segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meio século à espera de decisões ( ou a causa ambiental explicada aos iniciados)

Em 1961, um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para os problemas ambientais, ao chamar a atenção para a existência de um eco-sistema e a necessidade de o preservar, como forma de garantir um ambiente saudável.
Em causa estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT, que Carson descreve da seguinte forma:
“Para acabar com os escaravelhos que estavam a destruir os ulmeiros, a Câmara da cidade de East Lansing (Michigan) pulverizou as árvores com DDT e no Outono as folhas caíram e foram devoradas pelos vermes. Ao regressarem, na Primavera, os tordos comeram os vermes e ao fim de uma semana quase todos os tordos da cidade tinham morrido.”
Anos mais tarde foram encontrados vestígios de DDT em baleias criadas ao largo da costa da Gronelândia situada a centenas de quilómetros das áreas agrícolas mais próximas, e concentrações de insecticida nos ursos e pinguins da Antártida, longe de qualquer área sujeita a pulverização com DDT ou qualquer outro insecticida.
Durante a década de 60, são vários os acontecimentos que vão despertar as pessoas para a necessidade de preservar o ambiente e começa a falar-se da possibilidade de ocorrência de catástrofes ecológicas. Em 1966,enquanto no País de Gales cerca de 150 pessoas ( a maioria delas crianças) morrem sepultadas num monte de resíduos de carvão que desaba sobre uma escola, um novo livro ( “Limites para o Crescimento”) vem alertar o mundo para os sinais de degradação ambiental. No ano seguinte, um grupo de cientistas apresenta, na Califórnia, um relatório esclarecedor:os aerossóis estão a destruir a camada de ozono e se a sua utilização permanecer ao mesmo ritmo, o número de cancros da pele crescerá exponencialmente. Só nos EUA, os cientistas prevêem mais oito mil casos anuais. Entretanto, alterações de clima e inexplicáveis acontecimentos metereológicos lançam grandes preocupações na comunidade científica.
A causa ambiental ganha novos adeptos e a ONU decide avançar para a realização de uma Conferência Mundial sobre o Ambiente, marcada para 1972 em Estocolmo.A Cimeira- que conta já com a participação do Greenpeace fundado no Canadá em 1971- decorre em plena guerra do Vietname e os EUA são acusados de estar a perpretar uma destruição ecológica durante o conflito. O debate entre países ricos e pobres, que há-de ser uma constante quando se discutem problemas ecológicos, é iniciado com uma intervenção de Indira Gandhi que pergunta aos delegados dos diversos países:
“Como podemos nós falar, àqueles que vivem em aldeias e bairros de lata, em manter limpos o oceanos, os rios e o ar, quando as suas próprias vidas são contaminadas desde a origem?”
Maurice Strong, - o secretário geral da Conferência- compreende o que está em jogo e responde nestes termos:“ É o cúmulo do descaramento que o mundo desenvolvido manifeste surpresa quando os países em desenvolvimento identificam chaminés fumegantes de fábricas com progresso. Afinal, é isso que nós temos feito desde sempre!”.

As posições de pobres e ricos mantiveram-se inconciliáveis e no final, para além de promessas (que não serão cumpridas) de ajuda dos países ricos aos países pobres, que permitam reduzir as diferenças que os separam, a única medida palpável foi a autorização para que fosse criado um secretariado permanente para estudar os problemas do ambiente, no seio da ONU.
Em 1987, o relatório da Comissão Brundtland veio deixar claro que os entusiasmos criados em Estocolmo tinham sido refereados e nem o acordo assinado por vários países, comprometendo-se a reduzir para metade a emissão de CFC (clorofluorcarbonetos) responsáveis pela destruição da camada de ozono, dá mais confiança aos ambientalistas numa solução do problema.
Indiferentes aos problemas ambientais e gozando, por vezes, da complacência dos governos, as multinacionais vão explorando os recursos dos países do terceiro mundo, especialmente os asiáticos, e sendo responsabilizadas por desastres ecológicos que provocam número indeterminado de vítimas, como o de Seveso (Itália), Bhopal (Índia) ou Exon Valdez (Antártida). O património histórico também está ameaçado e a UNESCO alerta para os perigos que ameaçam a Acrópole. Em Chernobyl (URSS) – mofando de quem assegurava a impossibilidade de um acidente - explode um reactor nuclear que liberta para a atmosfera uma gigantesca nuvem radioactiva que atinge vários países europeus e, na Alemanha, um incêndio numa fábrica de produtos químicos polui gravemente o Reno.
Em 1990, novos acordos para a eliminação , até ao ano 2000, dos produtos mais perigosos para a camada de ozono e a redução das emissões de gases poluentes são alcançados, chegando-se à Cimeira da Terra que se realizou no Rio de Janeiro em 1992, num clima de grande optimismo. Debalde. Durante a Cimeira, as desavenças entre países pobres e ricos acentuam-se e mesmo no seio dos países da UE as fricções são bem visíveis..
O principal êxito da Cimeira foi o seu mediatismo, que trouxe a temática ambiental para a discussão pública e criou uma maior consciencialização das pessoas para o problema.
Trinta e cinco anos após a Cimeira de Estocolmo, quase 50 desde o livro de Rachel Carlson e muitas Cimeiras depois, embora conhecido o diagnóstico e as possíveis medicamentações para a cura do Planeta, os “médicos” continuam a olhar para a doente com ar grave e, com um encolher de ombros, declarar: “a doente está muito mal, mas não vamos fazer nada para a curar, porque não nos entendemos quanto à medicação a ministrar-lhe”.

Blog Action Day 3

Ela é tão bonita, porque não contribuir para a preservar?

Blog action Day 2

Elas mereciam melhor sorte...


A extinção de espécies aumenta todos os anos, pondo em risco o equilíbrio dos ecosistemas. A avaliação da aplicação da Convenção sobre biodiversidade assinada no Rio em 92, tem sido sucessivamente adiada. Há no entanto, desde já, a certeza de um recuo nas posições assumidas por parte de países considerados “vanguardistas” nesta matéria, como é o caso do Canadá e da Noruega.

Blog Action Day 1

Este é o resultado do "Consumo Nosso de cada dia"....

Para quê tanto desperdício?

Ricardo, estou contigo!

Finalmente, li alguém que está comigo na defesa da ASAE. Ricardo Araújo Pereira, na crónica da Visão desta semana, sai em defesa daquele organismo, apontando também a incoerência dos argumentos que atacam a ASAE, pela simples razão de cumprir o seu dever.

O Paraíso adiado


Ainda antes de tomar posse, V.Exª apontou as seguintes prioridades para o seu mandato até 2009:
-limpar as ruas varrendo os dejectos caninos,
- arrancar os cartazes de feira que conspurcam os edifícios,
- limpar fachadas,
- eliminar os “graffitti” de mau gosto,
- limpar os jardins e espaços verdes
- e a partir de 12 de Setembro, acabar com os estacionamentos selvagens (nomeadamente em segunda fila). Numa palavra, o que V.Exª prometeu aos lisboetas foi o Paraíso!
Passado um mês sobre a entrada em vigor da “Tolerância Zero”, em relação ao estacionamento selvagem, aconteceu o que se esperava: NADA! Pelo contrário, quando os cidadãos de Lisboa se aperceberam que as boas intenções duraram apenas uma semana, o estacionamento tornou-se mais indisciplinado, aumentaram os cócos de cão e as pichagens nos edifícios.
Penso que V.Exª terá finalmente percebido que a Câmara que vai dirigir nos próximos dois anos não é a de Helsínquia, mas sim a de Lisboa. Sinto-me, por isso, na obrigação de o esclarecer acerca de algumas peculiaridades da capital portuguesa e o advertir que em Lisboa não vivem finlandeses educados, mas sim um subproduto da população portuguesa a que vulgarmente se chama – erradamente- lisboetas. A verdade, porém, é que a maioria dos lisboetas já não vive em Lisboa e, os que ainda cá vivem , estão acantonados em condomínios privados ou no bairro da Lapa. Sejamos por isso, claros: a população da autarquia que V. Exª está obrigado a gerir é constituída, maioritariamente, por uma mescla de saloios que há 50 anos vinha de carroça para Lisboa vender alfaces, com uma tribo de tiranetes que exploravam pretos em África e lhes “papavam” as filhas virgens. Ora esta população que hoje em dia habita Lisboa tem algumas características que convém não menosprezar e que me permito relembrar-lhe:

1- São ingratos. Apesar de o 25 de Abril- qual fada madrinha da Gata Borralheira- lhes ter permitido substituir a carroça por potentes máquinas; fornecido água potável canalizada; substituído o petromax por electricidade; facultado o acesso a uma parafernália de bens de consumo que a maioria nunca imaginou possuir; possibilitado a escolha do presidente de Câmara e conferido um vasto leque de mordomias a que não estavam habituados, os eufemisticamente chamados lisboetas são uns ingratos. Detestam políticos – como se não fosse graças a eles que conseguiram melhorar as suas condições de vida- e por isso os tratam como “escumalha”.
2 - São ignaros- Esta mescla de saloios e exploradores a que daqui para a frente apelidarei, generosamente, de população de Lisboa, é também pouco esclarecida. Pensou que não valia a pena votar no passado dia 15 de Julho, já que sendo o seu objectivo primeiro dizer mal de quem fosse eleito, não era necessário tanto incómodo. Além disso, a população de Lisboa desconhece não só a história da cidade em que habita, mas também o significados das pedras vivas que diariamente se atravessam no seu caminho e para as quais olham com profunda indiferença. Por isso lá afixam cartazes e espicham “graffittis” de mau gosto.
3- São carentes Se V. Exª pensa que vai acabar com os cócós de cão nas ruas de Lisboa, desiluda-se! Talvez não se tenha apercebido disso, mas os habitantes de Lisboa são uns carentes...Só assim se explica que hoje em dia nenhum habitante de Lisboa que se preze, dispense a companhia de um animal de estimação. Seja num T1 de 40 metros quadrados, seja numa “penthouse” de 200, há sempre lugar para um animal, seja ele um minúsculo “lulu” ou um mastodôntico São Bernardo. Em qualquer urbanização é possível ver todas as noites, nas áreas envolventes dos prédios, pessoas passeando os cãezinhos de estimação na hora de satisfazerem as suas necessidades. É um momento sublime e de grande significado sociológico, pois muitos utilizam os parques infantis como sanita canina. Como deve estar recordado, Salazar saía duas noites por semana, discretamente, para se inteirar dos preços dos produtos. No dia seguinte, reunia os seus Ministros, comunicava-lhes o que tinha visto, pedia-lhes as suas opiniões e depois decidia. Proponho a V. Exª que faça o mesmo ( embora reconheça que não será fácil, já que V.Exª optou por viver em Sintra que sempre é mais limpa e arejada...) mas em vez de se inteirar dos preços, observe os comportamentos dos cidadãos que passeiam os seus cãezinhos à noite. Verificará que a maioria deixa que os animais defequem à sua vontade, olham para as dimensões do dejecto e avaliam se o animal está totalmente “aliviado”. Depois seguem o seu caminho. Há alguns raros espécimens que se dão ao trabalho de pegar nos dejectos com um saquinho de plástico. Dizem-me que esses são os lisboetas que ainda vivem na capital nas mesmas condições dos habitantes de Lisboa.

4- São mal educados A forma como tratam de suprir as carências afectivas, sem depois cuidarem devidamente dos dejecto do seu afecto, demonstra a sua falta de educação. Também cospem para o chão e estão sempre de dedo em riste fazendo gestos obscenos, mas a sua latente má educação é denunciada nos transportes públicos e quando conduzem. O seu lema é: tenho “pisca pisca, logo existo”. Por isso estacionam em segunda fila, em curvas , passadeiras, lugares para deficientes, em cima dos passeios, em paragens de autocarros e os outros que se danem. Se V.Exª conseguir acabar com isso não num mês, mas em dois anos, considerá-lo-ei um herói e serei o primeiro a subscrever a sua candidatura em 2009.

5- Julgam ser o centro do mundo Um habitante de Lisboa julga sempre ser o centro do Universo. À sua volta tudo está mal, mas cada um sabe muito bem como pôr as coisas na ordem, porque ele é o exemplo acabado da perfeição. Por isso, encontra sempre justificação para não apanhar os dejectos do cão, estacionar o carro em transgressão, ultrapassar o sinal vermelho, abster-se no dia das eleições, etc. Os outros, que fazem o mesmo, é que têm falta de civismo...
6- São masoquistas Caro Dr. António Costa, não desanime! A revelação que lhe faço antes de terminar esta carta ajudá-lo-á a resolver os problemas e a cumprir as suas promessas: os habitantes de Lisboa são masoquistas Cheguei a esta conclusão ao ler os classificados do DN e do Correio da Manhã e constatar o elevado número de “dominadoras” que oferecem os seus préstimos... Ora um homem que gosta de ser dominado e humilhado por uma mulher entre quatro paredes, é porque deseja, no seu íntimo, ser humilhado e dominado por um poder superior. Acorrentado e chibatado, o habitante de Lisboa torna-se submisso, obediente e dócil. O que V.Exª terá pois que aprender é a usar as algemas e manejar a chibata. Sem usar a arrogância do sr. engenheiro, mas fazendo-os perceber que, uma vez na vida, as intenções proclamadas em manifesto eleitoral são para cumprir. Se o fizer, ainda lhe sobrará tempo para pegar nos dossiês e tentar pôr ordem no caos em que o Prof Carmona Rodrigues e a sua equipa deixaram a capital portuguesa.