quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Qual a próxima oferta?

Valentim Loureiro ofereceu electrodomésticos. Foi eleito, fez muitos gondomarenses felizes e ouviu críticas de todo o lado.
O Governo distribui computadores nas escolas ao sábado. Melhora as capacidades dos jovens, reduz o analfabetismo tecnológico, faz muitos jovens felizes e ouve críticas de todo lado.
O Governador Civil de Braga vai distribuir telemóveis pelos idosos. Vai contribuir para a felicidade das operadoras de telemóveis, ser acusado de demagogia e muito criticado de todos os lados.
Já não se pode ser generoso, ou "quando a esmola é grande, até o pobre desconfia?"

Agradeçam a estes homens...se eu não estiver enganado!

Devagar, devagarinho, as notícias sobre o desaparecimento de Maddie vão passando para segundo plano. Nada que não tivesse previsto aqui há uns dias. Com o que não contava é com a notícia que acabo de ver na RTP: " Mourinho demite-se do Chelsea".
Esta ajuda preciosa vinda de um português que vive em Inglaterra, zangado com o russo que o contratou, vai fazer correr muita tinta, atear muitas discussões e ajudar a vender mais alguns "desportivos ".
E logo à tarde, depois de ser conhecida a decisão da UEFA em relação a Scolari, os portugueses lançar-se-ão em apaixonadas e arrebatadoras discussões, seja qual for a sentença. Todos os telejornais abrirão com a notícia de Scolari, seguida da de Mourinho ( será que alguém me vai surpreender e arriscar outro alinhamento? Duvido...) Assim se passarão 20 a 30 minutos dos telejornais , onde teremos que ouvir as opiniões dos visados, de comentadores, especialistas, responsáveis federativos e um ou outro anónimo.
Portanto, meus amigos, se não se interessam por futebol, hoje basta ligarem os vosso televisores a partir das 20h30m, porque até lá não haverá notícias. Depois da publicidade, em jeito de complemento, ouvir-se-ão, a correr, algumas notícias sobre questões "menores", da política nacional e internacional.
O caso Mc Cann passará para terceiro ou quarto plano e assim continuará nos próximos dias, até ao esquecimento total.
Mas a 3 de Maio de 2008 estejam todos atentos, pois tudo quanto for jornal, capa de revista ou noticiário televisivo, irá assinalar devidamente a efeméride com perguntas inquietantes do estilo:
"Afinal, onde está Maddie?"; " Um ano depois, como é a vida dos Mc Cann?"; " A PJ continua convencida que Maddie morreu na noite de 3 de Maio"; "Onde vão os Mc Cann passar as férias este ano?"; " Como é a vida na Praia da Luz , um ano depois do desaparecimento misterioso de Maddie Mc Cann?"; " Em Leicester, familiares e amigos dos Mc Cann evocam o desaparecimento de Maddie" ou "Mc Cann têm esperança de voltar a ver a filha"( este, claro, seguido de alusões ao caso Natascha Kampusch)
Assim se cumprirá a profecia que aqui fiz há alguns dias. Mas também não é preciso ser adivinho para fazer estas previsões...

Semana da (i)mobilidade

Pertenço ao grupo daqueles portugueses idiotas e ingénuos que acreditaram que algo iria mudar, quando o “Dia Europeu Sem Carros” chegou a Portugal. No primeiro ano, no sítio onde trabalhava, muitos foram os que chegaram ao trabalho de bicicleta ou a pé, porque a cidade aderira, em peso, à iniciativa. Estávamos em 2000 e era a novidade do princípio do século. Muitos dias antes prepararam-se múltiplas actividades, escreveram-se centenas de artigos na imprensa ( só à minha conta escrevi uns 10) , mobilizaram-se as pessoas.
Logo no ano seguinte, porém, o entusiasmo esmoreceu e acabaria por ser sepultado quando Santana Lopes decretou não alinhar em folclores”. Em substituição da iniciativa, propôs a Semana da Mobilidade. Há gente assim... gosta de fazer tudo em grande, para que tudo fique na mesma.
Hoje em dia a “semana da mobilidade” passa quase despercebida e não é convenientemente aproveitada para fazer debates aprofundados sobre a (falta de) qualidade de vida nas cidades e as formas de mobilidade alternativas. A maioria das pessoas nem sequer se apercebe ( e muito menos se dá ao trabalho de pensar no assunto...) que a vida nas cidades tem de mudar para que a qualidade de vida urbana não esteja continuamente a degradar-se. Fica tudo pelo “faz de conta” . Bem à portuguesa e com um cheirinho a demagogia barata.