quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A idade da inocência(?)

Ao passar nas traseiras do Atrium Saldanha, sou interpelado por duas jovens classe média ( a julgar pelo vestuário, mas nos dias de hoje nunca fiando...) sentadas em amena conversa num parapeito da escadaria :
- Pode-nos dar um cigarro?
-
Não fumo...- Não fuma? ( em uníssono, com tom de barítono...)
- Não, ganhei juízo!
- Nunca fumou?
- Já, durante muito tempo, e de vez em quando ainda dou umas passas numa cigarrilhazita..- Ah! Então tem cigarrilhas...
-
Não, aqui não tenho- Que azar! Não nos pode dar dinheiro para comprar um maço de cigarros?
- Que idade é que vocês têm?
- 16 (
não aparentavam mais de 14, mas fingi acreditar)
-
Porque é que vocês não pedem dinheiro aos vossos pais?- ( ...)
- Ganhem mas é juízo, ainda são muito novinhas para essas coisas

- Dê-lá, são só 3 euros! A gente deixa-o apalpar-nos as mamas.

As avós da Plaza de Mayo e o cordeiro de Deus


A Argentina é o meu refúgio de férias favorito desde 1995. Nessa altura, a Patagónia ainda era a “Terra das Mil Lendas" e o Perito Moreno um santuário imaculado.
A Argentina mudou imenso nesta última década, principalmente desde o “Corralito” de 2001 e a ascensão ao poder de Nestor Kirchner, mas sempre que vou a Buenos Aires não dispenso uma ida à Plaza de Mayo numa tarde de quinta –feira.
É ali, frente à Casa Rosada, (sede do Governo) que todas as semanas se reúnem em vigília as mães e avós de Mayo. São mulheres que envergam xailes e empunham cartazes reclamando a devolução dos cadáveres dos seus filhos e netos assassinados durante a sangrenta ditadura argentina.
Já lá vão quase três décadas, mas o ritual repete-se semanalmente, porque aquelas mulheres recusam-se a esquecer os facínoras que delapidaram centenas de vidas, deixando os opositores ao regime morrer nos cárceres ou lançando-os de helicópteros, ainda vivos, nas águas do Atlântico. Muitos deles eram jovens que lutaram e morreram por uma causa.
Hoje gostaria de estar na Plaza de Mayo, porque sei que muitas daquelas mulheres deixarão transparecer, durante a sua vigília, um sentimento de alívio pela condenação a prisão perpétua do Padre Christian Von Wernich. Antigo capelão da polícia de Buenos Aires, foi o primeiro religioso a ser condenado “por crimes contra a humanidade” durante a ditadura militar. Consta da acusação a prática de sete homicídios qualificados 31 casos de tortura e 42 privações ilegais de liberdade. Nada mau para um "cordeiro de Deus"...
Oxalá não seja o último facínora a apodrecer nas celas das prisões argentinas.


O preço das notícias grátis(3)

Nos últimos dias, o "Metro" tem trazido encartes publicitários. No entanto, em vez de virem soltos dentro do jornal, os encartes vêm colados. Conclusão: ao retirá-los, somos obrigados a rasgar um pouco da página. Hoje a situação tornou-se ainda mais desagradável, porque ao retirar o encarte( mesmo com muito cuidado) rasgava-se uma parte da crónica do José Júdice. Como leitor, fiquei chateado. Se o cronista fosse eu, não toleraria a situação!

O preço das notícias grátis (2)

Não é novidade para ninguém que os jornais gratuitos existem graças à publicidade e aos salários vergonhosos que pagam aos jornalistas ( No Global Notícias nem jornalistas há, pois limita-se a reproduzir notícias dos jornais do grupo).
Não é por isso causa de admiração que o "Metro" utilize muitas vezes uma “capa falsa”, com conteúdo publicitário. O problema é que a maioria das pessoas , logo que pega no jornal se desfaz dessa capa, sendo confrangedor ver o número de leitores que nem se dão ao trabalho de a colocar num recipiente adequado, preferindo atirá-la para o chão. Algumas estações de metropolitano apresentam um aspecto deplorável, logo às 9 da manhã, com “capas falsas” espalhadas pelo chão.
Esta prática representa um custo ambiental que deveria ser ponderado, seguindo o exemplo de Londres, onde os proprietários dos jornais gratuitos são obrigados a providenciar a recolha dos despojos e a proceder ao seu envio para a reciclagem. Lucrava-se em termos ambientais e evitava-se o ar nojento de algumas estações de metropolitano.