segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Razões que tornam o mundo injusto (1)

Mais de 1000 milhões de pessoas, no mundo inteiro, vivem abaixo do limiar de pobreza

Um polémica disparatada

O “Público” deu destaque de primeira página a uma análise demolidora de Vasco Pulido Valente ao livro de Miguel Sousa Tavares. Foi uma maneira diferente de tentar vender jornais, explorando o “voyeurismo” dos leitores, que adoram “lavagem de roupa suja”. Enfim... “O Público” está cada vez mais um “Publicozinho”.
No que concerne à polémica, ainda não li “Rio das Flores”, mas pelo que conheço da escrita de MST não posso deixar de ligar a crítica destruidora de VPV com a animosidade existente entre ambos. A adjectivação utilizada por VPV é um misto de “revanchismo” e mau porte. Gosto de ler ( espaçadamente...) as crónicas de VPV , mas prefiro MST- embora reconheça que, nos últimos tempos, a sua sobranceria lhe fique mal.
Nada justifica – em minha opinião – a subjectividade e até um certo rancor, patente nas críticas de VPV. Reconheço que pode ser um grande cronista, ( embora me irrite alguma tendência para a tomada de posições elitistas) mas parece-me pobre como ser humano. VPV gosta de se ver como dono da verdade e utiliza frequentemente as palavras como armas de arremesso para denegrir. Parece-me que foi o que aconteceu com esta critica a MST. Por isso, vou a correr comprar “Rio das Flores”. Estou-me nas tintas para as críticas do VPV.

Postais da China 1-Macau revisitado


Macau está diferente. Muuuuuuuuuuitooo diferente! A cidade onde durante anos fui feliz e me senti como “peixe na água” parece-me hoje, 12 anos volvidos, um local estranho onde nada é como dantes. Curiosa, esta minha indiferença, porque o seu centro histórico está agora mais cuidado e preservado, a cidade mais limpa e o acesso a Cantão, Zuhai ou Hong-Kong mais facilitado. Dir-se-á ( e quem lá vive parece confirmá-lo...) que se vive hoje melhor em Macau e há mais ofertas culturais e lúdicas. O que se passa é que os meus pontos de referência desapareceram ou estão de tal modo descaracterizados, que já nada me dizem. Apenas em Coloane ( onde o “velho” Fernando continua a concentrar as atenções gastronómicas, desafiando os palatos mais exigentes), no jardim de Lou Lim Iok - que mantém um certo misticismo- e em deambulações pela Rua da Felicidade e adjacentes senti alguma nostalgia dos tempos idos
Ver hotéis transformados em casinos, o “kitsch” do “Fishermans Wharf”, do “Venetian” ou do “Sandals”, a descaracterização da rua dos “tintins”( agora substituídos por imobiliárias) não foi uma sensação agradável. Tive por momentos a sensação de que Macau foi transportado para o continente americano sob a fórmula de uma “China Town” dedicada ao jogo. Tudo me pareceu artificial, momentâneo, quase virtual, como se estivesse a viajar num postal ilustrado através do mundo do “faz de conta”.
Confesso que pensei que me ia emocionar quando lá chegasse, mas a verdade é que olhei para tudo aquilo como se estivesse lá pela primeira vez e não tive qualquer sensação de “perda” ( em relação aos anos felizes que lá vivi) nem uma centelha de saudosismo que me fizesse desejar voltar a lá viver. Não concebo trabalhar num local que apresenta como pontos de referência duas dúzias de casinos onde se joga o presente e o futuro à volta de uma roleta , de uma banca francesa ou de uma mesa de Black Jack.
Alguém disse que “um amor não se vive duas vezes”. Farto-me de refutar esta afirmação quando falo da Argentina- meu país de eleição- por quem me apaixono ainda mais cada vez que lá vou. Em relação a Macau, a asserção assenta como uma luva. Até porque- fiquei pelo menos com essa ideia- de Macau desapareceram os afectos. Como desapareceram os sons das pedras de Mah Jong e os odores tão característicos das ruas e vielas do seu centro histórico.
Nos anos 80 e 90, Macau tinha personalidade, tinha “alma”. Direi que hoje perdeu o seu afecto e se transformou numa cidade plastificada, injectada por toneladas de botox, ornamentada por edifícios de silicone. A grande recordação que trago de Macau reduz-se, quase exclusivamente, aos excelentes momentos em companhia do Arnaldo e da Rita, anfitriões amigos que me proporcionaram momentos de excelente convívio.

Big Brother ataca na blogosfera

O "Bigbrother” está de olho na blogoesfera. Quer controlar os “blogs”, de modo a “evitar abusos”. Estamos cada vez mais próximo da era Orwellliana.