Os indígenas da Melanésia sentiam-se maravilhados com os aviões que passavam no céu, mas desolados porque só os brancos os conseguiam apanhar. Tendo chegado à conclusão que isso se devia ao facto de os brancos possuírem no solo objectos idênticos àqueles que cruzavam os céus, os indígenas construíram simulacros de avião com ramos e lianas, delimitaram um espaço que iluminavam durante a noite e, pacientemente, aguardavam que os aviões ali viessem cair.
Não consta que a prática tenha dado grandes resultados, ignorando-se se por inépcia dos indígenas, se por esperteza de quem tripulava os aviões. A verdade, porém, é que as grandes cadeias de supermercados e megastores parecem ter sabido aproveitar o exemplo dos melanésios e (talvez por terem conseguido aperfeiçoar as camuflagens e os métodos de sedução, mas também porque os consumidores se revelaram mais incautos que os tripulantes dos aviões) conseguem atrair diariamente aos grandes espaços coloridos dos hipermercados e centros comerciais, milhares de consumidores a quem vendem a mais variada gama de produtos inúteis e superfluos, por vezes acoplados a sonhos de automóveis sorteados em concursos de ocasião ou férias em ilhas paradisíacas.
É certo que muitos consumidores vão a estes grandes acampamentos “só para ver". Algumas cotoveladas e muitos atropelos depois, porém, saem de lá com os carrinhos a abarrotar e, pela mão, a bicicleta ou o brinquedo de ocasião que o rebento mais novo- ainda enxugando com as costas da mão uma última lágrima -reclamou com choros e gritos vigorosos.
Não consta que a prática tenha dado grandes resultados, ignorando-se se por inépcia dos indígenas, se por esperteza de quem tripulava os aviões. A verdade, porém, é que as grandes cadeias de supermercados e megastores parecem ter sabido aproveitar o exemplo dos melanésios e (talvez por terem conseguido aperfeiçoar as camuflagens e os métodos de sedução, mas também porque os consumidores se revelaram mais incautos que os tripulantes dos aviões) conseguem atrair diariamente aos grandes espaços coloridos dos hipermercados e centros comerciais, milhares de consumidores a quem vendem a mais variada gama de produtos inúteis e superfluos, por vezes acoplados a sonhos de automóveis sorteados em concursos de ocasião ou férias em ilhas paradisíacas.
É certo que muitos consumidores vão a estes grandes acampamentos “só para ver". Algumas cotoveladas e muitos atropelos depois, porém, saem de lá com os carrinhos a abarrotar e, pela mão, a bicicleta ou o brinquedo de ocasião que o rebento mais novo- ainda enxugando com as costas da mão uma última lágrima -reclamou com choros e gritos vigorosos.