terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Saudades do Carrefour

Não sou frequentador de grandes superfícies. Devo ter entrado duas ou três vezes no Colombo e outras tantas no Vasco da Gama, mas nunca pus os pés na esmagadora maioria dos grandes Centros Comerciais. Quanto aos hipermercados, o único onde entrava meia dúzia de vezes por ano, era o Carrefour de Telheiras.
Esta minha aversão às grandes superfícies nada tem a ver com a defesa do comércio tradicional. A maioria dos proprietários do pequeno comércio não quiseram modernizar-se ( poucos foram os que recorreram aos fundos especiais criados para o efeito) e, teimosamente, persistem em manter horários completamente desajustados da realidade. Lembro-me que quando José Luís Judas era presidente da Câmara de Cascais bem tentou sensibilizar os pequenos comerciantes para alterarem os horários de abertura e encerramento, para fazerem face à concorrência do Cascais Shopping. Em vão... porque toda a gente achava que não valia a pena e era preferível carpir mágoas e entoar ladainhas miserabilistas na comunicação social. Se querem continuar assim, o problema é deles. Não vou verter uma lágrima pelo seu funeral anunciado.
Confesso que me faz falta o Carrefour de Telheiras. Ao contrário de outras grande superfícies, tinha um ar lavado e arrumado,e muitos dos produtos da marca Carrefour eram de qualidade e a preços convidativos. É verdade que na área não alimentar o pessoal era escasso e a sua preparação para prestar informações técnicas era muito deficiente, mas em contrapartida o serviço pós-venda era do melhor que conheci em Lisboa.
A galeria de lojas, embora já tivesse conhecido tempos melhores, tinha algumas ofertas interessantes.
Quando hoje fui ao Continente que o veio substituir, senti um vazio e fiquei convencido que não volto a pôr lá os pés. Aquele espaço parece-me agora uma mercearia grande com aspecto sórdido, escuro e pouco acolhedor.
Eu gosto de mercearias de bairro, da cortesia do sr.Casimiro que encolhe o peso do fiambre, mas tem sempre um sorriso quando lá entro e uma pequena “lembrança” no Natal. Não sei explicar o que mudou no espaço para além do nome, mas sei que não gosto daquele ar asséptico do Continente, daquele aspecto sombrio onde os produtos não ganham vida. Por isso, dei meia volta e vim-me embora . Provavelmente, o que me levava ao Carrefour era conhecer a história daquela cadeia de distribuição, ( chamava-se assim, porque a primeira loja que abriu em França ficava num “Carrefour”) que para mim significava algo que não sei explicar. Não me perguntem porquê, mas ao contrário do que acontece noutras grandes superfícies (nomeadamente em centros comerciais) no Carrefour não sentia aquela incomodativa sensação de claustrofobia, nem era invadido por uma insuportável dor de cabeça. A verdade é que senti essas estranhas sensações na minha visita ao Continente, por isso não tenho intenção de lá voltar.
Nos próximos tempos, enquanto não encontrar um outro espaço onde me sinta bem, quem vai ficar a ganhar é o sr.Casimiro. A perder, claro, fica a minha conta bancária...

2 comentários:

  1. E ainda bem para todos os Srs. Casimiros.
    Sou contra a abertura dos hipers ao domingo, ainda para mais agora que toda a gente tem um Pingo Doce, um Lidl ou um Mini-Preço ao lado de casa.
    Eu também não troco a minha mercearia por nada.
    Aliás, quando o meu blog foi seleccionado para a Rádio Comercial no "O meu blog dava um programa de rádio", o meu post sobre a mercearia foi um dos escolhidos para ir para o ar.

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  2. Não ouvi o programa, mas li o post e também gostei muito!

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