quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A escalada de Putin


Quando caiu o muro de Berlim e o império soviético se esboroou , vítima das suas contradições, as beatas entraram em transe, organizaram vigílias e, com espírito ecuménico, pediram aos párocos que organizassem romagens a Fátima, para agradecer à Virgem o fim do comunismo e a conversão da Rússia.
Cerca de 20 anos depois ter-se-ão acabado os Gulags, mas a Rússia está longe de ser um exemplo para os democratas. Putin não admite críticas ao seu Governo e por isso manda prender quem manifeste a sua oposição nas ruas. No sábado Kasparov foi outra vez parar ao xadrez, onde permaneceu até há poucas horas.
Putin – já não tenho dúvidas – está apostado em revitalizar os regimes de mão dura na Rússia e vai lançando avisos e ameaças sucessivas ao Ocidente.
O aumento da instabilidade interna, as perseguições aos seus opositores, o desaparecimento envolto em muita névoa de figuras da cena política russa, ( algumas gravitando em torno do poder, e outras que se lhe opunham) e as alianças com milionários “fastfood” como Abramovich, são avisos preocupantes que indiciam o regresso aos tempos da “Guerra Fria
Já há meses, no AlemdoBojador, manifestava o meio receio quanto ao futuro das relações entre a Rússia, a União Europeia e os Estados Unidos, até porque em alguns países que gravitaram na órbita de Moscovo no pós guerra e hoje integram a UE, há um recrudescer de insatisfação e manifestações, cada vez menos veladas, de um certo saudosismo do passado.
De forma nem sempre perceptível, o conflito tem-se vindo a agravar, constituindo uma ameaça para a Paz que, em minha opinião, pode ser mais perversa e real do que as ameaças terroristas da Al-Qaeda. E a razão é simples. Putin é cada vez mais contestado na Rússia e precisa de falar para o exterior de forma a que o seu discurso seja ouvido internamente numa espécie de ricochete mediático que os titulares do Poder, quando se sentem isolados, muito apreciam.
Bush deu-lhe um bom pretexto ao pretender implantar na Europa o “escudo celestial” anti-mísseis. A Europa acolheu bem a ideia e Putin, acossado, sentiu necessidade de “falar grosso”. Entre umas lágrimas diante das focas do Oceanário e um sorriso para a fotografia, vai lançando algumas ameaças que só agora a Europa começa a levar a sério. E é bom que o faça, pois no que concerne a direitos humanos na Rússia estamos conversados. A História, seja no tempo dos czares, durante o perverso regime comunista ou na actualidade, está prenhe de exemplos pouco encomiásticos para a “Grande Nação Russa”.
Fico curioso para saber como reagirá Europa se Putin se fizer eleger novamente, driblando a Constituição numa golpada ao estilo de Hugo Chavez

Tiepolo e as estratégias de marketing

Vai hoje a leilão o quadro de Tiepolo ( “O Enterro do Senhor") , obra em vias de classificação e que, por isso, não poderá sair do País.
A promoção do quadro tem sido feita através de uma campanha de marketing que faz lembrar a da Colecção Berardo a quem o Governo português, depois de aturadas negociações, entendeu conceder o espaço do CCB- seguida de uma mais que provável aquisição de toda a colecção.
A estratégia desta vez parece não estar a surtir os efeitos desejados, a avaliar pelo “apelo” desesperado de Clara Ferreira Marques.

Há coisas fantásticas, não há?

Só os mais distraídos não terão torcido o nariz, ou esboçado um sorriso, quando Ramos Horta anunciou que gostaria de propôr o nome de Durão Barroso para Nobel da Paz. O actual presidente timorense ou tem memória curta- por isso esqueceu a posição de Durão em relação a Timor - ou considera de somenos importância o facto de o ex-primeiro ministro português ter sido o anfitrião de uma cimeira onde Bush, Blair e Aznar decidiram invadir o Iraque, lançando o país numa sangrenta guerra civil e incendiando a região.
As coisas ficam mais claras, porém, quando se fica a saber que Ramos Horta, depois de ter interferido nas decisões da justiça timorense, anulando a decisão de um juíz, o mimoseou com o epíteto de “colonialista.
É caso para dizer que se as regras do desporto em relação ao doping se aplicassem ao Prémio Nobel, certamente que Ramos Horta teria que devolver o seu Prémio Nobel da Paz

Razões que tornam o mundo injusto (5)

O fosso entre ricos e pobres continua a aumentar. Enquanto milhões de pessoas morrem de fome, há quem pague 17 mil euros por uma sobremesa!

Lido noutro lado

Muito claro e expressivo o artigo de Maria José Nogueira Pinto sobre a Administração Pública.
Aqui

Postais da China 4- Uma ideia original...

Apesar de ainda haver muitas bicicletas a circular em Pequim, os automóveis e as motorizadas vão ganhando cada vez mais espaço.
Hoje em dia, em Pequim, há mais de três milhões de automóveis ( muitos deles topo de gama) em circulação e o trânsito é, por vezes, caótico. Um acidente agrava de tal forma a situação, que as autoridades locais foram obrigadas a tomar decisões drásticas.
Assim, no caso de pequenos acidentes, os automobilistas não podem parar, caso contrário são multados por estarem a interromper o trânsito.
O objectivo – asseguram- é tornar os condutores mais responsáveis, evitando os pequenos “toques”, pois sabendo que a multa é pesada no caso de pararem para discutir, acabam por assumir cada um os seus prejuízos. Um paraíso para as seguradoras!
Curioso, também, é o número de automóveis a circularem sem matrícula, para evitarem o controlo dos radares por excesso de velocidade. Claro que de vez em quando são apanhados, mas ao que me afiançou uma condutora, como é fácil subornar a polícia, “ o crime compensa”.