Quando caiu o muro de Berlim e o império soviético se esboroou , vítima das suas contradições, as beatas entraram em transe, organizaram vigílias e, com espírito ecuménico, pediram aos párocos que organizassem romagens a Fátima, para agradecer à Virgem o fim do comunismo e a conversão da Rússia.
Cerca de 20 anos depois ter-se-ão acabado os Gulags, mas a Rússia está longe de ser um exemplo para os democratas. Putin não admite críticas ao seu Governo e por isso manda prender quem manifeste a sua oposição nas ruas. No sábado Kasparov foi outra vez parar ao xadrez, onde permaneceu até há poucas horas.
Putin – já não tenho dúvidas – está apostado em revitalizar os regimes de mão dura na Rússia e vai lançando avisos e ameaças sucessivas ao Ocidente.
O aumento da instabilidade interna, as perseguições aos seus opositores, o desaparecimento envolto em muita névoa de figuras da cena política russa, ( algumas gravitando em torno do poder, e outras que se lhe opunham) e as alianças com milionários “fastfood” como Abramovich, são avisos preocupantes que indiciam o regresso aos tempos da “Guerra Fria”
Já há meses, no AlemdoBojador, manifestava o meio receio quanto ao futuro das relações entre a Rússia, a União Europeia e os Estados Unidos, até porque em alguns países que gravitaram na órbita de Moscovo no pós guerra e hoje integram a UE, há um recrudescer de insatisfação e manifestações, cada vez menos veladas, de um certo saudosismo do passado.
De forma nem sempre perceptível, o conflito tem-se vindo a agravar, constituindo uma ameaça para a Paz que, em minha opinião, pode ser mais perversa e real do que as ameaças terroristas da Al-Qaeda. E a razão é simples. Putin é cada vez mais contestado na Rússia e precisa de falar para o exterior de forma a que o seu discurso seja ouvido internamente numa espécie de ricochete mediático que os titulares do Poder, quando se sentem isolados, muito apreciam.
Bush deu-lhe um bom pretexto ao pretender implantar na Europa o “escudo celestial” anti-mísseis. A Europa acolheu bem a ideia e Putin, acossado, sentiu necessidade de “falar grosso”. Entre umas lágrimas diante das focas do Oceanário e um sorriso para a fotografia, vai lançando algumas ameaças que só agora a Europa começa a levar a sério. E é bom que o faça, pois no que concerne a direitos humanos na Rússia estamos conversados. A História, seja no tempo dos czares, durante o perverso regime comunista ou na actualidade, está prenhe de exemplos pouco encomiásticos para a “Grande Nação Russa”.
Fico curioso para saber como reagirá Europa se Putin se fizer eleger novamente, driblando a Constituição numa golpada ao estilo de Hugo Chavez

