quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Conversas com o Papalagui (4)

Papalagui-Porque é que vocês têm tantas Zitas deputadas?
Portuga - Só conheço uma ...
Papalagui-Não, há pelo menos duas ...
Portuga- Como assim?
Papalagui- Uma defende a baixa dos impostos , exige o referendo ao Tratado Europeu e é contra a regionalização. A outra combate a baixa dos impostos, considera o referendo inoportuno e é a favor da regionalização. Então há ou não pelo menos duas Zitas?
Portuga- Hummmm!Parece-me bem que é a mesma...
Papalagui-A mesma?
Portuga-Sim, uma é do PSD de Filipe Meneses e a outra é ex- PCP, ex-PSD de Marques Mendes e ex-ateia, mas são a mesma pessoa. Muda de cor e de opinião conforme sopra o vento...
Papalagui -Vá-se lá perceber estes portugueses... Vou mas é voltar para a minha terra!
Portuga- Deixa-te lá disso, Papalagui! Aquilo são tiques que lhe ficaram dos tempos em que era do PCP e estava habituada a dizer sempre amen com o chefe. Agora que está no PSD tem opinião própria!

Conversas com o Papalagui (3)

Ouvi dizer que Santana Lopes vai ser eleito amanhã presidente do Grupo Parlamentar do PSD. Quando é que vai pedir a demissão?

A gorjeta

- Quanto é que deixamos de gorjeta?
- Eu não deixo nada...
- Então porquê? O empregado até era simpático e prestável.
- Lá isso é verdade, mas deixei de dar gorjetas porque é uma estupidez e sinto-me a fazer figura de parvo...
- Mas quando estás no estrangeiro deixas, que eu já vi!
- Lá fora é diferente. Eu dantes, cá em Portugal, também deixava. Queres saber porque deixei de dar gorjeta?
- ?....
- Antigamente quando dávamos gorjetas, sabíamos que ia para o empregado, mas agora já não podemos ter essa certeza. Desde que os preços passaram a incluir taxas de serviço, era suposto deixar de se dar gorjeta. É essa a prática em muitos países lá fora. E eu só dou gorjeta nos sítios onde está escrito nas ementas “ taxa de serviço não incluída”.
- Eh, pá, sabes muito bem que é o patrão que fica com as taxas de serviço....
- Ora aí é que está o problema! Fica, mas não devia, porque as taxas de serviço deveriam ser distribuídas pelos empregados. Mas isso não é o pior... o que me faz sentir parvo é saber que em muitos estabelecimentos as gorjetas são metidas numa caixa...
- E distribuídas por todos os empregados no final de cada semana, ou de cada mês...

- Isso pensas tu! Apesar de não concordar com a repartição das gorjetas por igual, porque premeiam o empregado simpático e diligente e o antipático e sorna da mesma forma, isso não é o pior! O pior é que em muitos restaurantes o patrão também recebe a sua parte das gorjetas.... achas que ando a dar gorjetas a gajos que ganham mais do que eu?

As vindimas

“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”

( Cântico popular)

As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.
Terminei essa vivência, quando tive que procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”. Ainda hoje recordo, com alguma saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina. Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, uma pequena notícia de jornal devolveu-me estas recordações e deixou-me com um ligeiro amargo de boca. A Real Companhia Velha está a utilizar uma máquina para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.
Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas.

Conversas com o Papalagui (2)

Li em qualquer parte que Portugal tem dois milhões de pobres. Só pode ser mais uma invenção dos jornalistas...

Conversa com o Papalagui (1)

Ouvi dizer que há um banco em Portugal que perdoou uma dívida de 12 milhões de euros ao filho do patrão. É a isso que vocês chamam economia de mercado?