sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O "Jeep" e a "dondoca"

A “dondoca” seguia a boa velocidade por uma das faixas laterais da Av. da República em direcção ao Saldanha, conduzindo o seu “Jeep”. Já há algum tempo tinham batido as seis badaladas vespertinas mas àquela hora, carrinhas e camiões ainda estacionavam descontraidamente em segunda fila, numa azáfama modorrenta de cargas e descargas. Ziguezagueando entre os camiões estacionados, a “dondoca” ia gesticulando com alguma agressividade, manifestando o seu desagrado por conduta tão desrespeitosa quanto ilegal, que os brandos costumes da polícia toleram com bonomia.
“Vai certamente com presa de regressar a casa” – pensei na minha inocência -quando a vi passar descontraidamente um sinal vermelho, provocando um “guinchar” de travões dos carros que vinham da Miguel Bombarda com o sinal verde aberto, na desesperada tentativa de evitar a colisão. Acelerou e continuou o seu caminho, acenando com a mão direita , enquanto a esquerda segurava o telemóvel. Cem metros adiante, abrandou, ligou os piscas, estacionou em segunda fila, trancou as portas e dirigiu-se em marcha lenta para a farmácia.

O outro lado de Pinto Monteiro

No blog sabugalense Capeia Arraiana , José Carlos Lage faz uma curta entrevista a Pinto Monteiro ( também ele um sabugalense), na sequência de um jantar de finalistas da UAL realizado na Casa do Sabugal em Lisboa (também com destaque no site), onde o PGR marcou presença. Entre outras memórias de juventude, Pinto Monteiro evoca o saudoso amigo Fitz Quintela, desaparecido em circunstâncias trágicas e nunca esclarecidas durante o "período quente" pós 25 de Abril ( Um grande beijinho para a Irene, se me estiver a ler...)
Na ementa não faltou o famoso "Bucho Arraiano" que o meu amigo Corta-fitas, Pedro Correia, um dia destes irá provar. Isto, claro, se aceitar o convite que a Confraria do Bucho lhe vai fazer...

Uma tese rebuscada, ou talvez não...

A propósito da troca de galhardetes entre o ministro da Agricultura e Paulo Portas, alguma direita mais “trauliteira” reclama a demissão de Jaime Silva. Devo dizer que condeno em igual quinhão esses apparatchiks, o ministro e Paulo Portas.
O líder do CDS não tem qualquer legitimidade para se indignar, pois quando estava no Governo ( mas também fora dele) utilizou com frequência o insulto e não se inibiu de recorrer a acusações torpes para denegrir os seus adversários políticos. Por vezes é conveniente aos apparatchiks esquecerem o passado e é por isso mesmo que condeno as suas posições. A verdade é que PP tem “telhados de vidro” nos casos Portucale e Casino de Lisboa. Em relação a este último, bem se pode esforçar a tentar impingir-me que o Estado já recebeu uns milhões e ainda vai receber outros tantos, para justificar a clareza do negócio,mas a minha posição é irredutível: foi um mau negócio para o Estado e um bom negócio para Assis Ferreira e Stanley Ho.
A verdade é que se o concurso tivesse sido público, o Estado poderia ganhar bastante mais; iludir essa questão é tentar “tapar o sol com a peneira”. Além do mais o Casino Lisboa não é a propalada “extensão” do Casino do Estoril, mas sim outro Casino, o que por si só é ilegal e- mesmo contornando a lei- exigia um concurso público.

Em relação ao ministro, é verdade que lhe ficou mal recorrer às mesmas armas de arremesso utilizadas por Paulo Portas, aludindo à brancura da sua prótese dentária. Defendo, porém, uma teoria rebuscada sobre o assunto. Não só acredito que a encenação tenha sido concertada com o PM, como acredito que o objectivo é favorecer Portas. Com efeito, o regresso de PP à cena política não se fez com trombetas e glória, o apagão do líder centrista tem sido notório. Ora essa fragilidade do CDS/PP não convém minimamente ao Governo, que estará interessado em evitar que o descontentamento dos portugueses seja integralmente capitalizado pelo PSD, pondo em risco a renovação de uma maioria, ou mesmo uma vitória em 2009. Transformar Paulo Portas em vítima, será uma maneira de o reabilitar na cena política, conhecida que é a tendência dos portugueses para se condoerem com as vítimas, manifestando com votos nas urnas a sua solidariedade.. Agora, só depende de Portas escolher a melhor maneira de capitalizar a vitimização. E eu não diria que o recurso à Justiça seja a melhor ideia, já que a protecção do PS/Governo é por demais evidente e Paulo Portas não a deve desprezar.

12 palavras de que não gosto

Aceitando o desafio do Cerejas maduras , aqui ficam 12 palavras de que não gosto... porque não!

Abrupto - Berbicacho- Comichão- Doravante- Imbróglio-Insurgente- Moça- Peixeirada- Repto- Resiliência-Temática- Visualização.

Principe Harry no Afeganistão

Via blogkiosk , da Patrícia Fonseca, fico a saber que o príncipe Harry está a combater no Afeganistão desde Dezembro. Os jornalistas que sabiam da missão de Harry concordaram em manter a notícia em segredo até ao seu regresso, previsto para final de Abril. No entanto, o blog americano DrudgeReport fez a revelação. Resultado: Harry está de malas aviadas e vai regressar mais cedo a Londres. Se quer saber masi, vá ao blogkiosk

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Tempo das Cerejas

Só hoje me apercebi que na terça-feira, 26, o tempodas cerejas completou um ano de vida. Um abraço ao Vítor Dias que diariamente nos presenteia com belíssimos posts. Ainda não estamos no tempo delas, mas a quem ainda não visitou proponho que façam uma visita a esta cerejeira cheia de sumo.

Rochedo das Memórias 17- De Ialta à Guerra Fria

Um estudo realizado recentemente em Inglaterra, revelou que a maioria dos jovens ingleses pensa que Churchill nunca existiu
Em Fevereiro de 1945, em Ialta, Churchill, Roosevelt e Estaline sentam-se à mesa para preparar o pós –guerra. A avaliar pelo que se sabe hoje, o trabalho de Churchill em prol da paz não foi devidamente reconhecido, já que os seus concidadãos do século XXI pensam que se trata de uma figura lendária. A sociedade de consumo tem esta capacidade inaudita de apagar a memória e conferir às novas gerações a capacidade de se tornarem analfabetas, mas muito perspicazes a fazer dinheiro. Diante de ecrãs minúsculos ( sejam eles de computador ou telemóvel) entram no mundo virtual com a rapidez de um arroto, expulso por umas goladas de cerveja. Estou a referir-me ao tempo em escala histórica, entenda-se... Mas voltemos ao mundo real, quando as pessoas não eram simples máquinas ligadas a outras máquinas pretensamente mais inteligentes, que lhes condicionam os movimentos e toldam a lucidez.
Hitler estava a falar com os seus colegas nas profundezas do Inferno, quando o Presidente Truman decidiu mostrar aos terráqueos os horrores da terra de Satã, lançando bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaqui. Hirohito anuncia a capitulação do Japão, é finalmente alcançada a Paz e os Estados Unidos vão passar a exercer, cumulativamente, a função de árbitros e polícias do mundo. (Era óbvio, já naquela época, que a acumulação de cargos não daria bons resultados, mas nesse ano ainda Bush filho andava de calções e só pensava em hamburguers com ketchup).
A Alemanha escapa, por um triz, de ser partida em quatro fatias, mas o mundo divide-se em dois blocos e vai iniciar-se a Guerra Fria entre os Bons e os Maus. Em Leninegrado, Prokofiev traça o cenário com a estreia da ópera Guerra e Paz mas, nos EUA, Humphrey Bogart e Lauren Bacal ensaiam outro guião com o filme À Beira do Abismo. Apesar de ainda estar à espera de se reeabilitar com a vitamina do Plano Marshall, a Europa também dá um contributo à alegoria sobre esta guerra surda, com A Bela e o Monstro de Jean Cocteau

Perguntar não ofende...

Almeida Pereira foi convidado para Director da PJ do Porto. No dia seguinte, a comunicação social escandalizava-se e bramia em primeiras páginas e aberturas de Telejornal. "Vergonha, o homem é adepto do FC do Porto e até anda a ser investigado porque fez umas viagens à borla à custa do clube!".
O desmentido quanto às prebendas e à suposta investigação foi célere, mas certa imprensa não desarmou. Insistiu. como se o facto de o homem ser adepto do FC Porto fosse crime ou razão de incompatibilidade superveniente, ainda mais intolerável do que as relações espúrias de alguns políticos com empresas que tutelaram quando estavam no Governo.
"Política é política", terão exclamado alguns. "Aquilo são trocos", retorquiram outros. Agora no futebol é inadmissível! Um energúmeno qualquer ainda perguntou: "E se fosse do Benfica, amigo pessoal de Maria José Morgado, Luís Filipe Vieira, Carolina Salgado e Leonor Pinhão, seria o homem certo no lugar certo?"
Teve que fugir a sete pés. A rapaziada que escreve nos jornais desportivos e similares não lhe perdoou a afronta e foi-lhe no encalço.
Pelos vistos o Conselho Superior de Magistratura também não apreciou a ideia. Almeida Pereira vai provavelmente recusar o convite, para não ser humilhado pelo simples facto de ser sócio do F.C.do Porto.

Comando à distância

Depois de Morais Sarmento e Santos Silva terem criticado asperamente as suas pretensões de acabar com a publicidade na RTP, Luís Filipe Meneses reagiu com aquele ar acidulado de quem padece de gastroenterite crónica e disparou para as câmaras e microfones um discurso lapidar:
" Aqueles que me criticam, que leiam o discurso de Sarkozy na semana passada!". Depois desta tirada, o País inteiro ficou a saber que LFM (re)age à distância. A continuar assim, deixará de ser o candidato "copypaste" e passará a ser o candidato "telecomando".

As desculpas de Sarkozy

Sarkozy pediu desculpa ao agricultor a quem chamou idiota, de uma forma muito peculiar, como se pode ler em "The Independent":
President Nicolas Sarkozy admitted publicly Tuesday that he was wrong to trade insults with a bystander at an agricultural show at the weekend. Or rather, he did not. The President's words of near-apology appeared in the transcript of an interview given by M. Sarkozy to readers of the newspaper, Le Parisien. The editor revealed later that the President had said no such thing. The words of regret were inserted later, after the Elysée Palace asserted its right to revise the text. On Saturday, in a scene which has become one of the most sought-after clips on internet video sites, President Sarkozy was drawn into an unseemly slanging match with a visitor to the Salon de L'Agriculture in Paris. In the published reply, President Sarkozy said: ‘It is difficult, even when you are a President, not to respond to an insult... Just because you're President, you're not there for people to wipe their feet on. All the same, it would have been better if I hadn't replied to him.’ The editor of Le Parisien, Dominique de Montvalon, later revealed that M. Sarkozy had not expressed the ‘slightest regret’ at the time. The final words were added by the Elysée Palace when the text was revised, something commonly allowed to politicians in France but rarely elsewhere. The Elysée Palace said that the added words were ‘in the spirit’ of what the President had meant to say. (The Independent)”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Papá, quero uma TMN só p'ra mim!

Recebo uma mensagem da TMN no telemóvel, informando-me que a partir de 1 de Abril, as chamadas para o número de apoio ao cliente da banda larga vão passar a ser pagas. Não me espanto com o despudor da TMN. O serviço de banda larga é fracote e está muitas vezes em baixo, levando muitos consumidores a ligar para o número de apoio. Foi o que aconteceu comigo que, durante 10 dias, estive sem acesso ao serviço por culpa da TMN e gastei horas a telefonar, encontrando ( quase) sempre pela frente pessoas incompetentes incapazes de resolver o problema, que s me faziam esperar longuíssimos minutos e no final só me diziam “tente mais tarde”. Vou ter de pagar para ouvir estas respostas parvas?
O mais espantoso, porém, é que apesar de ter estado esse tempo todo sem possibilidade de aceder ao serviço, a TMN teve o topete de me cobrar o mês inteiro. Apresentei reclamação ( via telefone, e-mail e por escrito) e até agora não obtive qualquer resposta.- a pesar de a ocorrência se ter verificado entre 25 de Janeiro e 5 de Fevereiro.
Quando for grande quero ter uma empresa assim. Pelo menos posso roubar sem ir parar ao xilindró, que isto dos assaltos por esticão é muito arriscado e já não dá nem para as solas dos sapatos!

Apitó comboio!

O “Apito Dourado” lá continua à velocidade do comboio da linha do Tua. Ontem, foi ouvida a testemunha que desencadeou a abertura do processo. Esperavam-se revelações bombásticas, mas o ex-árbitro Mendes tinha poucas coisas para revelar. Afinal, foi ele que pediu a Valentim Loureiro para ser recebido, porque pretendia reclamar, pessoalmente, contra a classificação que lhe fora atribuída num jogo anterior. Valentim ter-lhe-á perguntado se estava preparado para arbitrar o jogo da jornada seguinte entre o Gondomar e outro clube qualquer. Estaria aqui a marosca toda? Pelas afirmações do sr. Mendes, parece que não, já que como ele confessou, nunca lhe foi pedido para favorecer o Gondomar, nem recebeu qualquer prebenda, além das que estava habituado a receber noutros jogos. No entanto “como não sou burro, percebi que era preciso beneficiar o Gondomar” afirmou.
Ficámos então a saber que as queixas relevantes que terá feito, se resumem a meras suposições ( pelos vistos suficientes para abrir um processo) resultantes do facto de "não se considerar burro".
Hoje deveria ter sido ouvida a Santa da Ladeira, perdão a Carolina Salgado, mas baldou-se por razões que ainda não consegui apurar. Más línguas dizem que terá vindo a Lisboa aconselhar-se com os seus “lideres espirituais”, ( o “Barbas” não faz parte do grupo) e tentar saber, junto de Maria José Morgado, qual a hipótese de vir a ser beatificada pelo contributo das suas declarações para acabar com a corrupção no futebol português.
Fonte fidedigna disse-me que a “Vidente do Monte da Virgem” (Carolina Salgado) irá também contactar uma conhecida jornalista, para lhe escrever o tal segundo livro que anda a prometer há meses e no qual a “ghostwriter” ( não a Carolina, mas a jornalista) deverá desvendar novos casos bombásticos. Cada capítulo será escrito após um repasto no “Eleven”, onde não faltarão os cogumelos mágicos que assegurarão o enredo.

Ainda o Kosovo

A propósito da "desunião europeia" em relação à independência do Kosovo, vale a pena ler a insuspeita e lúcida análise do Pedro Correia no Corta-fitas

E não se pode exterminá-lo?

Luis Filipe Meneses anunciou ontem, na SIC, que desmantelará a RTP com uma assinatura, proibindo a publicidade no canal público. Mais uma vez LFM comportou-se como um Cátaro, ao pretender insinuar que a publicidade na RTP faz mal aos outros canais. LFM esquece que a RTP é o único canal de televisão em sinal aberto que merece ser visto, porque nos proporciona algo mais do que telenovelas em horário nobre. Ameaça destruí- la, na tentativa de captar votos, mas esquece que a solução – aumento da contribuição do Estado- significa que o custo da leviandade terá que ser suportado pelos portugueses.
O que vale é que LFM não pode ser levado a sério. Já afirmou que desmantelaria o Estado em seis meses, depois voltou atrás e acabou a apoiar a manifestação da função pública. Não haverá uma alma caridosa interessada em desmantelar LFM e restituir ao PSD alguma credibilidade?
Este país precisa de ter alguém, na oposição, que faça um combate sério e não se limite a folclore e fogachadas.

RTP dá tiro no pé

A RTP gastou uma pipa de massa com a nova versão de Vila Faia. A promoção tem sido intensa. Depois de tudo isto, atiram com a série para as 19 horas de sábado? Anda por lá gente que, ou não é deste mundo, ou faz a programação de acordo com os horários familiares, ou então não sabe o que anda a fazer!

Rochedo das Memórias 16- "Nós por cá todos bem..."

A manifestação organizada pela União Nacional no Terreiro do Paço ( Abril de 1940) para celebrar os 52 anos de Salazar, é elucidativa de que por cá tudo estava bem. A Legião Portuguesa era da mesma opinião, por isso faz uma outra manifestação, em Julho, para celebrar a invasão da URSS pela Alemanha. Para a encenação ficar completa e o Estado Novo sair reforçado, faltava que o coreógrafo António Ferro terminasse o seu trabalho: a Exposição do Mundo Português. Inaugurada com pompa e circunstância em 23 de Junho de 1940, a mostra era o retrato do misticismo com que o Estado Novo procurava reconstruir a nossa história. Prova disso, é que não existia qualquer referência ao período entre 1820 e 1926. Como se esse século liberal pura e simplesmente tivesse sido varrido da História, Ferro e Salazar depositaram-no no caixote do lixo da memória. Os portugueses, porém, estavam orgulhosos e acorreram em massa a Belém para assistir “in loco” a esta encenação "para exportação" do Estado Novo. Felizmente para Salazar, o analfabetismo dos portugueses aumentava e as vozes que se levantaram foram rapidamente silenciadas. A Bem da Nação!
Dois anos mais tarde ( 1942) enquanto Hitler e os seus acólitos se entretinham a lançar fogo de artifício sobre Inglaterra, testando as capacidades do V2, o conflito pegava fogo aos Estados Unidos, e em Portugal se começava a assistir a alguma agitação social devido à escassez de produtos essenciaias, Salazar assina com Franco o Pacto Ibérico. António Lopes Ribeiro assinala o momento com a estreia de O Pátio das Cantigas . O cinema português inicia nesse ano, aliás, um período de oiro. Pese embora muitos desses filmes ainda hoje nos fazerem salivar de saudade dos grandes humoristas como António Silva, Vasco Santana ou Ribeirinho, a verdade é que outros houve que mais não foram do que propaganda ao regime. Ferro foi acérrimo opositor da “comédia portuguesa” -chegou a chamar-lhe cancro nacional- e entusiasmado defensor dos filmes históricos que fizessem ecoar bem alto os nobres princípios do salazarismo. Não se deveria ter maçado tanto a zurzir na comédia porque, apesar de ser uma crítica de costumes, ela enaltecia a máxima Deus Pátria e Família, sustentáculo da ditadura.
Apesar daquele ar austero, a comédia também seria do agrado de Salazar, caso contrário, talvez não tivesse extinto o Serviço Nacional de Propaganda, para o substituir pelo SNI ( Serviço Nacional de Informação) . As funções eram idênticas, mas o nome tinha muito mais piada, porque falar em informação num Estado Novo que utilizava despudoradamente a Censura, só podia dar vontade de rir. Maior gargalhada estava porém reservada para 1945. Terminada a guerra, assinada a carta de fundação da ONU, Salazar anuncia ao país e ao mundo, com grande espavento, que realizará eleições “ tão livres como as da livre Inglaterra”. Esqueceu-se, porém, de dizer que a sua promessa só seria concretizada ( e contra a sua vontade expressa) 30 anos depois, em 25 de Abril de 1975.
Todos sabemos que os portugueses não primam pela pontualidade, mas 30 anos (e ainda por cima só porque uma cadeira resolveu acelerar o processo) convenhamos que é atraso demasiado. Com esta falta de pontualidade no cumprimento de promessas- que haverá de fazer escola na classe política portuguesa, até aos dias de hoje- , como é que não haveríamos de estar tão atrasados em relação à Europa?

A Primavera no Palácio do Tempo

Todos os anos, em Fevereiro, há um dia quente e límpido em que a Primavera se anuncia. Espreita à porta do Palácio do Tempo como que a dizer ao Inverno “despacha-te que o teu reinado está a acabar e eu já estou pronta a entrar em cena” e depois desaparece até Abril. Nesse dia costumo abençoar a minha condição de “free lancer” , meter um dia de férias e ir até ao rochedo, passar o dia com a Primavera, para lhe dar as boas vindas e dizer “até breve. Venha depressa que já sentimos a sua falta”.
Este ano esse dia foi ontem. Um trabalho para entregar até ao fim do dia e uma reportagem nos subúrbios, não me permitiram mais do que um acenar ao rochedo onde ela costuma estar à minha espera. Ainda atirei de longe um “Bemvinda sejas, até breve”, mas creio que as palavras se perderam no asfalto da estrada do Guincho.
Espero que a Primavera compreenda e me perdoe tê-la trocado por trabalho e alguns euros, mas a vida está tão difícil, que não me deixou outra hipótese. Quando ela voltar ( espero que volte, mas sei que ela anda zangada com os terráqueos que a têm tratado mal e não lhe têm dado qualquer importância. Enfiam-se em gabinetes sem janelas, preocupados apenas com o trabalho e nem se apercebem da sua presença. Por isso tem andado tão arredia nos últimos anos...) vou explicar-lhe tudo direitinho e pedir-lhe desculpa por não ter comparecido no dia em que ela assomou à porta do Palácio do Tempo para nos saudar

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Rochedo das Memórias 15- Do microscópio à libertação de Paris

A invenção do microscópio ( 1940) com capacidade de ampliação de 500 000 vezes, poderia ter ajudado Hitler a ver que a guerra era uma loucura e um erro monstruoso que estava a cometer, mas apenas serviu para reforçar a perseguição aos judeus e ampliar o número de vítimas nos tenebrosos campos de concentração. A corrida à bomba atómica intensifica-se e em 1942 é construído o primeiro reactor atómico.
Na vida doméstica, aparece o rolo para pintura (1940), o pulverizador aerossol (1941) e o atendedor de chamadas (1943), enquanto o terylene se torna na fibra da moda. O primeiro anúncio publicitário feito em televisão surge em 1941. Anuciante: o relógio Bulova. Em 1942 é apresentado o primeiro computador electrónico e no ano seguinte, na Holanda, o rim artificial.
Os primeiros discos de alta fidelidade são lançados em Inglaterra (1944), permitindo aos melómanos uma audição mais pura dos artistas da década (Glenn MIller e Frank Sinatra são os nomes mais sonantes, vindos do outro lado do Atlântico, mas o jazz com nomes como Count Basie, Benny Goodman ou Duke Ellington, irá impôr-se ao gosto europeu, mais para o final da década).
Em 1940, Charles Chaplin ironizava com a figura de Hitler no filme O Grande Ditador e John Ford recorre um livro de John Steinbeck ( As Vinhas da Ira) para expôr, através do cinema , as misérias da guerra. Mas é mais tarde que o cinema apresenta dois êxitos retumbantes que marcam este período, mas que só mais tarde viriam a tornar-se quase lendários: Citizen Kane (1941) e Casablanca (1942).
Enquanto em Itália Mussolini proíbe a exibição de Obsessão de Visconti, Saint Exupéry viaja para o espaço com “O Principezinho” e nos Estados Unidos estreia-se Por quem os Sinos Dobram, baseado no romance homónimo de Hemingway.
Em Setembro de 1944, já depois do desembarque das tropas aliadas na Normandia, e do atentado falhado contra Hitler , Frank Capra gritava dos EUA para a Europa: Este Mundo é um Manicómio, mas o Führer não o ouvia. Há quem afirme o contrário e defenda que terá sido esse grito que o terá levado a suicidar-se no seu bunker, em Abril do ano seguinte, mas é mais credível que tenha decidido fazê-lo depois de ver a primeira parte da trilogia de Eisenstein Ivan o Terrível apresentada em Moscovo em Janeiro. Ou terá sido assaltado por um rebate de consciência, ao ler o Diário de Anne Frank, descoberta pela Gestapo em Amsterdam?
O que se sabe é que a Europa inteira respirou de alívio quando Paris foi libertada da ocupação alemã. Já imaginaram o que seria Paris sem a língua francesa a passear-se pelas ruas? E que seria da Europa, se as montras parisienses tivessem passado a exibir a austeridade da moda alemã, em vez da ousadia sensual dos costureiros franceses? Como seriam hoje Montmartre, ou Saint Germain Desprès? Uns miseráveis redlight districts ao estilo de Frankfurt ou Hamburgo, certamente. Sem centelha de emoção e criatividade, despida de latinidade, sem Follies Bergère e Moulin Rouge ( quem se ia interessar por um cabaret chamado Das Röt Mühle?) Paris seria certamente uma seca.

Cartas de amor

Nunca aceitei que as cartas de amor, só por serem de amor, tenham de ser ridículas. Há cartas de amor que são mentirosas ou oportunistas, mas não são ridículas. As cartas de amor revelam muito a personalidade de quem as escreve. Ontem, Luís Filipe Meneses "enviou" uma, dirigida à Frente Comum e revelou-se. A carta era simultaneamente ridícula, oportunista e mentirosa. Ninguém o vai levar a sério e como resposta vai receber uma "tampa". É bem feito. LFM já tem idade para perceber que não se pode dizer que se ama uma pessoa, meia dúzia de dias depois de se ter afirmado que a queremos aniquilar em seis meses. Os funcionários públicos não são estúpidos, sr LFM! Perceberam bem a primeira mensagem, não vão acreditar na segunda.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Ó p´ra eles, tão mentirosos!

Há dias, o João Villalobos escrevia, no Corta-fitas, sobre um estudo que nos declarava campeões das quecas ( já não recordo se europeus ou mundiais, mas para o caso pouco importa).
Lembrei-me de imediato de um estudo, realizado pelo Eurobarómetro em 2007, que colocava Portugal no 18º lugar ( entre 149 países) em termos de consciência e práticas ambientais. Na altura escrevi isto:
"Um inquérito realizado pelo Eurobarómetro concluiu que os portugueses são dos povos que mais se preocupam com as alterações climáticas! Mais... de acordo com o inquérito, as alterações climáticas e o aquecimento global são as duas grandes preocupações para 65% dos portugueses, o que nos coloca no quinto lugar do ranking europeu, no que concerne à consciencialização ambiental. Dá vontade de rir, mas acima de tudo leva-me a pôr em causa a fiabilidade dos estudos do Eurobarómetro. No dia a dia vemos os portugueses a cuspir para o chão e deitar o lixo onde calha; vamos à praia e ficamos horrorizados com os cadáveres de frangos e sardinhas espalhados pela areia, fazendo companhia a pacotes de batatas fritas, garrafas de refrigerantes e uma parafernália de DNI ( dejectos não identificados); entramos em alguns prédios cuja iluminação feérica à entrada nos anuncia de imediato que ali vive gente que não olha a custos; no Natal as autarquias gastam desmesuradamente em iluminações (O caso da falida Câmara Municipal de Lisboa que em dois anos consecutivos exibiu sem qualquer vergonha a árvore de Natal mais alta do mundo é paradigmático: somos gastadores, saloios e inconscientes, agora encontramos um Rui Rio ainda mais saloio e deslumbrado, que desviou a árvore para o Porto);em pleno Verão, assistimos durante dias a desperdícios de água, jorrando de uma qualquer sarjeta na rua; as casas são mal calafetadas, provocando um aumento desmesurado do consumo de energia; toda a gente , quando compra um carro, quer ar condicionado,(será que os portugueses pensam que vivem num paraíso tropical?); temos um Governo que criou os já célebres PIN( Projectos de Interesse Nacional) para poder justificar a autorização de construção de megalómanos projectos turísticos e industriais em terrenos da Rede Natura... Não acham que são exemplos suficientes de má conduta ambiental, que põem em causa os resultados hoje divulgados em Bruxelas pelo Eurobarómetro? Das duas uma: ou o Eurobarómetro errou, ou então somos todos muito mentirosos!!!"
Pois é, meu caro João Vilalobos, somos brincalhões incorrigíveis, que adoramos falsear os estudos europeus aldrabando as respostas. Por isso, também não acredito nessa de sermos campeões da queca.

Rochedo das Memórias 14- O inferno desceu à Terra

A primeira metade dos anos 40 ficou marcada pelos horrores de uma Guerra. Não esperem que vá aqui perder muito tempo com ela. Deixo a faceta macabra desse período para outras análises e analistas. Omito, deliberadamente, o papel que alguns nomes importantes deste período ( umas vezes considerados traidores, outras heróis, consoante soprava o vento), desempenharam no conflito. Prefiro debruçar-me sobre o que ocorreu nesse período, à margem da luta armada, e do que nos deixou iniludivelmente na memória, como factor de progresso.
Em tempo de guerra, são variadíssimas e tenebrosas as invenções de carácter bélico, entretecendo os laços entre a ciência, a indústria e o aparato militar. Em 1940,um veículo todo o terreno criado com objectivos militares- o "Jeep" - haveria de se transformar, na década de 90, em meio de locomoção muito apreciado para ir às compras aos hipermercados e centros comerciais. A sociedade de consumo gosta de aproveitar os desperdícios e de os transformar em ícones das bacoquices burguesas. A guerra transporta-se para as estradas com dondocas inexperientes - no que à arte da condução diz respeito- a conduzi-lo pelas ruas das cidades. Acoplados, trazem um GPS que as conduz até às lojas que anunciam os melhores saldos e um telemóvel através do qual vão anunciando às amigas as compras extraordinárias que fizeram. Bem, mas isso por agora não interessa nada. Voltemos aos anos 40... mas só amanhã!

Eu por acaso já tinha reparado...

Que “Este país não é para velhos” já nós sabíamos há muito tempo, não era preciso que Hollywood nos viesse dizê-lo, atribuindo aos irmãos Coen a estatueta dourada para o melhor filme.
Ficámos hoje a saber que este país também não é para crianças felizes, já que uma em cada cinco vivem em risco de pobreza. Para os jovens também não será muito indicado, a avaliar pelo número de recém licenciados que procuram emprego. Então para quem é este País? Para os yuppies de meia idade, “yes men and women”, jovens delinquentes e um conjunto de incorrigíveis optimistas que acham que este é um país porreiro e está na senda do progresso?
Já agora... a avaliar pela candidatura de Mc Cain – a quem Ralph Nader (ainda mais velho) acaba de oferecer a oportunidade de ganhar as eleições presidenciais de Novembro- os EUA é que são um país para velhos. Mas sobre a anunciada candidatura de Ralph Nader, escreverei mais tarde.

Maddie na televisão pública?

Disse-me uma joaninha que Moita Flores está a escrever, para a RTP, o argumento de uma série de ficção sobre Maddie. Não pude confirmar a informação, mas a fonte é fidedigna e dou a notícia como boa. Aliás, não constituiu para mim qualquer surpresa, pois estava à espera que, mais dia menos, um canal de televisão pegasse no assunto. Ainda bem que foi a RTP e que o argumento fica a cargo de Moita Flores. Quando me lembro de séries de ficção portuguesa, vêm-me logo à memória "Alves dos Reis", "Ballet Rose," "A Raia dos Medos," "A Ferreirinha" ou "Os Távora", todas elas de qualidade e com a chancela do actual edil de Santarém. A série não trará revelações sobre o caso, como me parece óbvio , mas quase aposto que Adriano Luz e Filomena Padrão serão os pais de Maddie
Uma dúvida no entanto me assalta, que resulta do que escrevi aqui: Comentadores: o "2 em 1" Que versão sobre o desaparecimento de Maddie iremos ver? A do Moita Flores da SIC, ou a do Moita Flores da RTP?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Isto não é corrupção?

Vive em Aveiro e tem 29 anos. Chama-se André e era desconhecido dos portugueses até há poucos dias. Saiu do anonimato quando foi chamado a substituir Marques Mendes no Parlamento e, deslumbrado, afirmou aquilo que toda a gente sabe: os deputados ganham demais.
Mas André não se ficou pelas palavras. Passou aos actos e decidiu oferecer 10 por cento do seu vencimento a uma instituição de solidariedade social do distrito que o elegeu.
Talvez por ser um rapaz genuíno, André pensou que estava a agir bem. Enganou-se. Não previu que os seus colegas de bancada reagissem como abutres a quem estão a roubar a presa. Reunião de emergência do Grupo Parlamentar, duras críticas e a exigência de que pedisse desculpas publicamente. Leram bem. PUBLICAMENTE. Ao bom estilo de uma "famiglia" calabresa, os deputados quiseram mostrar as regras ao neófito e mostrar o que acontece a quem não cumpre. André foi obrigado a admitir que tinha errado. Apenas por ter dito aquilo que pensava? Não. André talvez não soubesse que os deputados se preparam para duplicar o seu vencimento meio às escondidas. Sem aumentar o vencimento base, mas aumentando as mordomias. As declarações de André tornaram-se, por isso, ainda mais incómodas.
Aposto que no meio das críticas houve um deputado que lhe sugeriu que oferecesse o dinheiro ao Partido e uns quantos que o acusaram de ser populista.
Pouco importa para o caso o partido de André, porque os partidos do arco do poder comportam-se todos da mesma maneira. Sob o guarda-chuva da disciplina partidária, tudo se justifica.
Imagino a amargura e a desilusão do André. Corromperam-lhe a boa-fé. Impediram-no de sonhar que em política se pode ser genuíno, dizer e fazer o que se quer.
Não te percas, André! Sai da política enquanto é tempo...

Afinal, os portugueses gostam da ASAE!

Gastaram-se rios de tinta a escrever contra a ASAE. Delapidaram-se milhares de árvores para publicar artigos de opinião- alguns quase obscenos- , denegrindo a ASAE. Ocuparam-se primeiras páginas de jornais com fotografias, tentando crucificar o presidente da ASAE. Afinal, soube-se hoje, os portugueses que compram jornais, lêem crónicas descabeladas contra a ASAE, e se insurgem contra a prepotência, estão do lado da ASAE. Pelo menos é o que se conclui de um estudo hoje tornado público, que revela que mais de 61% dos portugueses “ aprovam”, ou “aprovam totalmente”, as acções daquele organismo.
De nada valeu a cruzada militante de um conjunto de colunistas, no intuito de “aniquilarem” um organismo que cumpre o seu dever. A única vantagem daqueles artigos foi dar mais visibilidade à ASAE, já que dos inquiridos apenas 4,5% desconheciam a sua existência.
Gostaria de ver metade do papel e da tinta gastos para denegrir a ASAE, serem utilizados para divulgar este estudo. Mas tenho a impressão que vou esperar sentado! Resta , pois, pedir aos cruzados anti -ASAE que, se isso não lhes provocar azia, escrevam apenas um “post scriptum” reconhecendo que se enganaram. E se o prazer que retiram das suas crónicas é apenas o de dizer mal, esperando ouvir um coro de aplausos, não preisam de passar a vida a desancar na Administração Pública. Posso-lhes afiançar que há muitas empresas onde podem zurzir, obtendo o apoio incondicional de muitos milhares de portugueses. Se necessitarem de “dicas”, basta darem-se ao trabalho de ler alguns posts que aqui escrevi e de que deixo dois exemplos:Lisboagás: fixem este nome e Metropolitano de Lisboa não tem vergonha!

PS: Àquele ilustre colunista a quem desejei uma boa viagem até à terra da sua avó torta (Na terra da avó torta) tenho o prazer de informar que continuo sem me candidatar a um emprego na ASAE, nem recebi qualquer convite para integrar os seus quadros.

A idade do armário

Li, não sei onde, que Portugal vai participar na construção do Airbus. Em Setúbal serão construídos os armários que vão equipar o A-340. O nosso problema é esse...nunca mais saimos da "idade do armário" - uma idade bem irritante, por sinal!

Não me venham com desculpas esfarrapadas!

Via ExíliodeAndarilho fico a saber que McCain já tem a sua Monica Lewinsky. Com 40 anos, não se pode dizer que seja propriamente uma estagiária - a não ser que a analisemos à escala, pois o candidato republicano já vai nos 70!

O meu amigo Arnaldo Gonçalves faz várias considerações sobre o assunto (estabelecendo um paralelismo com o que se passa em Portugal), cuja leitura recomendo. Não coloca, porém, uma questão que me parece essencial.É natural que os políticos ( nos EUA e em qualquer parte do mundo) se deixem seduzir por mulheres com idade para serem suas filhas, mas espanta-me que tenham tão mau gosto! Mónica era um estafermo redondo, esta lobbista do Senado é de meter medo aos susto, como poderão comprovar na fotografia.

Ora sabendo-se que a um político com possibilidade de ascender a um cargo de relevo não faltam pretendentes, não consigo encontrar explicação para este mau gosto crónico dos americanos. E não me venham com aquela " quem o feio ama bonita lhe parece", porque nestas situações essa não cola!

Desculpem a minha ingenuidade...

Uma associação de consumidores levantou a questão da ilegalidade da cobrança dos “couverts”, quando não solicitados pelos consumidores. A questão é velha e recorrente, mas de vez em quando vale a pena agitá-la para não cair no esquecimento. A novidade é que ontem recebi na caixa de correio um mail da ARESP, informando que se iria realizar uma reunião entre aquela entidade ( que é a associação mais representativa do sector) e a APDC, “ para definirem como os restaurantes vão cumprir a lei”.
Li, reli e continuei sem perceber. Afinal quem define como se cumpre a Lei? As associações, ou quem as faz? Provavelmente esta dúvida não tem razão de ser. Eu é que devo ser ingénuo.

Campanha eleitoral em Espanha

A campanha eleitoral em Espanha começa hoje ea Patrícia Fonseca tem em exibição no blogkiosk três spots que vão ser exibidos nos canais de televisão espanhóis. Vale a pena dar lá uma saltada!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Os Pinóquios tiram a máscara

Depois de Durão Barroso ter confessado que tinha sido enganado por Bush, por não ter coragem de confessar que mentira aos portugueses quando apoiou a invasão do Iraque, Gordon Brown veio reconhecer que afinal o Reino Unido serviu de porto de abrigo aos aviões americanos que transportavam presos de Guantanamo. Do outro lado do Atlântico, um funcionário de terceira classe veio dizer com ar compungido que sim senhor, era verdade, mas que tinha sido um erro involuntário e que o sr.Bush até nem sabia de nada.
Um a um, os Pinóquios vão tirando a máscara e assumindo as suas mentiras "piedosas". Ainda faltam alguns, mas todos vão acabar por confessar.
Será que ainda há por aí comentadores foleiros com coragem de dizer que Ana Gomes é uma lunática e perigosa esquerdalha ( sim, já vi alarvidades destas escritas por aí...), ou também vão deixar cair a máscara e fazer "mea culpa"?

Conversas com o Papalagui (21)

- Olá tuga! Sabes que o Artur foi despedido do Banco?
- Não sabia... Mas que é que ele fez?
- Parece que se desleixou com umas contas de clientes, ou não fez a tempo umas aplicações que lhe tinham pedido, não sei bem...
- Coitado do Artur!
- Sabes qual foi o azar dele?
- Sei... foi não ser administrador do Banco.
- Como dizes?
- Então, Papalagui, o BCP pagou 80 milhões de euros a cinco administradores para se ver livre deles e evitar que fizessem mais asneiras...
- Agora estou a perceber porque é que a CIP e a CCP querem maior flexibilidade nos despedimentos!

Rochedo das Memórias 13- Começa a II Guerra Mundial. "E tudo o vento levou"!

A grande novidade do ano vem da Alemanha e dá pelo nome de Volkswagen (Carro do Povo). Sucesso de vendas estrondoso, durante várias décadas, o "Carocha" desaparece nos anos 70. Virá a ser recuperado no final do século, mas o seu preço não permite veleidades. Sinal dos tempos, reaparecerá nos anos 90, aburguesado e só ao alcance de bolsas bem recheadas.
Depois de o ferro de engomar a vapor, o cobertor eléctrico e o nylon se apresentarem aos consumidores (1937), é assinado em 1938 (não se sabe se com recurso à esferográfica que acabava de fazer os primeiros gatafunhos na Hungria, fruto da imaginação de um hipnotizador -jornalista) o acordo de Paz de Munique. Tão pouco sabemos se o acordo foi fotocopiado na recém comercializada máquina de xerografia, mas sabemos que foi apenas pretexto para Hitler poder anexar parte da Checoslováquia. Quase 40 anos depois de ser inventado, o ar condicionado chega ao Senado americano e anuncia-se aos consumidores para breve. A rádio continua a fazer grande sucesso e nos Estados Unidos uma emissão dirigida por Orson Wells, põe os americanos aterrorizados. Trata-se de " A Guerra dos Mundos" e simula a invasão da Terra pelos marcianos. O seu realismo seria, já nos anos 50 ,experimentado em Portugal, numa emissão da Rádio Renascença que apanhou o País desprevenido e provocou a ira de Salazar. Lesta a apaziguar a fúria do mestre, a Assembleia Nacional atribui-lhe o título de Benemérito da Pátria!
Na vizinha Espanha, Pablo Picasso pintava Guernica, inspirada no bombardeamanto daquela cidade durante a Guerra Civil espanhola
No mesmo ano em que o DDT era utilizado como insecticida (Suiça) , a França descobria uma técnica de formação de nuvens para provocar chuva e os EUA revolucionavam a vida doméstica com a invenção da máquina de lavar loiça e o lançamento dos alimentos pré-confecionados.
E enquanto acaba a Guerra Civil em Espanha, vai iniciar-se uma à escala mundial. Hitler cantava o sucesso de Edith Piaf , “Non, je ne regrette rien”, indiferente à leitura de “A Náusea” de Jean Paul Sartre, que haveria de marcar uma geração. E como os ditadores têm sempre algo em comum, Hitler e Estaline assinam um pacto de não agressão.
No final do ano de 1939 ,"E Tudo o Vento Levou", o épico extra-longo da Guerra da Secessão americana, é estreado com grande êxito nas salas de cinema. Supõe-se que Vivien Leigh tenha usado, durante as filmagens, o último grito da moda feminina: as meias de nylon. Certo, certo, é que nunca bebeu nada em copos de plástico, que apesar de ter sido inventado nesse ano, só viria a ser comercializado mais tarde.

Silêncios e omissões

Alguns sectores da blogoesfera começaram a reagir com alguma ironia ao facto de o Tribunal de Contas ter chumbado o pedido de financiamento da Câmara de Lisboa, prenunciando mesmo o fim de António Costa. Curiosamente, são os mesmos que reagiram desabridamente quando Guilherme Oliveira Martins foi nomeado para o Tribunal de Contas, acusando o PS ( e fazendo coro com o PSD e CDS/PP) de estar a manipular aquele órgão. Agora, ou remetem-se ao silêncio, ou escrevem posts fazendo crer que o pedido de financiamento se destinava a permitir uns fogachos eleitorais a António Costa. A omissão – que na maioria dos casos não é por ignorância, mas por pura má fé- de referências às dúvidas deixadas por Carmona Rodrigues tem explicação, mas carece de razão.
Às vezes fazia jeito ter mais do que um neurónio! E, no caso de alguns jornalistas, não se perdia nada se tivessem um pouco mais de objectividade...

Incentivos?

Há um pormenor na legislação ontem aprovada sobre a função pública, que merece uma leitura atenta. Mesmo que um funcionário público obtenha classificação que lhe permita progredir na carreira, pode ver essa perspectiva anulada. Basta que o dirigente máximo do organismo onde trabalha opte por gastar o orçamento destinado às progressões e prémios de produtividade em novas contratações. Pessoa amiga, mais familiarizada com estas coisas das leis, garante-me que esse orçamento pode, inclusivé, ser aplicado em contratações “outsourcing”. É a isto que chamam incentivos?

Lisboagás: fixem este nome

Em Janeiro, a Lisboagás ameaçou-me, por carta ,com o corte de fornecimento. Na missiva, acusava-me de não ter pago uma factura de Outubro de 2007, num montante correspondente ao triplo do meu consumo médio em meses de Inverno. Cheirou-me a esturro. Vasculhei a gaveta onde guardo religiosamente os recibos e não encontrei nenhuma factura com a data indicada. Não descurei a hipótese de um extravio, embora tal não me parecesse normal. Peguei no telefone e liguei para a Lisboagás a contar o sucedido.Foram apenas necessários alguns segundos, para que a operadora me esclarecesse o que se passara:
- “Houve um erro no processamento das facturas e por isso essa factura nem sequer foi emitida”
- Então, porque é que me estão a exigir que pague uma factura que não foi emitida e ainda por cima me ameaçam com o corte de fornecimento, por não ter pago uma factura que afinal não existe?
- “Um momento...”
- (pausa para ouvir música)
- “Pronto, esteja tranquilo, foi a máquina que gerou um erro de facturação e gerou uma quantidade de facturas que nunca foram emitidas...”
- Então, se não devo nada, porque me ameaçam com um corte de fornecimento?
- “Um momento...”
- (continuo a ouvir a música de fundo)
- “Dever deve, porque o senhor não pagou a factura de Outubro, porque não lhe foi sequer enviada!”
- Desculpe, mas não devo! Só deveria, se tivesse recebido a factura e não a tivesse pago!
- “Um momento...”
- ( começo a perder a compostura. A música de fundo começa a soar-me desafinada)
- “Bem, a nova factura vai-lhe ser enviada até ao dia 12 de Fevereiro. Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?”
- “ Pode... diga-me quando é que a Lisboagás me devolve o dinheiro que me cobrou por uma semana de serviço que não me prestou, em Agosto, porque me cortou o gás para fazer reparações ..."
- “A isso não lhe posso responder, mas se teve o gás cortado, vai ter que pagar o restabelecimento do serviço...”
( Eça de Queirós fez esta pergunta há mais de um século a Pinto Coelho, Presidente da Companhia das Águas de Lisboa e nunca obteve resposta. Um século mais tarde a Lisboagás encontrou a solução. Corta o serviço e depois cobra ao cliente pelo seu restabelecimento. Nada mal visto, convenhamos )
...............
No dia 18 de Fevereiro recebi uma carta da Lisboagás, com a factura de Outubro, cujo valor era menos de metade do que inicialmente me tinha exigido. O prazo para pagamento? Dia 12 de Fevereiro! A Lisboagás funciona de forma exemplar, não acham? Agora fico a aguardar, para ver se na próxima factura me vão cobrar juros por atraso no pagamento...

A metamorfose de Cavaco

Quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva raramente tinha dúvidas e nunca se enganava. Desde que é Presidente da República mudou bastante. Passou a ter muitas dúvidas ( nomeadamente na aprovação de algumas leis que lhe sáo remetidas pelo Executivo) e por vezes já se engana. Ao aprovar a lei do regime das carreiras da função pública, Cavaco Silva cometeu um erro grave. Não tanto pelo conteúdo do diploma, mas essencialmente pelo que lá não está . O que o PR fez ontem, foi passar um cheque em branco ao Governo. Teixeira dos Santos agradece e as empresas também, porque o recurso ao "outsourcing" ( uma banalidade hoje em dia na Administração Pública, mas ainda assim sujeita a algumas regras...) passa a ser mais fácil e menos controlado.
Pior estarão os funcionários públicos. Com as novas regras para mobilidade e reforma que hoje entraram em vigo, o Governo está a enviar-lhes uma mensagem clara: "Saiam a bem, enquanto é tempo..." É que depois de o Governo publicar as portarias que enquadram a Lei ontem aprovada pelo PR, a vida dos funcionários públicos irá, possivelmente, ser mais difícil

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Rochedo das Memórias 12- A Guerra Civil de Espanha e a ditadura de Salazar
















Em 1934, um ano depois de Hitler ser nomeado chanceler do Reich, tem iníco "A Grande Marcha" comandada por Mao Tse Tung , que irá conduzir anos mais tarde à vitória dos comunistas chineses. As estradas inglesas conhecem um novo invento que permite dar mais segurança aos automobilistas que viajam durante a noite: os reflectores. E no Reino de Sua Majestade, para conduzir, passa a ser obrigatório possuir carta de condução. Cansados da Depressão, animados com o New Deal, os americanos jogam ao Monopólio, numa tentativa de reaprender o caminho do sucesso capitalista..
Em Portugal, o ano começa com uma greve geral que pretende derrubar Salazar, mas acaba em efeito “boomerang”, com a destruição do já frágil movimento sindical, que vem a ser consumada em Julho, na “Noite das Facas Longas”. (Como compensação será criada no ano seguinte a FNAT - Federação Nacional da Alegria no Trabalho). No final do ano, Salazar tem o poder consolidado e convoca eleições. Farsa, Primeiro Acto, é levado à cena a 16 de Dezembro, consagrando os protagonistas da ditadura. Manter-se-ia em cena durante 41 anos.
Mas a moda das ditaduras também fazia furor a Leste , por isso Estaline decide, em duas penadas, liquidar a oposição.
Antes de se iniciar a Guerra Civil em Espanha, que levará ao poder mais um ditador(1936), os consumidores são presenteados com o aparecimento do gravador de fita, o filme a cores, a iluminação florescente e a primeira emissão de televisão a cores (Inglaterra e Alemanha). São postas à venda as vitaminas em comprimidos, mas ainda estamos longe de ver os seus preços controlados por um cartel. Supõe-se, porém, que Salazar tenha recorrido a elas com abundância, pois nesse ano acumula as pastas da Guerra e dos Negócios Estrangeiros e ainda tem tempo para dar uma mãozinha a Franco.
Nos escassos tempos de lazer, o ditador ainda deve ter arranjado espaço para ver o desenho animado “Branca de Neve e os 7 Anões”...
O trânsito nas cidades europeias já é uma preocupação e as ruas animam-se com o aparecimento dos parquímetros.

Férias em Cuba

- Foste passar férias a Cuba? Que horror, querida!
- Eu até gostei...
- Bem, estive cinco dias em Varadero e a praia é óptima e os hotéis não ficam nada a dever aos do Algarve, mas ouvi dizer que há outra praia ainda melhor...
- Sim, Cayo Coco!
- Foi em "Cai o Coco" que estiveste? É giro?
- Só lá estive um dia, para ver como era. Estive a passear pela ilha durante uma semana e fiquei três dias em Havana.
- Ai, filha, aquilo é um horror! Estive lá um dia e detestei. Que pobreza! Tudo degradado! E as pessoas? Coitadas, vivem miseravelmente! Nem sequer sabem o que é um hamburguer ... E nem imaginas como olhavam para o meu telemóvel quando eu estava a tirar fotografias!
- É... mas têm um bom sistema de saúde e bom ensino, tudo gratuito...
- Coitados, não têm dinheiro para comprar nada. Aliás... eles não têm é nada. Deixei-lhes as minhas roupas todas, coitados. Se aquilo é assim na capital, imagina como será o resto. O Fidel é um bruto, já devia estar morto. As pessoas nem sequer podem falar, com medo de serem presas.
- Eu falei com muita gente. Algumas discordam de Fidel, criticam-no e querem vê-lo morto, como tu, mas encontrei muita gente que está satisfeita e quase venera o Fidel.- Ó filha... tu acreditas nisso? Eles dizem bem porque têm medo de ser presos e torturados se forem apanhados a criticar o Fidel!
- Quando andei a passear pela ilha não me apercebi que isso fosse bem assim..
- Ilha? De que ilha é que estás a falar?
- De Cuba, evidentemente...
- Aquilo é uma ilha? Não sabia... Lá em Varadero a gente nem se apercebe disso!

Nota: Publiquei este post em Agosto de 2007 no extinto ALEMBOJADOR mas, como vem a propósito , faço aqui a republicação

Mudasti? Mudasti?

Vai um corropio de mudanças na blogoesfera. Até parece contágio...Hoje, foi a vez de o corta-fitas mudar para o sapo. O nove endereço é:corta-fitas.blogs.sapo.pt. Nova morada com a qualidade de sempre? Mas certamente que sim, como diria o Paulo Querido.

Metropolitano de Lisboa não tem vergonha!

Infelizmente, mesmo quando os dias começam bem, há sempre alguém disposto a estragá-los pondo à prova a nossa capacidade de resistência à adversidade. Foi o que me aconteceu hoje com o Metropolitano de Lisboa. Era dia de revalidar o Lisboa Viva, mas quando cheguei à estação uma das máquinas estava avariada ( está assim há meses!) e a outra não aceitava pagamento em notas nem Multibanco.
Dirigi-me ao “guichet” na esperança de encontrar um funcionário que me pudesse vender o título de transporte mas, como habitualmente, não estava lá ninguém, apenas um segurança ( aliás simpático e que trabalha ali há anos) a quem manifestei o meu desagrado e perguntei o que devia fazer. Quase envergonhado e pedindo desculpa, informou-me do seguinte:
“ O que o meu chefe disse é que se alguém precisar de bilhete, que traga dinheiro trocado!”
Claro que de imediato “ me saltou a tampa” e pedi o Livro de Reclamações. O pobre homem ficou tão encarnado, que julguei que lhe ia “dar uma coisa” . Só depois percebi que estava envergonhado com a resposta que tinha para me dar:
“ Não lhe posso dar o Livro de Reclamações, porque não tenho acesso a ele e não há aqui nenhum funcionário para receber a reclamação”.
É assim que a empresa Metropolitano de Lisboa trata os passageiros/consumidores. Sem qualquer consideração , como algo imprestável que deve comer e calar. A Administração do Metropolitano (que deve ser paga com aqueles ordenados milionários e as mordomias próprias de qualquer administrador neste Portugal Democrático governado por um partido que se diz socialista), gastou dinheiro a construir uma série de cubículos para funcionários que deveriam atender o público, mas na maioria das estações as “guaritas” estão vazias e os passageiros ficam a falar com as paredes, sempre que alguma coisa corre mal.
A empresa Metropolitano de Lisboa está-se “nas tintas” para os passageiros/consumidores, desrespeita tranquilamente a legislação em vigor acerca do Livro de Reclamações e assobia para o ar como qualquer vigarista de vão de escada que vende produtos de contrafacção à revelia da polícia. É assim que pretendem atrair mais passageiros?
Já escrevi ( aqui e noutros locais) que considero o metropolitano o melhor transporte público de Lisboa, mas isso não invalida que continue a ver a empresa Metropolitano de Lisboa como uma das mais mal geridas e que mais despreza os consumidores.
Não há volta a dar-lhe, porque o problema parece ser congénito e irremediável e , quem se devia preocupar com o caos da empresa, assobia igualmente para o ar como se nada se passasse.

Adenda: Quando cheguei ao Saldanha apresentei a reclamação e fui informado que, no espaço de uma hora, era o sexto a fazê-lo. Nada que incomode a Administração do Metropolitano de Lisboa já que, como aconteceu noutras ocasiões, nunca dali virá uma resposta, nem haverá consequências.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

E de repente,na manhã ...

O repórter da RTP está em Setúbal, à fala com algumas vítimas das inundações. O coro de lamentos sucede-se. "Fiquei sem nada; foi tudo destruído;como vai ser agora a minha vida?". Vemos as imagens, partilhamos a dor das vítimas e de repente, perante a pergunta do repórter "Isto foi uma desgraça, não foi?", um homem com a casa ( ou o estabelecimento, não cheguei a perceber...) inundada, limpa a testa do suor e responde:

"Desgraça? Não, foi só uma cheia! Desgraça foi em Moçambique!"

Ouço isto pela manhã e sinto-me rejuvenescer. Ainda há, em Portugal, gente que responde ao infortúnio com uma palavra solidária. Hoje já ganhei o dia!

Conversas com o Papalagui (20)

- O Bush disse que estava muito satisfeito com a renúncia de Fidel Castro e espera que Deus abençoe o povo cubano, permitindo a realização de eleições democráticas.
-Pois, ele sabe do que fala... se nas eleições de 2000 nos EEUU tivessem sido respeitados os resultados, nunca chegaria a Presidente...

Aos "doutorados" em cubanês

O que eu tenho a dizer aos “doutorados” em sociologia e política cubana, é apenas isto:
Madrugada de um dia qualquer . Como acontece todas as semanas, ao alvorecer de um dia qualquer, centenas de portugueses aterram na Portela, provenientes de Cuba.
A maioria não vai a Cuba passar férias só porque é barato. Vai para poder dizer mal de Cuba e de Fidel quando regressa. A maioria passa cinco dias numa estância balnear - em estabelecimentos tão atípicos e assépticos como os de outra estância balnear qualquer - e um dia em Havana, mas quando chega a Portugal já se sente um especialista habilitado a falar sobre os horrores de Cuba, a miséria do seu povo e as atrocidades de Fidel Castro. Quando lhes perguntamos se sabem como era a Cuba antes de Fidel, sob a ditadura de Fulgêncio Baptista, alguns respondem com um encolher de ombros e outros mais “letrados” olham-nos com um ar de desprezo e atiram:
-Quero lá saber o que se passou em Cuba no século XVIII?
Quem esteve mais do que um dia em Havana- com pouco mais tempo do que para trazer de recordação um exemplar do “Gramma”- e num arrojo destemido deu um salto a Cienfuegos - sente-se já detentor de um Mestrado em História e Sociologia Cubana. Esquece-se que Cuba vive um embargo selvagem imposto pelos americanos há quase meio século, mas tem bem presente na memória o medo que viu estampado em cada rosto e comoveu-se com a miséria , a falta de hamburguers, telemóveis e outras maravilhas da tecnologia que há meia dúzia de anos lhe eram desconhecidas e cuja necessidade nunca reclamaram, até ao momento em que a sociedade de consumo lhos serviu em bandeja de prata, com a mesma volúpia com que Satanás tentou Cristo.
Curiosamente, estes portugueses não se sentem condoídos com os dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza. Preferem chamar-lhes malandros e acusarem-nos de não quererem trabalhar. Porque cá- afirmam- ao menos vivemos em liberdade!

Em tempo: recomendo também os artigos de Luís Rainha e Fernanda Câncio no 5dias e subscrevo na íntegra o que a Fernanda diz no final do seu post:
"enganei-me. muito. tenho pena. as agências de viagem não. enquanto for a ditadura romântica das caraíbas, com a sua miséria charmosa e os seus posters de 10 metros com ‘cuba no se alquila ni se vende’ e ‘hasta la victoria siempre’, a sua baixíssima criminalidade e as suas putas de graça, cuba vende mais."

Rochedo das Memórias 11- Há luzes na Cidade, mas a noite em Portugal vai ser longa...

No mesmo ano, um arquitecto desempregado inventa um jogo de sucesso estrondoso: o Scrubble. Os mais conhecedores surpreendiam os seus adversários no jogo com a palavra saca-rolhas (corkscreew), nome do objecto que tornava mais fácil a abertura das garrafas.
Em Nova Iorque,“Luzes na Cidade” com a estreia do filme de Charlot, mas em Portugal, o início da publicação do “Avante!” não contraria o retrocesso do país. Prova disso é o documentário de Manuel OliveiraDouro Faina Fluvial”. Apesar de ser aclamado internacionalmente, só virá a ser exibido em Portugal três anos mais tarde.
No ano em que Franklin D. Roosevelt é eleito presidente dos Estados Unidos ( 1932) , D. Manuel II é sepultado no panteão da Casa de Bragança e Salazar assume o cargo de Presidente do Conselho.
Do outro lado do Atlântico, Bernard Shaw proclamava que era “Certo demais para ser belo” e tinha razão. Portugal ia mergulhar numa noite tenebrosa de 40 anos, polvilhada de pesadelos. Melhor epíteto escolheu Johny Weismüller que se estreava no cinema com o filme “Tarzan, o Homem Macaco”.
No ano em que a Grande Depressão se instala inexoravelmente na Europa(1933), uma canção faz furor. "Brother can you spare a dime" retrata por palavras o cenário que se vive na Europa: actividade económica parada, desemprego, fome, miséria. Em Portugal, dava-se início ao período das eleições mascaradas, com um plebiscito ( em que as abstenções contavam como votos a favor) que aprova a Constituição de 1993.Bem a propósito, estreia o filme dos irmãos Marx, “Os Grandes Aldrabões” , um título que também assenta, como uma luva, ao Secretariado Nacional da Propaganda, criado nesse ano por António Ferro. O terror que se instalava em Portugal fazia jus a “King-Kong”, mas só décadas mais tarde uma cadeira partida cumpriria o mesmo papel da bomba de narcóticos que derrubou o gorila.
Na medicina , destaque para a descoberta da vacina contra a febre amarela e a invenção do pacemaker. Roosevelt lança o New Deal- um programa de emergência que visa o renascimento da América. Os trabalhadores organizam-se em sindicatos, aparece a primeira lgislação laboral, são fixados por lei os salários mínimos e o horário de trabalho, são atribuídos subsídios de desemprego e pensões de reforma e invalidez.. A política social estava em marcha.

Conversas com o Papalagui ( 19)

- Porque é que na secção do Internacional estão a abrir garrafas de champanhe?
- Estão a celebrar a renúncia de Fidel, que era um ditador!
- Já estou a imaginar a festa que vão fazer quando o Bush deixar de ser presidente...
- Não digas disparates, Papalagui! O Bush é o salvador do mundo!
- Porquê? Por ter invadido o Iraque com pretextos mentirosos, por causa de Guantanamo, pela forma como vão ser julgados os acusados do 11 de setembro, ou por ter contribuído para a independência do Kosovo?
- Por tudo isso e porque é um homem bom!
- Não te compreendo, tuga! Ainda há dias dizias o piorio do Bush...
- Pois, mas as pessoas mudam de opinião... não vês ali aquela que foi maoista empedernida, aquele gajo que pertenceu à Associação de Amizade Portugal /Coreia do Norte e o outro ao lado que sempre foi acérrimo defensor do “socialismo albanês”, todos a festejarem a renúncia do Fidel?
- Pois, mas eles mudaram porque são esclarecidos, ou lá como é que tu dizes...
- Pois, tão esclarecidos que até foram grandes defensores de Durão Barroso e do Aznar!
- As coisas que tu sabes, tuga!
- Pois, por isso é que te vou contando, embora duvide que percebas onde eu quero chegar...

Uma frase que explica (quase) tudo...

Durante a entrevista, Sócrates disse mais ou menos isto: “ Uma pessoa que escolhe como profissão ser político...”.
Esta frase é a chave da personalidade de Sócrates e explica a sua actuação à frente do Governo. O nosso PM não está na política como um missionário ( como muitos gostam de afirmar) mas porque escolheu a política como profissão.
Dizia-me há dias um ex-deputado do PS- que atingiu alguma notoriedade até meados da última década:
“ Quando vou ao Rato, já não me sinto na sede do PS, parece que acabei de entrar numa fábrica... agora já ninguém se trata por camarada, mas sim por sr. doutor , ou sr.engº.”
Ora aí é que está o busílis. Sócrates escolheu a “fábrica” do PS para singrar na política, começando como operário ( consta que terá optado inicialmente pelo PPD, mas não terá sido bem aceite...) . Desde então, tornou-se PS, mas não propriamente socialista, ou social democrata. Trabalhou diligentemente para o patrão que lhe deu emprego, aspirando a subir na hierarquia. Como um paquete de um hotel ou o segurança de uma discoteca, que acaba dono do estabelecimento, Sócrates acabou “dono” do PS e impõe a sua lei. O seu objectivo é, como o de qualquer outro empresário, apenas o lucro. Daí que veja o País na mesma perspectiva e dimensão. Como uma fábrica que tem de dar lucro, mesmo que para tal tenha que despedir trabalhadores. Por isso é insensível aos números do desemprego e aos problemas sociais. Olha para a sua “fábrica” com desvelo, considera-se um empresário com visão de futuro, mas não enxerga que o Departamento de Recursos Humanos serve apenas para registar a assiduidade. Sócrates apenas vê no horizonte a necessidade de ganhar quotas de mercado e fazer algumas benfeitorias, para depois trocar a sua “fábrica” por outra com mais projecção internacional.

Entrevista, ou conversa em família?

Goste-se ou não, a verdade é que Sócrates se saiu bem da entrevista de ontem à SIC. Em certos momentos foi ele que conduziu a entrevista para transmitir a mensagem que pretendia fazer passar.
Falou de um país que só existe na sua cabeça e de alguns dos seus seguidores? É verdade!
Jogou com os dados ( como os do desemprego, por exemplo) de forma a tirar conclusões no mínimo falaciosas? Certamente que sim !
Fugiu habilmente a questões incómodas? Claro que sim, mas porque isso lhe foi permitido.
Manifestou o habitual desprezo pelos problemas que afectam os portugueses? Isso já lhe é habitual e não é de estranhar. Sócrates é insensível aos problemas sociais e não vai mudar, porque está convicto de que é a Santíssima Trindade “qualificação, tecnologia, inovação”, que salvará o país.
Sócrates conseguiu, durante 45 minutos, expôr com convicção a política do seu Governo e justificar medidas aparentemente injustificáveis, mostrou estar bem preparado, não vacilou, manteve o controle emocional, evitando a crispação e transmitiu a ideia de que o futuro vai ser o paraíso. Foi um discurso anunciando “amanhãs que cantam”, mas onde não faltou a pontinha de arrogância que o caracteriza e que é do agrado de muitos portugueses. Aquela frase “Há mas são verdes” é reveladora de um estilo pouco ortodoxo, mas que colhe frutos.
O à-vontade com que Sócrates conduziu a conversa e dominou o tempo, deu a sensação de que estava num comício ou em “conversa em família” e não numa entrevista.
Ontem, a SIC ofereceu um bom presente de aniversário ao PM e ao seu Governo. Sócrates deve estar grato.Continua a ignorar o país real e a viver na ficção de “Alice no País das Maravilhas”, mas abriu a campanha eleitoral para 2009. Basta ver como televisão, rádio e imprensa empolaram o “tabu” quanto à sua recandidatura às legislativas de 2009, para se perceber que conseguiu os objectivos. Desviou as atenções da entrevista, para uma questão especulativa de que a comunicação social muito gosta, mas que em nada interessa aos portugueses, que vivem da realidade e não de futurologia.

Comunicado da Central de Informação

“Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro, Engenheiro José Sócrates, concedeu ontem uma entrevista ao canal privado de televisão SIC. Demonstrando um grande à vontade, Sua Excelência respondeu às perguntas dos dois jornalistas com proverbial desenvoltura, aproveitando para esclarecer os portugueses acerca de assuntos que os jornalistas não lhe colocaram.”

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Rochedo das Memórias 10- A mensagem de Plutão


Na quinta-feira negra de 1929, (24 de Outubro) a fachada de papel bolsista, que alimentava o sonho de riqueza americano, ruíra como um baralho de cartas, zombando das professias feitas, meses antes, pelo Presidente Hoover que, orgulhoso, anunciava ao povo americano estar próximo o triunfo sobre a pobreza. Acreditaria ele no sucesso dos alimentos congelados que os EUA acabavam de anunciar ao mundo? O que aconteceu nos dias seguintes, com quedas sucessivas no mercado bolsista, foi o desespero, a miséria, o desemprego e o caos económico.
Em 1930 nasce uma nova estrela na tela ( Marlene Dietrich- protagonista do celebrado Anjo Azul), mas é a descoberta nesse mesmo ano de um novo planeta , que viria a ser despromovido 76 anos mais tarde, que vai marcar a década. Plutão, que na mitologia grega simbolizava o deus do inferno, é o anúncio premonitório de algumas desgraças e horrores que virão a ocorrer ao longo da década. A crise americana refelectir-se-ia na Europa e daria pretexto à instalação de regimes totalitários. Hitler , Franco e Salazar chegariam aos mais altos cargos políticos. O exemplo de Mussolini singrava na Europa e Portugal adere o modelo de partido único, com a criação da União Nacional. O livro de Ferreira de Castro “A Selva” prenunciava os tempos que se iriam viver em Portugal nas décadas seguintes. E se a estreia do filme “A Oeste nada de Novo” baseado no livro de Erich Marie Remarque defendia valores anti-belicistas, a verdade é que se tornava claro que o mundo não escaparia a uma Segunda Guerra. Um mistério que nem Miss Marple, trazida para a ribalta pela mão de Agatha Christie, conseguirá desvendar.
Apesar da Grande Depressão, a América dá sinais de poder sair rapidamente da crise e, em 1931, os jogos de azar chegam a Las Vegas. Nesse mesmo ano é inaugurado, com pompa e circunstância, o Empire State Building, um majestoso edifício destinado a escritórios, com 102 andares. Porém, o fausto do edifício não se coaduna com a crise que se vive e os escritórios ficam às moscas, o que leva os americanos a apelidá-lo de Empty (Vazio) State Building.
Reedição ( ver Avisos- O Regicídio)

Afinal, como é?

Quando, há umas semanas, Luís Filipe Meneses disse que desmantelaria o Estado em seis meses, não tive qualquer rebuço em acreditar. Hoje, leio no DN que o mesmo LFM afirmou ontem , durante um almoço, que não encerrará um único serviço público. O PSD continua igual a si mesmo: um poço de contradições, no meio de uma floresta de disparates. Quiçá, ao sabor das ementas e acompanhamentos dos repastos onde o seu líder vai debitando palavras. Apenas palavras.

O elogio da memória

Vejo pouca televisão, mas há alguns programas a que fico "agarrado". Invariavelmente, são programas da RTP. Salvo raríssimas excepções, não teria grandes problemas se o meu televisor tivesse apenas dois canais abertos: a RTP 1 e a RTP 2. Como não vejo telenovelas, a SIC e a TVI são para mim canais imprestáveis, pois raramente os sintonizo. Ontem, a RTP deu-me mais uma razão para pensar assim. O programa de Maria Elisa "E depois do Adeus" não é só um programa de memórias; é um programa que nos aviva a memória para coisas passadas ( ontem as inundações de 67, 83 e 97) e nos mostra como nada aprendemos com ele, continuando a persistir em cometer os mesmos erros. Hoje temos mais liberdade, mais acesso à informação, mais telemóveis, automóveis (e outros bens móveis e imóveis) que nos tornam heróis nesta sociedade de consumo, mas evoluímos pouco em termos de mentalidade. Continuamos a ser os videirinhos do costume. Não desdenhamos a oportunidade de "trucidar" o outro, recorrendo à nossa "esperteza" que se traduz em quebrar as regras instituídas; não hesitamos em fazer batota para atingir os nossos objectivos; criticamos os que sobem à custa de "cunhas" mas desejamos, acima de tudo, que uma "cunha" nos catapulte para fora do Universo dos que diariamente têm que fazer contas para chegar ao fim do mês sem engrossar a dívida; não ansiamos ser nós...desejamos acima de tudo ser iguais aos outros, que invejamos.
"E depois do Adeus" não é um programa saudosista, porque "mexe" no passado sem perder a noção do presente e faz a ligação ao futuro. Depois, tem o papel didáctico de transmitir às novas gerações (que não imaginam a vida sem televisão a cores, telemóvel e Internet) a forma como era a vida em Portugal no tempo dos seus pais. Admito que a maioria dos jovens não esteja minimamente interessada nisso, mas a televisão pública tem por obrigação exibir programas com memória e não ficções de "Floribelas e Morangos com Açúcar". As noites de domingo já me prendiam ao televisor para ver "Conta-me como foi". Agora, com "E depois do Adeus" as noites de domingo têm o programa preenchido. Com emoção e muita reflexão.
Em tempo: Não poderiam mudar o dia de exibição do "Câmara Clara"? É que assim, fica difícil a escolha!

Ainda o Kosovo

Vale a pena ler o que escreve o Paulo Pinto no 5dias. Um excerto, só para abrir o apetite...
"O Ocidente lá deu mais um arzinho de boa consciência da Humanidade. Os bravos paladinos da paz e da justiça na Galáxia, perdão, na comunidade internacional, dotados de superiores qualidades morais, poderes sobrehumanos e espadas flamejantes. E a Força, não nos esqueçamos da Força, que é, neste contexto, o Direito Internacional e, tcharan, o direito à autodeterminação dos povos. Os antecedentes não constituem grande abono, mas enfim. Que o digam os curdos, os tibetanos, os palestinianos. O Kosovo acaba de declarar unilateralmente a independência e os garbosos Jedi, com o chefe supremo Yoda-Bush à frente, dão a sua bênção. Não me admiro com a posição americana. É sabido que os americanos nunca foram dotados de perspicácia para a diplomacia. E os Balcãs ficam muito longe da Florida. Já a da Europa causa-me engulhos, por ser de uma irresponsabilidade a toda a prova. Custa-me muito ver como os europeus plantam minas no seu próprio quintal e depois, qundo elas rebentam, vão a correr, para apagar o fogo, a chamar o amigo americano, que vai-não-volta lá usa napalm para resolver o assunto.".....
Adenda: leio alguns comentários na blogosfera defendendo a declaração de independência do Kosovo com base no princípio ao direito à auto-determinação dos povos. Não contesto o princípio, apenas a visão limitada de quem não consegue ver mais além...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bom povo português...

No dia da inauguração do túnel do Rossio, houve viagens de comboio à borla. Os portugueses - que, como diz uma amiga "desde que seja à borla até levam injecção na testa"-responderam em massa ao convite e lá foram, como sardinha em lata, usufruir dessa "benesse" na mira de um fim de semana diferente. Iam sorridentes e bem dispostos, piscando um olho às câmaras de televisão à espera de uma entrevista que lhes desse o tal minuto de fama. Uma simpática sexagenária, para evitar a fila de espera subiu as escadas rolantes em sentido inverso ao seu movimento normal , ultrapassando várias dezenas de concidadãos candidatos a viajar à borla. Quando chegou ao cimo, estava ofegante, mas sorridente como uma vencedora e não se fez rogada em dar a "entrevista". Claro que não admitiu o seu oportunismo, limitou-se a mentir,dizendo que se tinha enganado, sob o olhar atento de papalvos que se sentiam intrujados, mas sorriam.... para as câmaras.
Na segunda-feira, muitos destes borlistas vão voltar a fazer a viagem de comboio, com a diferença de que o destino é o trabalho. Aposto que se lhes puserem uma câmara ou um microfone à frente, muitos vão criticar a falta de qualidade dos transportes. Outros, optarão por continuar a envelhecer nos engarrafamentos do IC 19

Tarde de chuva

Chove lá fora. Chove em mim. Cada gota que cai é uma grilheta que me prende ao Inverno e me impede de voar nas asas da Primavera.

Kosovo

Como se esperava, o Kosovo declarou hoje a independência. A partir de amanhã, a Europa começará a escrever uma página negra da sua História, com a maioria dos países a reconhecerem a independência daquele que será o mais pobre país europeu.
Ao reconhecer o Kosovo, a UE procura aliviar a consciência dos sucessivos erros que cometeu nos Balcãs, mas fá-lo da pior maneira, cometendo um novo erro. Mais do que o efeito dominó, receio o aumento da instabilidade na região e os efeitos que possam ter na Europa. Fico expectante, igualmente, quanto à reacção de Putin que tem vindo a endurecer a sua posição face à Europa e não perdeu tempo a lançar um aviso, via Nações Unidas.
Partilho, por isso, os receios de Cavaco face a mais este "aventureirismo" dos líderes europeus, ajoelhados perante os desígnios de Bush, obnubilados pela estratégia da globalização política assente num arremedo de democracia cujos valores realmente nunca partilharam e esquecidos da História recente que aconselhava mais prudência.
O Kosovo foi um fósforo que se acendeu, esperemos que não pegue fogo ao rastilho...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

DN "chumba" a Matemática

Alberto Costa decidiu (bem...) que os candidatos a magistrados passem a ter de pagar uma "propina" quando apresentam a sua candidatura ao CEJ. A quantia (90€) é quase simbólica, quando comparada com os 500€ que os candidatos a advogados têm que pagar à Ordem para fazer o estágio e justifica-se- segundo oMinistro- pelo facto de muitos dos candidatos acabarem por não comprecer à formação, o que se traduz em despesas desnecessárias para o Estado.

Esta é, porém, apenas uma das medidas tomadas pelo ministro da Justiça no âmbito do novo regime de acesso à magistratura a que o DN de hoje dá ( igualmente bem) algum relevo. Menos bem esteve o DN ao dar destaque ao facto de o pagamento das propinas permitir ao Estado um encaixe de 180 milhões de euros, porque tal não corresponde à verdade. Com efeito- de acordo com os dados fornecidos pelo jornal-são dois mil os candidatos que anualmente se candidatam ao CEJ o que , feitas as contas, dá um total de 180 mil euros e não de 180 milhões como se lê na entrada da notícia e num destaque.

É certo que no artigo se diz que a receita corresponde a 180 mil€, o que denota que quem escreveu a notícia fez as contas "direitinhas", mas fica por explicar a razão de a referência a 180 milhões não ter sido corrigida, ficando em dois destaques. E como muitos leitores não terão lido o texto, ficaram com uma informação errada na cabeça, que poderia ter sido evitada com um pouco mais de cidado na altura do "fecho" do jornal.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ai keres? Então, toma!


As Pousadas da Juventude pensaram que seria uma boa ideia lançar uma iniciativa que permitisse a um grupo de jovens “reservar” uma Pousada durante uma ou mais noites. Não discuto a “ideia”, mas insurjo-me contra a frase publicitária que lhe serve de suporte: Kero 1ª pousada so p mim” . Assim mesmo, em linguagem SMS, para que não restem dúvidas que se trata de um produto destinado à juventude.
Na minha ingenuidade, sempre acreditei que uma das missões de qualquer Estado seria preservar a língua portuguesa. Parece que me enganei! Daqui em diante, um jovem que utilize este tipo de ortografia ( com K e abreviaturas) num exame ou prova de avaliação, e seja penalizado pelo professor, terá toda a legitimidade para recorrer da decisão, uma vez que essa é a ortografia utilizada pelo Estado na promoção das suas iniciativas. ( Lembro que a Movijovem- que gere este e outros programas para a juventude- é uma cooperativa de interesse público tutelada pela Secretaria de Estado da Juventude).Entretanto, ocorreu-me que esta iniciativa é, muito provavelmente, paga com os meus impostos, pelo que apenas me apetece fazer como o Zé...
fonte: Metro

Rochedo das Memórias 9- Da ascensão de Salazar ao fim da Belle Époque

Em Portugal, o golpe de 26 de Maio desencadeado por Gomes da Costa,em Braga, e Mendes Cabeçadas, em Lisboa, anuncia o estertor da I República e a instalação de uma ditadura militar.
No ano seguinte, Lindbergh faz a primeira travessia solitária do Atlântico, pilotando o lendário Spirit of St.Louis. De Nova Iorque a Paris, sem escala, o voo dura cerca de 35 horas.
Pela Europa, com as revoltas operárias em Viena, nasce a “Viena Vermelha”, um laboratório experimental da construção socialista, que tem como emblema o bloco residencial Karl Marx.
Uma das mais importantes descobertas do século dá-se no ano em que Estaline chega ao poder na Rússia.(1928). Fruto de uma coincidência, que serve de consolação para os desarrumados, Alexander Fleming descobre acidentalmente a penicilina, que revolucionará o mundo dos medicamentos. Ainda nesse ano Schick patenteia a primeira máquina de barbear eléctrica, que acaba com os cortes matinais, e é inventado o computador diferencial.
Os loucos anos 20 vão acabar mal. Enquanto em Portugal Salazar chegava ao poder como ministro das Finanças, Hirohito era coroado imperador do Japão. Nem o “nascimento” do Rato Mickey será suficiente para amenizar a crise que se irá instalar no ano seguinte. Nesta altura, o mundo ocidental era já uma encenação da “Ópera dos Três Vinténs” de Bertolt Brecht, que nesse ano se estreia na Alemanha. No início de 1929, depois de Hergé dar a conhecer Tintim, dá-se o massacre do dia de S. Valentim, perpetrado pelos homens de Al Capone, o dono do jogo, do álcool e da prostituição. E em Outubro, com o Cotton Club a viver o grande sucesso de Duke Ellington, e o mundo rendido ao yo- yo, Nova Iorque entra em pânico com o crash financeiro de Wall Street. Dezenas de pessoas suicidam-se e o crescimento acelerado da economia americana sofre um forte revés, com repercussões no mundo inteiro. O desemprego e a pobreza eram mais do que uma ameaça. Mas " the show must go on" e Hollywood atribui nesse ano, pela primeira vez, os seus Óscares da Academia. Alguns dos convidados chegam ao recinto ostentando a última invenção da moda : o guarda chuva.





Importa-se de repetir?

Na sequência do que escrevi dois posts abaixo (Eles não têm emenda... )

Prenhe de convicção, Sócrates disse hoje, em Torres Novas, que o seu Governo criou 94 mil empregos ( presume-se que a maioria seja a recibo verde, pois não creio que o Governo tenha conseguido, apesar de tudo, arranjar emprego a tantos militantes do PS) e que até ao fim da legislatura cumprirá a promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho. Ouve-se, abre-se a boca de espanto e pergunta-se: mas se é assim, porque raio é que a taxa de desemprego não pára de aumentar?

Eu conheço de gingeira a resposta do nosso PM, que inclui sempre a inevitável Santíssima Trindade "qualificações, tecnologias, inovação". Era altura de os desempregados de longa duração ( desde jovens licenciados a "idosos" com mais de 40 anos) perceberem que com tanta convicção e manobra estatística, o melhor é emigrarem, porque em Portugal ninguém lhes vai ligar nenhuma.

Alternativa "offshore"

Numa página par, sob fundo azul, a pergunta: “Desiludido com as suas Aplicações Financeiras?”Na página ímpar, sob fundo laranja o Millenium BCP lança a proposta: “Temos alternativa! Pergunte-nos qual”. O meu neurónio central reage de imediato. Será um investimentozinho num “offshore”?

Somos os primeiros...

O FC do Porto é, juntamente com o Bayern de Munique, líder na conquista de troféus nacionais e internacionais em todo o mundo ( seria líder isolado se a Taça UEFA brilhantemente conquistada em Sevilha contasse para esta estatística. Mas não conta, para não prejudicar os países sul-americanos) revela o “Football Money League”.
Registo que a “isenta” publicação desportiva “A Bola” não faz qualquer alusão ao facto, pelo menos na sua edição "on line"

Eles não têm emenda...

A oposição- da esquerda à direita- não perde uma oportunidade de oferecer a Sócrates uma vitória em 2009. Ontem reagiu em uníssono desvalorizando o facto de Portugal ter crescido acima do esperado em 2007. Foi mais um dos muitos erros que cometeu nos últimos tempos, pois se é verdade que continuamos a crescer abaixo da média europeia, também é verdade que Portugal não crescia tanto desde 2001.
A direita não tem qualquer moral para criticar, já que os governos de Durão Barroso e Santana Lopes ficaram ligados a períodos de crescimento nulo, ou mesmo negativo. Os portugueses, por muito que custe ao PSD e ao PP, não esquecem a “fuga” de Durão Barroso – e o que ela significou em termos de desinteresse pelo país- e a trágica aliança Santana/Portas. O País atingiu em três anos uma situação caótica, perante a notória incapacidade daquela dupla e seus acólitos. Hoje em dia, olham para o PSD e vêem à frente um candidato cada vez mais robotizado e não acreditam numa única palavra do que ele diz, porque sabem que LFM não tem voz própria- é apenas o mensageiro de Cunha Vaz. Em relação a Paulo Portas, a forma como impôs o seu regresso à liderança do CDS/PP foi o seu “harakiri”.
Quanto à esquerda, compreendem-se as críticas, apesar da pouca substância. Os partidos à esquerda do PS sabem que nunca chegarão ao poder por via eleitoral porque os portugueses, mais de 30 anos passados sobre Abril, ainda confundem esquerda com miserabilismo e imaginam que a direita e o Centrão lhes podem satisfazer o sonho de um dia, quando se reformarem, se tornarem proprietários de um café na aldeia de origem, onde passarão o resto da vida a servir bicas, copos de três ou minis e a jogar cartas.
Os sonhos dos portugueses são tão curtos como as suas ambições, por isso compreende-se que estejam aconchegados nesta dolente pasmaceira. E mesmo quando alguma esquerda põe o dedo na ferida, alertando para o facto de- ao contrário do que seria de esperar- o crescimento ter sido acompanhado pelo aumento do desemprego, o português não se importa, a não ser que esse infortúnio lhe tenha batido á porta.Da esquerda à direita, ninguém parece ter compreendido que os portugueses, apesar de tudo, têm uma réstea de esperança em Sócrates, porque vêem que a vida pelo menos não piora. Pelo contrário dá sinais de melhoria, que Sócrates empola com um triunfalismo , porque sabe que os portugueses gostam é de festança e fingimento. Por isso o reconduzirá em ombros nas legislativas de 2009. E isso é que me dói!