quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Agradecimentos
Obrigado ao Pedro Correia do Corta-fitas pelos elogios que me faz. Aquele abraço, Pedro!
E-mail ao Pai Natal
Cenário( Uma tarde cinzenta de sábado, que convidava a permanecer no remanso do lar).
Depois de uma leitura rápida pelos jornais, preparava-me para escrever a habitual carta ao Pai Natal, com um rol de pedidos que ano a ano venho encurtando, ( a inflação talvez não lhe acarrete problemas, mas com o crescimento demográfico não deve ter mãos a medir para atender tantos pedidos, por isso há que facilitar-lhe a vida...) quando a minha sobrinha bateu à porta.
Assim que abri, perguntou-me de chofre :
- Tio, estás muito ocupado?
- Não, estava só a começar a escrever ao Pai Natal.
- Ah! Então não pode ser. Eu volto mais tarde.
- Claro que pode ser... eu escrevo logo à noite ou amanhã. Afinal, nos últimos anos ele não tem satisfeito nenhum dos meus pedidos, se calhar até é tempo perdido... Diz lá o que queres! Passa-se alguma coisa? Discutiste com o teu irmão ou aborreceste os teus pais e queres ajuda?
- Não, tio, não é nada disso! Eu só vinha cá, porque também ia escrever ao Pai Natal, mas como o nosso e-mail está avariado, vinha saber se podia utilizar o teu.
- Mas tu escreves ao Pai Natal por e-mail? –perguntei incrédulo
- Claro, tio. Não é assim que tu fazes?
Senti-me um pouco “cota”, fiquei sem saber o que responder, mas acabei por ter uma saída que considerei airosa:
- Para te dizer a verdade, até pensava que o Pai Natal não tinha e-mail, por isso escrevo sempre pelo correio. Azul, está claro!- acrescentei.
- Oh tio!- respondeu-me incrédula e com um ar de comiseração. Estás mesmo a ficar “cota”. Então o Pai Natal não havia de ter e-mail? Como é que julgas que ele se arranjava se não tivesse e-mail e Internet? Com a população a aumentar desta maneira, achas que ele tem tempo de andar aí a distribuir presentes pelo mundo inteiro?
- Bem, deve ter os seus ajudantes...- retorqui com pouca convicção e já a sentir-me envergonhado com tanta demonstração de ignorância.
- Agora percebo porque é que ele não satisfaz os teus desejos. Se calhar também acreditas que é ele que todos os anos vai lá a casa na noite de Natal!
- Se não é ele então quem é?
- É o pai, bolas! As coisas agora são muito diferentes e passam-se assim...O Pai Natal recebe os e-mails de todas as crianças e analisa os pedidos. Depois manda um e-mail para os pais a dizer os que vai satisfazer e os que rejeita, mas impõe uma condição: os pais devem vestir-se como ele na noite de Natal, ou então arranjar alguém na família que o faça, caso contrário, não há presentes. Se os pais aceitam as condições, ele manda os presentes todos pela Internet. É por isso que todos os anos, quando se aproxima o Natal, o Pai e a Mãe chegam todos os dias a casa carregados de presentes para mim e para o meu irmão. Foram mandados pelo Pai Natal!
- Mas explica-me uma coisa. E como é que o Pai Natal satisfaz os pedidos dos teus pais e de todos os adultos?
- Oh! Os adultos já não acreditam no Pai Natal. Vamos lá escrever-lhe.
Pegou-me na mão, levou-me até junto do computador e começou a escrever.
Querido Pai Natal:
Este ano diz ao meu Pai não dar brinquedos de guerra ao mano, porque já chega a guerra que há lá fora. Além disso temos que lutar contra esta sociedade de consumo que nos impinge tanta porcaria. Para mim, quero a Barbie argentina, as fadas e.....
Depois de uma leitura rápida pelos jornais, preparava-me para escrever a habitual carta ao Pai Natal, com um rol de pedidos que ano a ano venho encurtando, ( a inflação talvez não lhe acarrete problemas, mas com o crescimento demográfico não deve ter mãos a medir para atender tantos pedidos, por isso há que facilitar-lhe a vida...) quando a minha sobrinha bateu à porta.
Assim que abri, perguntou-me de chofre :
- Tio, estás muito ocupado?
- Não, estava só a começar a escrever ao Pai Natal.
- Ah! Então não pode ser. Eu volto mais tarde.
- Claro que pode ser... eu escrevo logo à noite ou amanhã. Afinal, nos últimos anos ele não tem satisfeito nenhum dos meus pedidos, se calhar até é tempo perdido... Diz lá o que queres! Passa-se alguma coisa? Discutiste com o teu irmão ou aborreceste os teus pais e queres ajuda?
- Não, tio, não é nada disso! Eu só vinha cá, porque também ia escrever ao Pai Natal, mas como o nosso e-mail está avariado, vinha saber se podia utilizar o teu.
- Mas tu escreves ao Pai Natal por e-mail? –perguntei incrédulo
- Claro, tio. Não é assim que tu fazes?
Senti-me um pouco “cota”, fiquei sem saber o que responder, mas acabei por ter uma saída que considerei airosa:
- Para te dizer a verdade, até pensava que o Pai Natal não tinha e-mail, por isso escrevo sempre pelo correio. Azul, está claro!- acrescentei.
- Oh tio!- respondeu-me incrédula e com um ar de comiseração. Estás mesmo a ficar “cota”. Então o Pai Natal não havia de ter e-mail? Como é que julgas que ele se arranjava se não tivesse e-mail e Internet? Com a população a aumentar desta maneira, achas que ele tem tempo de andar aí a distribuir presentes pelo mundo inteiro?
- Bem, deve ter os seus ajudantes...- retorqui com pouca convicção e já a sentir-me envergonhado com tanta demonstração de ignorância.
- Agora percebo porque é que ele não satisfaz os teus desejos. Se calhar também acreditas que é ele que todos os anos vai lá a casa na noite de Natal!
- Se não é ele então quem é?
- É o pai, bolas! As coisas agora são muito diferentes e passam-se assim...O Pai Natal recebe os e-mails de todas as crianças e analisa os pedidos. Depois manda um e-mail para os pais a dizer os que vai satisfazer e os que rejeita, mas impõe uma condição: os pais devem vestir-se como ele na noite de Natal, ou então arranjar alguém na família que o faça, caso contrário, não há presentes. Se os pais aceitam as condições, ele manda os presentes todos pela Internet. É por isso que todos os anos, quando se aproxima o Natal, o Pai e a Mãe chegam todos os dias a casa carregados de presentes para mim e para o meu irmão. Foram mandados pelo Pai Natal!
- Mas explica-me uma coisa. E como é que o Pai Natal satisfaz os pedidos dos teus pais e de todos os adultos?
- Oh! Os adultos já não acreditam no Pai Natal. Vamos lá escrever-lhe.
Pegou-me na mão, levou-me até junto do computador e começou a escrever.
Querido Pai Natal:
Este ano diz ao meu Pai não dar brinquedos de guerra ao mano, porque já chega a guerra que há lá fora. Além disso temos que lutar contra esta sociedade de consumo que nos impinge tanta porcaria. Para mim, quero a Barbie argentina, as fadas e.....
Conversas com o Papalagui (8)
- O Durão Barroso veio defender a vinda do Mugabe à Cimeira UE-África e disse que espera ver discutida a questão dos direitos humanos.
- Isso é uma boa notícia. O pior é se não há tempo...
- Não há tempo porquê, Papalagui?
- Sei lá... na Cimeira UE-China não tiveram tempo para discutir esse problema.
- Isso é uma boa notícia. O pior é se não há tempo...
- Não há tempo porquê, Papalagui?
- Sei lá... na Cimeira UE-China não tiveram tempo para discutir esse problema.
Razões que tornam o mundo injusto (6)
20 por cento da população mundial, vivendo nos países desenvolvidos, é responsável pelo consumo de 85 por cento da produção mundial de alumínio, 80 por cento da energia, 75 por cento da madeira, 65 por cento da carne, fertilizantes e cimento, 50 por centos dos cereais e 40 por cento da água potável;
Conversas com o Papalagui (7)
- O embaixador dos Estados Unidos deu um puxão de orelhas ao Governo português...
- É... parece que não gostaram da visita do Chavez a Portugal.
- E isso faz sentido?
- Não.
- Então Portugal vai reagir...
- Penso que não. Primeiro reagiu e o PS até apresentou um protesto formal na AR, mas depois acabou por retirá-lo.
- Porquê?
- Parece que não se pode afrontar o Império Americano...
- De qualquer maneira, espanta-me não ver reacções de repulsa na blogoesfera.
- Haver há, mas é dos tipos do costume, que são conotados com a esquerda blogueira
- Quer dizer que a direita está de acordo?
- Claro... se fosse o Hugo Chavez a dizer qualquer coisa do género, os blogueiros da direita não se cansariam de apelidar o Governo português de cobardia.
- Estou a perceber... Começo a encontrar algum interesse no comportamento dos portugueses. Também sou de opinião que caladinhos é o melhor!
- É... parece que não gostaram da visita do Chavez a Portugal.
- E isso faz sentido?
- Não.
- Então Portugal vai reagir...
- Penso que não. Primeiro reagiu e o PS até apresentou um protesto formal na AR, mas depois acabou por retirá-lo.
- Porquê?
- Parece que não se pode afrontar o Império Americano...
- De qualquer maneira, espanta-me não ver reacções de repulsa na blogoesfera.
- Haver há, mas é dos tipos do costume, que são conotados com a esquerda blogueira
- Quer dizer que a direita está de acordo?
- Claro... se fosse o Hugo Chavez a dizer qualquer coisa do género, os blogueiros da direita não se cansariam de apelidar o Governo português de cobardia.
- Estou a perceber... Começo a encontrar algum interesse no comportamento dos portugueses. Também sou de opinião que caladinhos é o melhor!
Quem avisa...
Todos sabemos que há empresas que embora publiquem anualmente Relatórios de Sustentabilidade, e se proclamem como praticantes da Responsabilidade Social, exercem actividades que por vezes contrariam as suas boas intenções. Não pretendo com isto dizer que haja “hipocrisia” mas há , no mínimo, alguma falta de coerência que até pode dar a ideia que as empresas estão a “penitenciar-se” por práticas menos correctas. S
ão inúmeros os casos de empresas que poderia citar, revelando práticas que não coincidem com aquilo que proclamam. Limito-me, porém, a referir um caso de que tive recentemente conhecimento. A Sonae – que está a construir um empreendimento turístico em Tróia que ameaça os golfinhos do estuário do Sado – decidiu aplicar uma avultada verba para apoiar um estudo sobre a preservação destes animais.
Não está em causa o compromisso de Responsabilidade Social da Sonae ( que até é uma das empresas portuguesas que tem dado passos importantes nesse sentido, tendo inclusivé assinado o Global Compact das Nações Unidas ). O exemplo serve apenas para ilustrar o que acabo de escrever: quando uma empresa assume determinados compromissos perante os stakeholders, deve garantir que as suas acções sejam conformes com as suas práticas e negócios. Caso contrário, corre o risco de ser mal interpretada....
Eu sei que não é possível fazer tudo de uma vez e que se têm dado passos importantes nesta área por parte de várias empresas. Este post serve apenas para chamar a atenção para o facto de existirem empresas que utilizam a Responsabilidade Social como uma forma de “marketing”, iludindo a boa-fé dos consumidores. E isso, em minha opinião, é concorrência desleal!
ão inúmeros os casos de empresas que poderia citar, revelando práticas que não coincidem com aquilo que proclamam. Limito-me, porém, a referir um caso de que tive recentemente conhecimento. A Sonae – que está a construir um empreendimento turístico em Tróia que ameaça os golfinhos do estuário do Sado – decidiu aplicar uma avultada verba para apoiar um estudo sobre a preservação destes animais.
Não está em causa o compromisso de Responsabilidade Social da Sonae ( que até é uma das empresas portuguesas que tem dado passos importantes nesse sentido, tendo inclusivé assinado o Global Compact das Nações Unidas ). O exemplo serve apenas para ilustrar o que acabo de escrever: quando uma empresa assume determinados compromissos perante os stakeholders, deve garantir que as suas acções sejam conformes com as suas práticas e negócios. Caso contrário, corre o risco de ser mal interpretada....
Eu sei que não é possível fazer tudo de uma vez e que se têm dado passos importantes nesta área por parte de várias empresas. Este post serve apenas para chamar a atenção para o facto de existirem empresas que utilizam a Responsabilidade Social como uma forma de “marketing”, iludindo a boa-fé dos consumidores. E isso, em minha opinião, é concorrência desleal!
Taxa ecológica? porque não?
A aplicação de uma taxa ecológica sobre a utilização de sacos de plástico podia ter sido uma boa notícia, mas pelos vistos não passou mesmo das hipóteses. Ao que consta, a APED ( Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) terá sido sensível à posição de algumas empresas do sector, como a Sonae, que não querem a aplicação daquela taxa.
A ser verdade, não se percebe a posição da Sonae, (uma empresa que se auto-proclama como catalizadora da Responsabilidade Social) até porque outras empresas do sector ( Jerónimo Martins/ Pingo Doce) já cobram aos clientes um preço adicional por cada saco.
Estranha-se também o recuo, pelo facto de a medida adoptada noutros países ter revelado resultados positivos. Na Irlanda, por exemplo, um ano após o lançamento de uma taxa ecológica de 15 cêntimos ( pagos pelo consumidor) sobre cada saco de plástico, foi possível reduzir a sua utilização em 95% , tendo o Governo “encaixado” 13,5 milhões de euros.
A aplicação da taxa ecológica seria não só uma medida socialmente justa, mas também uma forma de consciencializar os consumidores para práticas de consumo sustentável.
A ser verdade, não se percebe a posição da Sonae, (uma empresa que se auto-proclama como catalizadora da Responsabilidade Social) até porque outras empresas do sector ( Jerónimo Martins/ Pingo Doce) já cobram aos clientes um preço adicional por cada saco.
Estranha-se também o recuo, pelo facto de a medida adoptada noutros países ter revelado resultados positivos. Na Irlanda, por exemplo, um ano após o lançamento de uma taxa ecológica de 15 cêntimos ( pagos pelo consumidor) sobre cada saco de plástico, foi possível reduzir a sua utilização em 95% , tendo o Governo “encaixado” 13,5 milhões de euros.
A aplicação da taxa ecológica seria não só uma medida socialmente justa, mas também uma forma de consciencializar os consumidores para práticas de consumo sustentável.
Um estúpido brinquedo de Natal
Através de um post do Francisco Almeida Leite no Corta-fitas cheguei a este comentário de Teresa Paula Marques sobre o MO1, um telemóvel dedicado às crianças. Empresa responsável, dizem eles ( os da TMN, claro!...). A verdade é que a começar na publicidade e acabando no próprio produto, não se descortina uma pontinha de bom senso.
( para ver o texto clique no título)
( para ver o texto clique no título)
Subscrever:
Mensagens (Atom)