quinta-feira, 17 de abril de 2008

Um cérebro de pastilha elástica

Cenário: um centro comercial,à hora da bica matinal, junto a um desses balcões de come em pé.
-“Dê-me uma caixa de pastilhas verdes”
- “De que marca?
Pode ser aquela” ( aponta para uma caixa azul, que a empregada prontamente lhe traz)
“Eu disse que queria verde, não percebeu?”
“Mas a senhora apontou para estas...”
A cliente (dando mostras de impaciência)
-“Está bem, está bem, mas eu disse que queria verdes e essas são azuis. Despache-se que estou com pressa, bolas!”
( e virando-se para o escriba de serviço):
"Uff que é estúpida!Põem esta gente que vem lá do mato a trabalhar nestas coisas e depois é o que dá. Só neste país, só neste país! Isto precisa é de um Salazar. Ao menos nesse tempo faziam o que a gente mandava!".
Reparo que quem fala assim está na casa dos vinte anos e interrogo-me: quem lhe terá ensinado isto?

13 comentários:

  1. Engraçado...(ou sem piada nenhuma) mas também não compreendo os miúdos dessa mesma idade que exaltam o 25 de Abril, dizendo "agora é que é bom" e que no tempo do Salazar vivíamos na miséria. Vivíamos quem? Eu não, que não era nascida e muito menos eles...

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  2. Infelizmente tenho assistido a situações parecidas em que se exalta a figura de Salazar - o principal responsável pelo atraso deste país, pelo que fez, pelo que não fez mas sobretudo pela herança genética que deixou a muitos políticos que por aí andam.

    Quanto à Cerejinha, responderia que a miséria está documentada, o contrário é que não passa de ficção fascista.


    Abraço!


    A Tasca do Teixeira ®

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  3. Cerejinha:Penso que muitos miúdos que "exaltam o 25 de Abril" o fazem, porque os pais lhes transmitiramalguns dos horrores do Estado Novo.
    Eu vivi esse tempo e não quero nada voltar atrás. É por isso que quando ouço ou leio alguém dizer que Sócrates é um novo Salazar, respondo " calem-se, porque vocês nem imaginam o que era a PIDE, não sabem que nesse tempo não se podia falar com um amigo no café sobre política, porque se corria o risco de ir dentro".
    Não tenho filhos, mas se os tivesse, faria como alguns dos meus amigos que se preocuparam em transmitir aos seus, a experiência do que era o Estado Novo e como era a porcaria da nossa vida no tempo de Salazar. Era um país miserável, acredite. Pior, na Europa, só mesmo a vizinha Espanha!
    Sei que é minha leitora habitual,por isso peço-lhe que leia o meu RM do dia 25 de Abril

    Teixeira:Puseste o dedo na ferida. O grande problema actual deste país é mesmo esse: a herança genética dos políticos. Há em Sócrates- mas não só- uma marca de ADN salazarenta.
    E para aliviar... infelizmente nós, Dragões, sabemos que a miséria das vitórias benfiquistas durante o Estado Novo não é ficção, mas se os "documentos" não tivessem desaparecido, possívelmente dariam um bom tema para um livro que deveria interessar a Maria José Morgado!
    Abraço

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  4. Felizmente há pais que passaram o testemunho e também há jovens que não estão exclusivamente focados no último modelo de telemóvel ou nos ténis da marca xpto.
    Quanto à tolinha das pastilhas azuis sofre da síndrome, que tende a alastrar-se, do cliente malcriado.

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  5. Na minha opinião, o facto de haver documentos que comprovem os horrores da ditadura, ou o fausto dos Descobrimentos (recuando "um pouco"...) não nos - à minha geração e às posteriores - dão o direito, nem o conhecimento, nem a experiência de condenar ou exaltar esses momentos como se os tivessemos vivido ou ou lá estivessemos estado. Há um distanciamento temporal e mental que temos de aceitar e temos de agir de acordo com isso.
    Eu sentir-me-ía a pessoa mais rídicula, estúpida e ignorante do mundo se proferisse frases como " No tempo do Salazar é que era", pelos mais diversos factores. Não sei, não estive lá, não era nascida. Se era bom ou mau sei-o dos livros e de testemunhos.

    Com certeza não é o meu vizinho que vai chorar pelo meu dedo esfolado. Fui eu que me magoei e ele nem sequer assistiu! :-P

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  6. maloud:não creio que seja, apenas, uma questão consumista, embora esse seja um aspecto muito importante.
    Infelizmente nem todos os pais têm a preocupação de passar o testemunho dos horrores do Estado Novo aos filhos. Pelo contrário, há muitos que procuram apagar o passado e fazer crer aos filhos que dantes tudo eram rosas ,desvalorizando os uns parvos que insistem em afirmar o contrário...
    Pois , o cliente malcriado é um sub-produto da sociedade de consumo em grande expansão. E não se +pode exterminá-los?

    Cerejinha: gostei muito deste seu comentário, porque revela alguma coragem.
    Percebo muito bem a sua posição.
    Permita-me apenas que lhe faça duas perguntas: não acha que os pais devem fazer sentir aos filhos os horrores de uma época em que sofreram e não querem que volte mais?
    A segunda questão levar-nos-ia a uma longa discussão ( uma vez coloquei-a aos meus alunos na Universidade de La Plata e andámos a discutir isso durante uma semana):
    Em que medida é que os documentos/notícia de uma determinada época poderão influenciar comportamentos, gostos e atitudes de uma geração?
    Exemplo: porque é que, em 2008, vejo jovens de 16, 17, 18 anos em discotecas a dançar empolgados ao ritmo dos Beatles, ou enlevados a ouvir , enquanto bebem um copo, Bob Dylan, Joan Baez, Adriano, Zeca, ou mesmo Mercedes Soza?
    Certamente que percebeu onde eu queria chegar com esta questão... Que mensagem têm aquelas letras para os manter tão presos e atentos?

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  7. A história não foi, com toda a certeza. Quiça estórias mal ouvidas, retendo só o que dá mais jeito.
    Estas pessoas assustam...pela ignorância, pela estupidez, pela prepotência...

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  8. Minha gente, estão-se a esquivar do principal a reter nesta história: a senhorita das pastilhas merecia era um pontapé nas fuças. vai maltratar quem te pariu, vaca!

    e sim, eu sou do "mato", duma pequena freguesia, mas parece que há animais piores na cidade

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  9. Lenib: e pela insensibilidade que revelam pelos outros

    eu existo:não insulte as vacas que elas podem ofender-se.
    A cidade não é sinónimo de educação,pode crer!

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  10. oh cerejinha és pouco mais que isso, uma cerejinha sem caroço, Tás a topar?

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  11. Cérebro de pastilha elástica é pouco, para se referir a uma personagem dessas... ;)

    Beijocas

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  12. Má educação, estupidez, cretinice.
    Ela parece-me ainda mais estúpida do que racista!!!
    bjs

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