segunda-feira, 31 de março de 2008

O lugar dos contorcionistas é no circo!

Há 15 dias, Florêncio de Almeida (Presidente da ANTRAL) dizia ao DN que o taxista que atropelou quatro crianças no Porto nunca mais devia conduzir um taxi. O juiz teve opinião diferente e o presidente da ANTRAL mudou o seu discurso. Com a mesma ligeireza com que defendera a punição, vem agora dize que acha muito bem que o taxista continue a guiar, aguardando a decisão dos tribunais. Não se coibiu mesmo de aventar a hipótese de a culpa ser das crianças. Sobre o facto de o taxista conduzir embriagado, nem uma palavra. Talvez desconheça que se o atropelante fosse um motorista da carris, ou de outro qualquer transporte público, a esta hora estaria a caminho do Fundo de Desemprego. Provavelmente ignora que os taxis são serviços de transporte públicos...
Há 15 anos, Jaime Gama, então deputado do PS, comparava Alberto João Jardim a Bokassa. Este fim de semana na Madeira, o mesmo Jaime Gama, investido Presidente da Assembleia da República deslocou-se à Madeira para tecer rasgados elogios a Alberto João Jardim. Que me recorde, nunca nenhum dirigente do PSD ousou ir tão longe nos encómios. Não consegui apurar a hora do discurso de Jaime Gama, o que eventualmente poderia explicar muita coisa, mas ouvi-o dizer a Lília Bernardes- que o confrontou com a incoerência- que “passado é passado e é preciso olhar para o futuro”.
Há vários anos que Luís Filipe Vieira anda a prometer, em cada início de época, que o título vai acampar e criar raízes na Luz.
Ontem, depois de afirmar que “cometi os meus erros , mas de certeza que não falho segunda vez” ( para toda a gente – com excepção de alguns escribas e comentadores desportivos - isto é um paradoxo, pois se cometeu erros é porque já falhou mais do que uma vez) veio dizer sem se engasgar que “ se calhar foi mau o Benfica ter sido campeão recentemente”.
Os adeptos do SLB devem ter ficado satisfeitos com o que ouviram e só eles terão percebido o alcance das palavras do seu Presidente.
Entre estes homens há muito de comum. Cada um, à sua maneira, desrespeitou e denegriu os seus pares.
Devia haver alguém que lhes dissesse que o lugar dos contorcionistas é no circo... a fazer companhia aos palhaços.





Pelo país dos blogues (3)

O fundamentalismo do vizinho é sempre melhor que o meu

A divulgação do filme contra o Islão, do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders, promete fazer renascer o já habitual debate sobre a intolerância do islão. Curiosamente, reina o silêncio e não parece haver maneira de encontrar os mesmos inflamados editoriais sobre os limites à liberdade de expressão a propósito da censura de um anúncio de cosméticos na pacata e liberal Inglaterra. A campanha publicitária, que aqui se mostra e que descobri no 5 Dias, foi banida das televisões pelas supostas ofensas aos cristãos perpetradas por meia dúzia de modelos que aparecem a rezar para garantir a beleza dos seus cabelos. Chocante, como se percebe...
Pedro Sales no zerodeconduta

Rochedo das Memórias 29- Welcome to the "Sixties"

Sabemos que a geração de 60 se gastou e perdeu credibilidade quando atingiu a idade adulta, ao conformar-se na renúncia dos seus valores, mostrando-se incapaz de resolver as suas próprias contradições.
A geração de 60 reformou-se demasiado cedo, sentada em conselhos de administração ou seduzida pelo conforto das cadeiras do poder. Deixou de ser inquieta, para passar a ser conformista e a reclamar ( quando não exigir) dos seus descendentes a aceitação desse conformismo.
Mas isso agora não interessa nada... porque apesar de todas as contradições, os anos 60 são vistos, ainda hoje, como uma década quase mítica do século XX.
Durante essa década, a multiplicação dos movimentos independentistas africanos, transformaram África num “puzzle” de países autónomos com fronteiras arbitrárias, vivendo à míngua da dependência económica dos colonizadores. Os confrontos serão constantes e sangrentos em território africano e a emergência de ditadores é vista com alguma indiferença no palco euro-americano.
A França torna-se uma potência nuclear e a OPEP passa a definir os preços do petróleo.
Nos Estados Unidos, John F. Kennedy- eleito presidente em Novembro de 1960- emerge como “guardião da liberdade” e manifesta a sua disponibilidade para pagar um preço por isso. Como adiante veremos, o preço foi bem alto e custou-lhe a própria vida e a de milhares de americanos, atolados na Guerra do Vietname. A “nova ordem universal” seria um rotundo fracasso.
A venda comercial (ainda restrita) da pílula e a introdução exitosa do primeiro pacemaker, marcam o início da década de 60 no mundo da Medicina. Nos Estados Unidos, a força da televisão fica bem patente na eleição do Presidente Kennedy, que ganha as eleições num debate com Nixon. A rádio começa a perder influência, mas ganha novo encanto com as emissões em estereofonia.
Enquanto os EUA lançam para o espaço satélites de vigilância, o crescimento da população mundial não pára e a fome ameaça muitos milhões de pessoas, nomeadamente nos recém nascidos países africanos. A esperança de que os supercereais poderão solucionar o problema rapidamente se desvanece, porque os países pobres não possuem tecnologia necessária para os produzir.
Em 1961, a URSS dá um passo de gigante na luta do espaço, ao colocar em órbita uma nave tripulada. Gagarin ficará na História como o primeiro homem a visitar o espaço. Os Estados Unidos respondem à URSS -que em 1957 lançara para o espaço a cadela Laika -, colocando a bordo da sonda Mercury o macaco Ham, “avô” do macaco Adriano que na década de 90 será a estrela do "Big show SIC".
O Muro de Berlim assinala, de forma visível, a separação entre o Ocidente e o Leste, os americanos são humilhados na Baía dos Porcos e Adolf Eichmann é condenado à forca em Israel, por responsabilidade na morte de milhares de judeus.


sábado, 29 de março de 2008

Parabéns, Murcon!

Venho à antena ,hoje, só para dar os meus parabéns ao Murcon, que hoje faz 3 anos.
Apesar de ser raramente citado e linkado, o blog de Júlio Machado Vaz é um excelente ancoradouro onde me refugio com frequência.
Sei que não deves andar muito satisfeito com os desgostos que o teu eterno SLB te está a dar, mas é para veres como eu sofria quando me atazinavas com as proezas do "glorioso" e desmerecias o meu FCP.
Como te ouvi dizer muitas vezes "Times, they're a changing", respondo-te em tom francófono :"Bleu, bleu, l'amour est bleu". É a cor da moda, meu caro!
Parabéns pelo teu excelente blog, cujo número de visitas me faz inveja ( estou a brincar!) e que nos continues a brindar com as tuas belas histórias e a música de excelência onde não falta a música dos anos 60 e os Beatles.
Abraço amigo

sexta-feira, 28 de março de 2008

Argentina: a guerra da carne

Os agricultores argentinos estão há 15 dias em conflito com o governo, por causa do aumento de 10% da carga fiscal sobre as exportações e ameaçam desencadear a mais grave crise na pátria azul celeste, desde o “Corralito”, em Dezembro de 2001.
Cortes de estradas impedem o abastecimento de carne, leite e produtos hortícolas a Buenos Aires, pondo os porteños em polvorosa.
Só quem não conhece a Argentina pode imaginar o que representa para um argentino estar mais de 24 horas impedido de comer asado de tira ou bife de chorizo!
Estava em Buenos Aires quando rebentou o “Corralito” e, pela primeira vez na vida, senti medo na Argentina. Para além do que se passava nas ruas, com assaltos a bancos e supermercados, incêndios de edifícios, “cacerolazos” e confrontos nas ruas, a instabilidade política ameaçava seriamente o país, mergulhado numa crise financeira sem precedentes, provocada pela ruinosa administração de Menem e do seu ministro das Finanças Caballo - que uma amiga rotulava de “Cabaco argentino”.
Durante algumas semanas os governos sucederam-se a uma velocidade vertiginosa, tendo-se dado o caso caricato de um deles ter tomado posse de manhã e ser substituído à tarde.
Nestor Kirchner veio repôr a normalidade. Melhorou significativamente a situação económica do país, mandou o FMI às malvas e devolveu à classe média boa parte do poder de compra que perdera com o “Corralito”.
Tudo indicava que a Argentina prosseguiria sem sobressaltos a recuperação económica, agora sob a batuta de Cristina Kirchner. Puro engano. Cem dias bastaram para que a “lua de mel” entre os argentinos e a família Kirchner terminasse.
De acordo com os relatos do La Nación e do Clarim, a situação ameaça deteriorar-se em várias províncias ( de Santiago del Estero a Salta, passando por Córdoba e Santa Fé), aguardando-se com expectativa a solução do governo para pôr fim ao bloqueio das estradas, encetado pelos agricultores.
Desde terça-feira, a situação tem vindo também a agudizar-se em Buenos Aires, com confrontos entre patrões agrícolas e simpatizantes do Governo. O “cacerolazo” voltou às ruas de Buenos Aires e, de acordo com amigos porteños, nas noites de terça e quarta-feira lutava-se “corpo a corpo” pela ocupação da emblemática Plaza de Mayo.
Esta manhã a situação estava mais calma, depois de Cristina Kirchner ter prometido dialogar com os patrões agrícolas, quando eles terminarem com o bloqueio das estradas.
Aguardo, ansioso, o evoluir da situação. Quero chegar à Plaza de Mayo , dentro de dias, poder dialogar com as "abuelas" e depois "mergulhar" mais uma vez na Patagónia com a tranquilidade habitual.

Conversas com o Papalagui (27)

- Ontem não te vi no debate sobre “A justiça e a corrupção desportiva”
- Não ia lá fazer nada... já sei qual é o problema
- Então qual é?
- É uma questão de escolhas
- Escolhas?
- Sim, escolhas bíblicas
- Não estou a perceber nada...
- É simples. Anda por aí muito boa gente a tratar destes assuntos, que trocou a bíblia do "Livro Vermelho" do Mao , pelo livro de pensamentos da Carolina Salgado

Pelo país dos blogs (2)

Reproduzo aqui um excerto do que escrevi há dias no post Carolina Michelis - o lado B ( sem link)
"A imprensa, a rádio e a televisão sabem, tão bem como eu, que esta cena não é pioneira, mas nunca tinham tido a possibilidade de fazer imagens reais que testemunhassem a violência que grassa nas escolas. ( O caso do video feito há tempos pela RTP foi desvalorizado por se tratar de uma escola problemática-eufemismo para escola frequentada por crianças pretas de bairros da periferia- como se as escolas não fossem quase todas problemáticas!)"
Hoje, no Blogouvese o João Paulo Meneses escreve um lúcido post sobre este mesmo assunto, que ainda não vira abordado em nenhum blog. A ler

Rochedo das Memórias Especial- A Construção Europeia(6)

( a expansão das fronteiras)
Nos anos 60, o crescimento económico era uma realidade e a CEE começou a despertar a cobiça de outros países europeus. O primeiro a apresentar a sua candidatura de adesão foi, curiosamente, a Turquia em 1961, mas como é sabido a adesão deste país encontra-se ainda num impasse sendo, inclusivé, alvo de grande controvérsia no seio da actual União Europeia.
O primeiro alargamento concretiza-se em 1973, com a adesão da Dinamarca, Reino Unido e Irlanda. Os dois primeiros haviam experimentado uma via alternativa à CEE, com a criação da EFTA em 1960. A EFTA, porém, nunca passou de uma associação de comércio livre, com resultados muito aquém das expectativas dos fundadores, entre os quais estava Portugal.
Um ano após a adesão daqueles três países, caíam as ditaduras militares na Grécia e em Portugal e, pouco depois, também em Espanha. Estas três jovens democracias passariam a integrar a CEE na década de 80. Primeiro a Grécia ( 1981) e depois Portugal e Espanha ( 1986).
A CEE estende as suas fronteiras para Ocidente, atingindo o Atlântico, e para sul, chegando ao Mar Egeu. É com uma Europa a Doze que entra em vigor o Acto Único, mas a assinatura do Tratado de Maastricht, em 1991, criou uma nova dinâmica europeia, com objectivos ambiciosos. Áustria, Suécia e Finlândia são seduzidos por esta nova dinâmica e aderem à União Europeia em 1995, elevando para 15 o número de Estados Membros. Estava alcançada a Europa dos 300 milhões de consumidores, preconizada por Jacques Delors.
O maior alargamento da história da União Europeia viria, no entanto, a registar-se em pleno século XXI. No dia 1 de Maio de 2004, 10 novos países passam a integrar a União Europeia ( Chipre, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Eslováquia e Eslovénia). Três anos mais tarde ( 1 de Janeiro de 2007) é a vez de entrarem a Bulgária e a Roménia, estendendo a União Europeia as suas fronteiras até ao Mar Negro e ao Báltico e passando a contar com uma população próxima dos 500 milhões de habitantes.
O processo de adesão destes 12 países foi, porventura, o mais moroso. Iniciou-se praticamente após a queda do muro de Berlim, em 1989, mas só com o lançamento do programa de assistência financeira PHARE, cujo objectivo era contribuir para a reconstrução das economias dos países do Leste europeu e incentivar as reformas políticas, se registaram avanços significativos.
O processo de integração destes países mereceu cuidados específicos por parte da União Europeia, que definiu três critérios que os candidatos deveriam cumprir antes da adesão. Por um lado, a obrigatoriedade de possuírem instituições estáveis capazes de garantir a democracia, por outro, critérios económicos ( obrigatoriedade de terem uma economia viável, capaz de enfrentar a pressão concorrencial no interior da união europeia). Finalmente, os candidatos foram obrigados a transpôr para o seu direito interno a totalidade do acervo comunitário ( aproximadamente 26 mil textos legislativos)
No momento em que as negociações com a Turquia se mantêm num impasse coloca-se uma questão: até onde podem ir as fronteiras da União Europeia? Deverão restringir-se ao continente europeu, ou poderão estender-se aos países da margem sul do Mediterrâneo? A resposta a estas questões poderá abrir um novo debate sobre o significado da expressão “cidadão europeu” e reequacionar o papel da União Europeia no mundo.

Adenda: A partir de segunda-feira, 31, regressa a edição normal do RM. Em foco,os anos 60

Rochedo das Memórias Especial- A Construção Europeia(5)


Em Dezembro de 1991, os “Doze” assinaram em Maastricht o Tratado da União Europeia (TUE), que refundou a Europa e passou a constituir uma pedra angular no processo de integração europeia, ao definir objectivos que ultrapassam a vertente económica e lançar as bases para a unidade política. A CEE é rebaptizada com o nome de Comunidade Europeia ( CE) e é criada a União Europeia (UE).
O TUE traça objectivos ambiciosos, como o reforço da coesão económica e social, a implantação de uma Política Externa de Segurança Comum (PESC), o reforço da cooperação intergovernamental entre os estados-membros, a cidadania europeia e a criação da União Económica e Monetária (UEM). Ficará para a História como o primeiro passo na caminhada para o Euro.
O processo durou 10 anos e exigiu o cumprimento dos critérios de convergência: défice orçamental inferior a 3%, estabilidade dos preços, das taxas de juro e de câmbio e controlo do déficit da dívida pública , que não pode ultrapassar os 60%.
A moeda europeia nasce em 1999, passando a ser comum a 11 dos 15 Estados, mas apenas para efeitos de operações cambiais. A entrada em circulação de notas e moedas só ocorreria em Janeiro de 2002, culminando assim um processo de convergência entre as economias europeias, considerado como fundamental para o funcionamento sem distorções do mercado interno.
Com maiores ou menores dificuldades, pode dizer-se que a União Europeia tem conseguido cumprir as metas a que se tem proposto. O falhanço da Constituição Europeia ( que a assinatura do Tratado de Lisboa terá permitido colmatar - falta saber como decorre o processo de ratificação...) foi um contratempo face às questões que se colocam a uma Europa alargada, que enfrenta os desafios da globalização e da revolução tecnológica.
Se tudo tivesse corrido normalmente, a Constituição Europeia teria sido ratificada em 2006, mas nos referendos realizados em França e na Holanda, os cidadãos responderam negativamente à ratificação, o que desde logo bloqueou todo o processo. De qualquer modo, como salienta Pascal Fontaine,este meio século de integração europeia marcou profundamente a história da Europa e a mentalidade dos europeus”.
A União Europeia tem desempenhado um papel fulcral no que concerne à salvaguarda do futuro do Planeta. O exemplo mais significativo talvez seja o compromisso exemplar com as metas do Protocolo de Quioto e a aposta no desenvolvimento sustentável. O incremento das energias renováveis, a redução de emissões de CO 2, ou a preservação das espécies ameaçadas, são apenas alguns dos exemplos mais significativos que se podem apontar para realçar os aspectos positivos de uma Europa que, falando a uma só voz, pode contribuir para a sustentabilidade do Planeta, numa altura de previsões preocupantes sobre as alterações climáticas.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Estou farto de Carolinas, mas lá terá que ser...

Já emiti aqui a minha opinião sobre os acontecimentos do Carolina Michaelis e não pensava voltar ao assunto. Os últimos desenvolvimentos, porém, obrigam-me a fazê-lo.
A desvalorização das atitudes caninas de alguns jovens e dos seus progenitores, por parte da Ministra da Educação e do seu ajudante Valter Lemos são preocupantes. É inadmissível que se tente atirar poeira para os olhos da opinião pública, fingindo que se trata de acções esporádicas. No Ministério sabe-se, há anos, que isso não é verdade e que a perda de autoridade dos professores deve ser repartida em partes equitativas pelo Ministério e por alguns conselhos directivos das escolas, que “fecham os olhos” ao que se passa dentro dos estabelecimentos de ensino.
O caso relatado ontem por Jorge Coelho na “Quadratura do Círculo” apenas confirma o que aqui escrevi: o importante é varrer para debaixo do tapete o que se passa, fingindo que se limpou o lixo, para não causar problemas.
O problema do Ministério da Educação é ser gerido há décadas por pessoas que estão completamente desfasadas da realidade das escolas. Na 5 de Outubro e na 24 de Julho - provavelmente também nas DRE - impera o estilo “rive gauche”, cujo prazo de validade já prescreveu há muito.
Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, neste momento não há escalada de violência, há apenas mais visibilidade das situações aberrantes que se passam diariamente nas escolas portuguesas há anos.
Estou, por isso, de acordo com a posição de Marinho Pinto. Na verdade, não deve ser o PGR a meter ordem nas escolas. Mas uma vez que o Ministério da Educação não consegue ( ou não quer...) pôr ordem dentro da sua própria casa, que alguém o faça.
Quanto mais não seja em nome dos professores, que merecem mais respeito do que serem tratados como “amas” que além de ensinar, ainda têm que dar aos meninos e meninas, a educação que lhes falta em casa.

Brincar às urbanizações na Alta de Lisboa


Creio não errar se disser que o projecto de urbanização da Alta de Lisboa foi uma ideia surgida durante a presidência de Nuno Abecassis à frente da autarquia, mas que só começou a ser concretizada no tempo de João Soares. Seja como for, foi já há muito tempo.
Inicialmente o projecto parecia ir "de vento em popa", mas aquilo que parecia ser uma boa ideia para a zona oriental de Lisboa, com a criação de infra-estruturas e áreas para escritórios que fixassem e dessem vida à nova urbanização, ficaram a meio caminho.
O último troço do Eixo Norte/Sul abriu ano passado, com 10 anos de atraso em relação ao previsto; a Avenida Santos e Castro, propagandeada como a nova centralidade de Lisboa que rivalizaria com a Avenida da Liberdade, deveria estar concluída em 2004, mas continua parada; os edifícios para escritórios nunca chegaram a ser construídos; as infra-estruturas estão muito aquém do prometido às 30 mil pessoas que foram para lá viver ( previa-se o dobro por esta altura...); um sucateiro que deveria ter sido desalojado há mais de 10 anos, continua por lá instalado, servindo de albergue a milhares de pneus e a centenas de veículos vendidos em "leasing" cujos donos não conseguiram cumprir o contrato. Entretanto, os assaltos e roubo de veículos têm sido notícia recorrente na imprensa.
Vivo no Lumiar e a situação de impasse a que a urbanização chegou também me afecta - ainda que de forma indirecta. Não resisto, por isso, a fazer coro com os residentes e, especialmente, com aqueles que expressam o seu descontentamento no blog Viver na Alta de Lisboa .
Infelizmente, o que acontece com esta urbanização, tem acontecido com outras em Lisboa. Chega a dar a impressão que os autarcas da cidade brincam às urbanizações como as crianças que brincam com o Lego. Começam uma construção cheios de entusiasmo mas, passados alguns minutos, ou porque se mostram incapazes de resolver um problema inesperado, ou porque se cansam do "brinquedo", deixam o empreendimento a meio e vão entreter-se com um brinquedo novo.
Isso compreende-se e aceita-se quando a relação é entre crianças e peças de um "puzzle". É inaceitável quando em causa estão as condições de vida de pessoas que foram enganadas por promessas de uma empresa e de autarcas que supunham ser adultos, mas afinal se revelaram como crianças irresponsáveis.
Eu sei que António Costa herdou uma autarquia em cacos e não sabe para onde se virar; sei que Carmona Rodrigues e Santana Lopes reduziram os interesses de Lisboa à construção de um túnel que se está a revelar como um excelente espaço de caça à multa, serve essencialmente os interesses dos que vivem fora de Lisboa e não de quem cá vive; sei que António Costa não é o único responsável pela situação a que chegou a Alta de Lisboa, mas o mínimo que se lhe pode exigir é que exija à SGAL ( Sociedade Gestora da Alta de Lisboa) que cumpra o modelo previsto, explique às pessoas o que se está a passar e seja claro quanto ao que pretende fazer na Alta de Lisboa, no caso de vir a ser reeleito.

Não há pachorra!

Não há pachorra para aturar uma oposição que anda um ano a clamar a descida de impostos e no dia em que o Governo baixa o IVA critica a medida e acusa o Governo de eleitoralista.
A política em Portugal está cada vez mais parecida com o futebol. Quem ganha é sempre acusado de estar a fazer batota e quem perde declara-se vencedor moral
Já não há pachorra para aturar uma oposição de birras, nem as brigadas do reumático (mental) que a sustentam. Incapazes de PELO MENOS UMA VEZ admitirem que o governo actuou de acordo com aquilo que vinham reclamando, logo viram o "bico ao prego" e passam a criticar o que defenderam antes, sustentados por uma brigada de néscios e imbecis que servem de câmara de eco.
Realmente, deve ser difícil governar um país assim!

Pelo país dos blogues (1)

Zero Noticioso
"Um rápido scroll pela actualidade noticiosa portuguesa deixa-nos absolutamente estupefactos pela falta de conteúdo e dimensão das notícias que enchem os sites noticiosos da RTP, SIC ou TSF on-line. Está-se ao nível mais baixo do zero-news e ainda faltam alguns meses para a silly season onde os nossos compatriotas rumam às praias do Algarve ou do Brasil. Em títulos: apuramento do défice leva Governo a baixar o IVA; Portugal mais uma vez vê-se grego; oposição em defesa da suspensão de avaliação a docentes; Manuel Alegre agradece aos socialistas locais por defenderem um serviço público de saúde gratuto; vereadores do PSD abandonam reunião em protesto contra "atentado à democracia"; IVA: Cavaco Silva escusa-se a comentar descida; ministra quer programa de mobilidade entre alunos e docentes; Provedor de Justiça alerta para discriminação de deficientes; Somague: este meu PSD não tem nada a ver com isso.Parece que no rectângulo à beira-mar plantado não acontece nada de significativo que importe verdadeiramente para a vida das pessoas. Entre o país e a paróquia mais remota do Norte do país vai apenas a diferença de dimensão, não da perspectiva ou da focagem. O ruído noticioso é do mais imbecil e burro que me é dado perceber, em anos. Naturalmente, não são só os jornalistas têm responsabilidades neste estado de coisas. As chefias de redacções têm também, as administrações, idem. Quando se trocou a obrigação de informar e formar pela apostilha de idiotices por onde vai a nossa imprensa tem-se aí o resultado. E, na verdade, o que preocupa quem administra órgãos de informação é tornar o leitor, espectador ou ouvinte, cativo de um certo formato noticioso, de uma merchandise que não se distingue do shampoo, do enlatado, do tuperware ou do gadget absolutamente inútil que nos é impigido no supermercado, a caminho da caixa. Algo que não queremos comprar mas que a estratégia de obnubilação do consumidor nos condiciona e manipula para que compremos. Nesta situação o regulador da actividade anda perfeitamente a dormir. E já não é um problema de esquerda ou de direita; os jornalistas alvorados em supervisores acham que tudo vale para manter o tacho."
Arnaldo Gonçalves em ExíliodeAndarilho

Rochedo das Memórias Especial- A Construção Europeia (4)

Jacques Delors

A primeira metade da década de 80 é vivida sob o signo da crise e de dúvidas quanto à sobrevivência da CEE. Crescia o número de eurocépticos e a CEE ameaçava estagnar.
Em 1985 deu-se o volteface. O Presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, publica um “Livro Branco” que estabelece o dia 1 de Janeiro de 1993 como data limite para a realização do mercado interno europeu.
O efeito imediato foi a assinatura, em Fevereiro de 1986, do Acto Único Europeu, instrumento que lançou a CEE para novos desafios. Para além de consagrar a existência do Conselho da Europa ( reunião periódica dos chefes de Estado e do Governo), como organismo onde se tomam as grandes decisões estratégicas, o Acto Único apontava como objectivo uma maior coesão económica e social.
A reforma dos fundos estruturais- Fundo Social Europeu (FSE), Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA) e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional ( FEDER) - foi crucial para alcançar essa coesão. Sinteticamente, poderá dizer-se que o Acto Único consubstanciava a “obrigação de realizar simultaneamente o grande mercado sem fronteiras, a coesão económica e social, uma política europeia de investigação e tecnologia, o reforço do SME e acções significativas em relação ao ambiente”.
Como refere Pascal Fontaine, “os progressos foram rápidos e significativos e os benefícios depressa se fizeram sentir no quotidiano dos cidadãos europeus que começaram a circular na Europa livremente (...). As barreiras físicas e técnicas foram tombando umas atrás das outras , embora ainda persistam divergências em domínios particularmente sensíveis, como a harmonização da fiscalidade sobre a poupança”.
Confirmava-se assim que, embora tivesse sido constituída com objectivos políticos, o sucesso e dinâmica da CEE seria alcançado pela economia: mercado único e, posteriormente, a moeda única - o Euro.
Em 1993, o mercado único era uma realidade, apesar de o Reino Unido, com Margaret Thatcher ao leme, se ter demarcado e contestado fortemente a integração europeia. Defensora de “uma menor intervenção do estado na economia e na protecção social, da liberalização dos sectores económicos, da diminuição do poder dos sindicatos, da redução de impostos...” procurou reduzir a contribuição britânica para fins comunitários e recusou-se a assinar a Carta Social ( rubricada em 1989 por todos os Estados Membros), um instrumento fundamental para garantir determinados direitos sociais aos cidadãos europeus.
O evoluir dos acontecimentos viria dar razão à persistência de Jacques Delors e demonstrar que só com a integração europeia seria possível ultrapassar os antagonismos entre os países europeus. A queda do muro de Berlim em 1989 - e o consequente desmembramento da União Soviética dois anos mais tarde- foram um excelente pretexto para Delors responder a Thatcher, afirmando numa reunião em Bruxelas: “ A História está a acelerar-se e nós não podemos perder o comboio”. Começava, nesse dia, a preparar-se o alargamento das fronteiras a Leste.

Rochedo das Memórias (Especial)- A Construção Europeia (3)

O processo iniciou-se na década de 60, com as políticas comuns no comércio e na agricultura, mas o mais importante passo foi dado em 1968, com a abolição dos direitos aduaneiros. Foram suprimidas todas as fronteiras entre os países comunitários e criada uma fronteira aduaneira comum. No entanto, a livre circulação restringia-se aos bens, sendo muito condicionada a circulação de pessoas, capitais e serviços. Estas restrições explicam por que razão a CEE passou então a ser conhecida, popularmente, como Mercado Comum.
De qualquer modo, durante esta década regista-se um crescimento espectacular: o PIB médio aumentou 70%, o comércio intracomunitário aumentou seis vezes, e as trocas comerciais com países terceiros triplicaram.
Os anos 70 iniciam-se com uma preocupação comum aos lideres dos “seis”: fazer convergir as suas economias e criar uma união monetária. Porém, o choque petrolífero de 73, e o facto de os Estados Unidos terem decidido suspender a convertibilidade do dólar em ouro, contribuíram para uma travagem do crescimento dos países europeus, o que se reflectiu no aumento do desemprego e da inflação e numa crise acentuada em sectores tradicionais da indústria europeia. A crise ( que se prolongaria até meados dos anos 80) provocou grande instabilidade nos mercados monetários criando uma onda de cepticismo quanto ao futuro da CEE. Termos como eurocépticos” e eurosclerose” começaram a aparecer nas páginas dos jornais e a circular nos meandros políticos com alguma insistência.
Mais de um quarto de século volvido sobre a primeira “crise” parece poder concluir-se que foi naquela época de adversidade, que a CEE começou a consolidar o seu futuro.
Com efeito, a criação do Sistema Monetário Europeu (SME) , em 1979, contribuiu para acalmar os mercados, e constituiu o primeiro passo para a unidade monetária. Para além de trazer consigo o ECU ( European Currency Unit), percursor do Euro, o SME estabelecia que as moedas dos países membros não poderiam sofrer uma flutuação do seu valor cambial superior a 2,5%, e que os Estados Membros se comprometiam a adoptar políticas de rigor, disciplinadoras das suas economias.
A década de 70 trouxe também o primeiro alargamento, a criação do Conselho Europeu ( 1975) e o primeiro sufrágio universal para o Parlamento Europeu (1979). Os membros do PE deixaram de ser nomeados pelos respectivos parlamentos nacionais e passaram a ser eleitos pelos cidadãos de cada um dos Estados-Membros.
Bem se pode dizer que a várias vezes anunciada morte da CEE foi uma profecia manifestamente exagerada. O Requiem, preconizado pelos eurocépticos, viria a surgir apenas alguns anos mais tarde.... mas por vontade expressa dos estados- membros que a rebaptizaram de Comunidade Europeia ( CE).

quarta-feira, 26 de março de 2008

Chegou a vez dos baptizados

Depois dos casamentos, chegou a vez dos baptizados. Disse-me fonte normalmente bem informada - e credível junto da procuradora Maria José Morgado ( Carolina Salgado)- , que o Governo está a estudar a hipótese de exigir aos bebés a relação das despesas efectuadas com os seus baptizados.
A hipótese, ainda em estudo, está a ser testada na Cova Da Beira. Como a foto documenta, dois bebés de Castelo Branco foram sujeitos a testes que procuram averiguar a sua capacidade para preencher um novo modelo de IRS destinado a recém-nascidos.
De acordo com a mesma fonte, os primeiros testes foram positivos, embora o bébé que está com a mãozita no teclado tenha cometido um pequeno erro, ao endereçar o formulário para a gruta de AliBabá, em vez de o fazer para a Repartição de Finanças da sua área de residência.

(Não) há coincidências!?...

Estava o país posto em sossego, colhendo do encerramento dos hipermercados ao domingo à tarde, doce fruto, quando alguém estendeu um microfone ao secretário de estado da defesa do consumidor e perguntou:
“Quando é que vai autorizar a abertura das grandes superfícies ao domingo?”
Fernando Sarrasqueiro respondeu “isso não está na agenda do Governo”
De imediato a APED ( Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) lançou um abaixo-assinado, reclamando a abertura dos hipermercados ao domingo.
A DECO- defensora da ideia “para benefício dos consumidores”, mas que se esquece que quem trabalha nas grandes superfícies também é consumidor- exultou com a ideia.
Alguns consumidores que não sabem o que fazer ao domingo bateram palmas.
O PSD- que gosta de andar a reboque das grandes iniciativas -, apressou-se a apresentar uma proposta de lei que transfere para as autarquias a decisão final.
Parece que ficaram todos muito satisfeitos, a começar por Fernando Ruas, que se apressou a chamar a si a paternidade da proposta agora formalizada pelo PSD.
Fernando Sarrasqueiro- em Moçambique integrado na comitiva presidencial- ainda não comentou. Também não é preciso. As coincidências falam por ele. É uma questão de tempo... não estará muito longe o dia em que o governo autorizará a abertura dos hipermercados ao domingo,até à meia -noite. No entanto, fazendo como Pilatos, deixará isso ao livre arbítrio das autarquias que vão reagir mal , porque não querem ficar com a batata quente.
A medida poderá, sem dúvida, trazer benefícios. Seremos o primeiro país dos 15 a permitir a abertura das grandes superfícies ao domingo à tarde e talvez diminuam as filas para Cascais. Embora, com a aproximação do Verão, talvez seja melhor começar a pensar na hipótese de permitir a abertura daqueles estabelecimentos até à meia-noite, para não estragar as tardes de praia dos consumidores.

Diz que é uma espécie de jornalismo!

Aleluia!
A primeira página do desportivo “A BOLA” de hoje, é uma novidade! Em vez do habitual figurante “encarnado” que seria motivo de capa, mesmo que a notícia fosse uma picadela de vespa sofrida durante um piquenique, que o impediu de participar no treino da manhã, traz o “figurão” Pinto da Costa.
O motivo de tanto interesse pelo Presidente do FC Porto é, claro, o facto de ir ser julgado num processo que anteriormente tinha sido arquivado.
Pinto da Costa pode exultar. No caso de não ser obrigado a ir a julgamento, a sua fotografia teria sido substituída pela de Rui Costa envergando a “camisola das quinas” e a notícia de novo arquivamento do processo seria relegada para segundo plano. Assim, conseguiu o feito histórico ( que nem Naide Gomes almejou depois de ganhar a medalha de ouro nos campeonatos do Mundo de Valência) de destronar um benfiquista. Boa malha, PC!
“A Bola” está cada vez mais parecida com o suplemento de economia do “Expresso”. Enquanto o semanário faz reportagens a convite da “Bushmills”, o desportivo faz primeiras páginas a gosto do patrão Luís Filipe.
Há quem diga que isso é jornalismo, quem sou eu para contrariar?

Rochedo das Memórias Especial - A Construção Europeia (2)

Cerimónia de assinatura dos Tratados de Roma

Embalados pelo entusiasmo decorrente da criação da CECA, os seis assinam, em Janeiro de 1952, um novo Tratado em Paris visando a criação da Comunidade Europeia de Defesa (CED), cujo principal escopo seria “zelar pela defesa e protecção da Europa”. Ao contrário do que aconteceu com a CECA, a CED veio a revelar-se um rotundo fracasso, em parte porque a Assembleia Nacional francesa recusou ratificar a sua assinatura. Desencantado, Jean Monet demite-se de Presidente da Alta Autoridade da CECA.
Em 1957 é dado um passo decisivo na construção europeia. Reunidos em Roma, os “seis” assinam dois Tratados que criam a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atómica (EURATOM).
Conjuntamente com o Tratado de Paris, os Tratados de Roma – que entraram em vigor no dia 1 de Janeiro de 1958 - constituíram os alicerces da União Europeia.
É facilmente perceptível a ambição que animava os “seis” de criarem um mercado interno, onde mercadorias, pessoas e capitais circulassem livremente:
“Promover, em toda a Comunidade, o desenvolvimento harmonioso, equilibrado e sustentável das actividades económicas, um elevado nível de emprego e de protecção social, a igualdade entre homens e mulheres, um crescimento sustentável e não inflacionista, um alto grau de competitividade e de convergência dos comportamentos das economias, um elevado nível de protecção e de melhoria da qualidade do ambiente, o aumento do nível e da qualidade de vida, a coesão económica e social e a solidariedade entre os Estados-membros.”
Tamanha ambição, porém, só poderia ser concretizada através de um “processo contínuo”, como já advertira Schuman quando lançou a proposta de criação da CECA. Salientou então no seu discurso: “ A Europa não se fará de uma só vez ( ...) resultará de realizações concretas que exigem, em primeiro lugar, uma solidariedade de facto...”
O fracasso da CED não só veio dar razão a Schuman, como serviu também para demonstrar que o melhor caminho a seguir para o fortalecimento da CEE deveria assentar numa estratégia de integração gradual de diversos sectores económicos e na criação de instituições supranacionais que absorvessem de forma discreta e dilatada no tempo, as competências económicas e administrativas dos Estados-Membros.

terça-feira, 25 de março de 2008

Parabéns, Luís Filipe



Vamos lá a ver se consigo perceber.

Uma fulana escreve um livro onde afirma que mandou bater num vereador, a mando do fulano com quem vivia amancebada. Confirma as acusações em Tribunal, mas o caso é arquivado por falta de provas.


A mesma fulana afiança em Tribunal que viu o fulano com quem vivia amancebada entregar um cheque a um árbitro, para que facilitasse a vida ao FC Porto num jogo que nem precisava de ganhar, porque já era campeão e que acaba empatado. O interesse em ganhar o jogo era tanto, que Mourinho utilizou os suplentes. A única prova de entrega do cheque é a palavra da escritora (ex-alternadeira). O caso já tinha sido arquivado, mas MJM decide mandá-lo reabrir e agora o arguido (Pinto da Costa) vai a julgamento.


Eu até admito que haja razões para o fazer, mas alguém me explica porque é que uma pessoa que confessa ter cometido um crime é ilibada e outra sobre quem recai uma acusação sem outras provas que não sejam as afirmações de uma pessoa que é parte interessada em todo o processo vai ser julgada?


A única coisa que percebo, no meio disto tudo, é a razão porque ninguém em Portugal acredita que a Justiça seja isenta. Mas isso devo ser eu que sou parvo e não vou ao Media Market.

Rochedo das Memórias( Especial)- A Construção Europeia (1)

“ Virá um dia em que todas as nações do continente, ( europeu) sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha, para além dos mercados abrindo-se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos”.


Estas palavras não foram proferidas por nenhum estadista emergente da segunda guerra mundial, nem saíram da boca de Jean Monet ou Robert Schuman. Foram proferidas em 1849 por Vítor Hugo, dando voz ao que alguns filósofos e “visionários” então preconizavam: “uma Europa unida e forte, capaz de trilhar o caminho do progresso”.
A ideia ganhou desde logo adeptos, mas será sobre os escombros da segunda guerra mundial, que emergirá novamente. Estávamos em Setembro de 1946, quando Winston Churchill sugere a criação de uma “espécie de Estados Unidos da Europa”, durante um discurso na Universidade de Zurique
A Europa estava ainda a lamber as feridas provocadas pelo conflito e a Guerra Fria constituía uma ameaça que não deixava grande espaço para debater a proposta de Churchill. Mais importante, então, era criar condições para uma paz duradoura na Europa e assegurar a recuperação económica.
Jean Monet, um político de bastidores que nunca exercera qualquer cargo de relevo, mas se revelara um combatente pela paz, é que sempre terá acalentado a ideia de aproximar França e Alemanha, as duas potências beligerantes desavindas, congregando a partir dessa aproximação outros países europeus. Hábil negociador, consegue a aquiescência do chanceler alemão Konrad Adenauer e do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, para a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA).
O objectivo de Jean Monet era colocar sob o controlo de uma autoridade independente a produção de carvão e de aço. Mais do que garantir o controlo do mercado daqueles produtos, a proposta estava imbuída de um marcante valor simbólico: não só congregava num interesse comum dois países que tinham estado em confronto directo durante o conflito, como ainda conseguia que o objecto desse acordo fossem duas matérias primas que, depois de terem sido estratégicas durante a guerra, passariam a ser motores da reconciliação.
A fórmula engendrada por Jean Monet foi formalmente apresentada no dia 9 de Maio de 1950 por Robert Schuman, tendo desde logo colhido grande entusiasmo também da Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos e Itália. Menos de um ano depois, os seis países assinam o Tratado de Paris que formaliza a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Em Julho do ano seguinte, Jean Monet é empossado como presidente da Alta Autoridade.

Escrevi este texto - e os que se seguirão sobre a Construção Europeia- para a Revista "Dirigir", alusiva aos 50 anos do Tratado de Roma. Foram reeditados para publicação aqui, sofrendo por isso alguns cortes

Os jovens e a construção de uma nova Europa

No dia em que se assinala mais um aniversário do Tratado de Roma, parece-me importante realçar a importância de que se revestiu a entrada de Portugal para a Europa dos ricos e o contributo da União Europeia para a criação de uma nova mentalidade nas gerações futuras.
Ao longo da semana , o Rochedo das Memórias será dedicado, por isso, à construção europeia.
Como ponto prévio, quero dizer aos leitores que não alinho com os que vêem os jovens de hoje como uma geração perdida, desenraizada, sem valores, sem rumo e utilizam como exemplo casos como o do Carolina Michaelis para sustentarem as suas teses de desgraça. Pelo contrário, penso que os jovens é que devem estra preocupados com a geração actual e o legado que dela vão receber.
No caso particular dos portugueses, a geração de 60 é que tem dado maus exemplos aos mais jovens. Essencialmente, porque não se libertou de um certo sentimento de culpa herdado de uma geração onde a moral e os bons costumes traçaram regras rígidas e tentaram compensar a sua culpa educando os seus filhos na base do facilitismo. Poucas regras, muitas cedências, falta de autoridade em casa, agravada pelo aumento das famíias monoparentais, onde a concorrência e a chantagem fazem lei.
Não ignoro que houve razões sociológicas, económicas e políticas que contribuíram para uma mudança, mas a alteração mais radical verificada nos últimos anos, que me leva a confiar nas gerações futuras, radica essencialmente na visão que têm do Mundo, de que os seus progenitores normalmente não desfrutaram.
Os jovens de hoje são cosmopolitas, viajam pelo Mundo, frequentam Universidades fora de Portugal e tudo isso lhes permite ter uma visão que ultrapassa as fronteiras lusas. Os jovens portugueses hoje são, mais do que nunca, europeístas, lêem o mundo a uma escala muito maior do que a dos seus antepassados e, sobretudo, têm mais mobilidade. O mesmo se aplica. com algumas "nuances" a todos os jovens europeus que estão a crescer numa Europa sem fronteiras.
A construção europeia, apesar de alguns “ entraves”, permitiu a formação de uma mentalidade europeia nos jovens, na qual a maioria dos adultos não se revê porque não a compreende. Daí não virá mal ao mundo, porque a geração que hoje se senta nos bancos das escolas ( desde Portugal à Letónia) interpretará a Europa como um todo - não como um somatório de países- e terá mais capacidade para dirigir do que aquela que hoje traça os seus destinos.
É por isso que estou confiante.

Quando os jovens são o centro da notícia

Em arrumação de arquivos mortos, encontrei este post que escrevi ano passado durante as férias da Páscoa, no Alembojador:
“Os noticiários televisivos de ontem não se cansaram de emitir reportagens acerca da presença de mais de 20 mil jovens portugueses, entre os 16 e os 18 anos, em Lloret del Mar. Ao que parece, aquele destino foi escolhido para os jovens fazerem a sua viagem de fim de curso(!) Por este andar, um dia destes ainda vamos ver crianças que terminam a 4ª classe a fazerem viagens para Islantilla ( acompanhadas de “babysitters”?).
As viagens eram a preço de saldo, mas em alta está o número de adolescentes que todas as noites dá entrada nos hospitais locais em coma alcoólico ou com simples bebedeiras. E claro, não faltaram distúrbios nos hotéis, com arremesso de alimentos e vandalização de mobiliário.
Diante das câmaras, que mostravam jovens a beber vinho pelo gargalo de garrafas de litro, os pais portugueses defenderam os seus rebentos e acusaram de insensibilidade os responsáveis das unidades hoteleiras que lhes puseram as malas à porta, obrigando-os a antecipar o regresso.
Uma boa imagem do estilo Al(g)arve que padroniza a sociedade portuguesa.”
Porque será que todos os anos, em época pascal, o (mau) comportamento dos jovens salta para as primeiras páginas da actualidade informativa e há sempre pais a defenderem comportamentos indefensáveis dos seus rebentos?
Haverá certamente alguma explicação plausível para que isso aconteça, uma vez que a conjugação da Lua Cheia, com a Primavera e as férias não explica tudo. Que tal tentar perceber as coisas analisando o comportamento laxista e irresponsável de alguns pais? É só uma pista, claro...

Boa iniciativa do "Público"

"As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, transformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa."
Embora pense que o "Público" terá mais a ganhar do que a comunidade blogueira, considero louvável esta iniciativa que aproxima a blogoesfera da comunicação social impressa.
Para além de ser um primeiro passo na quebra das barreiras de desconfiança ( quando não mesmo sobranceria) entre a imprensa e a blogoesfera, o "Público" adianta-se à concorrência directa.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Carolina Michaelis- O lado B

Não passei ao lado das ocorrências do Liceu Carolina Michaelis. Vi o video na televisão, li notícias nos jornais e nos blogues, fiz alguns comentários no Arrastão e no Portugal dos Pequeninos, mas não me apeteceu na altura blogar sobre o assunto e penso que agora já pouco teria a acrescentar a tudo quanto se escreveu e falou sobre o assunto ( ainda há minutos vi o António Vitorino a opinar, desde o Maputo). Infelizmente, penso que em breve terei oportunidade de escrever o que penso sobre estes casos de indisciplina- a menos que se tornem tão vulgares que deixem de ser notícia!


Conheço razoavelmente bem o meio escolar nas suas diversas vertentes. Já me impressionei ao ver alunos puxar de facas para professores e colegas, já me revoltei com atitudes de desrespeito de pais em relação a professores, já vi mães ameaçarem, insultarem e agredirem professoras diante dos seus filhos.


Estou, pois, vacinado em relação a qualquer situação de desrespeito e desautorização dos professores. Não me espantei com o que se passou, porque não é caso virgem. Direi mesmo que é bastante mais frequente do que muitos possam imaginar...


O que importa salientar é que o caso apenas assumiu este mediatismo, porque um aluno filmou tudo e depois resolveu colocar no You Tube, provavelmente à espera de vir a tornar-se "vedeta". A imprensa, a rádio e a televisão sabem, tão bem como eu, que esta cena não é pioneira, mas nunca tinham tido a possibilidade de fazer imagens reais que testemunhassem a violência que grassa nas escolas. ( O caso do video feito há tempos pela RTP foi desvalorizado por se tratar de uma escola problemática-eufemismo para escola frequentada por crianças pretas de bairros da periferia- como se as escolas não fossem quase todas problemáticas!)


No meio de tanta agitação mediática, lembrei-me de uma reportagem que li há dias sobre miúdas estudantes, ente os 15 e os 18 anos ,que se prostituem para arranjar dinheiro que lhes permita ter acesso a coisas tão importantes para as suas vidas, como " carregar o telemóvel", " comprar umas roupas", ou "ir a uma discoteca".


Confesso que essa reportagem me abalou bastante mais do que a cena do Carolina Michaelis. Será por já ser indiferente à volência nas escolas? Obviamente que não. Senti-me incomodado, porque não consigo entender que tipo de relação manterá consigo, com o seu corpo e com a sociedade, uma criança que descontraidamente assume prostituir-se para satisfazer "necessidades" que a sociedade do hiperconsumo lhe criou.


Mas- interrogo-me- terei ficado incomodado pelas crianças que se prostituem, ou pelo facto de viver numa sociedade que é responsável por estes comportamentos e onde há adultos que se aproveitam da debilidade dessas jovens?

Remeto ainda os leitores para o que escrevi aqui , para recordar casos tão sinistros como este que se passam em Lisboa, em pena rua!


Regresso a casa

Regressei a casa há poucas horas, depois de quatro dias no Porto.
Estive na casa que me viu crescer.Falei com o papagaio Rodolfo, dei de comer à desdentada Xarabaneca (uma gata sui generis cuja história desvendarei aqui um dia), fiquei horas na companhia dos peixes tropicais que persistem em dar vida a uma sala que abandonei há décadas, fui colocar uma flor na campa do Tarig ( um pastor alemão fiel companheiro de juventude) vi as estrelícias desabrochar no meu jardim e as roseiras anunciando a Primavera junto à janela do meu quarto. Fui ao Majestic, ao Club 21, ao hotel da Foz e a alguns lugares de culto da minha juventude. ( Sobre isso falarei em próximo posts)
Durante quatro dias "desbloguei", não li a imprensa estrangeira que habitualmente me acompanha ao fim de semana, quase não vi telejornais, dei apenas uma vista de olhos pelo JN, quase me esqueci que havia vida para além da cidade.
Afinal, é possível desligarmo-nos do que se passa à nossa volta, sem nos afastarmos muito de Lisboa. É mais uma questão de atitude, do que de distância.
Regresso a casa com a mesma sensação de sempre. Acho o Porto uma cidade de fantástica beleza, que me traz recordações da infância e dos primeiros anos da juventude, mas nunca sinto saudades quando parto. Pelo contrário, sinto algum alívio quando atravesso a ponte do Freixo em direcção a Lisboa.
Apesar de ir ao Porto todos os meses, só desta vez consegui perceber a relação fria que mantenho com a cidade que quase me viu nascer. Amanhã ficarão a saber porquê

Um grande momento de televisão

Só ontem pude ver a entrevista de Simone de Oliveira a Judite de Sousa. Foi um grande momento de televisão.
Mulher de fibra, frontal e sem papas na língua, a intérprete da "Desfolhada" não está com "rodriguinhos". Diz o que lhe vai na alma e o que pensa, sem se preocupar com o "politicamente correcto".
Quando enviou a "florzinha" à antiga presidente do Movimento Nacional Feminino ( Supico Pinto) que hoje alguns querem reabilitar, passando uma esponja sobre o seu passado conspurcado pela ligação ao Estado Novo, Simone também lhe enviou uma pequena "farpa" onde se podia ler: "estás perdoada, mas continuo a ver-te como o verme que sempre foste".
Simone foi assim toda a vida, por isso não será razão para espanto que continue a sê-lo aos 70 anos.
Simone é um bom exemplo para os jovens que hoje em dia se resguardam nos conselhos dos "agentes", abdicando de se mostrarem tal como são nas entrevistas que os catapultam para alguns momentos de fama, mas é também um exemplo para todos os portugueses que se acobardam.
Simone foi sempre uma mulher independente e ao longo da vida pagou por isso. Se não tivesse sido assim, talvez os portugueses já a tivessem esquecido.
Obrigado, Simone!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Boa Páscoa, com boa doçaria

Para além destes deliciosos ovinhos, deixo-vos este folar...
e este pão de ló de Margaride. Quando começar a ficar seco, tosta-se e barra-se com queijo da serra. Fica uma delícia, acreditem!
Pensam que me esqueci das amêndoas? Nada disso... o que acontece é que cá pelo Porto não encontrei amêndoas tão deliciosas como estas algarvias.
BOA PÁSCOA

quinta-feira, 20 de março de 2008

Reflexão Pascal

Na sequência do que escrevi aqui deixo esta reflexão aos leitores, para a quadra pascal
Preocupa-me viver numa sociedade que tende a desculpabilizar os criminosos e a perseguir e penalizar os que violam simples regulamentos sociais.
Preocupa-me constatar que a justiça tende a ser complacente com um criminoso, porque acredita na sua regeneração, mas não mostra a mesma compreensão com um fumador, um obeso, um homossexual, um defensor da eutanásia ou o médico que ajude um paciente a praticá-la.
Uma sociedade destas só pode estar assente nos valores da hipocrisia e do materialismo. Está-se marimbando para a segurança dos seus cidadãos, mas é intolerante quando se trata de aplicar uma multa.
Uma sociedade que olha para as questões de segurança com um ligeiro encolher de ombros, mas se torna implacável para quem possa pôr em risco os valores morais em que se sustenta, só pode ser uma sociedade apodrecida.
Não quero viver numa sociedade onde os governantes se comportam como guardiões do “templo dos bons costumes” e compactuam com os salteadores que violam, matam e roubam os que sustentam o templo.

Bem vindos ao Iraque...

Mc Cain- o provável futuro presidente dos EUA- foi ao Iraque e achou que está tudo a correr bem. O “basbaque” que os americanos puseram a substituir Saddam ( que por acaso também tinha lá sido posto pelos americanos) anuncia que a paz está próxima e Bush, no seu refúgio da Casa Branca desfaz-se em auto elogios à sua decisão de invadir o Iraque, esquecendo no entanto pequenos pormenores que deveriam ter sido suficientes para resignar ao cargo ( Tinha previsto uma guerra quase sem derramamento de sangue, que duraria um mês e os resultados estão à vista).
Vemos as reportagens que nos últimos dias Luís Castro tem feito em Bagdade, para a RTP e constatamos que entre as palavras dos políticos e a realidade vai uma interminável distância. Apenas à guisa de exemplo, lembro aquele iraquino que dizia “ antes tínhamos um ditador, agora temos muitos” .
Se lembrarmos os números de mortos e todos os efeitos colaterais da guerra suja desencadeada por Bush, não há nenhuma razão para olharmos para trás e dizer, como ele :“ Voltaria a agir da mesma maneira”. Isso só significa que o homem é ainda mais burro do que eu pensava, porque nem sequer percebeu que a crise dos EUA é fruto da sua desastrada actuação na Casa Branca.
Admito que ainda haja por aí alguma direita mais trauliteira, que continue a defender Bush. Pessoalmente, subscrevo o que o meu amigo Arnaldo Gonçalves escreve no ExíliodeAndarilho
“É uma guerra perdida como a de África nos anos 70! Porque se havia uma razão de justiça ela perdeu-se no meio da trapalhada e da irresponsabilidade dos dirigentes(...)"
O problema é que é impossível imaginar durante quanto mais tempo vai durar a trapalhada e até quando vamos continuar a sofrer os efeitos das loucuras de Bush.
Mesmo que os Democratas venham a ganhar as eleições em Novembro ( o que não acredito) não poderão retirar rapidamente do Iraque. Os efeitos de uma saída apressada poderiam ser tão gravosos e nefastos como os que conduziram à situação actual.

Iraque, 5 anos depois

Faz hoje cinco anos que a empresa “2B 1 A & Zero” (Bush, Blair, Aznar & Barroso) fez explodir as primeiras bombas no Iraque, iniciando um negócio que previa elevados proventos, caso conseguisse neutralizar a concorrência do “carniceiro de Bagdade”.
O negócio deu para o torto, mas os empresários estão todos bem na vida. O “carniceiro” jaz morto e arrefece, na companhia de milhares de iraquianos, vítimas da política empresarial da
“2B 1 A and Zero”.
Como sempre, os consumidores é que se lixaram. Os que não morreram, estão a pagar a gasolina mais cara!
A foto ilustra bem a alegria dos consumidores com a chegada da empresa de salvação nacional ao Iraque

Rochedo das Memórias 28- "Voulez-vous danser avec moi?"

Em 1958, quando os EUA lançam o primeiro satélite experimental de comunicações, o Atomium - símbolo da Exposição Internacional de Bruxelas- interrogava o Mundo: para onde nos levará a energia nuclear?
Os apelos à paz e à reconstrução do pós –guerra e os alertas para os problemas causados pelo progresso, lançados pela Exposição de Bruxelas, caíram em saco roto. Todos fizeram orelhas moucas e o resultado está à vista.
Por cá, as críticas também não eram encaradas com bons olhos. Quando D.António Ferreira Gomes, bispo do Porto, escreve uma carta a Salazar alertando-o para a situação social do País, obtém como resposta o exílio forçado.
A candidatura de Humberto Delgado às presidenciais de 1958 , ainda lança uma réstea de esperança na oposição democrática, mas o regime faz batota e proclama-se vencedor de umas eleições que manifestamente perdeu. Ainda faltavam 16 anos para o 25 de Abril, não havia volta a dar-lhe.
50 anos depois, o Correio da Manhã vem dizer que Salazar gostava de mulheres atrevidas. A ser verdade, não se percebe a razão de não ter ligado peva a Marlene Dietrich em “Testemunha de Acusação”.
No ano seguinte, Fidel Castro derruba o ditador Fulgêncio Baptista e irá permanecer à frente dos destinos de Cuba durante 49 anos, perante a crítica de todo o mundo que, no entanto, não perde a oportunidade de se banhar nas suas praias de águas tépidas e límpidas.
Da Europa, a voluptuosa BB, pendurada num cartaz publicitário, bem lhe perguntava "Voulez -vous danser avec-moi?" – mas o rebelde cubano não lhe daria troco. O mesmo faria , aliás, em relação à beat generation que se revia em “Pela estrada Fora” de Kerouac.
E se Kruschev visitou os EUA, aproveitando para visitar o recém inaugurado Museu Guggenheim e cumprimentar Lloyd Wright, Fidel permaneceu em Cuba, a ver “Intriga Internacional” de Hitchcock e “Ben Hur” , galardoado com 11 estatuetas de Hollywood.
Enquanto as consumidoras mais jovens aprendiam um novo nome de brinquedos – Barbie- os adultos, deliciam-se com a última maravilha do mundo automóvel: "É tão giro ter um Mini!"- gritava a publicidade a plenos pulmões. O êxito do Mini é assegurado em plena era espacial. Mas(pasme-se!) só neste ano é inventado o abre latas.
Com a evolução dos electrodomésticos que facilitam a vida no lar, as mulheres têm mais tempo livre para ir ao cabeleireiro. As tiragens das revistas femininas disparam e em Portugal o êxito chama-se "Crónica Feminina".
Estávamos em plena era espacial e, à falta de Sputniks, Salazar inaugura o monumento a Cristo-Rei.
Rejeitado pela CEE, Salazar vira-se para EFTA, na companhia da Grã Bretanha, Noruega, Áustria, Suécia e Suíça.
Dois heróis de banda desenhada- Astérix e Obélix- testemunham o enlace.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai

Pai:
Hoje, só te quero dizer que tenho saudades das nossas passeatas, das férias em praias outrora desconhecidas, da maneira como me deslumbravas quando me explicavas o que devia guardar de cada lugar por onde passávamos, das conversas à mesa sobre História e Geografia, do teu ar zangado quando não estava sentado à mesa às oito em ponto, da dor que sentiste quando decidi partir.
Na altura, lembrei-te que também o avô deixara o seu país para vir para a Europa e que anos mais tarde foras tu a atravessar o Atlântico, em sentido inverso, em busca da terra do teu pai. Tentei convencer–te que estava na genética da nossa família renegar o solo onde nasceu e que, além disso, Portugal era demasiado pequeno e mesquinho para mim.
Respondeste que não haveria revolução nenhuma que mudasse as coisas em Portugal, porque o problema não estava nos governantes, mas sim nos governados.
Hoje, vejo que tinhas razão.
Talvez te alegre saber que, apesar de ter regressado, continuo a olhar para Portugal como um país mesquinho, onde campeia a inveja, o espírito de capelinha, a pequena intriga, a maledicência e o boato pérfido. “Isto” é um país de anões com a arrogância de Adamastores!
Regressei cedo demais, mas agora talvez seja tarde para voltar a partir. Partiste cedo demais e deixáste-me muita coisa para descobrir.
Ah... só mais uma coisa. Quando daqui a uns dias voltar a Buenos Aires, vou ao Tortoni. Ouvirei contigo “La Cumparsita" e pedirei à orquestra que toque o tango que me cantavas quando estava apaixonado:

“Dejate de locuras, muchacho,
pensá bien lo que haces.
Me han dicho que te han visto borracho
Llorando por una mujer...
Como el dolor te ha cambiado,
que ya no sos el de ayer!
Volvé pa' la milonga,
que un fuelle rezonga
como llamándote.

Al compás de un tango

la habrás de olvidar,
con una pebeta
que sepa bailar,
una piba buena
que, al mirar tus ojos,
comprenda la pena
de tu corazón.

Al compás de un tango

habrás de encontrara
esa mujercita
sincera y leal,
y veras, un día,
lleno de alegría
a la que lloraste
ni recordarás.

Dejate de locuras, muchacho,

tenés que reaccionar.
El hombre debe ser de quebracho
pa' resistir el mal.
Si esa mujer te ha hecho daño
perderla ha sido mejor.
Volvé pa' la milonga,
que un fuelle rezonga,
pa' darte más valor.

Al compás de un tango

la habrás de olvidar,
con una pebeta
que sepa bailar,
una piba buena
que, al mirar tus ojos,
comprenda la pena
de tu corazón.

Al compás de un tango

habrás de encontrara esa mujercitas
incera y leal,
y veras, un día,
lleno de alegría
a la que lloraste
ni recordarás.”
Letra:Oscar Rubens

O que precisa saber sobre a Lei dos pírcingues*


( Uma investigação exclusiva das “Crónicas do Rochedo”)
Andavam alguns deputados do PS coçando a genitália pelos Passos Perdidos, quando um deles deixou escapar um grito de dor.
“Que se passa?”- perguntaram em uníssono os companheiros
O deputado ruboresceu, deixou escapar um “nada, nada” e correu para os WC.
“ Está de caganeira” - alvitrou um deputado nortenho
Alguns minutos depois , estranhando a demora do seu colega, foram ver o que se passava.
“Estás bem?” perguntaram
Como resposta, apenas um gemido sofrido.
“Queres que chamemos um médico?”
“Não, não, nem pensar!” – respondeu uma voz sumida de dentro do compartimento.
O grupo saiu e, em conciliábulo, discutiu o que fazer. Ao fim de uma boa meia-hora, um deputado mais empreendedor, tomou uma decisão. “Isto não pode continuar assim. O gajo não sai dali, vou mesmo chamar um médico, antes que isto dê para o torto”. E, sem esperar pela reacção dos companheiros, foi procurar um médico.
Poucos minutos depois estava de regresso, acompanhado por Luís Filipe Meneses. Os deputados do PS estranharam, mas antes de terem tempo de fazer qualquer pergunta, o deputado empreendedor explicou-se.
“Eh pá, foi o único médico que encontrei. Veio cá com o Cunha Vaz para tentar convencer o grupo parlamentar do PSD a aceitar os seus serviços. Aproveitei e pedi-lhe ajuda”.
“Claro, claro, fez muito bem, porque quando se trata de questões de saúde estamos todos de acordo, apesar das divergências que nos separam”- assentiu LFM
Resoluto, LFM entrou no WC.
“Então que se passa? Alguma diarreiazita?” – perguntou
Não obteve resposta. Insistiu, mas nada. Com a aquiescência dos deputados do PS, decidiu arrombar a porta. Lá dentro, calças arreadas, o deputado agarrava-se à genitália que sangrava abundantemente.
Um ahhh! de espanto saiu de meia dúzia de gargantas, incapazes de controlar o que os olhos estavam a ver.
O deputado lamurioso, dividido entre a vergonha e a dor, ostentava parte de um pírcingue que extraíra da genitália, na tentativa de aliviar a dor.
A resolução foi rápida. O deputado empreendedor e LFM vestiram a vítima, saíram discretamente da AR e dispararam para o Hospital.
Os restantes deputados entreolharam-se, questionando-se sobre o que deveriam fazer.
Ao fim de algum tempo, um deles sugeriu que fizessem uma proposta de lei sobre a colocação de pírcingues nas partes íntimas. Telefonaram primeiro a Sócrates, para pedir autorização, mas foi Augusto Santos Silva quem os atendeu.
“Acho isso uma boa ideia. Avancem, que eu trato tudo com o Chefe”.
Ufanos pela sua iniciativa, foram para um gabinete onde redigiram a lei. Já a tinham dado como pronta, quando um deputado mais perspicaz se lembrou que talvez não fosse má ideia incluir também a língua nas zonas proibidas.
“Porquê a língua” – perguntaram os companheiros
“É simples! Se o diploma só contemplar a genitália, a imprensa vai começar a investigar e acaba por descobrir o que se passou. Se incluirmos a língua, desviamos as atenções...”
Todos concordaram e felicitaram o colega pela ideia. Apresentaram o projecto aos jornalistas e a comunicação social divulgou-o da maneira que todos sabemos. Sem falar na genitália e sem qualquer suspeita sobre as razões de uma ideia tão genial.
* Por muito que vos custe, é mesmo assim que se deve escrever



terça-feira, 18 de março de 2008

Boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim seria suicídio

Considero que um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, na sequência dos incidentes ocorridos no Tibete, seria uma estupidez. Tive a mesma opinião em relação aos boicotes dos Jogos de Moscovo e de Los Angeles, porque penso que misturar questões políticas com eventos desportivos é pura cretinice.
A reacção célere dos EUA e da UE - recusa pronta de qualquer hipótese de boicote- não passa, porém, de hipocrisia pura.
É verdade que, como escrevi aqui, não estavam reunidas as condições para o Ocidente apelar ao boicote, depois dos salamaleques em que se tem desdobrado, perante a China.
A recusa em ponderar o boicote radica, porém, noutras questões.
Enquanto os boicotes dos Jogos de Moscovo e Los Angeles se inseriram num quadro de manifestação de força de ambos os blocos, no caso vertente não está em causa a força nem a manifestação de poder de um país sobre uma região. A China não tem ( pelo menos por agora) quaisquer interesses expansionistas- pretende apenas reafirmar ao Mundo a sua liderança no Tibete- nem está preocupada em impôr a sua ideologia para além das suas fronteiras.
A questão chinesa é muito mais comezinha. Radica no crescimento económico e no controlo de mercados, preocupação que igualmente subjaz aos interesses do Ocidente que encontraram na China dois "tesouros" de valor acrescentado: mão de obra barata e um mercado irrecusável quer pela sua dimensão, quer pelo tipo de produtos e equipamentos de que necessita.
Neglegenciar o mercado chinês, numa altura em que está em recessão económica é um "luxo" a que o Ocidente não se pode dar. E os Estados Unidos, cuja dívida pública foi comprada pelos chineses, muito menos!
Há 20 anos atrás, aquando dos incidentes de Tian An Men, o Ocidente estava numa posição de superioridade em relação à China e ainda ensaiou alguns protestos e fez tímidas ameaças a Pequim, que fez "ouvidos de mercador".
Rapidamente todos perceberam que a China era um mercado cheio de potencialidades que não se podia enjeitar e logo recuaram nos seus propósitos.
Hoje, um boicote ao Jogos Olímpicos significaria o suicídio do Ocidente. Não só por questões económicas, mas também porque a esmagadora maioria dos produtos que fazem as delícias dos consumidores ocidentais tem componentes chinesas.
Já imaginaram o que significaria, para o estilo de vida ocidental, uma retaliação chinesa a um eventual boicote aos Jogos Olímpicos?

Rochedo das Memórias 27- "West Side Story" (nem todos foram felizes para sempre...)


As preocupações ambientais começam a fazer-se sentir. A Grã Bretanha aprova em 1956 o Clean Air Act, que proibe o aquecimento a carvão, e confere às autarquias poderes para criarem zonas livres de fumo. Estas medidas surgem na sequência da morte de 2000 pessoas em Londres, em 1952, quando a capital inglesa esteve sob um intenso smog durante 10 dias.
Mas se em Inglaterrra Alec Guiness punha o país a rir com “ O Quinteto Era de Cordas”, por cá havia poucos motivos para sorrir. As preocupações não são ambientais, mas sim políticas. É preciso continuar a reprimir para que “o povo seja feliz”, por isso Salazar reforça os poderes da PIDE, no mesmo ano em que é criada a Fundação Gulbenkian.
Os contos de fadas têm uma nova versão, proveniente do Mónaco, mas esta é bem real.
A plebeia Grace Kelly casa com o príncipe Rainier III, mas não serão felizes para sempre. Um acidente de automóvel provoca a morte da princesa e a história não acaba com um final feliz.
Da união tinham entretanto nascido três princesas que provocariam escândalos e as delícias da imprensa “fofoqueira”.
Ali mesmo ao lado, em Basileia, a catalã Montserrat Caballé conhece o seu primeiro êxito, com a ópera “La Bohème”
Nos EUA apresenta-se “My Fair Lady” e acaba, no papel, a segregação racial nos transportes públicos, mas vai demorar ainda alguns anos até que a decisão do Supremo Tribunal de Washington seja cumprida.
Para Leste, depois de denunciar os crimes de Estaline, Kruschev não lhe quer ficar atrás e manda o Exército Vermelho esmagar a revolta popular húngara, cortando quaisquer veleidades democráticas de Budapeste.
Inglaterra e França procuram, no Suez, recuperar velhos hábitos coloniais, mas as Nações Unidas, cuja voz ainda era respeitada, corta cerce quaisquer veleidades saudosistas.
Em 1957, quando Elvis Presley já arrastava atrás de si um elevado número de fãs, era inventado o gravador de video e a URSS espantava o mundo com o lançamento do Sputnik, quebrando as tréguas na luta pela conquista do espaço. Uma cadela torna-se a primeira astronauta e o seu nome fica na História: Laika
Eisenhower é autorizado, pelo Congresso, a intervir militarmente no Médio Oriente. Curiosamente, nesse ano Henry Fonda chega às salas de cinema acompanhado de “Doze Homens em Fúria”. Os jovens são aplacados com “ outras fitas: “West Side Story” torna-se num dos maiores êxitos musicais de todos os tempos.
“O Grande Salto em Frente” de Mao é que se revela um rotundo fracasso.
Neste ano nasce a CEE ( que merecerá destaque num RM Especial a publicar no dia 25 de Março), constituída pela RFA, Itália, França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
A Europa percebe que é na união, que pode construir a Paz.

"Six Degrees"

A blogosfera cada vez mais me faz lembrar a série da RTP 2 "Six Degrees". Explicarei porquê mais adiante.
Se nunca viu, fique a saber que vai para o ar à segunda feira, depois do Jornal 2.

É o mercado, estúpido!

O preço da gasolina aumentou desmesuradamente nos dois últimos anos. Os consumidores reagiram e começaram a comprar carros a diesel. Abel Mateus, Presidente da Alta Autoridade para a Concorrência, falou vagamente na hipótese de concertação de preços.
O preço do petróleo continuou a aumentar em dólares, mas com a valorização do euro face ao dólar, o aumento é irrisório em termos absolutos. Depois de uma subida abrupta, a gasolina estabilizou em volta dos 1,40€, mas o gasóleo continuou a subir. Já se anuncia que, em breve, ultrapassará o preço da gasolina, como já acontece em Espanha.
Se eu acreditasse em histórias da carochinha de fadas e duendes, engolia a versão dos senhores do “pitróleo”, para esta inversão dos preços, mas como já sou crescidinho e nunca vi fadas e duendes, tornei-me descrente. Acredito mais na hipótese aventada por Abel Mateus.
Então, a ser verdade, porque é que a AAC não consegue “pegar no fio à meada”? A explicação é simples. O mercado está a funcionar!
Provar a existência de cartelização é tão difícil como procurar agulha em palheiro. Sabem quantos anos demorou a União Europeia a provar que os laboratórios estavam concertados para manipular o preço das vitaminas? (As multas foram pesadíssimas, mas até serem descobertos, quanto é que os laboratórios ganharam com a “cartelização”?)

É por estas e por outras que o sr. Saleiro devia pensar duas vezes antes de pedir a demissão de Abel Mateus que tem feito um trabalho excepcional à frente da AAC. Saleiro devia saber que não basta saber a verdade, é preciso prová-la. E quando o mercado funciona exclusivamente em favor da oferta, a prova torna-se muito difícil

Taxistas e supermercados

No Porto, quatro crianças são atropeladas quando atravessam uma passadeira. O condutor foge. É um motorista de táxi que mais tarde se acaba por entregar às autoridades, mas só o faz porque um colega de profissão o denunciou. Como era de esperar, estava bêbado. Como não era de esperar, saiu há poucos meses da prisão por prática de furto.
Era taxista, conduzia bêbado e devia, por isso, ser duplamente responsabilizado e proibido, para o resto da vida, de conduzir um táxi. Florêncio de Almeida, presidente da ANTRAL é da mesma opinião. No entanto, a ANTRAL não tem poder para banir estes taxistas que denigrem a classe. É pena...
Na mesma cidade do Porto, há algumas semanas, uma funcionária de um supermercado foi despedida porque autorizou uma velhota a levar "fiado" produtos no valor aproximado de 20 euros. Entretanto, os jornais noticiavam, há algumas semanas, que os tribunais perdem tempo e gastam dinheiro dos contribuintes a julgar furtos em supermercados no valor irrisório de dois e três euros. O gerente de um supermercado "lesado" afirmou que fora para tribunal, para "dar o exemplo".
Eu sei que a comparação soa um bocado a demagogia, mas às vezes apetece-me escrever estas coisas. Os leitores que me julguem

segunda-feira, 17 de março de 2008

Tibete: rescaldos à flor da pele

É sem surpresa que assisto ao desenrolar dos acontecimentos no Tibete. Em ano de Jogos Olímpicos em Pequim e com a carta de alforria de Bush – que retirou a China da lista negra dos países violadores dos direitos humanos- era de esperar que Hu Jintao não perdesse tempo a demonstrar ao mundo que Bush se tinha precipitado.
Ao contrário do que o ainda presidente americano pensa, o crescimento económico da China não é sinónimo de maior respeito pelos direitos humanos. Quem visitou o país recentemente, pôde aperceber-se que as desigualdades aumentaram nos últimos anos e que no seio de uma China que se abriu para o exterior, pela via comercial, persistem violações gritantes. No âmbito político, da liberdade de imprensa, ou dos delitos de opinião.
O facto de Hu Jintao ter escolhido o Tibete para relembrar que a China mantém o seu desígnio de incluir a terra do Dalai Lama e mesmo Taiwan, na Grande China, também não surpreende. Na verdade, os piores conflitos no Tibete, desde 1950, ocorreram precisamente quando Jintao era Governador delegado no Tibete, em 1989.
Como aconteceu em relação aos incidentes de Tian An Men, as autoridades chinesas ignorarão as manifestações e os pedidos de “clemência com o Tibete” oriundos do Ocidente. Tão pouco darão grande importância às ameaças de boicote aos Jogos Olímpicos, porque sabem que não terão grande expressão.
Os EUA ficaram reféns de uma proclamação precipitada e agora têm reduzido espaço de manobra para convencer os seus aliados a boicotarem os Jogos Olímpicos com base numa violação de direitos humanos , que afiançaram há poucos dias estarem a ser respeitados. A oposição ao boicote, formulada pelo presidente do COI permite, por sua vez, que o Governo chinês encare qualquer ameaça nesse sentido, com algum desdém.
Dentro de poucas semanas a vida voltará à normalidade em Lhasa, com as autoridades chinesas a reforçarem a sua posição no Tibete. O mundo inteiro voltará a consumir , indiferente, produtos “made in China”. Respaldado nas incoerências do Ocidente, Hu Jintao continuará a levar a água ao seu moinho. Com a paciência de chinês que o mundo continua a menosprezar.
Será por ignorância que a UE se remete ao silêncio, ou terá o passado maoista de Durão Barroso sopesado na manutenção de um silêncio aquiescente?

Sei que estás em festa, pá...

Mas depois de 30 anos de tanta festa e tanta dança, não estará na hora de tomar um banhito e descansar?