Assisti em Macau, na companhia do meu amigo Arnaldo Gonçalves, ao rocambolesco episódio do “por que no te calas”. Na altura, como no lugar onde estávamos, o televisor não tinha som, não nos apercebemos do que se passara. Ainda no avião que me trouxe até Paris fiquei elucidado e fiz o meu juízo: o rei excedeu-se. Depois de aterrar, pese embora os esforços da imprensa e alguma blogoesfera me tentarem convencer do contrário, mantenho a minha opinião. Juan Carlos não tem qualquer legitimidade para mandar calar um representante eleito pelo povo, mesmo que ele diga o que não lhe agrada. Ou muito me engano , ou não levará muito tempo até que o rei, ou Zapatero, convidem o líder venezuelano a visitar Espanha.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Bem vindo sejas, Pedro
Reparo que há muitas alusões na blogoesfera ao facto de Pedro Rolo Duarte ter criado um blog, lembrando que ele sempre se manifestou descrente e distante em relação à actividade bloguista. E depois? Qual é o problema? Por mim é bem vindo e passará a ser um dos meus blogs de consulta obrigatória.
Ota congrega interesses de maçaricos e patos bravos
Disse-me uma joaninha...que um bando de maçaricos de bico direito que estava a preparar a sua vinda para Portugal para passar o Inverno num resort próximo de Alcochete, resolveu adiar a viagem, depois de ter visto o noticiário da SIC ontem à noite. De acordo com aquele canal televisivo, a vinda dos maçaricos de bico-direito para Portugal poderá pôr em risco a construção do aeroporto de Alcochete, devido ao perigo de colisão entre as aeronaves e aqueles passarocos que têm por hábito deslocar-se em bandos numerosos.Fonte bem informada ( Luís Filipe Vieira) terá dito à joaninha que o líder dos maçaricos está a envidar todos os esforços para conseguir reunir-se com José Sócrates e Mário Lino, no intuito de estabelecer negociações com vista à deslocação dos maçaricos para outra região do País. Ainda de acordo com a mesma fonte, José Sócrates ainda não anuiu à pretensão do líder dos maçaricos, pois pretende ter uma conversa prévia com Fernando Pinto ( administrador da TAP) e com o líder da oposição, Luís Filipe Meneses, com quem pretende concertar a posição do Governo português face à ameaça da invasão dos maçaricos.
Sabe-se, ainda, que a JS ( onde abundam os maçaricos) pretende sensibilizar Sócrates para tomar uma decisão definitiva quanto à construção do Aeroporto na Ota, solidarizando-se assim com os maçaricos de bico direito. Por uma vez, parece que Sócrates acatará as pretensões da JS e anunciará, em breve, a inevitabilidade de optar pela Ota como o local privilegiado para a construção do aeroporto.
“ Com esta decisão satisfaremos as pretensões dos maçaricos , dos patos bravos e outras aves de grande porte com interesses financeiros relevantes, que insistem no aeroporto da Ota” – terá declarado Sócrates a um círculo restrito de amigos.
Marcelo vs Vitorino
Assisti à homilia dominical do Professor Marcelo e confirmei aquilo que há uns tempos suspeitava. O Professor está em baixa e os seus sermões são cada vez mais desinteressantes. Falta alguma centelha ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, talvez marcado pelos episódios recentes em que se envolveu aquando das eleições do PSD. Apesar dos esforços de Maria Flor Pedroso, Marcelo não consegue abandonar o seu tom monocórdico, a sua mensagem epistolar deixou de ser convincente e perde-se no vazio de redondilhas gastas. Os “crentes” começam a ficar cansados com este modelo da homilia dominical. Espero que Marcelo recupere a tempo de evitar o naufrágio.
As conversas de Vitorino com Judite de Sousa, à segunda-feira, têm outra animação. António Vitorino é incisivo e directo. As suas análises são mais profundas e claras e os temas abordados ( pelo menos esta semana) são escolhidos de forma mais criteriosa. As suas análises à questão do Kosovo, ou ao ( para mim) inexplicável puxão de orelhas de Bento XVI aos bispos portugueses, além de explícitas, denotam uma inteligência e perspicácia raras nos comentadores portugueses.
Uma das razões para que Vitorino esteja em ascensão e Marcelo em queda, prende-se também com o modelo das suas intervenções. Marcelo - com quase 40 minutos de programa – acaba por cair na tentação do arrebique, tornando o seu discurso fastidioso. A riqueza do programa está, por outro lado, cada vez mais dependente dos acontecimentos a nível nacional, e como a política portuguesa está muito desinteressante, Marcelo acaba por perder-se na vacuidade.
Pelo contrário, os 15 minutos de Vitorino passam num ápice. O seu discurso fluente e a variedade dos temas abordados em tão escasso período, geram apetência para ver o programa da semana seguinte. Por outro lado, enquanto com Marcelo podemos prever antecipadamente os temas que irá abordar, com Vitorino somos sempre surpreendidos com a análise de um caso menos mediático que ele torna relevante pela forma como o analisa ( Foi o caso, esta semana, da “reprimenda” de Bento XVI aos bispos portugueses e a forma como ligou este facto com o aparecimento de novas manifestações e aproveitamentos religiosos).
O naipe de comentadores que vale a pena ouvir na televisão portuguesa completa-se com Miguel Sousa Tavares à terça-feira.Já fui fã do Miguel e quase sempre estava de acordo com as suas opiniões. Hoje, tendo a discordar cada vez mais e a irritar-me frequentemente com o ar de superioridade com que faz a s suas análises. A fórmula encontrada pela TVI para Miguel Sousa Tavares ( em minha opinião...) prejudica-o Gostava de o ouvir num programa com um modelo idêntico ao de Vitorino e Marcelo, para poder fazer uma avaliação comparativa Embora não tendo a mesma “bagagem” política e cultural , Miguel Sousa Tavares tem a vantagem de ser directo e “sem papas na língua”. Num programa autónomo talvez perdesse um pouco da sua arrogância e descesse à terra, pois é disso que me parece que ele anda a precisar...
As conversas de Vitorino com Judite de Sousa, à segunda-feira, têm outra animação. António Vitorino é incisivo e directo. As suas análises são mais profundas e claras e os temas abordados ( pelo menos esta semana) são escolhidos de forma mais criteriosa. As suas análises à questão do Kosovo, ou ao ( para mim) inexplicável puxão de orelhas de Bento XVI aos bispos portugueses, além de explícitas, denotam uma inteligência e perspicácia raras nos comentadores portugueses.
Uma das razões para que Vitorino esteja em ascensão e Marcelo em queda, prende-se também com o modelo das suas intervenções. Marcelo - com quase 40 minutos de programa – acaba por cair na tentação do arrebique, tornando o seu discurso fastidioso. A riqueza do programa está, por outro lado, cada vez mais dependente dos acontecimentos a nível nacional, e como a política portuguesa está muito desinteressante, Marcelo acaba por perder-se na vacuidade.
Pelo contrário, os 15 minutos de Vitorino passam num ápice. O seu discurso fluente e a variedade dos temas abordados em tão escasso período, geram apetência para ver o programa da semana seguinte. Por outro lado, enquanto com Marcelo podemos prever antecipadamente os temas que irá abordar, com Vitorino somos sempre surpreendidos com a análise de um caso menos mediático que ele torna relevante pela forma como o analisa ( Foi o caso, esta semana, da “reprimenda” de Bento XVI aos bispos portugueses e a forma como ligou este facto com o aparecimento de novas manifestações e aproveitamentos religiosos).
O naipe de comentadores que vale a pena ouvir na televisão portuguesa completa-se com Miguel Sousa Tavares à terça-feira.Já fui fã do Miguel e quase sempre estava de acordo com as suas opiniões. Hoje, tendo a discordar cada vez mais e a irritar-me frequentemente com o ar de superioridade com que faz a s suas análises. A fórmula encontrada pela TVI para Miguel Sousa Tavares ( em minha opinião...) prejudica-o Gostava de o ouvir num programa com um modelo idêntico ao de Vitorino e Marcelo, para poder fazer uma avaliação comparativa Embora não tendo a mesma “bagagem” política e cultural , Miguel Sousa Tavares tem a vantagem de ser directo e “sem papas na língua”. Num programa autónomo talvez perdesse um pouco da sua arrogância e descesse à terra, pois é disso que me parece que ele anda a precisar...
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