segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PSD quer novas eleições em Lisboa?

Não deixará de causar alguma perplexidade nos lisboetas, uma recusa da Assembleia Municipal em aprovar o empréstimo solicitado por António Costa.
Em primeiro lugar, porque se trata de baixa política , reveladora de puro revanchismo, ao bom estilo da política portuguesa.
Em segundo lugar, porque apesar de haver nas hostes laranja quem defenda a autorização do empréstimo, Luís Filipe Meneses parece pretender impôr a política do “quanto pior melhor” tão cara a outros partidos.
Finalmente, porque sendo a Câmara de V.N. de Gaia, uma das autarquias mais endividadas do país, não se percebe a posição do presidente do PSD ( que por acaso até fez um bom trabalho, mas à custa do endividamento...)
Nada justifica que um partido preconize, como boa medida política, a manutenção dos calotes a fornecedores. Onde está a coerência de LFM e do PSD?
Parece-me intolerável que o oportunismo político leve o PSD a pretender forçar a CM de Lisboa à paralisação. Não lhe perdoarei se o fizer - e acredito que muitos lisboetas terão a mesma reacção.

A Cimeira de Bali

Teve hoje início em Bali (Indonésia) a Conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas.
A abrir uma surpresa: o recém eleito primeiro ministro australiano Kevin Rudd – que sucede ao conservador John Howard- comprometeu-se a ratificar o Protocolo de Quioto que a Austrália – a par dos EUA – se recusou durante 10 anos a aceitar.
Embora seja apontada como a “última oportunidade para salvar o Planeta”, sinceramente não espero grandes sucessos nos compromissos que venham a ser assumidos nesta era pós Quioto.
A intransigência dos países desenvolvidos, ainda que atenuada, continuará a marcar a divisão existente entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.
É certo que desde a Cimeira do Rio, em 1992, se vêm dando alguns passos positivos, mas o cepticismo continua a marcar as opiniões em torno das Cimeiras, apesar de habitualmente as expectativas serem elevadas à partida.
Uma maior flexibilidade dos Estados Unidos poderá ajudar a desbloquear o impasse e obrigar a China- que em 2009 ultrapassará os EUA no volume de emissões - a aceitar reduções significativas.
A posição da UE é conhecida desde a passada semana: irá reduzir as emissões em 20% até 2020. Qual o papel dos países pobres que , em todo o caso, serão sempre os mais afectados?
A seguir com atenção.

Os caminhos ínvios da Democracia




















Hugo Chavez perdeu o referendo na Venezuela, vendo assim inviabilizada a pretensão de se perpetuar no Poder com o beneplácito do povo venezuelano.
Embora metade dos eleitores não tenha ido às urnas e a vitória do não tenha sido ínfima, a derrota de Chavez é um bom prenúncio para a Democracia na América Latina.
Compreendo algumas das preocupações de Hugo Chavez em relação ao futuro do seu país e da região, tão acossada e explorada pelos senhores do dinheiro e do poder. Não aceito que um presidente eleito, mesmo tendo um projecto que não poderá ser completado no prazo do seu mandato, queira alterar as regras do jogo e mandar a democracia às malvas com o alegado pretexto de querer salvar o país. Espero que Chavez resista à tentação de um golpe palaciano que só o desacreditará diante do seu povo e da opinião pública mundial.
Inversamente, a vitória esmagadora de Putin nas legislativas russas é uma ameaça à Democracia e um sério aviso à Europa e aos Estados Unidos.
Já aqui escrevi várias vezes sobre as minhas reservas e medos em relação Putin. Não resisto, porém, a repegar o tema da dependência energética da Europa face à Rússia, como uma ameaça que não pode ser descurada
Putin já demonstrou ser capaz de, num acto de afirmação ou desespero, lançar mão dos trunfos que tem a seu favor. E se o fizer, ( nem precisa de recorrer a ameaças bélicas, basta-lhe cortar a torneira do gás natural...)será o descalabro para uma Europa que ainda está a lamber as feridas da recente recessão económica.
Esperemos TODOS que a Europa saiba lidar de forma hábil com esta escalada de Putin, porque
a Leste, um homem de gelo moldado na personalidade pelo KGB, estará disposto a imitar o Escorpião quando se sentir demasiado acossado.

Postais da China (5)- Lá como cá...

Estádio Olímpico de Pequim


Como dizia a canção , “não há liberdade a sério sem eucação, saúde, habitação...”
Lá como cá, o Governo reconheceu o falhanço da sua política em três áreas: educação, saúde e habitação. As propinas nas universidades podem atingir os 1000 euros anuais , os reformados que tinham um sistema de saúde grátis perderam essa prerrogativa e os custos da habitação dispararam para custos astronómicos, podendo atingir, em Xangai, os 9 mil euros por metro quadrado.
Todos reconhecem que se vive hoje em dia melhor na China ( embora não se possa escamotear que 65% da população ainda vive da agricultura, tendo rendimentos muito reduzidos...) . A maneira como os chineses vestem, os automóveis que ostentam, ou a vida social que fazem, se comparados com o início da década de 90, são bem demonstrativos dessa evolução. Existe também, nas camadas mais jovens, uma crescente aproximação aos modelos de vida ocidentais. O karaoke já não é o único divertimento dos chineses. Há discotecas a abarrotar, bares pejados de jovens e restaurantes de comida internacional muito disputados. É também visível que os chineses se habituaram ao lazer no fim de semana, pela forma como se passeiam descontraidamente nas ruas, invadem centros comerciais e espaços de lazer. E viajam muito. A Praça de Tian An Men, por exemplo, é invadida por milhares de excursionistas ao fim de semana.
A melhoria do nível de vida reflecte-se, obviamente, num aumento do número de automóveis em circulação. Em Pequim há 3 milhões de automóveis e a poluição disparou para níveis inimagináveis há uma década atrás. A primeira preocupação do Governo chinês para combater a poluição centra-se, por isso, na limitação de veículos. A medida encontrada, foi limitar o numero de venda de automóveis que se reduz, em Pequim e Xangai a mil unidades mensais. Mas não basta a um chinês ter dinheiro para comprar um carro. Precisa também de obter uma licença de circulação que aumenta todos os meses. Em Outubro,em Xangai, o custo dessa licença era de 5 mil euros!

O "Público" errou

....E induziu-me em erro, ao anunciar na primeira página a vitória de Chavez no referendo venezuelano.
A verdade, porém, é que Chavez perdeu ( embora por uma margem mínima).
Como escreve João Paulo Meneses, no blogouvese, o Público “decidiu jogar a roleta russa e apostou em dar como certa a vitória de Chavez” , baseando-se apenas em sondagens.
Alguém já terá esuqecido por aquelas bandas que os leitores, quando compram um jornal, esperam ler notícias e não futurologia? Para isso existe o “Borda d’Água” !...
Esteve bem o “Público” ao penitenciar-se pelo erro na sua edição "on line", mas esteve mal ao considerar que a derrota de Chavez foi uma surpresa e assim justificar o seu erro. Não foi. Há já uma semana que a maioria das sondagens prenunciava a derrota do presidente venezuelano. Houve precipitação e os leitores foram enganados por um erro grosseiro, indesculpável em jornalismo.
Amanhã vou reclamar a devolução do dinheiro que paguei pelo jornal!

O "menino" da Luz


Só hoje fiquei a conhecer os contornos do desaguisado entre Nuno Gomes e Jesualdo Ferreira, no final do Benfica- Porto. Os fulanos que escrevem nos jornais desportivos, habilitados com carteira de jornalista, revelaram a sua habitual imparcialidade e omitiram parte do que na realidade se passou.
Hoje fiquei a saber que Nuno Gomes não se limitou à frase “ Não cuspas na sopa de quem te deu de comer” – que por si só já demonstra, à saciedade, que tipo de personagem é este “menino da Luz”. Adornou a frase com meia dúzia de impropérios “ made in Musgueira”, insultando um homem com idade para ser seu pai.
Não deixa de ser curioso que a verborreia onomatopaica tenha provindo de um “menino” que já se habituou a surgir nas páginas da imprensa cor de rosa, como um “exemplo de virtudes”e de boas maneira, pois habitualmente os impropérios e a má educação constumam ser apontados como apanágio das gentes do Norte- incultas e mal educadas.
O “menino da Luz” nem sequer honra o nome que ostenta na camisola e pediu emprestado a um grande ídolo do FC Porto e do futebol português ( Fernando Gomes) de educação esmerada. Provavelmente nada disto terá importância, porque o rapazinho representa seis milhões (e como em Democracia temos que respeitar a vontade da maioria, ele é que deve estar pejado de razão e o Jesualdo vai passar de ofendido a provocador num ápice).
Afinal o denominado “jornalismo desportivo” não existe apenas para justificar tudo o que provenha do SLB, mesmo quando está errado? Mesmo, claro, quando de grandes senhores ( vg Vale e Azevedo ou José Veiga) passem a “coveiros” da agremiação do Colombo. Aguardo, com alguma curiosidade, o dia em que estes escribas vão remeter Luís Filipe Vieira para o baú das más recordações benfiquistas. Já faltou mais, podem crer!

Porque hoje é segunda-feira


Não posso deixar de fazer uma referência ao acontecimento do fim de semana: o Benfica -Porto
Assisti ao jogo pela pantalha na companhia de um portista , dois sportinguistas e seis benfiquistas ( cinco dos quais mais fanáticos do que o Ricardo Araújo Pereira).
No final do jogo a opinião era unânime ( e, milagre, corroborada pelos comentadores da Sport TV): a vitória do meu FC Porto era indiscutível. No início do Advento, o golo de Quaresma pode ter marcado a época.
Mais importante do que isso não se falou de casos ( apesar de um penalty indiscutível cometido sobre Lisandro...). assim é que é bonito!
Espero que agora o FC Porto não comece a desbaratar pontos como no ano passado...