sexta-feira, 18 de abril de 2008

Mau, Maria!

Eu já desconfiava que “não há duas sem três”. A terceira má aparição do dia veio sob o signo de Maria, mas esta não faz aparições no 13 de Maio.
Estou a comer um delicioso arroz de pato e até me engasgo ao ler um título do DN ( sem link): “Maria Cavaco desvaloriza pobreza na Madeira”.
Leio a notícia e concluo que o título peca por defeito. É que Maria Cavaco não se limitou a desvalorizar. Foi mais assertiva. Perante o estudo do ISCTE sobre a territorialização da pobreza em Portugal , onde a Madeira aparece muito acima da média nacional, “com 83 mil pobres e um grau de risco de pobreza monetária na ordem dos 34%” ( lembro que a média nacional é de 19%) começou por dizer que não gostava de números. Depois, acrescentou:
“ Como não falei com o ISCTE, não posso responder, mas honestamente não acredito nisso. Não li o relatório nem vou lê-lo!”
Esclarecedor, sem dúvida. A mulher do Presidente da República é como S. Tomé. Precisa de ver para acreditar, porque os estudos feitos por uma instituição conceituada nada lhe dizem e por isso descredibiliza-os.
Eu não sei o que se passa com as pessoas quando vão à Madeira, para ficarem com o raciocínio a modos que turvo.
Não é, certamente, do ar que se respira, pois estive mais de uma dezena de vezes na Madeira ( só uma vez em turismo, as outras sempre para trabalhar) e nunca senti o cérebro afectado pelo “perfume” da região.
A avaliar pelos recentes elogios de Jaime Gama e pelas declarações de Maria Cavaco, presumo que em alguns hotéis do Funchal devem misturar qualquer coisa na água do chá matinal, que torna as mentes dóceis e subservientes ao líder madeirense, obrigando-os a multiplicar-se em elogios e impedindo-os de ver a realidade.
Provavelmente é isso que leva Cavaco Silva a rotular a sua vista à Madeira de “dias soberbos e perfeitos”...

10 comentários:

  1. Sugestão: ler a biografia do Ronaldo.
    Ou será que a mente ficou turvada de vez com o brilho das jóias e a cor do dinheiro?

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  2. Penso que o problema é muito mais complexo. É falta de carácter, mesmo!

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  3. Julgava-a mais inteligente que o marido, que nunca tinha lido e não gostava.

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  4. Carlos
    Foi uma amiga que ontem me falou deste blog. Não sabia que eras tu o autor e fiquei muito contente, porque te tinha perdido o rasto.
    Ao ler os posts que hoje escreves, lembrei-me logo de um dia em Trogir em que começáste por embirrar com o café do pequeno almoço e passaste o dia inteiro a implicar com os pobres dos jugoslavos. Nem a Leonor, por quem tu te embeiçavas na altura escapou!
    Quando for a Lisboa,talvez em Junho, contacto-te.
    Um fortíssimo abraço
    Jorge L
    ( Por Trogir sabes quem eu sou, não?)

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  5. Eu também, maloud,mas pelos vistos o casalinho gosta de nos surpreender.O marido até ja lê, deixou de falar com a boca cheia e exibe constantemente um sorriso jovial. Há cada surpresa!

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  6. Claro que me lembro, amigo!De ti e da cena de Trogir, que por acaso até já está transformada em post para um blog de viagens que penso iniciar dentro de algumas semanas.
    Digo-te mais...foi em Outubro de 1985 estava um dia como o de ontem aqui em Lisboa ( choveu até à noite) e a reportagem que tinha que mandar não saía, porque toda a gente se escusava a falar.
    À noite, antes do jantar, fomos beber um copo, a funcionária engraçou comigo e depois do jantar a reportagem saiu que foi um "brinquinho".
    Manda o teu mail ( que eu não publico)
    Um abração

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  7. E pensar que a Maria dá (ou deu) aulas numa universidade... "Não falei com o ISCTE"! Quem é o ISCTE? O ISCTE é apenas uma das escolas mais conceituadas em Portugal, com um centro de estudos e investigação em ciências sociais de total credibilidade! Mas se calhar a senhora só conhece a Universidade Católica...
    Quando li a notícia nem queria acreditar... Palavras para quê?
    O cargo de 1ª dama não é oficial, mas a senhora devia pensar 2 vezes antes de abrir a boca para dizer o que pensa.

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  8. Pois é, limba. O probleam da senhora é mesmo não medir as palavras que diz quando abre a boca. E como nesta época do ano, parece que não há moscas na Madeira...

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  9. Carlos, «falta de carácter» é mesmo a expressão adequada.

    Abraço,

    António

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  10. É um velho costume das gentes enfeitarem as ruas e esconderem as misérias quando passam os que mandam como se a pobreza e as mazelas da miséria fossem culpa de quem os vive. Sempre embirrei com isso e embirrarei mas parece que continua a passar-se. E isto não é para desculpar as calinadas da Maria e dos outros como ela que têm obrigação de ver o que vai por baixo dos arcos embandeirados e das roupas domingueiras com que o povo usa recebe-los.

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