terça-feira, 16 de outubro de 2007

Leituras



Acabei de ler – e recomendo- a entrevista de Gilles Lipovetsky ao DN Magazine, a propósito do seu último livro
Em “A Felicidade Paradoxal” o filósofo e sociólogo francês desmistifica a ideia que a maioria das pessoas alimenta, de ser possível atingir a felicidade através do consumo.
A verdade, porém- garante Lipovetsky- é que à medida que nos afogamos no prazer de consumir, vamo-nos sentindo mais infelizes.
A minha leitura: isso acontece porque nos desgostamos quando percebemos que na sociedade da hiperescolha a vaidade de exibir a última novidade dura um tempo muito escasso e isso deprime-nos. A ânsia de ser o primeiro a comprar o livro do Harry Potter, o iPhone ou a última versão da Play Station é um fenómeno universal que leva as pessoas( seja em Portugal, em Inglaterra, nos EUA ou na China) a correr atrás da última novidade. Hoje em dia as pessoas não se limitam a querer ser felizes. Sentem-se obrigadas a sê-lo. É isso que “justifica” a obsessão de querer ser o primeiro. Porque ser primeiro – acreditam- é ser vencedor, é diferenciar-se da enorme massa humana que vai comprar nos dias seguintes o mesmo produto.Não estar entre os primeiros a adquirir um produto, a visitar uma loja, a ir a um restaurante ( ou atravessar o Túnel do Marquês) é visto quase como um insucesso. E as pessoas convivem mal com “este insucesso”. Por isso tornámo-nos infelizes e já nem tempo temos para ser solidários.