimba. Assunto arrumado: não gosto e ponto final.
Hoje, no "Em Reportagem" da RTP 1, a figura era Tony Carreira. Decidi ver. Confirmei a minha opinião, mas passei a admitir que provavelmente o problema é meu.
Um homem que põe as mulheres em delírio e lágrimas, lhes alivia o sofrimento, que as faz felizes como muitos maridos não as conseguem fazer em casa, só pode ser alguém com um magnetismo muito especial. Que me escapa, é certo, mas que existe. Vi também muitos jovens e adultos embalados por aquelas canções dengosas com letras estapafúrdias.
Realmente, o problema deve ser meu. Não tenciono voltar a ouvir Tony Carreira, mas uma coisa é certa: ninguém mais me ouvirá chamar-lhe "pimba".

9 comentários:

  1. Ai, é este?
    Só ouvi falar do fenómeno em Fevereiro. A prole resolveu discutir num jantar a histeria que o rodeava. Eu cristalizei no Marco Paulo, "o verdadeiro artista".

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  2. Maloud: Não me diga que nunca ouviu falar do Emanuel? Olhe que eu, a 16 mil kms de distância ouvia falar dele.
    E a prole também pertence ao clube de fãs, ou nem por isso?

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  3. Não, nuca ouvi. Quem é?
    Para ser soft, "nem por isso".

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  4. Oh Carlos, nem de propósito.
    Quando vi hoje o programa na RTP1, lembrei-me logo de si, que já tinho dito que não o conhecia.
    Que pena, se calhar o Carlos, não está a ver isto que era uma óptima oportunidade para formar um juízo.
    Ainda bem que viu.
    Eu também não gosto do estilo/música/letras/o que for do Tony Carreira, mas tenho-lhe uma admiração profunda e sentida.
    Gosto de pessoas lutadores, vencedoras e verdadeiras e ele inspira-me isso.
    Já disse no meu post que os portugueses têm a mania de desprezar o humilde do interior que venceu na vida.
    Não há nada mais snob e rústico.
    Não preciso de gostar da música dele e detesto que lhe chamem pimba!

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  5. Maloud: ao que me parece, foi o criador da música "pimba"

    Patti:se não fosse o seu post, provavelmente não teria visto o programa. Tive também oportunidade de conhecer parte da vida dele, graças à minha amiga de que falo no post e não posso deixar de concordar consigo. Pelo percurso de vida, pelo espírito lutador e pelo que vi, também nunca mais voltarei a considerá-lo "pimba".

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  6. Ilustre jornalista Carlos

    Hoje sou eu que te deixo aqui um comentário.
    Como sabes sou de uma zona raiana, o Sabugal, e apesar de viver na big cidade por obrigação, tenho e terei sempre alma de beirão.
    Nasci na Beira Alta mas reciclaram-me e agora pertenço à híbrida Beira Interior (Norte e Sul).
    Sempre lidei de perto com a cultura espanhola e, surpreendo-me sempre, com a promoção que os espanhóis fazem aos seus «Carreiras». Vivem e adoram a sua cultura e os seus «pimbas». O nosso cinzento rosto crispado choca profundamente com as coloridas bolas brancas das sevilhanas!
    Talvez não concordes (nem quem te visita) mas o Tony Carreira, por comparação, até pode ser o «nosso» Julio Eglesias. Mas esse já é bom. Será que é por ser estrangeiro? (naquele discutidíssimo tema do que é estrangeiro é que é bom).
    Repara que eu não estou a falar de qualidade musical, apenas e só de cultura pátria (não sei se soa bem!)
    Bom! Mas resumindo. Sou parcial. Só por ele ser beirão, ser emigrante (tenho muitos na minha família) e ter sucesso na sua profissão/vocação merece o meu respeito.
    E não resisto a contar-te um episódio: um dia em Zurique passou por mim um carro que debitava uma música de Tony Carreira. Arrepiei-me e senti-me bem por ser português!
    Aquele abraço com muita amizade,
    José Carlos Lages

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  7. Meu caro Zé Carlos:
    Compreendo muito bem a tua posição.Eu também sou parcial.Já saí do Porto há mais de 30 anos e, apesar de tudo, quando me dizem mal do Porto, ou achincalham os tripeiros por qualquer razão "salta-me a tampa".Costumo dizer que o Porto é o meu berço e a Argentina a minha Pátria...
    É curioso, porque também já tinha dado por mim a pensar nessa comparação do Tony Carreira com o Júlio Iglésias, mas hoje sei que não é por preconceito que não gosto da música do TC (e percebo porque é que muita gente gosta)mas aprecio a sua personalidade.
    Eu, como sabes, sou um apaixonado pelo Tango e pelas Milongas, uma coisa um bocado "old fashioned", mas não me sinto incomodado por isso.A minha vida está ligada, para o bem e para o mal, àquele país que tem as cores do meu clube.
    Sei que és visitante assíduo do Rochedo e fiquei contente com o teu comentário. Desinibe-te, homem, e comenta mais vezes.
    Um fortíssimo abraço e votos de que a tua Capeia Arraiana continue a ser não só o melhor blog regional, mas também o de maior audiência. Tomara eu ter metade da que tu tens!

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  8. Aqui está um fenómeno que não compreendo - este homem move multidões.Não gosto, não consigo gostar, nem sequer ouvir...

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  9. Cerejinha: eu tb não compreendo, mas quis ouvir a música dele e ver o programa para ver se entendia.

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