Excelente o artigo de Fernanda Câncio no DN de hoje ( também no 5 dias) sobre o caso do cozinheiro despedido de um hotel por ser portador do vírus da Sida. Bem construído e documentado, arrasador para a justiça portuguesa. Apenas acrescentaria um pequeno pormenor: no caso de o cozinheiro vir a recorrer da decisão do Tribunal, nunca poderá ser reintegrado, pois a sentença do Tribunal de Trabalho ( apesar de dar como provadas circunstâncias que a própria ciência nega) não poderá ser recorrida na parte referente aos seus fundamentos.
Em Portugal continuamos a assistir ao triste espectáculo de alguns juízes proferirem sentenças com base nas suas convicções e não no direito, menosprezando a prova científica , o direito comparado, ou mesmo sentenças proferidas por outros juízes apontando em sentido contrário.
A justiça em Portugal é, cada vez mais, uma roleta russa.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
O embuste dos call-centers
Quando regressei de férias tinha na caixa de correio uma informação da Prosegur, dizendo que um funcionário daquela empresa estivera em minha casa no dia 5 de Dezembro, mas como não se encontrava ninguém para o receber, não pudera proceder ao serviço de manutenção do alarme.Telefonei para o número de contacto, brinquei com a situação ( pois ainda estávamos no dia 16 de Novembro...) e foi-me prometido que no dia 19 seria contactado pelos serviços técnicos, para marcar nova data de visita.
No dia seguinte ( dia 17) o alarme começa a apitar furiosamente durante a noite. Telefonei para o call center e quem me atendeu detectou o problema e deu-me instruções, via telefone, para o silenciar. Prometeu-me, entretanto, que no dia 19 ou 20 seria contactado pelos serviços técnicos da Prosegur.
Como ninguém me tivesse contactado, tomei a iniciativa de o fazer no dia 21.Mais uma vez tive que explicar toda a situação, deixar os meus números de telefone para ser contactado posteriormente. Hoje, dia 22, quando chego a casa encontro, para minha surpresa , nova informação de um funcionário da Prosegur, dizendo que se deslocara a minha casa ( sem qualquer aviso prévio, note-se...) para fazer a manutenção, mas não encontrara ninguém.
Este comportamento demonstra o desrespeito total que a Prosegur tem pelos seus clientes. Não me espantaria tanta incúria, incompetência e desconsideração pelo consumidor, no caso de se tratar de um serviço público ( como todos sabemos os funcionários públicos são uns malandros e incompetentes, deviam ser todos despedidos e, no caso de refilarem, condenados a prisão perpétua...).
Espanta-me é ver estas palhaçadas todas numa multinacional ( só o facto de se tratar de uma multinacional impõe de imediato respeito e confere imensa credibilidade, claro !).
Mais a sério. O que me aconteceu com a Prosegur não é episódio isolado. Outras empresas têm comportamentos semelhantes. Envia-se um e-mail e o mais provável é não se obter resposta ou ela vir passados vários meses. Liga-se para um call center, é-se muito bem atendido por vozes simpáticas e cordatas, prontas a ajudar, mas que na maioria das vezes não têm conhecimentos técnicos e invariavelmente são desprovidos de qualquer capacidade decisória. Por vezes ficamos longos minutos “pendurados” ao telefone à espera de uma tentativa de solução do problema que ( quase sempre) fica adiada... E como, em muitos casos, as chamadas para os call centers não são grátis, a conta de telefone engorda ao fim do mês.
Os call centers- anunciados pelas empresas como uma forma de estar mais próximas do consumidor, têm precisamente a função inversa. Na maioria dos casos tornam-se até perversos, porque quem lá trabalha não tem qualquer qualificação para dar soluções , o que apenas contribui para exasperar ainda mais os consumidores
Acontece, ainda, que quando ligamos para um call center são-nos dadas normalmente várias hipóteses de encaminhar a chamada, de acordo com o que pretendemos. Em todas as chamadas que fiz para a Prosegur não consegui, uma única vez, ser atendido pelos serviços técnicos. Ora isso deixa-me preocupado porque das duas uma: ou se trata de um “fait divers” para iludir os clientes, ou o trabalho nos serviços técnicos é tanto, que não têm capacidade de dar resposta a tantas reclamações.Há ainda outra hipótese, que me parece mais viável: a Prosegur é uma empresa cheia de gente incompetente, logo o mais provável é ser brevemente nacionalizada, já que a incompetência em Portugal está reservada aos funcionários públicos, não sendo aplicável ao sector privado.
Tanta incompetência, meu Deus!
Dois assaltos a bancos falhados no mesmo dia. Até os criminosos parecem ter deixado de encarar a vida com profissionalismo. Com tanta incompetência, onde iremos parar?
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